Fernando Lugo

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Fernando Lugo
52º presidente do Paraguai Paraguai
Mandato 15 de Agosto de 2008
a atualidade
Vice-presidente Federico Franco
Antecessor(a) Nicanor Duarte Frutos
Presidente pro tempore da União de Nações Sul-Americanas Flag of UNASUR.svg
Mandato 29 de outubro de 2011
a atualidade
Antecessor(a) Bharrat Jagdeo
Vida
Nome completo Fernando Armindo Lugo de Méndez
Nascimento 30 de Maio de 1951 (60 anos)
San Solano, Itapúa, Paraguai
Alma mater Universidade Católica de Nossa Senhora de Assunção
Pontifícia Universidade Gregoriana
Primeira-dama Mercedes Lugo de Maidana (irmã do presidente)
Partido APC
Religião Católico
Profissão Bispo católico
Residência Palacio de los López
Assinatura Assinatura de Fernando Lugo
Website Site oficial da Presidência
Filhos Guillermo Lugo Carrillo

Fernando Armindo Lugo de Méndez S.V.D. (São Pedro do Paraná, 30 de maio de 1951) é um ex-bispo católico, ex-ativista político e atual presidente do Paraguai.

Índice

[editar] Biografia

Fernando Lugo nasceu em uma família humilde de San Solano, no distrito de San Pedro del Paraná, departamento de Itapúa, a 400 km ao sul de Assunção. Filho de Guillermo Lugo e Maximina Mendez Fleitas, parte de sua família foi vítima de perseguição política durante a ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989).

Em 1° de março de 1970 ingressou no noviciado dos Missionários do Verbo Divino. Paralelamente, realizou seus estudos superiores na Universidad Católica Nuestra Señora de la Asunción, na capital do país, onde se licenciou em Ciência da Religião.

Foi ordenado sacerdote católico em 15 de agosto de 1977 e posteriormente transferiu-se para o Equador a fim de trabalhar como missionário na diocese de Bolívar, com o monsenhor Leonidas Proaño (19101988), um dos expoentes da Teologia da Libertação.

Em 1983 foi para Roma onde realizou estudos de Espiritualidade e Sociologia na prestigiosa Pontifícia Universidade Gregoriana.

Em 17 de abril de 1994, de regresso ao Paraguai, foi nomeado bispo da diocese de San Pedro, uma das regiões mais pobres do país, pelo papa João Paulo II, em 1994. Adepto da Teologia da Libertação, Lugo é próximo do brasileiro Frei Betto e admirador de Leonardo Boff e de Dom Hélder Câmara.

Foi membro da Conferência Episcopal Paraguaia e da equipe de Reflexão Teológica do Celam - Conselho Episcopal Latino-americano.

Em 2004, sem divulgar as razões, a Igreja o aposentou do cargo - hoje seu título é o de "bispo emérito". Muitos no Paraguai acreditam que isso se deva à sua militância política.

Alheio às críticas ou às possíveis sanções da Igreja, em março de 2006, Lugo liderou o movimento Resistência Cidadã, que reunia os principais partidos políticos da oposição, cinco centrais sindicais e mais de cem associações e movimentos civis. No mesmo mês, foi o principal orador de uma manifestação de protesto contra o governo, convocada pela Resistência Cidadã, que reuniu mais de 30 mil pessoas em frente à sede do Congresso.

Participou também em 2006, do lançamento do Movimiento Paraguai Possível (MPP), que impulsionou sua candidatura ao pleito de 2008. O coordenador do MPP é seu irmão Pompeyo Lugo, um dissidente do Partido Colorado, partido que governou o Paraguai nos últimos 61 anos. Desde março de 2006, quando liderou uma passeata de 40 mil pessoas contra o projeto de reeleição do presidente Nicanor Duarte e manutenção dos colorados no poder, Fernando Lugo tornou-se uma estrela da oposição.

