José Gaspar Rodríguez de Francia

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José Gaspar Rodríguez de Francia.
José Gaspar Rodríguez de Francia em um selo paraguaio.

José Gaspar Rodríguez Francia, dito Dr. (Yaguarón, 1776 - Assunção, 20 de setembro de 1840) foi um teólogo, advogado, revolucionário e político paraguaio.

Ocupou vários cargos no Governo independente, sendo primeiramente Secretário da Junta, depois Cónsul, juntamente com o comandante militar Fulgencio Yegros. Pela Assembléia foi nomeado Ditador Temporário e finalmente, em 1816, Ditador Perpétuo da República do Paraguai.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Desconhece-se a origem do seu pai, afirmando-se que teria sido, ou um agricultor de origem francesa, ou um antigo funcionário público de origem luso-brasileira, de sobrenome Garcia de França, e que o próprio José Gaspar o teria traduzido para o espanhol. Estudos mais confiáveis afirmam que José Engracia García Rodríguez de Francia, apesar do nome pretensioso e da partícula “de” enobrecedora, era português plebeu, nascido possivelmente em Mariana, no Rio de Janeiro, em 1739, que chegara ao Paraguai adolescente, nos anos 1750, com outros colonos luso-brasileiros, para fomentar a plantação e o beneficiamento do tabaco, em Yaguarón, nas proximidades de Asunción. Aos operários portugueses expertos no trabalho com o tabaco, foi garantida a “igualdad de derechos con los españoles”. A sua mãe, Josefa de Velasco y Yegros, era paraguaia e pertencia a uma família ilustre de Assunção.[1]

Após concluir os primeiros estudos na capital paraguaia, doutorou-se em Teologia de Direito Canónico Universidade de Córdoba do Tucumán, um dos institutos de ensino superior mais reconhecidos na América colonial espanhola, fundado pela Companhia de Jesus.

Em Asunción, dedicou-se ao magistério, assumindo, no Real Seminário de San Carlos, em 1786, a cátedra de “latinidad”, que abandonou pela advocacia, segundo parece devido suas idéias democrático-liberais e anti-clericais. Ganhou fama de incorruptível e acérrimo defensor da justiça. Foi o ideólogo da revolução que, de 14 para 15 de maio de 1811, proclamou a independência do Paraguai, instaurando a primeira República da América do Sul.[2]

Já homem adulto, assumiu responsabilidades políticas na administração colonial, desempenhando importante papel na independência do Paraguai, em 1811. Em aliança com os proprietários crioulos, reprimiu o partido espanholista e, a seguir, portenhista. Apoiando-se e apoiado pelos amplos segmentos camponeses do país (chacareros), reprimiu politica e economicamente o partido dos proprietários crioulos, sendo eleito, inicialmente, cônsul ao lado de Fulgencio Yegros [1813] e, a seguir, ditador temporário [1814] e, ditador perpétuo [1816], por assembléias multitudinárias - mais de mil delegados, para população paraguaia de pouco mais de cem mil habitantes.[3]

Em 1820, reprimiu com o apoio das classes plebéias a grande conspiração das oligarquias proprietárias contra o seu governo. Ao contrário do que era praticado no Prata, limitou-se a execução de poucos cospiradores, mandando a grande maioria para a prisão e, sobretudo, expropriando suas propriedades, que foram associadas às Estâncias da Pátria, que tinham suas rendas direcionadas ao financiamento das forças armadas e da administração, o que permitiu desoneração tendencial das classes populares no relativo aos impostos públicos.[4]

Conhecido como o "pai" da pátria paraguaia, o seu governo concentrou-se em manter o país independente de qualquer potência estrangeira, incutindo nos paraguaios um forte sentimento de pertença a uma nação única, homogênea e soberana. A sua principal preocupação foi com relação à pretensão Argentina de recompor o Vice-Reinado do Rio da Prata, que abrangera o território do Paraguai em tempos coloniais. Para tal, formou o primeiro exército paraguaio permanente, com pouco mais de mil homens, que consumia grande parte dos recursos públicos do país. Reorganizou igualmente as milícias locais, não pagas.[5]

