Brasão de Santos

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Brasão de Armas
Brasão de Armas
Detalhes
Adopção 1920
Escudo Escudo português, de goles, com esfera armilar sobre um caduceu que é rematado por uma pinha em torno do qual se estendem duas asas em ação de voo. Na haste do caduceu enroscam-se duas serpentes tudo em ouro. A esfera armilar é cingida por uma banda, rigorosamente em sentido diagonal, entre as linhas tropicais, com as cores nacionais do Brasil. Sobre a parte superior do escudo, pousa a coroa mural, de prata, composta de 8 torres, sendo 5 visíveis e 4 ameais cada.
Suportes Dois ramos de café, folhados e frutados, ambos ao natural.
Lema Latim: "Patriam Charitatem et Libertatem Docui" ("Pátria ensinei a caridade e a liberdade") em ouro sobre o listel de goles.

O Brasão de Santos é o símbolo de Santos, município do estado de São Paulo, Brasil.

O símbolo se faz presente também na Bandeira de Santos. Foi desenhado por Benedito Calixto em 1920,[1] que à época havia realizado também dois ensaios de mapas da cidade e algumas notas de astronomia,[2] sob as leis promulgadas durante a prefeitura de Joaquim Montenegro.[1]

Em 2004, o brasão foi alterado após 84 anos de ortodoxia, fruto de uma observação de três pesquisadores da cidade, conhecedores da heráldica. Para Jaime Mesquita Caldas, Antônio Ernesto Papa e Wilma Terezinh, os símbolos do brasão antigo representavam Santos como uma aldeia e não como uma cidade e como um local colonizado pelos franceses e não pelos portugueses.[1] As modificações mais curiosas nos símbolos são: o brasão antigo ostentava três torres, enquanto que agora possui oito, para representar a importância da cidade; o antigo escudo possuía um bico que representava a colonização pela França, mas agora o novo formato é arredondado para indicar a colonização por Portugal.[3]

O brasão representa traços tradicionais e culturais da cidade. O escudo ostenta, por exemplo, ramos de café, afirmando a posição de Santos "como o maior escoadouro de produção cafeeira do Estado, base de seu comércio e riqueza."[3] Também está enraizado com a mitologia clássica. O caduceu de cor dourada, presente no centro do brasão, era a vara mágica com que Apolo presenteou Mercúrio, o mensageiro dos deuses, sobre a qual "se enroscam duas serpentes que simbolizam a prudência".[3] É um símbolo do comércio, representando o Porto de Santos, enquanto que a fita verde-amarela representa as autoridades e os patriotas da Independência do Brasil, homenageando, principalmente, o conterrâneo José Bonifácio.[3] Força, resistência e emancipação é o que representam a coroa mural colocada em cima do escudo, enquanto que as portas das torres aludem ao "caráter hospitaleiro dos santistas".[3]

O brasão de armas de Santos possui gravado a frase em latim "Patriam Charitatem et Libertatem Docui", que quer dizer "Á Pátria Ensinei a Caridade e a Liberdade". A frase é cunhado pelo historiador Afonso d’Escragnolle Taunay, que nasceu em Santa Catarina mas foi diretor do Museu Paulista e um grande memorista de Santos.[3] Taunay também foi integrante do movimento favorável à construção do Monumento dos Andradas, na Praça da Independência, inaugurado em 1922 em homenagem ao centenário da Independência.[3]

Erro de confecção[editar | editar código-fonte]

O brasão de Santos possui um erro comum na heráldica municipal (também denominada "civil") brasileira, que é a representação incorreta da peça conhecida como "coroa-mural" (a peça de cinco torres logo acima do escudo).

O erro está na utilização da cor vermelha (goles) nas portas das torres, em detrimento do correto, que seria a cor preta (sable). Não se utiliza de forma alguma cor vermelha como a que está representada no atual desenho. É uma simples "licença artística", adotada, sugerindo portas abertas, sinal de espírito acolhedor do cidadão do município. Nem mesmo essa orientação é correta, pois a representação de portas abertas em heráldica é a cor branca, e não a vermelha.

Na peça coroa-mural somente é utilizado o preto, símbolo de portas "fechadas". Nenhuma outra cor é correta, valendo tal orientação para qualquer outro município brasileiro.

Referências

  1. a b c A Tribuna, "Novo brasão já pode ser visto na Cidade" (Da Reportagem), 26 de fevereiro de 2004.
  2. Sem nome. "A Arte de Benedito Calixto". Em Cidade Bocaina. Acesso: 3 de janeiro, 2009.
  3. a b c d e f g "Brasão é símbolo da história e das tradições de Santos". Em Santos.sp.gov.br. Acesso: 3 de janeiro, 2009.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • [1] - erros nos brasões municipais brasileiros
  • "Símbolos Paulistas: estudo histórico-heráldico", de Hilton Federici: Secretaria da Cultura, Ciência e Tecnologia, Conselho Estadual de Artes e Ciências Humanas, 1980, São Paulo.
  • Federici, Hilton. Símbolos Paulistas: estudo histórico-heráldico, Secretaria da Cultura, Ciência e Tecnologia, Conselho Estadual de Artes e Ciências Humanas, 1980, São Paulo.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Brasões das cidades do litoral de São Paulo
Cananeia
Ilha Comprida
Iguape
Peruíbe
Itanhaém
Mongaguá
Praia Grande
São Vicente
Santos Guarujá
Bertioga
São Sebastião
Ilhabela
Caraguatatuba
Ubatuba