Usina Hidrelétrica de Itaipu

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Usina Hidroelétrica Itaipu Binacional
Vista Aerea Itaipu.jpg

Usina de Itaipu
Nome: Usina Hidroelétrica Itaipu Binacional
Capacidade: 14 000 MW
Barragem
- Altura 196 m
- Extensão 7,919 m
Área alagada: 1350 km2
Localização: Foz do Iguaçu  Brasil
Hernandarias Paraguai
Rio: Paraná
Período de construção: 1975-1982
Inauguração: 5 de maio de 1984 (30 anos)
Proprietário: República Federativa do Brasil e República do Paraguai

A Usina Hidrelétrica de Itaipu (em espanhol: Itaipú, em guarani: Itaipu) é uma usina hidrelétrica binacional localizada no Rio Paraná, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai. Construída por ambos os países no período de 1975 a 1982, no qual tanto o Brasil quanto o Paraguai eram governados por ditaduras militares, Itaipu é, hoje, a primeira maior usina geradora de energia do mundo.[1] O nome Itaipu foi tirada de uma ilha que existia perto do local de construção. No idioma tupi-guarani, o termo significa "pedra na qual a água faz barulho", através da junção dos termos itá (pedra), 'y (água) e pu (barulho)[2] .

A barragem é a maior unidade operacional hidrelétrica em termos de geração de energia anual, gerando 91,6 TWh em 2009, enquanto a geração de energia anual da Barragem das Três Gargantas, na China, foi de 79,4 TWh em 2009.[3] Com seu lago perfazendo uma área de 1 350 quilômetros quadrados, indo de Foz do Iguaçu, no Brasil e Ciudad del Este, no Paraguai, até Guaíra e Salto del Guairá, 150 quilômetros ao norte, além de suas vinte unidades geradoras de setecentos megawatts cada, Itaipu tem uma potência de geração de 14 000 megawatts. É um empreendimento binacional administrada por Brasil e Paraguai no rio Paraná na seção de fronteira entre os dois países, a 15 km ao norte da Ponte da Amizade. A capacidade instalada de geração da usina é de 14 GW, com 20 unidades geradoras fornecendo 700 MW cada e projeto hidráulico de 118 m. No ano de 2012, a usina bateu o antigo recorde de produção de 2008, agora com 98.287.128 megawatts-hora (MWh).[4]

A Usina de Itaipu fazia parte da lista oficial de candidatas para as Sete maravilhas do Mundo Moderno, elaborada em 1995 pela revista Popular Mechanics, dos Estados Unidos. Mas não ganhou o título.[5]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Itaipu é uma palavra de origem tupi-guarani que significa "pedra que canta", através da junção de itá = pedra [6] e ipo'ú = cantora [7] , ou então "pedra na qual a água faz barulho", através da junção de itá (pedra), 'y (água, rio), e pu (barulho)[8] . Era o nome da pequena ilha que havia no atual local da usina, antes da obra [9] .

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

A Usina de Itaipu foi resultado de intensas negociações entre os dois países durante a década de 1960. Em 22 de julho de 1966[10] , os ministros das Relações Exteriores do Brasil, Juracy Magalhães e do Paraguai, Sapena Pastor, assinaram a "Ata do Iguaçu", uma declaração conjunta de interesse mútuo para estudar o aproveitamento dos recursos hídricos dos dois países, no trecho do Rio Paraná "desde e inclusive o Salto de Sete Quedas até a foz do Rio Iguaçu".[11] O Tratado que deu origem à usina foi assinado em 1973.

