Usina Hidrelétrica de Itaipu

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Usina Hidrelétrica de Itaipu Binacional
Usina Hidrelétrica de Itaipu Binacional
Logotipo da Usina de Itaipu
Nome oficial Usina Hidrelétrica Itaipu Binacional
Rio Paraná
Localização Foz do Iguaçu Brasil Brasil
Ciudad del Este Paraguai
Coordenadas 25° 24′ S 54° 35′ W
Inaugurada 5 de Maio de 1984
Informações Técnicas
Capacidade de geração 14.000 MW
Unidades geradoras 20
Barragem
Altura 196 m
Comprimento 7,700 m
Reservatório
Área alagada 1 350 km²
Construção
Início da construção Janeiro de 1975
Operação e distribuição
Empresa Operadora Itaipu Binacional
Empresa Distribuidora Eletrosul
Site: http://www.itaipu.gov.br/ www.itaipu.gov.br

A Usina Hidrelétrica de Itaipu Binacional é uma usina hidrelétrica binacional construída pelo Brasil e pelo Paraguai no rio Paraná, no trecho de fronteira entre os dois países, 14 quilômetros ao norte da Ponte da Amizade. A área do projeto se estende desde Foz do Iguaçu, no Brasil, e Ciudad del Este, no Paraguai, ao sul, até Guaíra (Brasil) e Salto del Guairá (Paraguai), ao norte. A potência instalada da Usina é de 14.000 MW (megawatts), com 20 unidades geradoras de 700 MW.

Em 2008, a usina de Itaipu atingiu um novo recorde histórico de produção de energia, com a geração de 94.684.781 megawatts-hora (MWh). O recorde anterior era do ano 2000, quando Itaipu gerou 93.427.598 MWh [1]. Isso garantiu o suprimento de 87,3% de toda a energia elétrica consumida no Paraguai e 19,3% da demanda do sistema interligado brasileiro[2].

Até o funcionamento em plena capacidade da Hidrelétrica de Três Gargantas na China, a usina de Itaipu é a maior hidrelétrica do mundo em potência instalada. Em capacidade de geração continuará sendo a mais importante, visto que o regime hidrológico do rio Paraná apresenta maior fluxo de água que o Rio Yangtzé.

A energia gerada por Itaipu e destinada ao Brasil é transmitida pela empresa Furnas Centrais Elétricas S.A.

No município de Manoel Ribas - PR, através de uma subestação rebaixadora (750 kV/550 kV), chamada Ivaiporã, 15% da energia gerada por Itaipu é entregue à Eletrosul Centrais Elétricas S.A. Cabe à Eletrosul, entre outras funções, a transmissão desta energia às concessionárias do sul do Brasil e ao estado do Mato Grosso do Sul.

Recentemente, as relações bilaterais entre Brasil e Paraguai têm sido marcadas por discussões acerca da necessidade de se rever o marco regulatório em que se funda Itaipu Binacional. Do lado paraguaio, defende-se o que se chama de soberania energética do país guarani. No lado brasileiro, economistas afirmam que o tratado foi, desde o início, extremamente benéfico ao Paraguai.[2] O argumento usado é de que o Paraguai só entrou com as áreas de fronteira que necessitavam ser usadas para o lago e construção, enquanto teve toda a obra financiada pelo Brasil e sua amortização é feita com recursos ganhos pela venda do excedente ao Brasil.

Índice

[editar] História

[editar] Negociações entre Brasil e Paraguai

Vista aérea da usina

A Usina de Itaipu é resultado de intensas negociações entre os dois países durante a década de 1960. Em 22 de junho de 1966, os ministros das Relações Exteriores do Brasil, Juracy Magalhães, e do Paraguai, Sapena Pastor, assinaram a "Ata do Iguaçu", uma declaração conjunta que manifestava a disposição para estudar o aproveitamento dos recursos hidráulicos pertencentes em condomínio aos dois países, no trecho do Rio Paraná "desde e inclusive o Salto de Sete Quedas até a foz do Rio Iguaçu". [3]

[editar] Início da obra

Em 1970, o consórcio formado pelas empresas IECO (dos Estados Unidos da América) e ELC Electroconsult (da Itália) venceu a concorrência internacional para a realização dos estudos de viabilidade e para a elaboração do projeto da obra. O início do trabalho se deu em fevereiro de 1971. Em 26 de abril de 1973, Brasil e Paraguai assinaram o Tratado de Itaipu, instrumento legal para o aproveitamento hidrelétrico do Rio Paraná pelos dois países. Em 17 de maio de 1974, foi criada a entidade binacional Itaipu, para gerenciar a construção da usina. O início efetivo das obras ocorreu em janeiro do ano seguinte. Um consórcio de empresas, liderado pela Mendes Júnior, executou o projeto[carece de fontes?].

