Cone Sul

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Cone Sul

Southern cone.png

██ Região incluída em todas as acepções.

██ Regiões geralmente incluídas, mas não sempre.

██ Regiões só excepcionalmente incluídas.

Área 7.372.685 km²
População 60.715.454 ( 2008 est.)
Densidade 22.9/km²[1]
Países 4 ou 5
Dependencies 18
Gentílico sul-americano
Línguas Espanhol, Português, Italiano e outras
Fuso-horário UTC até UTC -10:00
Maiores
aglomerações
urbanas
(2005)
São Paulo
Buenos Aires
Santiago de Chile
Asunción
Montevideo

O Cone Sul (em espanhol: Cono Sur) é uma região composta pelas zonas sul da América do Sul, ao sul do Trópico de Capricórnio. Apesar de geograficamente incluir o Sul e parte do Sudeste (São Paulo) do Brasil, em termos de geografia política, o Cone Sul é tradicionalmente constituído por Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai. Em seu sentido mais restrito, que abrange apenas Argentina, Chile e Uruguai, a região é delimitada a norte com os estados do Brasil, Paraguai, Bolívia e Peru, a oeste com o Oceano Pacífico, e a sul com a junção entre os Oceanos Pacífico e Atlântico, área próxima da Antártida (1000 km).[2]

A principal língua falada na região é o espanhol, devido à colonização espanhola do século XVI ao XIX; se incluir o Brasil, a língua mais falada seria o português.

A alta expectativa de vida, o mais alto Índice de Desenvolvimento Humano da América Latina, o alto padrão de vida e a participação significativa nos mercados globais e as economias emergentes[3] dos seus membros fazem o Cone Sul uma das mais prósperas macro-regiões da América Latina.[2] [4][5]

Índice

[editar] Geografia

[editar] Geomorfología

Imagem de satélite do Cone Sul por mês.

Entre os elementos geográficos de destaque, encontram-se:

[editar] Clima

O clima predominante na região é o clima temperado, com quatro estações bem definidas. O extremo sul da região tem um clima de tundra isotérmica. O centro-norte da região (Uruguai, sul do Brasil e parte da Argentina) tem clima subtropical. O norte do Chile tem o deserto do Atacama, um dos mais secos da terra. A Patagônia Oriental tem um clima semi-árido frio. O extremo norte da região tem clima tropical. A cidade de Santiago do Chile tem clima do tipo mediterrâneo, e a região da Serra da Mantiqueira, no sudeste do Brasil, tem clima tropical de altitude.

[editar] Demografia

Densidade de população do Cone Sul. Habitantes/km²

A Argentina, o Uruguai e o Chile somados têm cerca de 60 milhões de habitantes e baixa taxa de natalidade. As capitais desses países - Buenos Aires, Santiago e Montevidéu estão praticamente em um mesmo paralelo geográfico. O Sul e Sudeste do Brasil, somados, têm 120 milhões de habitantes.

[editar] Etnias

As populações na Argentina, Chile, Uruguai e sul e sudeste do Brasil são, em sua maioria, descendentes de europeus mesclados com indígenas e africanos[6][7][8] principalmente provenientes da Itália, Espanha, Portugal, Alemanha e países eslavos. Outras etnias importantes são os descendentes de asiáticos, principalmente no Brasil (São Paulo e norte do Paraná) e de africanos (Brasil e Uruguai).

Na Argentina, a herança européia é a predominante, mas com significativa herança indígena, e presença de contribuição africana também. Um estudo genético, realizado em 2009, revelou que a composição da Argentina é 78,50% Européia, 17,30% Indígena, e 4,20% Africana.[9] Em Buenos Aires, um estudo genético encontrou contribuição indígena de 15,80% e africana de 4,30%. [10] Na região de La Plata, as contribuições européia, indígena e africana foram, respectivamente, 67.55% (+/-2.7), 25.9% (+/-4.3), e 6.5% (+/-6.4). [11] Quanto à população de Mendoza, um estudo genético encontrou a seguinte composição autossômica (DNA herdado tanto por parte de mãe quanto por parte de pai e que permite inferir toda a ancestralidade de um indíviduo): 46,80% de ancestralidade européia, 31,60% indígena e 21,50% africana.[12]

