Amácio Mazzaropi

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Mazzaropi)
Ir para: navegação, pesquisa
Question book.svg
Este artigo ou secção necessita de referências de fontes secundárias fiáveis publicadas por terceiros (desde fevereiro de 2010).
Por favor, melhore-o, incluindo referências mais apropriadas vindas de fontes fiáveis e independentes.
Fontes primárias, ou que possuem conflito de interesse geralmente não são suficientes para se escrever um artigo em uma enciclopédia.
Encontre fontes: Googlenotícias, livros, acadêmicoScirusBing. Veja como referenciar e citar as fontes.
Mazzaropi
Nome completo Amacio Mazzaropi
Nascimento 9 de abril de 1912
São Paulo
Nacionalidade Brasil Brasileiro
Morte 13 de junho de 1981 (69 anos)
São Paulo, São Paulo
Ocupação ator, produtor, cantor,
IMDb: (inglês) (português)

Amácio Mazzaropi (São Paulo, 9 de abril de 1912 — São Paulo, 13 de junho de 1981) foi um ator e cineasta brasileiro.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de Bernardo Mazzaroppi, imigrante italiano e Clara Ferreira, portuguesa, com apenas dois anos de idade sua família muda-se para Taubaté, no interior de São Paulo. O pequeno Amácio passa longas temporadas no município vizinho de Tremembé, na casa do avô materno, o português João José Ferreira, exímio tocador de viola e dançarino de cana verde. Seu avô também era animador das festas do bairro onde morava, às quais levava seus netos que, já desde cedo, entram em contato com a vida cultural do caipira, que tanto inspirou Mazzaropi.[1]

Em 1919, sua família volta à capital e Mazzaropi ingressa no curso primário do Colégio Amadeu Amaral, no bairro do Belém. Bom aluno, era reconhecido por sua facilidade em decorar poesias e declamá-las, tornando-se o centro das atenções nas festas escolares. Em 1922 morre o avô paterno e a família muda-se novamente para Taubaté, onde abrem um pequeno bar. Mazzaropi continua a interpretar tipos nas atividades escolares e começa a frequentar o mundo circense. Preocupados com o envolvimento do filho com o circo, os pais mandam Amácio aos cuidados do tio Domenico Mazzaroppi em Curitiba, onde trabalha na loja de tecidos da família.[1]

Já com quatorze anos, em 1926, regressa à capital paulista ainda com o sonho de participar em espetáculos de circo e, finalmente, entra na caravana do Circo La Paz. Nos intervalos do número do faquir, Mazzaropi conta anedotas e causos, ganhando uma pequena gratificação. Sem poder se manter sozinho, em 1929 Mazzaropi volta a Taubaté com os pais, onde começa a trabalhar como tecelão, mas não consegue se manter longe dos palcos e atua numa escola do bairro.[1]

O teatro, o rádio e a televisão[editar | editar código-fonte]

Com a Revolução Constitucionalista de 1932 segue-se uma grande agitação cultural e Mazzaropi estreia em sua primeira peça de teatro, chamada A herança do Padre João. Já em 1935, consegue convencer seus pais a seguir turnê com sua companhia e a atuarem como atores. Até 1945, a Troupe Mazzoropi percorre muitos municípios do interior de São Paulo, mas não há dinheiro para melhorar a estrutura da companhia.[1]

Com a morte da avó materna, Dona Maria Pita Ferreira, Mazzaropi recebe uma herança suficiente para comprar um telhado de zinco para seu pavilhão, podendo assim estrear na capital, com atuações elogiadas por jornais paulistanos. Depois, parte com a companhia em turnê pelo Vale do Paraíba. A grave situação de saúde de seu pai complica a situação financeira da companhia de teatro e, em 8 de novembro de 1944, morre Bernardo Mazzaroppi.[1]

Dias após a morte de seu pai, estreia no Teatro Oberdan ao lado de Nino Nello, sendo ator e diretor da peça Filho de sapateiro, sapateiro deve ser, acolhida com entusiasmo pelo público.[1]

Em 1946, convidado por Dermival Costa Lima da Rádio Tupi, estreia o programa dominical Rancho Alegre, encenado ao vivo no auditório da emissora no bairro do Sumaré e dirigido por Cassiano Gabus Mendes. Em 1950, este mesmo programa estreou na TV Tupi, mas agora contava com a coadjuvação dos atores João Restiffe e Geny Prado. Mazzaropi tinha um hobby, gostava de cantar valsa, MPB e seresta com os seus amigos..[1]

O cinema[editar | editar código-fonte]

Convidado por Abílio Pereira de Almeida e Franco Zampari, Mazzaropi estreia seu primeiro filme, intitulado Sai da Frente, em 1952, rodado pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz, onde produziria mais dois filmes. Com as dificuldades financeiras da Vera Cruz, Mazzaropi faz, até 1958, mais cinco filmes por diversas produtoras.[1]

Naquele mesmo ano, vende sua casa e cria a PAM Filmes (Produções Amácio Mazzaropi) e passa não só a produzir, mas distribuir os filmes em todo o Brasil. O primeiro filme da nova produtora é Chofer de Praça,

Em 1959 é convidado por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, mais conhecido como Boni, na época da TV Excelsior de São Paulo, a fazer um programa de variedades que fica no ar até 1962. Neste mesmo ano começa a produzir um de seus filmes mais famosos, Jeca Tatu, que estréia nos cinemas no ano seguinte.[1]

Em 1961, Mazzaropi adquire uma fazenda onde inicia a construção de seu primeiro estúdio de gravação, que produziria seu primeiro filme em cores, Tristeza do Jeca, que foi também o primeiro filme veiculado na televisão pela Excelsior, ganhando os prêmios de melhor ator coadjuvante, Genésio Arruda, e melhor canção.[1]

