Martins Fontes

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Martins Fontes.

José Martins Fontes (Santos, 23 de junho de 1884 — Santos, 25 de junho de 1937) foi um médico e poeta e tradutor brasileiro. É considerado o melhor poeta de sua geração na lusofonia, e um dos dez melhores na língua portuguesa; os outros nove são Camões, Bocage, António Nobre, Guerra Junqueiro, Fernando Pessoa, Castro Alves, Olavo Bilac, Raimundo Correia e Alberto de Oliveira (o brasileiro)[1] .

Vida e Obra[editar | editar código-fonte]

José Martins Fontes, o "Zezinho Fontes", nasceu na casa 4 da praça José Bonifácio, filho de Isabel Martins Fontes e do Dr. Silvério Martins Fontes, frequentou os principais colégios de seu tempo, entre eles o Colégio Nogueira da Gama em Jacareí[2] . Em sua vida de estudante em Santos, teve como professor Tarquínio da Silva, ao qual prestou homenagem posteriormente. Mais tarde vai para o Rio de Janeiro, onde estuda no Colégio Alfredo Gomes[3] .

Aos oito anos de idade, Martins Fontes publicou seus primeiros versos num jornalzinho denominado "A Metralha" dando os primeiros sinais do grande poeta que iria ser durante sua vida, do qual foram publicados 9 números aos domingos e cujo cabeçalho em três cores era feito por seu avô, o coronel Francisco Martins dos Santos. A 1° de maio desse mesmo (1892) estreia o moço poeta, recitando um hino a Castro Alves no Centro Socialista, organização marxista-leninista criada por seu pai. Com dezesseis anos, ele lê uma ode de sua autoria na inauguração do monumento comemorativo ao quarto centenário do Descobrimento do Brasil, levantado próximo à biquinha em São Vicente.

Início de vida profissional[editar | editar código-fonte]

Em 1908, defendeu tese de doutoramento na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, tornando-se médico sanitarista, tendo convivido com poetas como Olavo Bilac, Coelho Neto, Emílio de Meneses e outros[2] . Depois de formado foi médico da Comissão das Obras do Alto Acre, interno da Santa Casa do Rio de Janeiro, auxiliar de Oswaldo Cruz na profilaxia urbana, médico da Santa Casa de Misericórdia de Santos, médico da Beneficência Portuguesa de Santos, inspetor sanitário em Santos e Diretor do Serviço Sanitário[3] .

Também foi médico da Sociedade Humanitária dos Empregados no Comércio, da Companhia Segurança Industrial, da Companhia Brasil, da Repartição de Saneamento e da Casa de Saúde de Santos. Durante a epidemia de gripe de 1918 tornou-se um dos beneméritos da cidade, desdobrando-se para socorrer os bairros do Macuco e Campo Grande e estendendo sua ação para a localidade de Iguape[2] . Como médico, notabilizou-se como conferencista e foi tisiologista da Santa Casa de Misericórdia de Santos e destacado humanista, lutou junto com Oswaldo Cruz em defesa sanitária da cidade de Santos. Em seu consultório particular tratava de pessoas sem poder aquisitivo, não cobrando as consultas[1] .

Fundou com Olavo Bilac uma agência publicitária para serviços de propaganda dos produtos brasileiros na Europa e em outros países[3] . Em 1924 tornou-se correspondente da Academia das Ciências de Lisboa[2] . Quando Júlio Prestes, presidente do Estado de São Paulo e candidato à presidência da República, partiu em viagem para percorrer os países da Europa e EUA, Martins Fontes foi convidado para acompanhá-lo como médico da caravana. Devido ao seu trabalho como conferencista conheceu o Brasil de norte a sul, e ainda a Argentina, o Uruguai, os Estados Unidos, a França, a Inglaterra, a Espanha, a Itália e Portugal.

Colaborou literariamente com os jornais A Gazeta e o Diário Popular em São Paulo, e para o Diário de Santos e o Cidade de Santos, além de inúmeros periódicos do Rio de Janeiro e outras cidades[2] .

Posteriormente e últimos anos de vida[editar | editar código-fonte]

Sua obra literária é bastante volumosa, chegando actualmente a cinquenta e nove títulos publicados, em poesia e prosa. Actualmente editadas em Portugal, sob coordenação de seu biógrafo oficial, Rui Calisto.

Foi titular da Academia das Ciências de Lisboa e, ao longo de sua vida, recebeu os títulos de comendador da Ordem de São Tiago da Espada, Cavaleiro da Espanha, Par da Inglaterra entre outras distinções. É patrono da cadeira n.° 26 da Academia Paulista de Letras.

Morreu na cidade natal e está ali sepultado no Cemitério de Paquetá[3] .