Os termos do tratado, que expira em 2023, têm sido objeto de descontentamento generalizado por parte do Paraguai. O governo do presidente Fernando Lugo prometeu renegociar os termos do tratado com o Brasil, que permaneceu por muito tempo hostil a qualquer tipo de renegociação.[12]

Em julho de 2009, houve uma renegociação do Tratado de Itaipu, pela qual o Brasil aceitou passar a pagar o triplo do que pagava ao Paraguai pelo direito de uso da eletricidade produzida por Itaipu. O direito de uso é um excedente ao preço da energia que é pago diretamente ao governo paraguaio, ou seja não pode ser deduzido da dívida assumida pelo Paraguai.[13] No total, entretanto o preço total da energia subiu de US$ 45,31 por MWh para US$ 50,93 por MWh. Por esse acordo também, o Brasil passou a permitir que o excedente da energia paraguaia seja vendido diretamente às empresas brasileiras, se assim preferirem os paraguaios.[14] [15]

O acordo de Lula com Fernando Lugo do Paraguay permite que a energia de outras fontes (não de Itaipu) possa ser vendida a terceiros. Esta alteração no TRATADO DE ITAIPU não ocorreu. Não está inclusa nas notas reversais. Vale ressaltar também que durante décadas, pelos termos do acordo, o Brasil pagou pelo Mwh um valor bastante inferior ao preço de mercado, como contrapartida pelos gastos na construção da barragem e instalação da usina.

(Conforme publicado pelo Diário ABC do Paraguay en 26 de julho de 2013 sob o título Itaipú a favor de Brasil, encontra de Paraguay). "A lei federal brasileira 5899 de 5 de julho de 1973 obrigou a que as empresas brasileiras de distribuição da região sul e sudeste comprassem partes da potência de ITAIPU destinada ao Brasil, proporcionais a seus mercados próprios, ainda a preços superiores. A compra era portanto compulsória, independente da necessidade ou do preço. No ano de 1995, por exemplo, 10 anos depois do inicio da comercialização da energia de Itaipú o presidente da Companhia Paranaense de eletricidade - Copel - reclamava que o custo da energía de ITAIPU era cinquenta por cento superior ao custo de geração própria da empresa."

Esta situação perdurou por muitos anos. En curtos espaços de tempo, quando a valorização da moeda brasileira foi excessiva, Itaipu apresentava tarifas competitivas en relação à produção interna brasileira.

Início da obra[editar | editar código-fonte]

Selo da Usina de Itaipu de 1973. Scott C363.

Em 1970, o consórcio formado pelas empresas PNC e ELC Electroconsult (da Itália) venceu a concorrência internacional para a realização dos estudos de viabilidade e para a elaboração do projeto da obra. O início do trabalho se deu em fevereiro de 1971. Em 26 de abril de 1973, Brasil e Paraguai assinaram o Tratado de Itaipu, instrumento legal para o aproveitamento hidrelétrico do Rio Paraná pelos dois países. Em 17 de maio de 1974, foi criada a entidade binacional Itaipu, para gerenciar a construção da usina. O início efetivo das obras ocorreu em janeiro do ano seguinte. Um consórcio de lavrouras, liderado pela Mendes Júnior, executou o projeto[carece de fontes?].

Para a construção, foram usados 40 000 trabalhadores diretos. Para o material, foram usados 12 570 000 metros cúbico de concreto (o equivalente a 210 estádios Jornalista Mário Filho e uma quantidade de ferro equivalente a 380 Torres Eiffel.

Comparando a construção da hidrelétrica de Itaipu com o Eurotúnel (que liga França e Reino Unido sob o Canal da Mancha) foram utilizados 15 vezes mais concreto e o volume de escavações foi 8,5 vezes maior.

Em uma operação denominada Mymba Kuera (que em guarani quer dizer "pega-bicho"), durante a formação do reservatório, equipes do setor ambiental de Itaipu esforçaram-se em percorrer a maior parte da área que seria alagada para salvar centenas de exemplares de espécies de animais da região.

No dia 14 de outubro de 1978, foi aberto o canal de desvio do Rio Paraná, que permitiu secar um trecho do leito original do rio para ali ser construída a barragem principal, em concreto.

Acordo Tripartite[editar | editar código-fonte]

Itaipu à noite.

