Sérvios

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Os sérvios (em sérvio: Срби, Srbi) são um povo eslavo do sul que vive principalmente na Sérvia, Montenegro e na Bósnia e Herzegovina.

População[editar | editar código-fonte]

A maior parte dos sérvios (cerca de 6 700 000) vive na terra natal sérvia nos estados da Sérvia e do Montenegro. Uma grande população de sérvios também vive na Bósnia e Herzegovina (cerca de 1 500 000) - onde eles são uma nação constituinte e vivem principalmente na República Sérvia (Република Српска, Republika Srpska) - e na Croácia (cerca de 200 000) - a maioria na entidade que durante a década de 1990 constituiu a não-reconhecida internacionalmente República Sérvia de Krajina.

Várias minorias sérvias também existem na República da Macedônia (cerca de 36 000), Eslovénia (cerca de 39 000), Romênia (cerca de 23 000), Albânia (cerca de 37 000) e Hungria (cerca de 4 000). Um grande número de sérvios também se dispersou pelo mundo, com populações mais notáveis na Alemanha (com estimativas que variam entre 125 000 e 700 000), Áustria (~177 000), Suíça (cerca de 96 000), Estados Unidos (cerca de 175 000), Canadá (cerca de 80 000), Reino Unido (cerca de 55 000), França (de 60 000 a 80 000), Itália (cerca de 25 000) e Austrália (cerca de 97 000), além de outros países.

No Brasil são mais de 400 mil entre sérvios e seus descendentes.

As maiores populações urbanas de sérvios na antiga Iugoslávia são encontradas em Belgrado (mais de 1 500 000), Novi Sad (cerca de 250.000), Niš (cerca de 200 000) e Banja Luka na Bósnia (cerca de 200 000).

Fora do país, Viena (Áustria) é conhecida como a cidade de maior população sérvia, seguida por Chicago e sua região metropolitana nos Estados Unidos, e Toronto no Canadá.

Os sérvios constituíam cerca de 70 % da população do antigo estado de Sérvia e Montenegro.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Figuras proeminentes incluem os cientistas Nikola Tesla, Mihajlo Pupin, Ruđer Bošković, Jovan Cvijic, Milutin Milanković e Mileva Marić (matemática e primeira esposa de Albert Einstein); o famoso compositor Josip Runjanin; o celebrado autor Ivo Andric; o produtivo inventor Ogneslav Kostovic Stepanovic; o sábio Djura Jaksic; as estrelas do esporte Vlade Divac e Peja Stojaković. O governante sérvio durante a Idade Média Estêvão Nêmania e seu filho, São Sava (Rastko Nemanjic), fundaram o monastério de Hilandar para a Igreja Ortodoxa Sérvia, um dos maiores e mais antigos monumentos cristãos ortodoxos do planeta.

A mãe de dois entre os últimos imperadores bizantinos, João VIII Paleólogo e Constantino XI Paleólogo, era a princesa sérvia Helena Dragaš.

Língua[editar | editar código-fonte]

A maioria dos sérvios falam a sérvio língua sérvia, um dos idiomas do grupo eslavo do sul. Enquanto a identidade sérvia é de certa forma língüística, com exceção do alfabeto cirílico que eles usam junto com o alfabeto latino, a língua é muito similar ao croata e muitos lingüistas consideram tanto o sérvio quanto o croata partes de uma língua servo-croata comum.

Há numerosas variantes da língua sérvia. As formas mais antigas de sérvio são o sérvio antigo e o russo-sérvio, uma versão da língua da igreja eslavônica.

Alguns membros da dispersão sérvia não falam a língua (geralmente no Canadá, Estados Unidos e Reino Unido), mas são considerados sérvios pela origem étnica ou descedência. Os não-sérvios que estudaram a língua sérvia incluiem algumas figuras proeminentes como Goethe (Johann Wolfgang von Goethe) e John Ronald Reuel Tolkien (J. R. R. Tolkien).

Nomes de família[editar | editar código-fonte]

A maioria dos sobrenomes possui o sufixo -ić (IPA: /itj/, Cirílico: -ић). É freqüentemente transcrito como -ic. Os nomes sérvios eram antes freqüentemente transcritos com a terminação fonética -ich ou -itch. Essa forma é muitas vezes associada com os sérvios anteriores ao começo do século XX: então Milutin Milanković é habitualmente citado, por razões históricas, como Milutin Milankovitch.

