Boni

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Boni
Boni em 2012
Nome completo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho
Nascimento 30 de novembro de 1935 (79 anos)
Osasco (SP)
Nacionalidade  brasileiro
Progenitores Mãe: Joaquina de Oliveira
Pai: Orlando de Oliveira
Ocupação Diretor de TV
Principais trabalhos Direção Geral da TV Globo

José Bonifácio de Oliveira Sobrinho ou simplesmente Boni (Osasco, 30 de novembro de 1935), é um publicitário, empresário e diretor de televisão brasileiro.

Filho de Orlando de Oliveira, um dentista que tocava violão e cavaquinho no conjunto regional de Armandinho, na Rádio Cultura de São Paulo, e sobrinho de Hermínio, integrante do conjunto Quatro Ases e um Curinga, desde garoto frequentava os estúdios de emissoras de rádio.

Início da carreira[editar | editar código-fonte]

Aos quinze anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, para iniciar carreira no rádio. Recomendado por um tio, conseguiu um estágio como ajudante de Dias Gomes, então diretor da Rádio Clube do Brasil.[1] Tempos depois, Dias Gomes o encaminhou para um curso de rádio, promovido pela prefeitura da cidade, na Rádio Roquette Pinto, onde teve as primeiras noções de locução e redação.[1]

Ainda em 1950, foi contratado como redator do programa "Clube Juvenil Toddy", da Rádio Nacional.[2] Lá, conheceu o radialista e humorista Manuel de Nóbrega, que estava à procura de redatores para trabalhar na filial paulista da rádio, então em fase de implantação. Em 1951, retornou a São Paulo, para trabalhar como secretário pessoal de Manuel de Nóbrega e integrante da equipe de redatores da Rádio Nacional de São Paulo.

Em 1953, o jovem redator de 17 anos, aceitou o convite para trabalhar na Rádio Tupi. Na TV Tupi, dirigida por Dermeval Costalina e Cassiano Gabus Mendes, Boni exerceu diversas funções, entre elas as de produtor, diretor e redator do programa "Grêmio Juvenil Tupi".[2] [1]

No ano seguinte, foi para a TV Paulista trabalhar como assistente do diretor artístico da emissora, Roberto Corte Real.[1] A situação econômica da emissora, entretanto, estava muito ruim e, por isso, no mesmo ano, ele foi trabalhar como redator da Rádio Bandeirantes.[1]

Em 1955, tornou-se chefe do Departamento de Rádio e Televisão da agência de publicidade Lintas Propaganda, onde trabalhou ao lado de Rodolfo Lima Martensen, José Scatena e Maria Augusta Barbosa de Mattos, a Guta, que mais tarde viria a coordenar o elenco da TV Globo.[1] Na mesma época, foi o diretor de propaganda da gravadora RGE[2] , lançando discos de artistas como Maysa e Chico Buarque de Holanda, entre outros.[1]

Depois de passar por um treinamento na agência de publicidade J. W. Thompson, na Inglaterra, e na NBC, em Nova Iorque, em 1957, assumiu a direção de criação da Linx Filmes, a primeira empresa de filmes comerciais para a televisão. Exerceu essa função até 1959. No ano seguinte, passou a chefiar o Departamento de Criação de Rádio e Televisão da agência Multi Propaganda, em São Paulo, onde trabalhou com Jorge Adib. Foi também chefe do Departamento de Rádio e Televisão da agência Alcântara Machado, em São Paulo.

Em 1962, assumiu a direção artística da Rádio Bandeirantes e, em 1963, criou – e depois vendeu – sua própria agência, a Proeme Publicidade e Mercadologia. Também naquele ano, trabalhou na TV Rio, a convite de Walter Clark – de quem já era amigo desde os tempos da Lintas.[1] Após rápida passagem pela TV Excelsior, em 1964, retornou à TV Tupi para implantar o Telecentro das Emissoras Associadas, o que possibilitaria concretizar o sonho de criar uma televisão nacional, operando com uma só programação, porém o projeto não vingou.[1]

A Rede Globo[editar | editar código-fonte]

Walter Clark fez novo convite a Boni em 1967, desta vez para que ele ocupasse a chefia da direção de programação e produção da TV Globo.[3] Era a oportunidade de tentar mais uma vez criar uma rede nacional de televisão. A ideia da rede seria viabilizada em 1969, quando a Embratel inaugurou o seu sistema de micro-ondas. O marco efetivo do início da rede foi a estreia, em setembro daquele ano, do Jornal Nacional, primeiro programa regular transmitido ao vivo para todo o país.

Ao lado de Walter Clark, Boni concebeu o formato básico da programação da TV Globo até hoje, com a grade do horário nobre formada por três novelas, o Jornal Nacional entre a segunda e a terceira, e uma atração especial a seguir. Boni promoveu também importantes mudanças na área artística da TV Globo. Foi ele que concluiu ser imprescindível mudar os rumos da teledramaturgia da emissora, ainda presa ao gênero capa e espada, ao perceber o filão que havia sido aberto com o sucesso da novela "Beto Rockfeller", exibida em 1968 na TV Tupi, com direção de Walter Avancini e Lima Duarte. Com o aval de Walter Clark, apostou em uma dramaturgia mais realista que retratava o cotidiano brasileiro contemporâneo, tendo sido responsável pela entrada de Daniel Filho, Dias Gomes e Janete Clair na Rede Globo.

Era responsável por todas as áreas de programação da emissora, inclusive o jornalismo, que esteve sob a sua supervisão até a entrada de Evandro Carlos de Andrade na direção da Central Globo de Jornalismo (CGJ), em 1995. Esteve envolvido na criação de vários programas, como o Fantástico (1973), o Você Decide (1992) e o seriado Mulher (1998).[1] Chegou até a escrever as letras dos temas de abertura de vários programas, como os do Fantástico (1973) e das novelas "Que Rei Sou Eu?" (1989) e "Tieta" (1989).

Em 1970, passou a ser o superintendente de Produção e Programação da Rede Globo. Entre 1969 e 1971, também foi membro da Convenção Internacional da National Association Broadcasting (NAB) dos Estados Unidos e da União Europeia de Radiodifusão.[1] Em 1980, Roberto Irineu Marinho já ocupava a vice-presidência da Rede Globo, e Boni assumiu a vice-presidência de operações da emissora, função que exerceu até 1997, quando foi substituído por Marluce Dias da Silva. Permaneceu, então, como consultor da emissora até 2001.[3] Desde 2003, é sócio, com seus quatro filhos, da TV Vanguarda, afiliada à TV Globo no interior de São Paulo.[4]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k Perfis: Boni (em português) Memória Globo (Abril de 2012). Visitado em 25 de janeiro de 2013.
  2. a b c Biografias: Boni (em português) NetSaber. Visitado em 25 de janeiro de 2013.
  3. a b Valladares, Ricardo (18 de junho de 2003). A TV está ruim - Entrevista: José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (em português) Veja. Visitado em 25 de janeiro de 2013.
  4. Honor, Rosangela (31 de agosto de 2003). "Só voltaria à televisão como dono" - Entrevista (em português) ISTOÉ Gente. Visitado em 25 de janeiro de 2013.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Precedido por
Direção geral da Rede Globo
1967 – 1997
Sucedido por
Marluce Dias da Silva