Outro marco importante, na área diplomática, foi a assinatura do Acordo Tripartite entre Brasil, Paraguai e Argentina, em 19 de outubro de 1979, para aproveitamento dos recursos hidráulicos no trecho do Rio Paraná desde as Sete Quedas até a foz do Rio da Prata. Este acordo estabeleceu os níveis do rio e as variações permitidas para os diferentes empreendimentos hidrelétricos na bacia comum aos três países. À época, quando os três países eram governados por ditaduras militares, havia o temor que o Brasil em um eventual conflito com a Argentina, abrisse completamente as comportas de Itaipu, aumentando os níveis de água do Rio da Prata e inundando a cidade de Buenos Aires. Entretanto, caso houvesse o rompimento da represa de Itaipú, na verdade boa parte da água seria absorvida pela profunda calha do Rio Paraná poucos quilômetros depois da barragem e a Argentina está protegida pela represa da Usina de Yacyretá, localizada 400km abaixo de Itaipú. [16]

O reservatório da usina começou a ser formado em 12 de outubro de 1982, quando foram concluídas as obras da barragem e as comportas do canal de desvio foram fechadas. Nesse período, as águas subiram 100 metros e chegaram às comportas do vertedouro às 10 horas do dia 27 de outubro, devido às chuvas fortes e enchentes que ocorreram na época.

Inauguração e expansão[editar | editar código-fonte]

Construção na usina em setembro de 2003.

Em 5 de maio de 1984, entrou em operação a primeira unidade geradora de Itaipu. As 20 unidades geradoras foram sendo instaladas ao ritmo de duas a três por ano.

As duas últimas das 20 unidades de geração de energia elétrica começaram a funcionar entre setembro de 2006 e março 2007, elevando a capacidade instalada para 14.000 MW, concluindo a usina. Este aumento da capacidade permitiu que 18 unidades geradoras permaneçam funcionando o tempo todo, enquanto duas permanecem em manutenção.[17] Devido a uma cláusula do tratado assinado entre Brasil, Paraguai e Argentina, o número máximo de unidades geradoras autorizadas a operar simultaneamente não pode ultrapassar 18 (veja a seção de acordo para mais informações).

A potência nominal de cada unidade geradora (turbina e gerador) é de 700 MW. No entanto, porque diferença entre o nível do reservatório e o nível do rio ao pé da barragem que ocorre realmente é maior do que a projetada, a energia disponível for superior a 750 MW por meia hora para cada gerador.

Cada turbina gera cerca de 700 megawatts, para comparação, toda a água das Cataratas do Iguaçu teria capacidade para alimentar somente dois geradores. A Itaipu produz uma média de 90 milhões de megawatts-hora (MWh) por ano. Com o aumento da capacidade e em condições favoráveis do rio Paraná (chuvas em níveis normais em toda a bacia) a geração poderá chegar a 100 milhões de MWh. O atual diretor é Jorge Miguel Samek

Blecaute de 2009[editar | editar código-fonte]

Um grande blecaute de energia elétrica afetou 30% do território brasileiro e grande parte do Paraguai na noite de terça-feira, 10 de novembro de 2009[18] . É considerado um dos maiores apagões ocorridos no Brasil, podendo ter a mesma grandeza ou ser até maior que o blecaute de 11 de março de 1999. [19]

O início do blecaute se deu às 22 horas e 13 minutos em uma subestação de energia elétrica de Furnas, localizada no município de Ivaiporã, no Paraná, devido a problemas em três linhas de transmissão nos estados de São Paulo e Paraná.[20] . O blecaute afetou vários municípios de 18 estados.[21]

Estatísticas[editar | editar código-fonte]

Espaço no interior da estrutura da Usina
Tubos da usina
Eixo que acopla a turbina ao gerador

Construção[editar | editar código-fonte]

  • O curso do rio Paraná, sétimo maior do mundo foi deslocado; com 50 milhões de toneladas de terra e rocha.[1]
  • A quantidade de concreto usado para construir a Usina de Itaipu seria suficiente para construir 210 estádios de futebol do tamanho do Estádio do Maracanã.[1]
  • O ferro e o aço utilizados permitiriam a construção de 380 Torres Eiffel.[1]
  • O volume de escavação de terra e rocha em Itaipu é 8,5 vezes maior que o do Eurotúnel e o volume de concreto é 15 vezes maior.[1]
  • A sua construção envolveu o trabalho direto de 40 mil pessoas.[1]