O sufixo -ić é um diminutivo eslavo, originalmente funcionando como criador de patronímicos. Dessa forma o sobrenome Petrić significa pequeno Petar ou Pedrinho, da mesma forma, por exemplo, que o prefixo comum escocês Mac ("filho de") e Fitz nos nomes irlandeses. Estima-se que dois terços dos sobrenomes sérvios terminem em -ić, mas que cerca de 80 % dos sérvios carregam um sobrenome que se estende entre dezenas ou até mesmo centenas de grandes famílias não-relacionadas.

Outros sufixos comum aos sobrenomes sérvios são -ov e -in que são sufixos do caso possessivo eslavos, dessa forma, como exemplo, o filho de Nikola recebe o sobrenome Nikolin, o filho de Petar, Petrov, e o de Jovan, Jovanov. Os dois sufixos são muitas vezes combinados.

Os sobrenomes mais comuns são Nikolić, Petrović e Jovanović.

Religião[editar | editar código-fonte]

A identidade sérvia é baseada no cristianismo ortodoxo e na Igreja Ortodoxa Sérvia, de tal forma que alguns nacionalistas sérvios afirmam que aqueles que não tem o cristianismo ortodoxo como fé não são sérvios. Isto é um erro: a conversão dos eslavos do sul do paganismo para o Cristianismo teve lugar antes do Grande Cisma do Oriente, que dividiu o catolicismo entre os gregos orientais e os católicos ocidentais. Após o cisma, aqueles que viviam sob a esfera de influência ortodoxa tornaram-se ortodoxos e aqueles que viviam sob a esfera de influência católica tornaram-se católicos. Alguns etnologistas consideram que as distintas identidades de sérvios e croatas se relacionam mais com a religião que com a etnia. Coma chegada do Império Otomano, alguns sérvios e croatas se converteram ao Islã. Isto ocorreu particularmente - mas não completamente - na Bósnia.

Os mais conhecidos cidadãos muçulmanos sérvios são Mehmed Paša Sokolović e Meša Selimović.

Símbolos[editar | editar código-fonte]

A bandeira sérvia é uma bandeira tricolor com faixas horizontais vermelha-azul-branca. É muitas vezes combinada com um ou ambos outros símbolos sérvios:

  • A águia de duas cabeças branca era o brasão da dinastia Nemânica.
  • A cruz sérvia. Se mostrada em um dos campos, tradicionalmente no vermelho, mas pode ser usada sobre todos os campos da bandeira.

A águia e a cruz, além de ser a base de vários brasões sérvios através da história, são bases para símbolos de várias organizações sérvias, partidos políticos, instituições e companhias.

O povo sérvio tem vestimentas variadas, na maioria das vezes por causa da diversidade geográfica e climática do território habitado pelos sérvios. Porém, algumas partes deste vestuário são comuns:

  • Um sapato tradicional que é chamado de opanak (Опанак). É reconhecível pelos bicos distintos virados para trás. Cada região da Sérvia possui um tipo diferente de bico para os opanaks.
  • Um chapéu tradicional chamado de šajkača (шајкача). É facilmente reconhecível pela sua parte superior que lembra a letra V ou a base de uma canoa (vista de cima). Ganhou popularidade no começo do século XX e era o chapéu do exército sérvio na Primeira Guerra Mundial. Ainda hoje é usado por muitos aldeões, e era um item comum de cobertura entre os comandantes militares sérvios bósnios durante a Guerra da Bósnia na década de 1990.

Costumes[editar | editar código-fonte]

Os sérvios são uma sociedade altamente familiar. Uma olhada no dicionário sérvio e a riqueza de sua terminologia relativa ao parentesco dizem muito.

De todos os eslavos e cristãos ortodoxos, apenas os sérvios têm o hábito da slava. O costume pode também ser encontrado entre alguns russos e albaneses de origem sérvia embora o costume tenha se perdido no século XX. Slava é a celebração de um santo; é improvável que no principal costume que é comum a todo um povo, cada família separadamente celebre seu próprio santo (naturalmente, há uma grande quantidade que celebra o mesmo santo), a quem consideram seu protetor. Uma slava é transmitida de pai para filho e cada família pode ter apenas uma celebração, o que significa que a ocasião reúne toda a família.

Apesar de uma grande quantidade de velhos costumes não serem praticados, muitos dos costumes que cercam o casamento sérvio ainda o são.

A tradicional dança sérvia é uma dança em círculo chamada kolo. É uma dança coletiva, onde um grupo de pessoas (habitualmente doze, no mínimo três) seguram um ao outro pelas mãos ou em volta da cintura dançando, idealmente em círculo, daí o nome. A mesma dança, com o mesmo nome, também é tradicional entre os croatas. Danças em círculo similares também são tradicionais em outras culturas da região.