Bibliografia ativa publicada[editar | editar código-fonte]

Publicou diversas obras literárias:[1]

  • Da Imitação em Síntese. 1ªed. Rio de Janeiro, Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro -Tipografia do “Jornal do Comércio” de Rodrigues & C., 1908, 78p.
  • Verão. 1ªed. Santos, Instituto D. Escholástica Rosa, 1917, 201p.
  • A Dança. 1ªed. Santos, Instituto D. Escholástica Rosa, 1919, 112p.
  • Granada. 1ªed. Santos, Bazar Americano – B. Barros & Cia – Instituto D. Escholástica Rosa, 1919, 27p.
  • A Alegria. 1ªed. São Paulo, O Estado de São Paulo – Nova Era – Paulino Vieira & C. 1921, 46p.
  • Pastoral. 1ªed. São Paulo, Revista do Brasil, Março de 1921, 20p.
  • Verão. 2ªed. Santos, Instituto D. Escholástica Rosa, 1921, 272p.
  • Arlequinada. 1ªed. Santos, Instituto D. Escholástica Rosa – B. Barros & Cia, 1922, 79p.
  • O Mar. 1ªed. São Paulo, O Estado de São Paulo – Nova Era – Paulino Vieira & Comp., 1922, 48p.
  • Marabá. 1ªed. Santos, Agência Novidades – Instituto D. Escholástica Rosa, 8 de Janeiro de 1922, 33p.
  • Boémia Galante. 1ªed. Santos, B. Barros & Comp. – Bazar Americano, 1923, 370p.
  • As Cidades Eternas. 1ªed. Santos, B. Barros & Comp. – Instituto D. Escholástica Rosa, 1923, 138p.
  • À Margem das Cidades Eternas. In: Revista de Filologia Portuguesa. São Paulo, I, 4, 1 de Abril de 1924, p. 49-71. (Obra encontrada por Rui Calisto. Pertence agora ao acervo deste investigador. Está a ser preparada para edição).
  • Prometheu. 1ªed. São Paulo, O Estado de São Paulo – Nova Era – Paulino Vieira & Comp., 1924, 27p.
  • Prométhée. 1ªed. São Paulo, O Estado de São Paulo – Nova Era – Paulino Vieira & Comp., 1924, 28p. (Versão em francês).
  • Volúpia. 1ªed. São Paulo, Empresa Monteiro Lobato & Comp., 1925, 169p.
  • Decameron. 1ªed. Santos, B. Barros & Comp., 1925, 106p.
  • Santos Suprema Glória da Pátria! 1ªed. Santos, Instituto D. Escholástica Rosa, 1925, 35p.
  • Partida para Cythera. 1ªed. Santos, B. Barros & Cia., 1925, 79p.
  • Vulcão. 1ªed. Santos, Instituto D. Escholástica Rosa – Amigos de Santos, 1926, 204p.
  • No Templo e Na Oficina. 1ªed. Santos, Estabelecimento Gráfico Radium, 1927, 185p.
  • A Fada Bombom. 1ªed. Santos, Estabelecimento Gráfico Radium, 1927,48p.
  • O Colar Partido. 1ªed. Santos, B. Barros & Cia., 1927, 259p.
  • Rosicler. 1ªed. Santos, Estabelecimento Gráfico Radium, 1927, 81p.
  • Verão. 3ªed. Santos, B. Barros & Cia., 1927, 262p.
  • Poesias. 1ªed. Santos, Instituto D. Escholástica Rosa – B. Barros & Comp., 1928, 5º, Poesias Completas de Martins Fontes, 425p.
  • Escarlate. 1ªed. São Paulo, Elvino Pocai, 1928, 83p.
  • Schaharazade. 1ªed. São Paulo, Estabelecimento Gráfico Irmãos Ferraz, 1929, 68p.
  • O Mar, A Terra e o Céu. 1ªed. Santos, Instituto D. Escholástica Rosa, 1929, 161p.
  • A Flauta Encantada. 1ªed. São Paulo, Rebelo & Magalhães, 1931, 99p.
  • Terras da Fantasia. 1ªed. Santos, Instituto D. Escholástica Rosa, 1933, 339p.
  • Sombra Silêncio e Sonho... 1ªed. São Paulo, Elvino Pocai, 1933, 154p.
  • Paulistânia. 1ªed. São Paulo, Elvino Pocai, 9 de Julho de 1934, 127p.
  • Nós, As Abelhas. 1ªed. São Paulo, Editora J. Fagundes, 1936, 292p.
  • Guanabara. 1ªed. São Paulo, Editora J. Fagundes, 1936, 137p.
  • Poesias Completas. 1ªed. Santos – São Paulo, Sociedade Humanitária dos Empregados do Comércio em Santos – “Revista dos Tribunais”, Outubro de 1936, VI, Poesias Completas de Martins Fontes, 461p.
  • I Fioretti. 1ªed. São Paulo, Elvino Pocai, 1936, 46p.
  • Sol das Almas. 1ªed. Rio de Janeiro, A Noite S/A Editora, 1936, 205p.
  • Fantástica. 1ªed. São Paulo, Editora J. Fagundes, 1937, 204p.
  • Canções do Meu Vergel. 1ªed. São Paulo, “Revista dos Tribunais”, Fevereiro de 1937, 186p.