Para a construção foram usados 40 mil trabalhadores diretos. Para o material foi usado 12,57 milhões de m³ de concreto (o equivalente a 210 estádios do Maracanã) e uma quantidade de ferro equivalente a 380 Torres Eiffel.

Comparando a construção da hidrelétrica de Itaipu com o Eurotúnel (que liga França e Inglaterra sob o Canal da Mancha) foram utilizados 15 vezes mais concreto e o volume de escapações foi 8,5 vezes maior. Já para o ferro e aço utilizados dariam para construir 380 Torres Eiffel.

Em uma operação denominada Mymba Kuera (que em tupi-guarani quer dizer “pega-bicho”), durante a formação do reservatório, equipes do setor ambiental de Itaipu esforçaram-se em percorrer a maior parte da área que seria alagada para salvar centenas de exemplares de espécies de animais da região.

[editar] Desvio do rio Paraná

Panorama da sala do gerador.

No dia 14 de outubro de 1978 foi aberto o canal de desvio do rio Paraná, que permitiu secar um trecho do leito original do rio para ali ser construída a barragem principal, em concreto.

[editar] Acordo entre Brasil, Paraguai e Argentina

Outro marco importante, na área diplomática, foi a assinatura do Acordo Tripartite entre Brasil, Paraguai e Argentina, em 19 de outubro de 1979, para aproveitamento dos recursos hidráulicos no trecho do Rio Paraná desde as Sete Quedas até a foz do Rio da Prata. Este acordo estabeleceu os níveis do rio e as variações permitidas para os diferentes empreendimentos hidrelétricos na bacia comum aos três países. À época, quando os três países eram governados por ditaduras militares, havia o temor que o Brasil em um eventual conflito com a Argentina, abrisse completamente as comportas de Itaipu, inundando a cidade de Buenos Aires.

[editar] Surgimento do reservatório

O reservatório da usina começou a ser formado em 12 de outubro de 1982, quando foram concluídas as obras da barragem e as comportas do canal de desvio foram fechadas. Nesse período, as águas subiram 100 metros e chegaram às comportas do vertedouro às 10 horas do dia 27 de outubro, devido às chuvas fortes e enchentes que ocorreram na época.

[editar] Início das operações

Em 5 de maio de 1984, entrou em operação a primeira unidade geradora de Itaipu. As 20 unidades geradoras foram sendo instaladas ao ritmo de duas a três por ano.

[editar] Expansão da capacidade em 2007

A capacidade instalada da usina foi elevada para 14.000 megawatts (MW), com a entrada em operação da última unidade geradora no começo de 2007, completando o projeto original de 20 máquinas.

A Itaipu produz uma média de 90 milhões de megawatts-hora (MWh) por ano. Com o aumento da capacidade e em condições favoráveis do rio Paraná (chuvas em níveis normais em toda a bacia) a geração poderá chegar a 100 milhões de MWh.

O aumento da capacidade permite que dezoito unidades geradoras permaneçam funcionando o tempo todo, enquanto duas permanecem em manutenção [4].

[editar] Dados técnicos

  • Geração
Produção anual de energia
Ano Número de
unidades instaladas
GWh
1984 0–2 277
1985 2–3 6,327
1986 3–6 21,853
1987 6–9 35,807
1988 9–12 38,508
1989 12–15 47,230
1990 15–16 53,090
1991 16–18 57,517
1992 18 52,268
1993 18 59,997
1994 18 69,394
1995 18 77,212
1996 18 81,654
1997 18 89,237
1998 18 87,845
1999 18 90,001
2000 18 93,428
2001 18 79,307
2002 18 82,914
2003 18 89,151
2004 18 89,911
2005 18 87,971
2006 19 92,690
2007 20 90,620
Total 20 1,574,211
Sala do gerador.
Eixo que acopla a turbina ao gerador
  • Barragem

A barragem, de 7.700m, é feita de concreto, enrocamento e terra.