Geração e barragem[editar | editar código-fonte]

  • O comprimento total da barragem é 7 919 metros. A elevação da crista é de 225 metros. Itaipu é, na verdade, cinco barragens juntas - da extrema esquerda, uma barragem de terra de preenchimento, uma barragem de enrocamento, uma barragem de concreto principal, e uma barragem de concreto para a ala direita.
  • A vazão máxima do vertedouro de Itaipu (62,2 mil metros cúbicos por segundo) corresponde a 40 vezes a vazão média das Cataratas do Iguaçu. A vazão de duas turbinas de Itaipu (700 metros cúbicos de água por segundo cada), corresponde a toda a vazão média das Cataratas (1 500 metros cúbicos por segundo).[1]
  • O Brasil teria que queimar 536 mil barris de petróleo por dia para gerar em usinas termelétricas a potência de Itaipu.[1]
  • A barragem principal tem 196 metros de altura, o que é equivalente a um prédio de 65 andares.[1]
Produção anual de energia
Ano Número de
unidades instaladas
GWh
1984 0–2 277
1985 2–3 6 327
1986 3–6 21 853
1987 6–9 35 807
1988 9–12 38 508
1989 12–15 47 230
1990 15–16 53 090
1991 16–18 57 517
1992 18 52 268
1993 18 59 997
1994 18 69 394
1995 18 77 212
1996 18 81 654
1997 18 89 237
1998 18 87 845
1999 18 90 001
2000 18 93 428
2001 18 79 307
2002 18 82 914
2003 18 89 151
2004 18 89 911
2005 18 87 971
2006 19 92 690
2007 20 90 620
2008 20 94 685
2009 20 91 651
2010 20 85 970
2011 20 92 245[22]
2012 20 98 287
Total 20 2 037 049
  • Barragem
    • A barragem, de 7 919 metros, é feita de concreto, enrocamento e terra.
  • Unidades geradoras
    • Existem 20 unidades geradoras, sendo dez na frequência da rede elétrica paraguaia (50 Hz) e dez na frequência da rede elétrica brasileira (60 Hz).
    • As unidades de 50 Hz têm potência nominal de 823,6 MVA, fator de potência de 0,85 e peso de 3.343 toneladas.
    • As unidades de 60 Hz têm potência nominal de 737,0 MVA, fator de potência de 0,95 e peso de 3 242 toneladas.
    • Todas as unidades têm tensão nominal de 18 kV.
  • As turbinas são do tipo francis, com potência nominal de 715 MW e vazão nominal de 645 metros cúbicos por segundo.
  • Subestação
    • A subestação da usina é blindada em gás de hexafluoreto de enxofre (SF6), que permite uma grande compactação do projeto. Para cada grupo gerador existe um banco de transformadores monofásicos, elevando a tensão de 18 kV para 500 kV.
  • Vazão
    • A vazão máxima do vertedouro de Itaipu (62,2 mil metros cúbicos por segundo) corresponde a 40 vezes a vazão média das Cataratas do Iguaçu.

A vazão de duas turbinas de Itaipu (700 metros cúbicos de água por segundo cada), corresponde a toda a vazão média das Cataratas (1 500 metros cúbicos por segundo).

Sistema de transmissão[editar | editar código-fonte]

Saída da usina[editar | editar código-fonte]

  • Itaipu - SE Foz do Iguaçu: 4 linhas de transmissão de 500 kV transmitem toda a energia do setor de 60 Hz, com 8 km de extensão. A subestação de Foz do Iguaçu eleva a tensão para 750 kV.
  • Itaipu - SE Margem Direita: 2 linhas de transmissão de 500 kV, 2 km.
  • SE Margem Direita - Foz do Iguaçu: 2 linhas de transmissão de 500 kV, 9 km. Transmite a revenda do Paraguai para o Brasil.
  • Itaipu - SE Foz do Iguaçu: 2 linhas de transmissão de 500 kV, 11 km. Transmite diretamente parte do setor de 50 Hz para o Brasil.