Em dezembro do mesmo ano, anunciou que abandonaria a batina para se dedicar à política e concorrer à presidência do país em 2008 - a lei paraguaia exige a desvinculação. Em seguida, apresentou seu pedido de renúncia à vida religiosa. Em resposta, o Vaticano enviou-lhe uma carta na qual sugeria que ele "refletisse melhor" e abandonasse a pretensão de entrar na política. Por ter efetivado sua renúncia sem esperar a resposta do Vaticano e por manter sua atividade política, recebeu uma suspensão a divinis, do Papa Bento XVI, ou seja, deixa de exercer as funções eclesiais embora ainda seja um bispo.

"Ele não esperou a resposta do Vaticano. Então está oficialmente em rebeldia. Pode até ser excomungado. Ele ainda é bispo", disse na ocasião o presidente da Conferência Episcopal Paraguaia (CEP), monsenhor Ignacio Gogorza.[1]

Em abril de 2009, Fernando Lugo reconheceu a paternidade de Guillermo Armindo Carrillo,[2] após processo movido pela mãe do menino, Viviana Rosalith Carrillo. sendo presidente do paraguai .

[editar] Campanha presidencial

Fernando Lugo em coletiva de imprensa (foto de José Cruz/Agência Brasil).

Em 23 de fevereiro de 2007, o Ministério do Interior paraguaio ofereceu a Lugo proteção em decorrência de ameaças de morte que havia recebido por suas atividades políticas.[3] Segundo sondagem realizada naquele mês, Lugo era um dos favoritos para as eleições presidenciais de abril de 2008 .[4]

Em 30 de outubro o jornal paraguaio ABC Color indicou que Lugo não teria futuro como candidato do Partido Democrata Cristão do Paraguai.[5]

Embora, em 16 de novembro, o presidente da Associação Nacional Republicana (Partido Colorado), Nicanor Duarte Frutos, negasse que o seu partido estivesse bloqueando a candidatura de Lugo[6], havia um debate sobre a sua legalidade, pois o artigo 235 da Constituição paraguaia proíbe ministros de qualquer denominação religiosa de ocupar cargos eletivos, e o Papa Bento XVI havia recusado o pedido de demissão do sacerdócio de Lugo.[7]

Ao mesmo tempo, pesquisas apontavam o favoritismo do bispo para as eleições presidenciais, em relação a seus oponentes —- Blanca Ovelar, do Partido Colorado, e o general Lino Oviedo.

Durante a sua campanha, o candidato ganhou o nome guarani de Tekojoja (que significa "viver entre iguais") e prometeu que seu governo evitará se posicionar em um dos pólos de esquerda sul-americana. Apesar de ter afirmado que considera "interessante" o governo do venezuelano Hugo Chávez, Lugo distanciou-se dos líderes populistas da América do Sul, concentrando-se principalmente na questão da desigualdade social no Paraguai. Disse que fará uma reforma agrária, respeitando a Constituição, e que pretende renegociar a maneira como o Paraguai vende a energia elétrica da usina binacional de Itaipu ao Brasil, no sentido de obter "um preço de mercado justo". Pelo Tratado de Itaipu, firmado por Brasil e Paraguai em 1973, a energia gerada pela usina deve ser dividida igualmente entre os dois sócios. Mas o Paraguai utiliza apenas cerca de 5% dessa energia, quantia suficiente para suprir 95% de sua demanda. O excedente é vendido - a preço de custo - ao Brasil, onde 20% da energia elétrica consumida vem de Itaipu.[8]

Além da reforma agrária, Fernando Lugo prometeu empenhar-se na luta contra a corrupção e favorecer o nacionalismo, no plano econômico. Conhecido como o "bispo dos pobres", Lugo era visto por muitos como a ameaça mais séria ao domínio do Partido Colorado.Mais da metade dos seis milhões de paraguaios vive em situação de pobreza.

[editar] Eleições presidenciais de 2008 no Paraguai

Fernando Lugo dá entrevista coletiva em Assunção, logo após a divulgação do resultado das eleições.

Em 20 de abril, logo após o encerramento da votação, a esquerda paraguaia festejou a vitória do bispo Fernando Lugo, líder da Alianza Patriótica para el Cambio (APC), dada como certa, segundo as pesquisas de boca de urna.