A população brasileira é formada principalmente por descendentes de povos indígenas, colonos portugueses, escravos africanos e de imigrantes europeus. Em 2007, os brancos eram 49,4% no censo. Em comparação, o número de pardos de 42,3% para o de pretos de 7,4%.[13]

A população chilena é principalmente por descendentes mesclados de europeus e indígenas, 95% da população.[6][7][8][14][15] Uma descrição pormenorizada da etnia mostra que 52,7% (8.8 milhões) - 90% (15 milhões) da população são descendentes de europeus.[15][16] Um estudo genético confirma que o povo chileno é mestiço, mas é notável que as camadas sociais mais baixas apresentam maior grau de ancestralidade indígena, enquanto as camadas mais altas da sociedade têm mais ancestralidade europeia.[17][18][18] Um outro estudo genético realizado em pessoas de Santiago, capital do Chile, encontrou uma mistura de ancestralidade, sendo 57% europeia e 43% indígena. Os habitantes de Concepción, outra cidade chilena, têm 65% de ancestralidade europeia e 36% indígena. Já os habitantes de Puerto Montt têm 53% de origem indígena e 47% europeia. Na localidade de Laitec a ascendência é 80% ameríndia e 20% europeia, enquanto que em Poposo é 60% ameríndia e 40% europeia.[19] Os índios chilenos são predominantemente de ancestralidade indígena. Um estudo genético envolvendo índios aymará encontrou 96% de sangue indígena e 4% de europeu ou africano. Os mapuches já são mais misturados, tendo 73% de sangue ameríndio e 27% de europeu ou africano. Os pehuenches têm ancestralidade 95% indígena e 5% não-índio, enquanto os alacaluf são 89% índios e 11% europeu ou africano.[19]

Um estudo genético feito pela Universidade de Brasília (UnB), em 2008, revelou que a composição genética do Chile é 51,60% Européia, 42,10% Indígena e 6,30% Africana.[20]

A população do Uruguai é origem principalmente européia. No decorrer do século XIX e do século XX, o Uruguai atraiu milhares de imigrantes europeus, com a intenção de povoar seu território com baixa densidade demográfica. A grande maioria desses imigrantes era de italianos e espanhóis, embora o Uruguai também tenha recebido imigrantes de outros países da Europa. Principalmente no interior do país, a população mantém ainda alguns traços ameríndios e africanos.

Um estudo genético de 2009, publicado no American Journal of Human Biology, revelou que a composição genética do Uruguai é principalmente Européia, mas com contribuição indígena (que varia de 1% a 20% em diferentes partes do país) e significativa contribuição africana (7% a 15% em diferentes partes do país). [21] A contribuição indígena no Uruguai foi estimada em 10%, em média, para a população inteira. Esse número sobe a 20% no departamento de Tacuarembó, e desce a 2% em Montevidéu. O DNA mitoncondrial indígena chega a 62% em Tacuarembó. [22] Um estudo genético de 2006 encontrou os seguintes resultados para a população de Cerro Largo: contribuição européia de 82%, contribuição indígena de 8% e contribuição africana de 10%. Esse foi o resultado para o DNA autossômico, o que se herda tanto do pai quanto da mãe e permite inferir toda a ancestralidade de um indivíduo. Na linhagem materna, DNA mitocondrial, os resultados encontrados para Cerro Largo foram: contribuição européia de 49%, contribuição indígena de 30%, e contribuição africana de 21%.[23]

Os censos populacionais do Paraguai não incluem nenhum item racial[24]. Segundo a CIA Factbook, 95% da população paraguaia tem ancestrais espanhóis e ameríndios[25]. A mestiçagem paraguaia também teve a contribuição de imigrantes que começaram a chegar no país após o conflito conhecido como Guerra do Paraguai (europeus especialmente, de países vizinhos mas também asiáticos) que ajudaram repovoar o país[26].

[editar] Principais cidades

Em ordem populacional, as maiores e mais importantes cidades são:

Cidade País População
São Paulo Brasil 10.927.985
Santiago Chile 5.428.590
Buenos Aires Argentina 2.995.397
Curitiba[27] Brasil 1.828.092
Montevideo Uruguai 1.668.335

[editar] Economia e padrão de vida

A característica mais significativa que distingue o Cone Sul do restante da América do Sul é a economia e alto padrão de vida. À exceção do Paraguai, a região é caracterizada por um índice de desenvolvimento humano semelhante ao da Europa Oriental (com IDH entre 0,800 e 0,900), tendo comparativamente renda mais alta, maior expectativa de vida e maior nível educacional em relação aos demais locais da América do Sul, embora exista pobreza nas periferias das metrópoles da região, em especial São Paulo e Buenos Aires.

