Acentuação gráfica

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A acentuação gráfica consiste na aplicação de certos símbolos escritos sobre determinadas letras para representar o que foi estipulado pelas regras de acentuação do idioma. De forma geral estes acentos são usados para auxiliar a pronúncia de palavras que fogem do padrão prosódico mais comum. [1]

Acentos gráficos e diacríticos[editar | editar código-fonte]

Acento agudo[editar | editar código-fonte]

O acento agudo ( ´ ) é colocado sobre as letras a(s), e(s), i(s)', o(s)' e u(s)', e sobre o e no grupo em(ns), indica que essas letras representam as vogais tónicas / tônicas da palavra.

Exemplos: carcará, caí, armazém.

Sobre as letras e e o, indica, além de tonicidade, timbre aberto.

Exemplos: lépido, céu, tóxico.

Acento circunflexo[editar | editar código-fonte]

O acento circunflexo ( ^ ) é colocado sobre as letras a, e e o, indica, além de tonicidade, timbre fechado.

Exemplos: lâmpada, pêssego, supôs, Atlântico.

Til[editar | editar código-fonte]

O til ( ~ ) indica que as letras a e o representam vogais nasais.

Exemplos: alemã, órgão, portão, expõe, corações, ímã.

Acento grave[editar | editar código-fonte]

O acento grave ( ` ) indica a ocorrência da fusão da preposição a com os artigos a e as, com os pronomes demonstrativos a e as e com a letra a inicial dos pronomes demonstrativos de terceira pessoa aquele(s), aquela(s) e aquilo.

Exemplos: à, às, àquele, àquilo.

Obs.: Quando seguidas de m ou n, as letras a, e, o representam vogais nasais, comumente fechadas, recebem acento circunflexo, e não agudo.

Exemplos: câmara.

Obs. 1.: A única exceção ocorre nas terminações -em, -ens em que se usa acento agudo (porém, contém, provém, parabéns), a não ser nas formas da 3ª pessoa do plural, quando passa a usar o circunflexo.

Obs. 2.: Há palavras em que o uso do acento agudo ou circunflexo pode ser escolhido pelo escritor como: abdómen/abdômen, cómico/cômico, fénix/fênix, fónico/fônico, gémeo/gêmeo, pónei/pônei, tónico/tônico, vólei/vôlei.

Trema[editar | editar código-fonte]

O trema ( ¨ ), conforme o novo acordo ortográfico, pode ser aplicado somente nas palavras derivadas de nomes próprios de origem estrangeira. [1]

Exemplos: Müller.

Regras básicas[editar | editar código-fonte]

Monossílabos[editar | editar código-fonte]

Os monossílabos tônicos terminados em a, e ou o, seguidos ou não de s, são acentuados. [1]

Exemplos: pá, vá, gás, Brás, cá, má, pé, fé, mês, três, crê, só, xô, nós, pôs, nó, pó, só.

Oxítonas[editar | editar código-fonte]

As palavras oxítonas (quando a última sílaba é a sílaba tônica) com a mesma terminação dos monossílabos tônicos acentuados, com acréscimo do em e ens, são acentuadas. [1]

Exemplos: pará, vatapá, estás, irás, cajá, você, café, Urupês, jacarés, jiló, avó, avô, retrós, supôs, paletó, cipó, mocotó, alguém, armazéns, vintém, parabéns, também, ninguém.

Paroxítonas[editar | editar código-fonte]

As palavras paroxítonas (quando a penúltima sílaba é a sílaba tônica) que possuem terminação diferente das oxítonas acentuadas, são acentuadas. [1]

Exemplos: táxi, beribéri, lápis, grátis, júri, vírus, bónus/bônus, álbum, álbuns, nêutron, prótons, incrível, útil, ágil, fácil, amável, éden, hífen, pólen, éter, mártir, caráter, revólver, destróier, tórax, ónix/ônix, fénix/fênix, bíceps, fórceps, ímã, órfã, ímãs, órfãs, bênção, órgão, órfãos, sótãos.