Talvez por isso, Simón Bolívar tenha acreditado que Rodríguez de Francia ajudaria o Brasil na Guerra Cisplatina, contra a Argentina, no que se mostrou incorreto, uma vez que Rodriguez de Francia, por sua política de não intervençâo nos estados vizinhos, e pela necessidade de defender o seu próprio país, não prestou qualquer apoio ao Brasil, cujo representante diplomático expulsou de Assunção em 1828. Entretanto, Francia sempre se esforçou para manter boas relações com o Brasil, para garantir o comércio internacional através de São Borja, devido ao bloqueio comercial que o país conhecia no Prata por Buenos Aires.[6]

O objetivo principal do governo de Rodríguez de Francia foi a consolidaçâo da independência e a defesa da integridade territorial do Paraguai. Por isso, reivindicou, contra Buenos Aires, o direito da livre navegaçâo nos rios da região, especialmente no Prata, a fim de evitar o controle de suas relações externas pelos vizinhos. A sua política de isolamento ante a anarquia que reinava nos estados vizinhos incluiu proibir os compatriotas e mesmo os estrangeiros de sair do país. Para emigrar, era necessário um passaporte especial por ele concedido pessoalmente.

Francia não chegou a proclamar formalmente a independência do Paraguai, o que ocorreria apenas em 1842.

Rodríguez de Francia criou uma sólida convicçâo cidadã da Independência Nacional, e a consciência do auto abastecimento, incrementando a agricultura, a pecuária, os trabalhos artesanais e a indústria têxtil.

José Gaspar de Francia morreu, em 20 de setembro de 1840, sem receber assistência religiosa, segundo sua vontade. Como vivera com extrema frugalidade, mandou distribuir os salários que não recebera entre os soldados estacionadas na fronteira do país. Desconhece-se o fim que seu corpo teve, após enterramento ceremonioso na Igreja da Encarnação, en Asunción. Acredita-se que seu sucessor Carlos Antonio López tenha ordenado o desparecimento do corpo, já que o jazigo se transformara em centro de peregrinação de seus partidários.[7]

Foi conhecido como "Karaí Guazú" (do guarani, "Grande Senhor", mas que é utilizado no Paraguai como "Pai de Todos").

É o personagem principal do romance "Eu, o Supremo", do escritor paraguaio Augusto Roa Bastos, obra com que foi agraciado com o Prêmio Miguel de Cervantes da Literatura Espanhola em 1989. Está traduzido em mais de 25 idiomas.

Referências

  1. ANDRADA E SILVA, Raul. Ensaio sobre a ditadura do Paraguai: 1814-1840. São Paulo: Coleção Museu Paulista, 1978. pp. 135-6; CHAVES, Julio César. El Supremo Dictador: biografia de José Gaspar de Francia. 5 ed. Asunción: Carlos Schauman, 1985. pp. 23-34; 42.
  2. CHAVES, Julio César. El Supremo Dictador. Ob.cit. pp. 57-8.
  3. WHITE, Richard Alan. La primera revolución popular en America: Paraguay (1810-1840). 2 ed. Asunción: Carlos Schauman, 1989. pp. 30 et seq.
  4. CHAVES. El Supremo Ditador. Ob.cit. p. 270 et seq.; MAESTRI, Mário. A guerra no Papel: história e historiografia da Guerra do Paraguai. Porto Alegre: FCM; Passo Fundo, PPGH, 2013. pp.167 et seq.
  5. RENGGER, J.R. “Ensayo histórico sobre la revolución del Paraguay”. RENGGER; CARLYLE; DEMERSAY. El doctor Francia. Asunción: El Lector, 1987.p. 29 et seq.
  6. ANDRADA E SILVA. Ensaio sobre [...]. Ob.cit. pp. 221 et seq.
  7. PINEDA, Oscar. Cronología básica de la hisoria paraguaya: 1492-2009. Asunción: don Bosco, 2009. p.34; GARAY, Bras. Compendio elemental de história del Paraguay. Asunción: Escuela Militar, 1929. p. 183; DEMERSAY, L. Alfred. Historia Geral do Paraguay desde a sua descoberta até nossos dias. Por L.A.D., encarregado de uma missão scientifica na America Meridional, seguida de uma notícia geográphica do estado actual do Paraguay pelo Dr. J.M.L [...]. Rio de Janeiro: Perseverança, 1865. p. 131..


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