Economia
País PIB PPC 2010 [28]
Brasil 2,172,058
Argentina 642,402
 Chile 257,884
Uruguai 47,986

A agropecuária é o motor da economia do Cone Sul, embora, devido ao clima, seja diferente da praticada no restante da América do Sul. Destacam-se as produções de trigo, aveia, cevada, centeio, uvas, soja, arroz, milho e batata. Na pecuária, destaca-se os gados bovino, ovino e suíno.

O subsolo do Cone Sul também é rico em recursos minerais, destacando-se o minério de cobre, estanho, bórax, salitre, ouro, prata e bronze, especialmente no norte do Chile e noroeste da Argentina. Na região andina há também grandes jazidas de urânio e na costa brasileira se destaca o Petróleo (bacia de Santos). Os mares que circundam o Cone Sul também são ricos em recursos de pesca.

[editar] Política

Durante a segunda metade do século XX, os países do Cone Sul foram governados por ditaduras militares, tendo colaborado com a Operação Condor contra a oposição esquerdista, incluindo guerrilhas urbanas. Entretanto, durante os anos 1980 e os anos 1990 houve um processo de redemocratização.

[editar] Inclusão do Brasil

Sendo o Brasil um país de dimensões continentais, apresenta grandes diferenças regionais internas. Enquanto sua parte mais meridional está correlacionada em questões naturais e sócio-econômicas com a Argentina, o Uruguai e o Chile, destacando ainda que certas regiões como o estado de São Paulo têm maior PIB e PIB per capita que esses três países, o norte se assemelha mais aos demais países sul americanos nessas questões. Por isso, o Brasil é incluído em algumas acepções quando se fala em Cone Sul, mas excluído em outras. Quando não se limita a definição a países inteiros, em geral são incluídos na região os estados da região Sul e da região Sudeste, especialmente o estado de São Paulo.

[editar] Inclusão do Paraguai

Devido à proximidade geográfica, história comum, geografia e ciclos políticos, o Paraguai costuma ser incluído no que se entende por Cone Sul. Entretanto, contrasta fortemente com os demais países dado o alto nível de pobreza, baixo padrão de vida e baixo nível de industrialização, sendo por isso algumas vezes excluído da definição.