Os sérvios têm seus próprios costumes no que diz respeito ao Natal. De manhã bem cedo na véspera do Natal o chefe da família deve ir à floresta cortar o badnjak, um jovem carvalho, que deve então ser levado a uma igreja para ser abençoado por um padre. Então o carvalho deve ser desgalhado e seus galhos junto com trigo e outros grãos devem ser queimados na lareira. A queima do badnjak é um ritual que certamente tem origem pagã e é considerado um sacrifício a Deus (ou aos velhos deuses pagãos) de forma que o ano novo seja repleto de comida, felicidade, amor, sorte e riquezas. Atualmente, a maioria dos sérvios vivem em cidades, sendo mais simples ir à missa levando um pequeno galho de carvalho, trigo e outros galhos amarrados, depois levá-los para casa e fazer uma pequena fogueira. O piso das casas e da igreja é coberto com feno, fazendo lembrar os pastores de ovelhas do estábulo onde Jesus nasceu.

O dia de Natal é celebrado com um banquete, obrigatoriamente com um leitão assado como o prato principal. Outro prato de Natal é um delicioso bolo doce feito de trigo, chamado koljivo, sendo que comê-lo é mais um ritual que alimentação.

O Natal não é associado a presentes como no mundo ocidental, embora seja o dia de São Nícolas, o santo protetor das crianças, a quem os presentes são dados. Contudo, durante o período comunista, a maioria das famílias sérvias dava presentes no dia de ano novo. Santa Claus (Deda Mraz) e as árvores de natal são também vistas na Sérvia, mas são importadas do ocidente.

Os sérvios religiosos também celebram outros feriados religiosos e até mesmo as pessoas não religiosas celebram a Páscoa (na data ortodoxa).

Os sérvios também celebram o Ano Novo no dia 31 de dezembro do calendário juliano e o ano novo ortodoxo (atualmente no dia 14 de janeiro do calendário gregoriano).

Nome[editar | editar código-fonte]

A etimologia da palavra "sérvio" (raiz: srb) é desconhecida. Existem inúmeras teorias, mas nenhuma pode ser considerada certa ou até mesmo provável:

  1. Alguns acreditam que o nome é de origem sármata/iraniana. De qual palavra especificamente não está claro. Contudo, uma teoria sugere que derive da palavra sarv que significa cipreste (a árvore).
  2. Outros acreditam que o nome proceda da palavra sebar, que significa camponês. Contudo, como os camponeses não existiam nos tempos pré-medievais e o nome sim, isso não parece razoável.
  3. Outros dizem que o nome procede de saborac, que significa co-combatente. Isso poderia fazer sentido mas as palavras são muito desiguais. É possível que a palavra saborac proceda de sebar, que faria essa teoria mais interessante, mas não há muita base para sutentação de ambas.
  4. Alguns acreditam que o nome proceda de srkati, que significa absorver, sugar, referindo-se às pessoas tão proximamente unidas como se dividissem a mesma mãe de leite.
  5. Mais uma teoria afirma que o nome proceda do latim. Autores latinos, que são os primeiros a mencionar o nome, chamavam-nos Servi ou Servoi, que significa escravo ou servo. Esse nome provavelmente data da época que os romanos conquistaram a Trácia e a Ilíria.
Todos os lugares no mundo com nomes começados com "Srb" estão concentrados em torno da Sérvia e da Sorábia.

Contudo, uma coisa é certa: o nome é muito antigo. É claramente uma auto-identificação e não um nome dado e sua raiz não pode ser encontrada nas línguas europeias ocidentais.

É interessante notar que a raiz do nome dos croatas (raiz: hrv) também é desconhecida. Alguns sugerem que os nomes na verdade se originaram da mesma raiz: realmente, as raízes são claramente similares (srb - hrv). Contudo, não se sabe se é mera coincidência ou a indicação de uma origem comum.

Apesar da origem, a idade e a raridade do nome deixa conclusões históricas certamente baseadas nele.

Enquanto os ucranianos e os krajischniks (seus nomes derivam da palavra eslava kray, para "marcas" ou "terras fronteiriças") ou os eslovacos e os eslovenos (obviamente variações para "eslavos") não precisam ser explicados, sérvios e sorábios precisam sê-lo. Alguns têm levado isso ao extremo, criando teorias mirabolantes que ligam os sérvios com os sármatas, a Sírmia, Serbona, a Sibéria e assim por diante.

Relação com os sorábios[editar | editar código-fonte]

Bandeira da Sérvia.
Bandeira da Sorábia.