  • Indaiá. 1ªed. São Paulo, Elvino Pocai, Junho de 1937, 48p.
  • A Canção de Ariel. 1ªed. São Paulo, Comissão Glorificadora de Martins Fontes – Elvino Pocai, Junho de 1938, 122p.
  • Nos Jardins de Augusto Comte. 1ªed. São Paulo, Comissão Glorificadora de Martins Fontes, 1938, 187p.
  • Calendário Positivista. 1ªed. São Paulo, Comissão Glorificadora de Martins Fontes – Elvino Pocai, Junho de 1938, 114p.
  • Brasil! Vulcão Verdeal... 1ªed. São Paulo, Intercultural Editora – Industrias Gráficas José Ortiz Júnior, 1956, Antologia de Poesias Épicas de Martins Fontes, organizada e com um prefácio e elucidário de Jaime Franco, 310p.
  • Brasil, Terra Verdeal! 1ªed. São Paulo, Intercultural Editora – Industrias Gráficas José Ortiz Júnior, Junho de 1956, Antologia de Poesias Épicas de Martins Fontes, organizada e com um prefácio e elucidário de Jaime Franco, 311p.
  • Verão. 4ªed. Brasília – Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro – Fundação Nacional Pró-Memória – Livraria Editora Cátedra, 1983, I, Obra Poética de Martins Fontes – Edição Comemorativa do Centenário de Nascimento do Autor, 209p.
  • Boémia Galante. 2ªed. Brasília – Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro – Fundação Nacional Pró-Memória – Livraria Editora Cátedra, 1984, II, Obra Poética de Martins Fontes – Edição Comemorativa do Centenário de Nascimento do Autor, p. 13-53.
  • Vulcão. 2ªed. Brasília – Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro – Fundação Nacional Pró-Memória – Livraria Editora Cátedra, 1984, II, Obra Poética de Martins Fontes, p. 55-128.
  • As Cidades Eternas. 2ªed. Brasília – Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro – Fundação Nacional Pró-Memória – Livraria Editora Cátedra, 1984, II, Obra Poética de Martins Fontes, p. 129-189.
  • Rosicler. 2ªed. Brasília – Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro – Fundação Nacional Pró-Memória – Livraria Editora Cátedra, 1984, III, Obra Poética de Martins Fontes, p. 13-46.
  • Escarlate. 2ªed. Brasília – Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro – Fundação Nacional Pró-Memória – Livraria Editora Cátedra, 1984, III, Obra Poética de Martins Fontes, p. 47-92.
  • Volúpia. 2ªed. Brasília – Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro – Fundação Nacional Pró-Memória – Livraria Editora Cátedra, 1984, III, Obra Poética de Martins Fontes, p. 93-151.
  • Paulistânia. 2ªed. São Paulo, Livraria Martins Fontes, Abril de 1984, 127p. (Obra editada sem autorização da Família Martins Fontes).
  • Sonetos de Martins Fontes. 1ªed. São Paulo, Editora SOMA, 1987, Antologia Organizada e Apresentada por Roberto Fontes Gomes – Edição Comemorativa do Cinquentenário do Falecimento do Poeta Martins Fontes – Promoção da Ordem Nacional dos Escritores, 146p.
  • Poesias Martins Fontes. 1ªed. São Paulo, Livraria Martins Fontes Editora, Novembro de 1998, Selecção de Manoel Moreyra, 80p. (Obra editada sem autorização da Família Martins Fontes).
  • Partida para Cythera. 2ªed. Caldas da Rainha – Portugal, CCCA – Cooperativa Cultural Companhia das Artes, Crl, 2004, 96p.
  • A Cigarra e a Formiga. 1ªed. Caldas da Rainha – Portugal, Martins Fontes – Portugal, 2008, 88p. (Edição em co-autoria com Rui Calisto).
  • Verão. 5ªed. Caldas da Rainha - Portugal, Martins Fontes - Portugal, 2008, 287p.

Referências

  1. a b c Cadeira 17 - José Martins Fontes (em português). Instituto Histórico e Geográfico de Santos. Página visitada em 20 de junho de 2012.
  2. a b c d e Emílio Carlos Alves. Biografia Mantins Fontes (em português). Sonetos.com.br. Página visitada em 20 de junho de 2012.
  3. a b c d Martins Fontes-Biografia (em português) pp. 3 de Pedagogia & Comunicação. UOL - Educação. Página visitada em 20 de junho de 2012.