Referências

  1. This North American density figure is based on a total land area of 7,372,685sq km
  2. a b Steven, F.. (2001). "[http://books.google.com/?id=npOUfgC8qkMC&pg=PA3&dq=%22cono+sur%22+chile+argentina+bolivia+peru+paraguay+uruguay Regional Integration and Democratic Consolidation in the Southern Cone of Latin America]". Democratization 14: 75–100. Routledge.
  3. Cómo hacer pesar las diferencias del Cono Sur
  4. http://www.marketresearch.com/product/display.asp?productid=1696455
  5. Encyclopedia of world environmental history. 1142. 
  6. a b SOCIAL IDENTITY Marta Fierro Social Psychologist.
  7. a b massive immigration of European Argentina Uruguay Chile Brazil
  8. a b Latinoamerica.
  9. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1469-1809.2009.00556.x/pdf
  10. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16715758
  11. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15754971
  12. http://www.sciencedirect.com/science?_ob=ArticleURL&_udi=B8JHP-4XK35CC-2&_user=10&_coverDate=12%2F31%2F2009&_rdoc=1&_fmt=high&_orig=search&_sort=d&_docanchor=&view=c&_searchStrId=1276960611&_rerunOrigin=google&_acct=C000050221&_version=1&_urlVersion=0&_userid=10&md5=c73e774e961b3aeb20db6e46ece037fd
  13. "Pnad 2007: Trabalho e acesso a serviços básicos melhoram no Brasil, mas país caminha a passos lentos no combate a mazelas", Globo Online. Página visitada em 19 de setembro de 2008.
  14. Chile.
  15. a b Argentina, como Chile y Uruguay, su población está formada casi exclusivamente por una población blanca e blanca mestiza procedente del sur de Europa, más del 90% E. García Zarza, 1992, 19.
  16. Composición Étnica de las Tres Áreas Culturales del Continente Americano al Comienzo del Siglo XXI
  17. Vanegas, J., Villalón, M., Valenzuela, C. Consideraciones acerca del uso de la variable etnia/raza en investigación epidemiológica para la Salud Pública: A propósito de investigaciones en inequidades Revista Médica de Chile 2008; 136: 637-644.
    Quote translated from Spanish: ..in Chile the [racial] process is vinculated to a socioeconomic stratification; the Spaniards of the upper class that did not mix, the mix of European Spaniards and mestizo women in the middle strata, in the lowest substrate the mestizo-mestizo and mestizo-amerindians.
  18. a b Valenzuela, C. El Gradiente Sociogenético Chileno y sus Implicaciones Etico-Sociales, Facultad de Medicina, Universidad de Chile
    Quote: Al analizar la composición étnica por estratos sociales nos hemos encontrado con un gradiente sociogenético importante que condiciona la estructura de la morbimortalidad según estrato socioeconómico y la evolución sociocultural de Chile
  19. a b http://www.fhuce.edu.uy/antrop/cursos/abiol/links/Artics/sans.pdf
  20. http://bdtd.bce.unb.br/tedesimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=3873
  21. http://www3.interscience.wiley.com/journal/108068634/abstract/
  22. "El discutido legado indígena en la sangre de los uruguayos" de Caterina Notargiovanni. Diario El País. Fecha: 12-04-2007.
  23. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16788895
  24. http://www.dgeec.gov.py/Censos/Imagenes/Cuestionario%20Censal.pdf?PHPSESSID=296abb7abfa015f8241d208aeaed71f4
  25. https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/pa.html
  26. http://www.uem.br/dialogos/index.php?journal=ojs&page=article&op=viewArticle&path[]=153
  27. Estimativas populacionais 2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Página visitada em 2008-09-01.
  28. http://www.imf.org/external/pubs/ft/weo/2011/01/weodata/weorept.aspx?sy=2010&ey=2010&scsm=1&ssd=1&sort=country&ds=.&br=1&c=512%2C941%2C914%2C446%2C612%2C666%2C614%2C668%2C311%2C672%2C213%2C946%2C911%2C137%2C193%2C962%2C122%2C674%2C912%2C676%2C313%2C548%2C419%2C556%2C513%2C678%2C316%2C181%2C913%2C682%2C124%2C684%2C339%2C273%2C638%2C921%2C514%2C948%2C218%2C943%2C963%2C686%2C616%2C688%2C223%2C518%2C516%2C728%2C918%2C558%2C748%2C138%2C618%2C196%2C522%2C278%2C622%2C692%2C156%2C694%2C624%2C142%2C626%2C449%2C628%2C564%2C228%2C283%2C924%2C853%2C233%2C288%2C632%2C293%2C636%2C566%2C634%2C964%2C238%2C182%2C662%2C453%2C960%2C968%2C423%2C922%2C935%2C714%2C128%2C862%2C611%2C716%2C321%2C456%2C243%2C722%2C248%2C942%2C469%2C718%2C253%2C724%2C642%2C576%2C643%2C936%2C939%2C961%2C644%2C813%2C819%2C199%2C172%2C184%2C132%2C524%2C646%2C361%2C648%2C362%2C915%2C364%2C134%2C732%2C652%2C366%2C174%2C734%2C328%2C144%2C258%2C146%2C656%2C463%2C654%2C528%2C336%2C923%2C263%2C738%2C268%2C578%2C532%2C537%2C944%2C742%2C176%2C866%2C534%2C369%2C536%2C744%2C429%2C186%2C433%2C925%2C178%2C869%2C436%2C746%2C136%2C926%2C343%2C466%2C158%2C112%2C439%2C111%2C916%2C298%2C664%2C927%2C826%2C846%2C542%2C299%2C967%2C582%2C443%2C474%2C917%2C754%2C544%2C698&s=PPPGDP&grp=0&a=&pr.x=41&pr.y=16

[editar] Ver também

Ferramentas pessoais
Espaços nominais
Variantes
Ações
Navegação
Colaboração
Imprimir/exportar
Ferramentas
Noutras línguas