Subestação Foz do Iguaçu[editar | editar código-fonte]

Pertencente a Furnas, é dividida em dois setores:

  • O pátio de corrente alternada, que recebe a energia em 60 Hz e eleva para 750 kV, saindo três linhas de transmissão. É o nível de tensão mais elevado existente no Brasil. As linhas seguem para as subestações de Ivaiporã (Paraná) e Itaberá (São Paulo), até chegarem à subestação Tijuco Preto que fica localizada no distrito de Quatinga em Mogi das Cruzes (São Paulo).
  • O pátio de corrente contínua (Corrente contínua em alta tensão), que recebe a energia em 50 Hz. Devido à incompatibilidade entre as frequências e as vantagens da transmissão em grandes distâncias, a energia é convertida através de circuitos retificadores para ±600 kV e transmitida por duas linhas até Ibiúna (São Paulo). Em Ibiúna, a energia é convertida para 60 Hz, interligando-se ao sistema do Sudeste.

Royalties[editar | editar código-fonte]

Nos 170 quilômetros de extensão, entre Foz do Iguaçu e Guaíra, o Reservatório de Itaipu atinge áreas de 16 municípios, dos quais 15 no estado do Paraná e um no Mato Grosso do Sul. Como compensação, Itaipu paga royalties a esses municípios, proporcionalmente à área de terra alagada. Desde 1985, a Itaipu pagou ao Brasil mais de 3,77 bilhões de dólares estadunidenses em royalties. No Paraguai, a compensação é repassada integralmente ao Tesouro Nacional. No Brasil, 45% da compensação é repassada aos Estados, 45% aos municípios e 10% para órgãos federais, de acordo com a Lei dos Royalties, em vigor desde 1991.[23]

Usina vista do alto barragem.

Impacto[editar | editar código-fonte]

Lago formado pela construção de Itaipu.
Pôr do sol no Lago de Itaipu.

Reservatórios[editar | editar código-fonte]

Embora seja apenas o sétimo do Brasil em tamanho, o reservatório de Itaipu tem o maior aproveitamento em relação à área inundada. Para a potência instalada de 14 000 MW, foram alagados 1 350 quilômetros quadrados. Os reservatórios das usinas de Sobradinho, Tucuruí, Porto Primavera, Balbina, Serra da Mesa e Furnas são maiores do que o Itaipu, mas todos perdem na relação área inundada/capacidade instalada.

A usina mais potente no Brasil, depois de Itaipu, Tucuruí, tem capacidade instalada de 8 370 MW, mas houve necessidade de inundar uma área de 2 430 quilômetros quadrados. Itaipu é beneficiada por ser a última usina da Bacia do Rio Paraná classificada como a fio d’água, isto é, utiliza toda a água que chega ao reservatório, mantendo uma reserva mínima para garantir a operacionalidade.

Ambiental[editar | editar código-fonte]

Quando o fechamento das eclusas da barragem de Itaipu, uma área de 1 500 quilômetros quadrados de florestas e terras agriculturáveis foi inundada. A cachoeira de Sete Quedas, uma das mais fascinantes formações naturais do planeta, desapareceu. Semanas antes do preenchimento do reservatório, foi realizada uma operação de salvamento dos animais selvagens, denominada Mymba kuera (que em guarani quer dizer "pega-bicho"). Equipes de voluntários conseguiram capturar mais de 4.500 bichos, entre macacos, lagartos, porcos-espinhos, roedores, aranhas, tartarugas e diversas espécies. Esses animais foram levados para as regiões vizinhas protegidas da água.[24]

Social[editar | editar código-fonte]

Durante a instalação da Itaipu, foi necessária a desapropriação de 42.444 pessoas onde 38.440 eram trabalhadores e trabalhadoras do campo, o que gerou inúmeros problemas sociais.[25] Parte dessas famílias viviam às margens do Rio Paraná e foram desalojadas, a fim de abrir caminho para a represa. Algumas se refugiaram na cidade de Medianeira, uma cidade não muito longe da confluência dos rios Iguaçu e Paraná. Algumas dessas famílias vieram, eventualmente, a ser membros de um dos maiores movimentos sociais do Brasil, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.[26]

Brasiguaios[editar | editar código-fonte]

O espelho d'água da usina alagou diversas propriedades de moradores do extremo oeste do Estado do Paraná. As indenizações foram suficientes para que os agricultores comprassem novas terras no Brasil. Sendo as terras no Paraguai mais baratas, milhares emigraram para esse país, criando o fenômeno social dos brasiguaios - brasileiros e seus familiares que residem em terras paraguaias na fronteira com o Brasil.