A óbvia similaridade entre os nomes leva à conclusão que sérvios e sorábios são povos relacionados. De fato, na língua sérvia, os sorábios são chamados Luzicki Srbi (sérvios da Lusácia) e a norte deles estavam os Beli Srbi (sérvios brancos).

Exatamente quais são as relações entre sérvios e sorábios não se sabe claramente:

  1. Acredita-se que os sérvios chegaram aos Bálcãs vindos da Sorábia.
  2. Também acredita-se que os sérvios chegaram aos Bálcãs vindos de uma terra natal comum junto com os sorábios. Onde era essa terra natal não se sabe.
  3. Alguns acreditam que sérvios e sorábios eram um único povo mas que se separaram antes de se deslocarem para os Bálcãs e Lusácia.
  4. Se nós aceitarmos a afirmação de que todos os eslavos chamam a si próprios de sérvios, então sérvios e sorábios não precisam ter nada mais em comum que quaisquer outros dois povos eslavos.

Apesar de qual ou quais afirmações estejam corretas, os sérvios e sorábios de hoje são povos muito diferentes, com costumes, tradições e religiões diferentes. A língua sérvia tem possivelmente mais em comum com o russo do que com o sorábios.

As bandeiras da Sérvia e da Sorábia são muito semelhantes, apenas com a posição das faixas azul e vermelha invertidas (embora ambas, na verdade, guardem suas origens na bandeira do pan-eslavismo). O tom da cor azul pode ser variável.

Topônimos[editar | editar código-fonte]

Alguns dos topônimos relacionados ao nome dos sérvios são:

Nomes próprios[editar | editar código-fonte]

Alguns dos antropônimos da mesma raiz de sérvios são:

  • Nomes
    • Srba
    • Srbijanka (fem)
    • Srbislav
    • Srboje
    • Srboljub
  • Sobrenomes
    • Srbić
    • Srbović
    • Srbinović

História[editar | editar código-fonte]

Antigas referências aos Serboi[editar | editar código-fonte]

A designação tribal Serboi apareceu primeiramente no século I na Geographia de Ptolomeu (livro 5, 9.21) para designar uma tribo habitante da Sarmátia, provavelmente no baixo rio Volga. O nome reaparece, na forma Serbioi, no século X pelo imperador-acadêmico Constantino VII Porfirogênito em De Administrando Imperio (32.1-16) e na continuação da história de Teófanes, o Confessor, [[Teófanes Continuado]] (288.17-20), frequentemente no mesmo contexto dos croatas, zaquilumianos e outros povos da Panônia e Dalmácia.

O nome dos sérvios tem sido identificado como a mais antiga referência histórica aos povos eslavos a partir de escritos de Procópio de Cesareia, que descreve um grupo de povos chamado spali ou spori. O nome spori é claramente relacionado aos sórbios da Lusácia e aos sérvios dos Bálcãs.

No manuscrito do anônimo Geógrafo Bavário está escrito: "…Zeruiani (os sérvios), de quem o reino é grande, que deles todos os povos eslavos são herdeiros e dizem se originar deles."

Constantino VII fornece uma derivação do nome não razoável a partir da palavra latina servi, que ele explica como douloi (escravos) dos imperadores romanos. Ele relata que os Serboi são descendentes dos pagãos Serboi que viviam no lugar chamado Boiki próximo à Frankia (Boêmia?), e que eles reclamavam a proteção do imperador bizantino Heráclio (reinado de 610 a 641), que os assentou na província de Tessalônica. A afirmação de Constantino VII é observada com algum ceticismo pelos acadêmicos modernos; desde o século XIX afirma-se com frequência que os sérvios chegaram à península Balcânica no século VI. Cecaumeno, escritor bizantino do século XI, localiza os Serboi próximos ao rio Sava, como também "A Crônica de Nestor", mas isto não é considerado confiável.

Os eslavos chegaram aos Bálcãs vindos de uma ampla região na Europa central e oriental, que se estendia entre os rios Elba a oeste e o Dniepre a leste e dos Cárpatos no sul ao rio Niemen no norte. Tribos diferentes se estabeleceram em diferentes partes da península Balcânica, subsequentemente desenvolvendo suas identidades distintas. Uma menção ao nome sérvio em 680 é sobre a cidade de Gordoservon na Ásia Menor onde "algumas tribos eslavas" haviam se estabelecido. Gorodservon parece ser uma pronúncia distorcida de Grad Srba, "Cidade dos Sérvios" em sérvio.