Cinco anos mais tarde, lança o filme O Corintiano, recorde de bilheteria do cinema nacional. Em 1972 é recebido pelo então presidente da República, o general Emílio Garrastazu Médici, ao qual pede mais apoio ao cinema brasileiro. Em 1973, produz Portugal, minha saudade, com cenas gravadas no Brasil e em Portugal.[1]

No ano seguinte, começa a construir em Taubaté um grande estúdio cinematográfico, uma oficina de cenografia e um hotel para os atores e técnicos. A partir de então produz e distribui mais cinco filmes até 1979.[1]

Seu 33º filme, Maria Tomba Homem, nunca seria terminado. Depois de 26 dias internado, Mazzaropi morre, vítima de um câncer na medula óssea aos 69 anos de idade no hospital Albert Einstein de São Paulo. É enterrado na cidade de Pindamonhangaba, no mesmo cemitério onde seu pai já repousava.[2] Nunca se casou, mas deixou um filho adotivo, Péricles Mazzaropi.[1]

Em 1994 é inaugurado o Museu Mazzaropi, localizado na mesma propriedade dos antigos estúdios, recolhendo a história da carreira de um dos mais consagrados nomes do cinema, do teatro e da televisão brasileiros. Foi somente na década de 1990 que a cultura brasileira começou a ver de uma outra óptica a obra de Mazzaropi, que durante sua vida sempre foi duramente atacado (ou ignorado) pela crítica e pela intelectualidade.[1]

Filmografia[editar | editar código-fonte]

  1. 1952 - Sai da frente
  2. 1952 - Nadando em dinheiro
  3. 1954 - Candinho
  4. 1955 - A carrocinha
  5. 1956 - Fuzileiro do Amor
  6. 1956 - O Gato de Madame
  7. 1956 - Chico Fumaça
  8. 1957 - O Noivo da Girafa
  9. 1958 - Chofer de Praça
  10. 1959 - Jeca Tatu
  11. 1959 - As Aventuras de Pedro Malazartes
  12. 1960 - Zé do Periquito
  13. 1961 - Tristeza do Jeca
  14. 1961 - O Vendedor de Linguiça
  15. 1962 - Casinha Pequenina
  16. 1963 - O Lamparina
  17. 1964 - Meu Japão Brasileiro
  18. 1965 - O Puritano da Rua Augusta'
  19. 1966 - O Corintiano
  20. 1967 - O Jeca e a Freira
  21. 1969 - No Paraíso das Solteironas'
  22. 1969 - Uma pistola para Djeca
  23. 1970 - Betão Ronca Ferro
  24. 1972 - O Grande Xerife
  25. 1973 - Um Caipira em Bariloche
  26. 1973 - Portugal... Minha Saudade
  27. 1974 - O Jeca Macumbeiro
  28. 1975 - Jeca contra o Capeta
  29. 1977 - Jecão, um Fofoqueiro no Céu[3]
  30. 1978 - O Jeca e seu filho preto
  31. 1979 - A Banda das Velhas Virgens
  32. 1980 - O Jeca e a Égua Milagrosa
  33. Maria Tomba Homem (não concluído)

A partir de Chofer de Praça, em 1958, além de ser o protagonista, Mazzaropi também acumula as funções de produtor e roteirista, colaborando frequentemente com os diretores. Recentemente, foi lançada em DVD uma coleção de 22 de seus filmes em sete volumes. Alguns dos filmes tinham no título o nome "Jeca" mesmo ele tendo interpretado esse personagem apenas no filme Jeca Tatu.[1]

Homenagens[editar | editar código-fonte]

Desde a década de 80 a cidade de São Paulo possui equipamentos culturais com filosofia descentralizada com o objetivo de formar profissionais da arte e da cultura (ou reforçar a sua formação). A Oficina Cultural que homenageia Amácio Mazzaropi foi criada em agosto de 1990 e está instalada num edifício centenário (1912), construído especialmente para abrigar a segunda mais antiga escola normal de São Paulo, a Escola Padre Anchieta. O Condephaat tombou o prédio em 1988. Trata-se de um centro fomentador da cultura brasileira, responsável em trabalhar o resgate da cultura popular e o intercâmbio entre artistas com atividades nas diversas expressões artísticas. O objetivo é integrar artistas amadores e profissionais, formar públicos e ampliar sua atuação para bairros próximos do centro da cidade, como Brás, Pari, Belém e Mooca.[1]

Outra homenagem significativa é o filme longa-metragem Tapete Vermelho. É a história de um caipira (vivido por Matheus Nachtergaele) que resolve mostrar ao filho quem era Mazzaropi. No caminho até o cinema que exibe um filme do comediante, pai e filho se envolvem com violeiros que venderam a alma ao diabo, com mandingas, com o Movimento dos Sem-Terra, com vigaristas que lhes roubam a mula, com caminhoneiros e até com um milagre em Aparecida. Experiências que vão render a ambos uma grande lição sobre direitos humanos. A homenagem não para no argumento do filme (que tem direção de Luiz Alberto Pereira): o ator Matheus Nachtergaele compõe um tipo com o mesmo andar e a mesma voz do ídolo.[1]

No Carnaval de 2013 a Escola de Samba paulistana Acadêmicos do Tucuruvi prestou uma homenagem a Mazzaropi pelo centenário de seu nascimento em 2012, apresentando o enredo "Mazzaropi: o adorável caipira. 100 anos de alegria" [4]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Amácio Mazzaropi