Às 21h40 (22h40 de Brasília), com mais de 90% dos votos apurados, o TSJE (Tribunal Superior de Justiça Eleitoral) anunciou oficialmente a vitória de Lugo, com 40,83% dos votos. Blanca Ovelar ficou em segundo lugar, com 30,72%.[9] Dezenas de milhares de pessoas, a maioria jovens, tomaram o centro de Assunção depois do anúncio, um sinal da esperança com que recebem a mudança.

Em Assunção, paraguaios festejam o resultado das eleições.

O presidente da Conferência Episcopal Paraguaia (CEP), monsenhor Ignacio Gogorza, declarou que o Papa "vai encontrar uma solução" para o caso do bispo, que sofreu sanção do Vaticano por dedicar-se à política e a quem Roma deve outorgar agora uma dispensa.[10]

Em 24 de abril, Fernando Lugo e o núncio apostólico no Paraguai, Orlando Antonini, se reuniram para buscar uma saída à inédita situação enfrentada pela Igreja Católica de ter um bispo rebelde como presidente eleito de um país.[11] Mesmo sem exercer seu ministério, Dom Lugo continuava sendo bispo, num país onde a Constituição proíbe que todo ministro, de qualquer religião, exerça a presidência.

A 30 de Julho de 2008,[12] o Núncio Apostólico em Assunção, D. Orlando Antonini entregou ao presidente eleito a aceitação, por parte do Papa Bento XVI, da renúncia de Fernando Lugo ao estado eclesial. Primeiro bispo a ser eleito chefe de Estado em toda a história, Lugo recebeu uma dispensa histórica do papa Bento XVI, permitindo-lhe exercer a presidência do Paraguai, a partir de 15 de agosto de 2008. "O Vaticano já concedeu o estado laico a muitos padres, mas esta é historicamente a primeira vez que ele o faz para com um membro da hierarquia eclesiástica", afirmou o Núncio, que não excluiu a reintegração futura de Fernando Lugo à hierarquia da Igreja, no término do seu mandato.

Fernando Lugo, durante visita ao Brasil em 2009. Foto: Wilson Dias/ABr

Fernando Lugo agradeceu ao Papa pela decisão sem precedente na Igreja Católica e declarou que Bento XVI havia dado uma demonstração "de grande amor pelo Paraguai", onde a maioria da população é católica.

A vitória do "bispo dos pobres" deveu-se em grande parte às suas ações em defesa dos camponeses sem-terra, particularmente através do movimento popular Tekojoja [13]("vida ou modo de vida igual" ou "viver em igualdade", em guarani, língua oficial do Paraguai, ao lado do espanhol).[14]

[editar] Ameaça de fraude ou de morte

Lugo foi suspenso das suas muitas visitas e reuniões eleitorais "ameaças", como ele disse. Ele temia por sua vida, lembrando o assassinato de Luis María Argaña para expressar "crime político no Paraguai nunca foi ausente, a última foi em 1999 com a morte do vice"[15]

Por seu turno, um condenado por sequestro, Carmen Villalba, ea quem o governo acusa de ligações com as Farc começaram a declarar que existe um grupo guerrilheiro próximo da Triple Fronteira para simpatizaría com Lugo. Seria EPP: Exército do Povo Paraguaio. Lugo diz que tudo é um plano para desacreditar.

O PLRA senador, Juan Carlos Ramirez Montalbetti, disse que dias antes tinha anunciado um plano para ligação com Lugo guerrilha. Iramain Aníbal Carrillo, líder do Movimento Popular Tekojoja diz que tudo é parte de uma guerra suja contra a Lugo e grupos políticos que o apóiam.[16][17]

[editar] Polêmica da Paternidade

Encontro entre Lugo e o ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva.
Foto:Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

Em 1 de abril de 2009 surgiram relatos sobre um possível filho não reconhecido de Fernando Lugo. Viviana Rosalith Carrillo Cañete (*1983) foi a autora da denúncia onde afirmou que ela teve um filho com Fernando Lugo, quando este ainda era um sacerdote, desencadeando um debate sobre o presidente.