Seu estabelecimento nos Bálcãs parece ter acontecido entre 610 e 640. Constantino VII Porfirogênito escreve no De administrando imperio que os sérvios foram admitidos em Ráscia, Zaclúmia, Travúnia, Zeta (Dóclea), Bósnia, e Pagânia. A Sérvia era então governada principalmente pela Casa de Vlatimirović que, sob Caslava da Sérvia conseguiu unir todas estas terras numa confederação no começo do século X. A primeira data exata de um estado dos Serboi, a Sérvia, é do século IX. A lista episcopal do imperador bizantino Leão VI menciona bispos de Drougoubiteia e da Sérvia. Enviados dos Serboi chegaram à corte do imperador bizantino Basílio II Bulgaróctone por volta de 993.

No século XI havia provavelmente uma Tema da Sérvia; um selo de Constantino Diógenes, estratego da Sérvia está preservado. Por volta de 1040 Teófilo Erótico era o governador dos Serboi até ser expulso por Stefan Voislav, que supostamente conquistou o território dos Serboi e tornou-se seu arconte. T. Wasiliewski (1964) propôs que este tema era o Sirmio, enquanto Dj, Radocić (1966) acreditava que era o de Ráscia, apenas temporariamente governada pelos bizantinos.

Idade Média[editar | editar código-fonte]

Os sérvios foram cristianizados em várias ondas entre os séculos VII e IX com a última onda ocorrendo entre 867 e 874.

Durante e depois deste período, os sérvios lutaram para se tornarem independentes do Império Bizantino. Os primeiros estados sérvios foram Ráscia e Zeta. Seus governantes tiveram um grau variado de autonomia, até a virtual independência alcançada sob São Sava, que se tornou o primeiro líder da Igreja Ortodoxa Sérvia, e seu irmão Stefan Prvovencani, que se tornou o primeiro rei sérvio. A Sérvia não existia como um estado com esse nome mas era, particularmente, a região habitada pelos sérvios; seus reis e czares eram chamados de "Rei dos Sérvios" ou "Czar dos Sérvios". O estado medieval sérvio é apesar de tudo (de maneira anacrônica) referido como "Sérvia".

A Sérvia alcançou sua idade do ouro sob a dinastia Nemânica, com o estado sérvio alcançando seu apogeu do poder do reino do Czar Stefan Uroš Dušan. O poder sérvio subsequentemente diminuiu no meio de um interminável conflito entre a nobreza, tornando o país inapto para resistir a forte incursão do Império Otomano no sudeste da Europa. A Batalha de Kosovo em 1389 é comumente lembrada pela mitologia nacional sérvia como o evento chave na derrota do país pelos turcos, embora de fato o domínio otomano só foi completamente imposto algum tempo depois. Após a queda da Sérvia, os reis da Bósnia usaram o título de "Rei dos Sérvios" até a Bósnia também ser invadida pelos turcos.

Domínio otomano[editar | editar código-fonte]

Como cristãos, os sérvios eram considerados como "povo protegido" sob a lei otomana, mas na prática eram tratados como cidadãos de segunda classe e com frequência, grosseiramente. Foram submetidos a uma pressão considerável para se converteram ao Islã; alguns o fizeram, outros migraram para o norte e oeste, buscando refúgio na Áustria-Hungria.

No começo do século XIX, a Primeira Revolta Sérvia resultou na liberação de pelo menos alguns sérvios, por um tempo limitado. A Segunda Revolta Sérvia obteve muito mais sucesso, criando uma poderosa Sérvia que se tornou um moderno reino europeu.

Século XX[editar | editar código-fonte]

Espaço geopolítico de Sérvia e Montenegro e Bósnia e Herzegovina, as principais regiões habitadas pelos sérvios.
Balkans2010.png

No começo do século XX, muitos sérvios ainda estavam sob domínio estrangeiro - otomano no sul e austríaco no norte e oeste. No sul os sérvios foram libertados na Primeira Guerra dos Bálcãs de 1912, enquanto a questão da independência dos sérvios austríacos foi o estopim da Primeira Guerra Mundial dois anos depois. O nacionalista sérvio Gavrilo Princip assassinou o arquiduque austro-húngaro Francisco Ferdinando em Sarajevo, iniciando uma sequência de declarações de guerra que produziram um conflito continental. Durante a guerra, o exército sérvio lutou impetuosamente, tendo escapado através da Albânia para se reagrupar na Grécia para depois lançar uma contra ofensiva através da República da Macedônia. Apesar de vitoriosos, a guerra devastou a Sérvia e matou uma grande parcela da população - pelas estimativas, mais da metade da população sérvia masculina morreu no conflito, influenciando a demografia da região até os dias de hoje.