  • Unidades geradoras
  • Existem 20 unidades geradoras, sendo dez na freqüência da rede elétrica paraguaia (50 Hz) e dez na freqüência da rede elétrica brasileira (60 Hz).
  • As unidades de 50 Hz têm potência nominal de 823,6 MVA, fator de potência de 0,85 e peso de 3.343 toneladas.
  • As unidades de 60 Hz têm potência nominal de 737,0 MVA, fator de potência de 0,95 e peso de 3.242 toneladas.
  • Todas as unidades têm tensão nominal de 18 kV.
  • As turbinas são do tipo francis, com potência nominal de 715 MW e vazão nominal de 645 metros cúbicos por segundo.
  • Subestação

A subestação da usina é blindada em gás de hexafluoreto de enxofre (SF6), que permite uma grande compactação do projeto. Para cada grupo gerador existe um banco de transformadores monofásicos, elevando a tensão de 18 kV para 500 kV.

  • Vazão

A vazão máxima do vertedouro de Itaipu (62,2 mil metros cúbicos por segundo) corresponde a 40 vezes a vazão média das Cataratas do Iguaçu.

A vazão de duas turbinas de Itaipu (700 metros cúbicos de água por segundo cada), corresponde a toda a vazão média das Cataratas (1500 metros cúbicos por segundo).

  • O reservatório

Embora seja apenas o sétimo do Brasil em tamanho, o reservatório de Itaipu tem o maior aproveitamento em relação à área inundada. Para a potência instalada de 14.000 MW, foram alagados 1.350 quilômetros quadrados. Os reservatórios das usinas de Sobradinho, Tucuruí, Porto Primavera, Balbina, Serra da Mesa e Furnas são maiores do que o Itaipu, mas todos perdem na relação área inundada/capacidade instalada.

Usina vista do alto barragem.

A usina mais potente no Brasil, depois de Itaipu, Tucuruí, tem capacidade instalada de 8.370 MW, mas houve necessidade de inundar uma área de 2.430 quilômetros quadrados. Itaipu é beneficiada por ser a última usina da Bacia do Rio Paraná classificada como a fio d’água, isto é, utiliza toda a água que chega ao reservatório, mantendo uma reserva mínima para garantir a operacionalidade.

  • Dimensões

A barragem principal tem 196 metros de altura, o que é equivalente a um prédio de 65 andares.

[editar] Sistema de transmissão

[editar] Saída da usina

  • Itaipu - SE Foz do Iguaçu: 4 linhas de transmissão de 500 kV transmitem toda a energia do setor de 60 Hz, com 8 km de extensão. A subestação de Foz do Iguaçu eleva a tensão para 750 kV.
  • Itaipu - SE Margem Direita: 2 linhas de transmissão de 500 kV, 2 km.
  • SE Margem Direita - Foz do Iguaçu: 2 linhas de transmissão de 500 kV, 9 km. Transmite a revenda do Paraguai para o Brasil.
  • Itaipu - SE Foz do Iguaçu: 2 linhas de transmissão de 500 kV, 11 km. Transmite diretamente parte do setor de 50 Hz para o Brasil.

[editar] Subestação Foz do Iguaçu

Pertencente a Furnas, é dividida em dois setores:

  • O pátio de corrente alternada, que recebe a energia em 60 Hz e eleva para 750 kV, saindo três linhas de transmissão. É o nível de tensão mais elevado existente no Brasil.
  • O pátio de corrente contínua (CCAT), que recebe a energia em 50 Hz. Devido à incompatibilidade entre as freqüências, e as vantagens da transmissão em grandes distâncias, a energia é convertida através de circuitos retificadores para ±600 kV e transmitida por duas linhas até Ibiúna (SP). Em Ibiúna a energia é convertida para 60 Hz, interligando-se ao sistema do Sudeste.
Vista panorâmica da usina (as comportas do vertedouro estavam fechadas na ocasião).
Vista panorâmica da usina (as comportas do vertedouro estavam fechadas na ocasião).

[editar] Brasiguaios

Ver artigo principal: brasiguaios

O espelho d'água da usina alagou diversas propriedades de moradores do extremo oeste do Estado do Paraná. As indenizações foram suficientes para que os agricultores comprassem novas terras no Brasil. Sendo as terras no Paraguai mais baratas, milhares emigraram para esse país, criando o fenômeno social dos brasiguaios - brasileiros e seus familiares que residem em terras paraguaias na fronteira com o Brasil.

[editar] Royalties

Nos 170 quilômetros de extensão, entre Foz do Iguaçu e Guaíra, o Reservatório de Itaipu atinge áreas de 16 municípios, dos quais 15 no Paraná e um no Mato Grosso do Sul. Como compensação, Itaipu paga royalties a esses municípios, proporcionalmente à área de terra alagada[5]. Desde 1985, a Itaipu pagou ao Brasil mais de US$ 3,35 bilhões em royalties.