Vista panorâmica da usina (as comportas do vertedouro estavam fechadas na ocasião).

Turismo[editar | editar código-fonte]

Entrada do complexo de Itaipu

A grandiosidade da usina contribui para que Foz do Iguaçu seja conhecida no mundo inteiro como um dos mais importantes destinos turísticos do Brasil. Desde que foi aberta à visitação, Itaipu já recebeu mais de 16 milhões de visitantes [27] . Para receber os visitantes, o Complexo Turístico Itaipu oferece opções de visitas pelas áreas internas e externas da usina.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h i http://www.itaipu.gov.br/energia/geracao
  2. NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. 3ª edição. São Paulo. Global. 2005. p. 69.
  3. Usina de Itaipu. Acessado em 15 de junho de 2012
  4. Itaipu (2013). Agora é oficial: Itaipu fecha 2012 com um total de 98.287.128 MWh. Itaipu. Página visitada em January 04 2013.
  5. Pope, Gregory T. (December 1995), "The seven wonders of the modern world", Popular Mechanics: 48–56, http://books.google.ca/books?id=O2YEAAAAMBAJ&lpg=PA50&dq=itaipu&as_brr=1&pg=PA50#v=onepage&q&f=false 
  6. http://www.fflch.usp.br/dlcv/tupi/vocabulario.htm
  7. Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu. Itaipu Binacional.
  8. NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo. Terceira edição. São Paulo. Global. 2005. p. 69.
  9. http://www.itaipu.gov.br/energia/escolha-do-local-da-barragem
  10. Águas furtadas Jornal Gazeta do Povo - edição comemorativa de n° 30.000 - acessado em 8 de dezembro de 2012
  11. [1]
  12. Nickson, Andrew, (2008) Paraguay: Lugo versus the Colorado Machine, Open Democracy 20 February 2008 http://www.opendemocracy.net/article/democracy_power/politics_protest/paraguay_fernando_lugo
  13. Itaipu: entenda como é a negociação entre Brasil e Paraguai. O Globo (12 de maio de 2011). Página visitada em 2 de fevereiro de 2012.
  14. Why Brazil gave way on Itaipu dam. Retrieved 2009-07-26.
  15. New York Times, July 27, 2009, Energy Deal With Brazil Gives Boost to Paraguay
  16. Revista Mundo Estranho. É verdade que o Brasil pode inundar a Argentina usando a hidrelétrica de Itaipu?http://mundoestranho.abril.com.br/materia/e-verdade-que-o-brasil-pode-inundar-a-argentina-usando-a-hidreletrica-de-itaipu
  17. http://www.itaipu.gov.br/releases/releases/pr20050516a.htm
  18. Problema em Itaipu causa apagão em 10 Estados do País, Terra Notícias, 10/11/2009
  19. [2]
  20. Após apagão em parte do país, Itaipu diz que opera normalmente, Globo Com, 11/11/2009
  21. Ministérios de Minas e Energias diz que apagão atingiu estados brasileiros G1. Acessada em 15 de junho de 2012.
  22. http://www.itaipu.gov.br/energia/geracao
  23. Royalties. Página visitada em 2008-08-15.
  24. [3], site do CEPA sobe os impactos ambientais da Usina de Itaipu.
  25. [4], Histórico sobre Usinas Hidrelétricas e seus impactos ambientais no Brasil, acesso em 29/11/2010.
  26. Branford, Sue and Jan Rocha. Cutting the Wire: The Story of the Landless Movement in Brazil. London: Latin American Bureau, 2002.
  27. Estatísticas - Turismo - Itaipu Binacional, Outubro de 2012 http://www.itaipu.gov.br/turismo/estatisticas

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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