Após a guerra, o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos (depois chamado Iugoslávia) foi criado. Quase todos os sérvios agora viviam em apenas um estado. O novo estado tinha capital em Belgrado e era governado por um rei sérvio; era, contudo, instável e propenso a tensões étnicas.

Durante a Segunda Guerra Mundial, as Potências do Eixo ocuparam a Iugoslávia, desmembrando o país. A Sérvia foi ocupada pelos alemães, enquanto a Bósnia e a Croácia sérvias foram colocadas sob o controle dos italianos e o Estado Independente da Croácia sob o regime facista dos Ustaše. Sob o goberno dos Ustaše em particular, os sérvios e outros não-croatas foram submetidos a um sistemático genocídio onde milhares de pessoas foram assassinadas.

Após a guerra, a República Socialista Federal da Iugoslávia foi formada. Como na Iugoslávia pré-guerra, a capital do país foi estabelecida em Belgrado. A Sérvia era a maior república, contudo, o regime comunista de Josip Broz Tito diluiu seu poder estabelecendo duas províncias autônomas na Sérvia, Kosovo e Vojvodina.

A Iugoslávia comunista entrou em colapso no começo da década de 1990, com quatro de suas seis repúblicas se tornando estados independentes. Isto levou a várias guerras civis com grande parte das comunidades sérvias na Croácia e na Bósnia e Herzegovina tentando permanecer dentro da Iugoslávia, que agora consiste apenas de Sérvia e Montenegro. Outra guerra estourou no Kosovo, após anos de tensões entre sérvios e albaneses. Os resultados de todas estas guerras foi negativo para sérviso, croatas, bósnios e albaneses. Milhares de sérvios foram eliminados na limpeza étnica na Croácia.

Subgrupos[editar | editar código-fonte]

Os subgrupos sérvios são comumente baseados na distribuição regional. Alguns dos maiores subgrupos sérvios incluem: Šumadinci, Vojvođani, Bačvani, Banaćani, Sremci, Crnogorci, Bokelji, Hercegovci, Semberci, Krajišnici, etc.

Alguns sérvios, a maioria vivendo em Montenegro e na Herzegovina são organizados em clãs.

Povos cognatos[editar | editar código-fonte]

Referências - sérvios antigos e medievais[editar | editar código-fonte]