No Paraguai, a compensação é repassada integralmente ao Tesouro Nacional. No Brasil, 45% da compensação é repassada aos Estados, 45% aos municípios e 10% para órgãos federais, de acordo com a Lei dos Royalties, em vigor desde 1991.

A tabela abaixo informa o valor acumulado da compensação de cada município.

Município Compensação (em milhões de US$)
Foz do Iguaçu 201,3
Santa Teresinha de Itaipu 41,7
São Miguel do Iguaçu 103,1
Itaipulândia 166,8
Medianeira 1,1
Missal 39,9
Santa Helena 263,0
Diamante d'Oeste 5,6
São José das Palmeiras 1,9
Marechal Cândido Rondon 62,7
Mercedes 17,9
Pato Bragado 43,6
Entre Rios do Oeste 30,5
Terra Roxa 1,5
Guaíra 50,8
Mundo Novo (MS) 14,6

[editar] Maravilha da engenharia

Itaipu à noite

A Usina de Itaipu faz parte da lista das Sete maravilhas do Mundo Moderno, elaborada em 1995 pela revista Popular Mechanics, dos Estados Unidos. Esta lista foi feita com base numa pesquisa realizada pela Associação Norte-Americana de Engenheiros Civis (Asce) entre engenheiros dos mais diversos países.

Além de Itaipu, fazem parte da lista: a Ponte Golden Gate (EUA); o Canal do Panamá, que liga o Oceano Atlântico ao Pacífico; o Eurotúnel, que une França e Inglaterra sob o Canal da Mancha; os Projetos do Mar do Norte para o Controle das Águas (Holanda); o Edifício Empire State (EUA); e a Torre da Canadian National (CN Tower) no Canadá.

[editar] Dados curiosos

[editar] Concreto

A quantidade de concreto (em Portugal: betão) utilizada na construção da usina hidrelétrica de Itaipu daria para construir 210 estádios de futebol do tamanho do Maracanã. O volume de concreto, 12,57 milhões de m³, é 15 vezes maior do que o usado na construção do Eurotúnel.

[editar] Ferro

O ferro e aço utilizados permitiriam a construção de 380 Torres Eiffel.

[editar] Vazão

A vazão máxima do vertedouro de Itaipu (62,2 mil metros cúbicos por segundo) corresponde a 40 vezes a vazão média das Cataratas do Iguaçu.

A vazão de duas turbinas de Itaipu (700 metros cúbicos de água por segundo cada), corresponde a toda a vazão média das Cataratas (1500 metros cúbicos por segundo).

[editar] Energia

O Brasil teria que queimar 434 mil barris de petróleo por dia para gerar em usinas termelétricas a potência de Itaipu.

[editar] Escavações

O volume de escavações de terra e rocha em Itaipu é 8,5 vezes superior ao do Eurotúnel (que liga França e Inglaterra sob o Canal da Mancha).

[editar] "Pega-bicho"

Em uma operação denominada Mymba Kuera (que em tupi-guarani quer dizer “pega-bicho”), durante a formação do reservatório, equipes do setor ambiental de Itaipu esforçaram-se em percorrer a maior parte da área que seria alagada para salvar centenas de exemplares de espécies de animais da região.

[editar] O reservatório

Embora seja apenas o sétimo do Brasil em tamanho, o reservatório de Itaipu tem o maior aproveitamento em relação à área inundada[carece de fontes?] (Ver Discussão). Para a potência instalada de 14.000 MW, foram alagados 1.350 quilômetros quadrados. Os reservatórios das usinas de Sobradinho, Tucuruí, Porto Primavera, Balbina, Serra da Mesa e Furnas são maiores do que o Itaipu, mas todos perdem na relação área inundada/capacidade instalada.

A usina mais potente no Brasil, depois de Itaipu, Tucuruí, tem capacidade instalada de 8.370 MW, mas houve necessidade de inundar uma área de 2.430 quilômetros quadrados[carece de fontes?]. Itaipu é beneficiada por ser a última usina da Bacia do Rio Paraná classificada como a fio d’água, isto é, utiliza toda a água que chega ao reservatório, mantendo uma reserva mínima para garantir a operacionalidade.

[editar] Dimensões

A barragem principal tem 196 metros de altura, o que é equivalente a um prédio de 65 andares.

[editar] Trabalhadores

A sua construção envolveu o trabalho direto de 40 mil pessoas.


[editar] Galeria de fotos

Referências

[editar] Ver também

[editar] Ligações externas




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