Campas

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Campas
População total

97 477

Regiões com população significativa
 Brasil, Amazonas 1 018 (Funasa, 2010)[1]
Línguas
português e Língua campa
Religiões
Católico e Shamanismo

Os campas (também denominados kampa, ashaninka[2] , Ande, Anti, Chuncho, Pilcozone, Tamba, Campari, asheninka[3] , acháninca, asháninka e ashininka) são um povo indígena que vive no Peru, na Bolívia e no estado do Acre, no Brasil. São mais de 70 000 índios, sendo cerca de 1 018 no Brasil e 51 000 no Peru. Habitam as Áreas Indígenas Kampa do Rio Amônea, Kampa do Rio Envira, Kaxinawá do Rio Humaitá, Kaxinawá/Ashaninka do rio Breu e Terra Indígena Igarapé Primavera, no Sudoeste do estado do Acre, no Brasil.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A etnia se autodenomina como asheninka, que significa "meus parentes", "minha gente", "meu povo". O termo também denomina uma categoria de "espíritos bons que habitam no alto"[4] .

História[editar | editar código-fonte]

Asháninkas no Acre

Os axanincas surgiram no Peru, por volta do século XII. São aparentados aos incas. Sua língua pertence ao tronco linguístico aruaque. Com a chegada dos espanhóis ao Peru, no século XVI, parte dos axanincas fugiu para a floresta amazônica, onde reside até hoje[5] .

Cultura[editar | editar código-fonte]

Os axanincas se destacam na tecelagem[6] .

Xamanismo[editar | editar código-fonte]

Entre os Ashaninka, tanto a bebida feita de ayuaska como o ritual são chamados kamarãpi ("vômito, vomitar"). A cerimônia é sempre realizada à noite e pode se prolongar até de madrugada. As reuniões são constituídas de grupos pequenos (cinco ou seis pessoas). O kamarãpi se caracteriza pelo respeito e silêncio, sendo a comunicação entre os participantes mínima, interrompida apenas por cantos inspirados pela bebida. Esses cantos sagrados do kamarãpi não são acompanhados por nenhum instrumento musical e permitem aos Ashaninka comunicarem-se com os espíritos, agradecerem e homenagearem Pawa, o sol, que, em sua mitologia, é o filho da Lua.

O kamarãpi é um legado de Pawa, que deixou a bebida para que os Ashaninka adquirissem o conhecimento e aprendessem como se deve viver na Terra. O conhecimento e o aprendizado xamânicos (sheripiari) se dão através do consumo regular e repetitivo da bebida, durante anos, sem nunca estar concluídos. A experiência confere respeito e credibilidade. É através do kamarãpi que o sheripiari realiza suas viagens nos outros mundos e adquire a sabedoria para curar os males e as doenças que afetam a comunidade. A cura realizada através do kamarãpi é eficaz apenas para as doenças nativas causadas, geralmente, por meio da feitiçaria. Contra as "doenças de branco", os Ashaninka só podem lutar com o auxílio de remédios industrializados.[7]

Em um trabalho de campo realizado entre julho e setembro de 2007 numa comunidade Asháninka de Bajo Quimiriki, no Distrito de Pichanaqui, no Departamento de Junín, no Peru[8] , foi identificada a utilização de 402 plantas medicinais, principalmente ervas. As famílias mais importantes, em termos de taxa, foram Asteraceae, Araceae, Rubiaceae, Euphorbiaceae, Solanaceae e Piperaceae. 84 por cento das plantas medicinais eram selvagens e 63 por cento foram coletadas da floresta. Espécimes exóticos representaram apenas 2 por cento das plantas medicinais. Problemas relacionados à pele, sistema digestivo e a categorias próprias de seu sistema de crenças culturais representaram 57 por cento de todas as aplicações medicinais.

Referências

  1. Instituto Socioambiental. Geral dos Povos Título não preenchido, favor adicionar (em português) Enciclopédia dos Povos Indígenas no Brasil.. Página visitada em 27 de março de 2012.
  2. http://pib.socioambiental.org/pt/povo/ashaninka/print
  3. http://pib.socioambiental.org/pt/povo/ashaninka/print
  4. http://pib.socioambiental.org/pt/povo/ashaninka/print
  5. http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u13075.shtml
  6. http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u13075.shtml
  7. Pimenta José. Ashaninka. I Sócio Ambiental Acesso Nov. 2010
  8. Luziatelli, Gaia; Sørensen, Marten; Theilade Ida; Mølgaard,Per. Asháninka medicinal plants: a case study from the native community of Bajo Quimiriki,Junín, Peru. Journal of Ethnobiology and Ethnomedicine 2010, 6:21 Acesso Nov. 2010

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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