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  • Franz Martin Pelzels Geschichte der Böhmen, von ältesten bis auf die neuesten Zeiten. Aus den besten einheimischen und auswärtigen Geschichtsschreibern, Kroniken und gleichzeitigen Handschriften zusammen getragen, Erster Theil, Vierte fortgesetzte Auflage, Prag 1817
  • Franz Grabler. Aus dem Geschichtswerk des Laonikos Chalkokondilos. Europa im XV. Jahrhundert von Byzantinern gesehen. Byzantinische Geschichtsschreiber, Graz-Wien-Köln (1954)
  • Friderici Wideburgii, Origines et antiquitates Marggraviatus Misnici… Halae Salicae 1734
  • Franc. Xav. El. B. De Pejacsevich, Historia Serviae seu colloquia XIII de Statu Regni et religionis Serviae ab exordio ad finem, sive a saeculo VII ad XV. Auetore F.X. El. B. de Pejacsevich. Colocae MDCCXCVI (1796)
  • Howorth. The Spread of the Slaves, The Journal of the Antropological Institute of Great Britain and Ireland, vol. IX, London 1880, Part III The Northern Serbs or Sorabiens and the Obodriti
  • Martin Kromer, De origine et rebus gestis Polonorum Iibri XXX (1555)
  • Mauro Orbini, II regno De gli Slavi Hoggi corrottamente detti Schü-voni… In Pesaro MDCI (1601)
  • Monumenta Germaniae Historica... Edidit G.H. Pertz. Tomus I-VI 1826-1844
  • Nikolaus Volrab, Chronica von den Antiquiteten des Keisrlichen Stiftes/der Römische Burg und Stadt Marseburg… (Budišin 1556)
  • Neuve Chronica Türkischer Nation von Türken selbst beschrieben Frankfurt am Mayn 1590
  • Pomponii Melae de Chorographia Iibri tres recognovit Caroli;:- Fnck. Lipsiae 1880
  • P.J. Schafariks, Slawische Alterthümer, II, Leipzig 1844
  • Heinrich Kunstmann, Über die Herkunft der Polen von Balkan. Die Welt der Slawen, Halbsjahresschrift für Slavistik, Jahrgang XXIX, Heft 2, IV F. VIII, 2. München 1984
  • Hana Skalovä, Topografickä mapa üzemi Obodricü a Veletu-Luticu ve svetle mistnfch Jmen. Vznik a pocätky Slovanü. Pracha 1965
  • Joan Christopori de Jordan… De originibus Slavicis… Vindobonae MDCCXLV (1745)
  • Joannes Simoni Vandalia a 1598. scripta. Mon. Ren germ, praecipue Cimbricarum et Megapolensium… T. I, Lipsiae 1739
  • Joannis Bacmeisteri… Animadversiones Genealogico-Chronologico-hi-storico in Mareschalci Thurii Annalium Herulorum et Vandalorum Hbros septem. У збирци: Mon. ined. R.G. praecipue Cimbricarum, et Megapolensium… erui… Ernestus Joachim de Westphalen… Tomus I, Lipisae 1739
  • Johann Georg Essigs Kurze Einleitung zu der allgemeinen und besonderen Welthistorie, aufs neue übersehen, vermehrt, und bis auf gegenwärtige Zeit fortgesetzte, von M. Johann Christian Walz, Prof. der Historie am Her-zogl. Gimnasio. Zehnte Ausgabe, Stuttgart 1777
  • Karl Gottlob Anton, Erste Linien eines Versuches über die alten Slawen Ursprung, Sitten, Gebräuche, Meinungen und Kenntnisse. Ausgearbeitet von K.G. Anton, D. Leipzig 1783
  • Karl Gottlob Anton, Geschichte der Teutschen Nazion, Erster Theil… Geschichte der Germanen, Leipzig 1793
  • Karl Penka, Origines Ariacae, Linguistisch-ethnologische Untersuchungen zur ältesten Geschichte der arischer Völker und Sprache. Wien und Te-schen 1883
  • Laskaris Kananos, Die Nordlandreise des Laskaris Kanons (Byz. Geschichtsschreiber)
  • Ludwig Giesebrecht, Wendische Geschichten von der Karolingerzeit, Baltische Studien, Sechsten Jahrgang, Zweites Heft, Stettin 1839
  • Lubomir E. Havlik, Einige Fragen der Ethnogcnese der Slawen im Lichte der römischen und byzantinischer Historiographie (1. Hälfte des 1. Jahrtausends), Berichte II (1970), Band III, Berlin 1973
  • Blondi Flavii Foroiuliensis Historiarum de inclinatione Romanorum. Impressarum Venetiis Thomam Alexandrinum anno Salutis MCCCCLXXXiiii (1484) Kalendis Julii. Tu i Abreviatio Pii Pont max. supra decades Blondi ab Inclinatione Imperii usque ad tempora Joannis Vicesimi tertii Pont. max.
  • Chronica von dem Antiquiteten des Stifftes/der Romische Burg und Stadt Marseburg/an der Salach by Türingen/mit viel alten schöne Historien und Geschichten/als sich etwan vor alten Zeiten in Sachsen/Türingen/Meis-sen/und zu Wenden begeben… Gedruckt zu Budisin durch Nicolaum Wolrab MDLVI (1556)
  • Chronicon HoIIandiae de Hollandorum Repub. et Rebus Gestis com-mentarii Hugonis Grolii, Jani Dovsae patris, Jani Dovsae filii, Lugduni Ba-tavorum 1617
  • Conjectus introduetionis, in notitiam Regni Hungriae Geographicam, Historicam, Politicam et Chronologicam, inde a prima Gentis et Regionis Hungaricae Originibus usque ad aetatem nostram. Breviter et succinte, per successions temporum, produetam Studio et Opera Joannis Tomka Szäszky, Posonii 1759
  • Caroli Sigoni Histriarum de Occidentali imperio, libri XX… Cum índice copiosissime rerum et Verborum, Basileae MDLXXIX (1579)
  • Christophori Cellarii Smalkandcnsis Geographia Antiqua… 1687
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  • Codex Pomeraniae diplomaticus. Herausgegeben von D. Karl Friedrich Wilhelm Hasselbach… und D. Johann Gottfried Ludwig Kosegarten, Greifswald 1862
  • Chronicon Mundi (Correct Title): Regisrum huius operis libri chroni-corum cum figuris et imaginibus ab initio mundi. Norimbergae MCCCCXCIII (1493)
  • Chronici Carionis a Philippo Melanthone aueti et expositi… (1532). Anno 1581, 1593 [Wittebergae] MOXCIII (1593)
  • Cyriacus M. Spangenberg, Quenfurtische Chronica. Historischer Bericht, von der Aelten und Loblichen Herrschaft Quernfurt in Sachsen… vor und nach der Geburt Christi… In vier Bücher zusammengebracht durch M. Cyr. Spang. MDXC (1590)
  • Dauidis Chytrej Chronicon Saxoniae et vicini orbis aretoi. Pars prima. Ab anno Christi 1500 usque ad 1524 cum índice. Rostochii anno CIDIDXCII (1592)
  • Dissertatio de Lecho et Slavorum origine video meliora, proboque. Acta Societatis Jablonovianae de Slavis Lecho Czechoque. Item de Veris Zichis. Anni CIDIDCCLXXI (1771)
  • C. Desjardins: Physisch-Statistisch und Politischer Atlas von Europa, C. Desjardins, Wien, 1838.
  • Über die Abkunft der Slawen nach Lorenz Surowiecki von Paul Joseph Schaffarik, Doct. der Phil. und der f. k. Mag., Prof. am Gymnasium der Griech. n. un. Gemeinde in Neusatz, und der kön. Ges. der Freunde der Wiss. in Warschau, der Gel. Ges. an der Univ. in Krakau und der Gross-herz. lat. Soc. in Jena corr. Mitgliede. Leipzig, 1843
  • Kiepert's Handatlas, Dietrich Reimer, Berlin, 1860.
  • A. Stieler: Handatlas, Justus Perthes, Gotha, 1866
  • Kiepert's Atlas Antiques, Geographisches Institut, Weimar, 1884
  • Nikodim Milaš: Православна Далмација (OrtodoxDalmatia), Izdavačka knjižarnica Novi Sad, 1901
  • Кonstantin Jeriček: Историја Срба (History of Serbs), I-II, (photoiphya), Слово љубве, Београд, 1978
  • Early references to Serboi: A.Kazhdan, Oxford Dictionary of Byzantium (1991), vol.3, pp. 1875f.
  • Ivo Vukicevich: Rex Germanorum Populos Sclavorum (An Inquiry into the Origin and Early History of the Serbs/Slavs of Sarmatia, Germania and Illyria), Universiyu Center Press, Santa Barbara, 2001
  • Aleksandar J. Vukosavljević: Neka zapažanja o 30. glavi De administrando imperio — analiza izvora i osvrt na jedan dio istoriografije, Cape Town, 2004