Exceções: prefixos como anti e super.[2]

Proparoxítonas[editar | editar código-fonte]

As palavras proparoxítonas (quando a 3ª sílaba da direita para esquerda é a sílaba tônica) são todas acentuadas. A vogal com timbre aberto é acentuada com um acento agudo, já a com timbre fechado ou nasal é acentuada com um acento circunflexo. [1]

Exemplos: lâmpada, relâmpago, Atlântico, trôpego, Júpiter, lúcido, ótimo, víssemos, flácido.

Obs.: Palavras terminadas em encontro vocálico átono podem ser consideradas tanto paroxítonas quanto proparoxítonas, e devem ser todas acentuadas. Encontros vocálicos átonos no fim de palavras tanto podem ser entendidos como ditongos quanto como hiatos.

Exemplos: cárie, história, árduo, água, errôneo.

Ditongos[editar | editar código-fonte]

São acentuados os ditongo abertos e tônicos éu, éi e ói, quando estiverem em palavras oxítonas e nos monossílabos tônicos. [3]

Exemplos: anéis, fiéis, papéis, céu, troféu, véu, constrói, dói, herói.

Hiatos[editar | editar código-fonte]

As letras i e u (seguidos ou não de s) quando em hiatos, são acentuados desde que estas letras sejam precedidas por vogal e que estejam isoladas em uma sílaba (só o i ou só o u). [3]

Exemplos: a-í, ba-la-ús-tre, e-go-ís-ta, fa-ís-ca, vi-ú-vo, he-ro-í-na, sa-í-da, sa-ú-de.

Obs.: Não se acentuam as palavras oxítonas terminadas em i ou u, seguidos ou não do s, pois fogem a regra das oxítonas acentuadas. Palavras como baú, saí, Anhagabaú, etc., são acentuadas não por serem oxítonas, mas pelo i e u formarem sílabas sozinhos (hiato).

Acento diferencial[editar | editar código-fonte]

O acento diferencial é utilizado para diferenciar palavras de grafia semelhante. É obrigatório nos seguintes casos, para diferenciar:

  • pôde (pret. perf. do ind. de poder) de pode (pres. do ind. de poder);
  • pôr (verbo) de por (preposição);
  • têm (terceira pessoa do plural do verbo ter) de tem (terceira pessoa do singular do verbo ter);
  • derivados do verbo ter têm na terceira pessoa do singular um acento agudo "´", já a terceira pessoa do plural tem um acento circunflexo "^" mantém/mantêm;
  • vêm (terceira pessoa do plural do verbo vir) - vem (terceira pessoa do singular do verbo vir);
  • derivados do verbo vir têm na terceira pessoa do singular um acento agudo "´", já a terceira pessoa do plural tem um acento circunflexo "^" provém/provêm.

Casos em que o acento diferencial é opcional:

  • Acento diferencial do pretérito: chegámos (1ª pessoa do plural no pretérito - indicativo) chegamos (1ª pessoa do plural no presente - indicativo)
  • fôrma (substantivo) de forma (substantivo e verbo)

Após a reforma ortográfica, o acento diferencial foi quase totalmente eliminado da escrita, porém, obviamente, a pronúncia continua a mesma.

Referências

  1. a b c d e f Mesquita, Roberto Melo; Martos, Cloder Rivas. Português - Linguagem & Realidade. 3 ed. São Paulo: Saraiva, 1994. 1 vol. vol. 1. ISBN 85-02-01251-7
  2. http://www.soportugues.com.br/secoes/fono/fono9.php
  3. a b FERREIRA, Aurélio Buarque de Hollanda. mini Aurélio. 8 ed. Curitiba: Positivo, 2010. p. 20. ISBN 85-385-4239-1

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • KURY, Adriano da Gama. Ortografia, Pontuação e Crase. 2 ed. Rio de Janeiro: FAE, 1986.

Ver também[editar | editar código-fonte]