Mais tarde, Viviana negou ser a autora da denúncia, mas advogados apresentaram à imprensa documentos assinados por ela (que foram posteriormente analisados para atestar se autoria era de Viviana Carrillo). Cooperativo com as investigações, Lugo declarou que o fato nada mais era do que uma campanha contra ele e que o presidente não tinha qualquer objeção em fazer um teste de DNA e processaria por difmação os advogados que apresentaram a queixa.

No entanto, em 13 de abril de 2009, o presidente admitiu ter tido relações com Viviana Carrillo quando ainda era bispo e disse para tomar todas as responsabilidades pelas suas ações assumir a paternidade da criança.

Ainda não se provou que o presidente tenha tido um relacionamento com Viviana Carrillo, quando ela era menor de idade, o que acarretaria uma acusação de ter tido relações com um menor (estupro presumido), que é punível por lei no país.

Enquanto Fernando Lugo teve um grande apoio popular, no início do seu governo, a partir do momento que ele admitiu o relacionamento e o mesmo resultado, os pareceres foram mistos, alguns apoiando as suas decisões, enquanto outros que criticam duramente para mentir e ocultar este fato.

Além disso, houve dois relatos de pais e não exclui a possibilidade de que haja mais mulheres com queixas exigindo o reconhecimento de seus filhos.

Cada vez mais está se afastando de seu Vice-Presidente Federico Franco, que está em grande desacordo com as decisões tomadas pelo presidente.[18][19] [20]

[editar] Doença

Em 6 de agosto de 2010, numa conferência de imprensa transmitida por uma médica oficial do Governo de Lugo, detectado no presidente um câncer maligno, mas disse que é potencialmente curável e não afetaria suas atividades. O linfoma foi detectado depois de analisar um nódulo na virilha que foi retirado cirurgicamente em 4 de agosto.[21]

No dia 1 de dezembro de 2010, Fernando Lugo retorna para casa após ser internado em um hospital em São Paulo, Brasil. Depois de ser submetido à sua sexta e última quimioterapia, um cateter foi retirado. O PET-scan foi satisfatório e não detectar qualquer tipo de tumor linfático. A médica relatório fala um sucesso total, até mesmo de uma cura.[22]

Referências

  1. "Vaticano pode excomungar Bispo paraguaio que lançou candidatura presidencial"
  2. "Paraguai: após assumir paternidade, Fernando Lugo quer dar sobrenome à criança"
  3. "Paraguayan Gov't Offers Lugo Protection"
  4. Angus Reid Consultants Angus Reid Global Monitor : Polls & Research "Priest Still Ahead in Paraguayan Election"
  5. "El ex obispo Fernando Lugo se afilió al Partido Demócrata Cristiano"
  6. Catholic World News : "Suspended bishop cleared as presidential candidate in Paraguay"
  7. "Impugnación de Lugo será tratada por el comité ejecutivo de la ANR"
  8. "Coalizão de Lugo se prepara para definir governo paraguaio"
  9. Ex-bispo Fernando Lugo vence as eleições no Paraguai e põe fim a 61 anos de domínio colorado
  10. El País: "El obispo Lugo se proclama vencedor en Paraguay tras 61 años 'colorados'" (em espanhol)
  11. "Lugo e núncio se reúnem em busca de solução para situação do ex-bispo"
  12. "Papa aceita renúncia do presidente do Paraguai"
  13. Sítio oficial do Tekojoja
  14. Le Monde, 02/08/2008 - "No Paraguai, o antigo "bispo vermelho" obtém uma dispensa do papa para tornar-se presidente"
  15. El ex obispo paraguayo Fernando Lugo teme un fraude o incluso un atentado
  16. Luguismo levanta sospechas sobre Carmen Villalba y la ANR
  17. La Alianza cree que colorados manipulan a Carmen Villalba
  18. Lugo reconoce paternidad 13 Abril 09
  19. Demandan a Fernando Lugo por supuesto hijo no reconocido PPN 08 Abril 09
  20. Reconoce Lugo paternidad de niño Reforma 13 Abril 09
  21. TeleSurTv.net: «a Lugo se le diagnostica un linfoma que puede generar cáncer»
  22. Pagina12.com.ar: «Lugo dejó atrás el cáncer y volvió a Paraguay».

[editar] Ligações externas

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