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Statistični urad Republike Slovenije: 7. Prebivalstvo po narodni pripadnosti, Slovenija, popisi 1953, 1961, 1971, 1981, 1991 in 2002
  2. Државен завод за статистика: Попис на населението, домаќинствата и становите во Република Македонија, 2002: Дефинитивни податоци (PDF)
  3. Dr. Vladimir Grecic, Marko Lopusina: Svi Srbi sveta: Albanija
  4. Agentia Nationala pentru Intreprinderi Mici si Mijlocii: Recensamant Romania 2002
  5. Escritório Estatístico Central Húngaro: 1.28 População por língua mãe, nacionalidade e sexo, 1900–2001
  6. Escritório Estatístico Federal da Alemanha: População estrangeira em 31.12.2004 por país de origem
  7. Deutsche Gesellschaft für Technische Zusammenarbeit (GTZ) GmbH Serbs in Germany
  8. Mathis Winkler, Deutsche Welle: Pode a Sérvia Encarar o Passado? (Can Serbia Face the Past?)
  9. Statistik Austria: Volkszählung 2001 Hauptergebnisse I - Österreich (PDF)
  10. 2002 Análise da Comunidade Americana Sumário Tabelas Ancestralidade (Total de Categorias) para Pessoas com Uma ou Mais Categorias de Ancestralidade Informadas
  11. Dr. Vladimir Grecic, Marko Lopusina: Svi Srbi sveta: Srbi u Kanadi
  12. A Comissão de Relações Comunitárias para as Várias Culturas da Nova Gales do Sul: Ancestralidade por Local de Nascimento dos Pais - Austrália : 2001 Census (PDF)
  13. Agência Oficiasl de Estatística da Nova Zelândia: Ethnic Group - Up to Three Responses (XLS)
  14. Dr. Vladimir Grecic, Marko Lopusina: Svi Srbi sveta: Svedska
  15. Ministère des Affaires étrangères: Présentation de la Communauté étatique de Serbie-et-Monténégro
  16. Федеральная служба государственной статистики: 4.1. Национальный состав населения
  17. Gonen, Amiram, ed., The Encyclopedia of the Peoples of the World. New York: Holt. 1993. ISBN 0-8050-2256-2. p. 525, que fornece a seguinte estatística para a população sérvia na ex-Iugoslávia:
Sérvia 6,2 milhões
Montenegro 0,5 milhões
Bósnia e Herzegovina 1,5 milhões
Croácia 0,6 milhões