Português de Moçambique

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Português de Moçambique
Países:  Moçambique

O português moçambicano é a variante do português falado e escrito em Moçambique.

A única língua oficial de República de Moçambique é a língua portuguesa, segundo estabelecido no artigo 5º da Constituição de 1990.[1] Porém, é falada, essencialmente, como segunda língua por boa parte da sua população.

História[editar | editar código-fonte]

Antes da independência de Moçambique o português da metrópole era prescrito compulsivamente como norma linguística (língua-padrão) para toda a vida pública no seio da política de assimilação portuguesa, política seguida em todas as colónias portuguesas de África. Para assim, a longo prazo, transformar todos os moçambicanos linguística e culturalmente em portugueses. Os desvios à norma europeia foram considerados com desdém como «pretoguês».[2]

Com a independência, a obrigatoriedade para o respeito da norma da metrópole diminuiu, e as palavras das línguas autóctones foram introduzidas no português moçambicano. A orientação para o sistema político e económico do Bloco Oriental conduziu também para a adopção de novas noções. Todavia, com o vento da mudança política no começo da década de 1990 o léxico de uso político deveria ser abandonado parcialmente de novo.

Fonologia[editar | editar código-fonte]

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Em muitos aspectos fonológicos, o português de Moçambique assemelha-se ao português falado no Brasil, como por exemplo no final das palavras terminadas em 'e' passa para 'i' em vez de 'ɨ' como em Portugal (por exemplo [felisidádi] em vez de [fɨlisidádɨ]). Outros aspectos da pronúncia das palavras do português moçambicano é a supressão do fonema /r/ final (exemplificando, estar lê-se [eʃ'tá] em vez de [eʃ'táɾ]) e a supressão de vogais não acentuadas não é tão forte como em Portugal.

Ortografia[editar | editar código-fonte]

Moçambique participou nos trabalhos de elaboração do Acordo Ortográfico de 1990 — com uma delegação constituída por João Pontífice e Maria Eugénia Cruz e firmado pelo ministro da Cultura, o escritor Luís Bernardo Honwana —, bem como nas reuniões da CPLP onde os dois protocolos modificativos foram aprovados. No entanto, o governo moçambicano ainda não ratificou nenhum destes documentos.[3]

Em abril de 2008, o presidente da República Armando Guebuza afirmou: "Moçambique está a analisar o acordo ortográfico e, como é óbvio, um dia vai assiná-lo" e, em novembro, o governo moçambicano reafirmou o desejo de ratificar o acordo, assim que estivesse concluída a avaliação técnica que, entretanto, decidiu levar a cabo.[4] Até ao momento, no país continuam a vigorar as normas do Acordo Ortográfico de 1945.

Percentagem de utilização do português[editar | editar código-fonte]

De acordo com o censo de 2007:

  • 50,4%[5] - sabe falar português (contexto urbano: 80,8%; contexto rural: 36,3%); (39,5% em 1997, 24,4% em 1980)
    • 12,8% - fala maioritariamente português em casa (8,8% em 1997).
    • 10,7%[6] - considera o português sua língua materna (6,5% em 1997, 1,2% em 1980).
      • Sendo que esta percentagem em Maputo chega a 25%.

A vasta maioria das pessoas que têm a língua portuguesa como língua materna reside nas áreas urbanas do país, e são os cidadãos urbanos, principalmente, que adoptam o português como língua de uso em casa. No país como um todo, a maioria da população fala línguas do grupo bantu. A língua materna mais frequente é o macua (26,3%); em segundo lugar está o xichangana (11,4%) e em terceiro, o lomé (7,9%).[7]

Uso em termos estatais e de imprensa do português[editar | editar código-fonte]

Todas as instituições estatais servem-se exclusivamente da língua portuguesa, esta vale para as autoridades, tribunais, polícia e forças armadas. Todas as publicações são redigidas sem excepção em português. Uma outra prática é apenas imaginável em contactos orais com funcionários públicos individuais.

A imprensa está concentrada na capital do país Maputo, à excepção de um diário de tiragem modesta na Beira. Essencialmente trata-se dos diários Notícias e O País, do semanário dominical Domingo e dos semanários Zambeze, Magazine Independente, Canal de Moçambique e Savana, todos estes periódicos são publicados em português e são acessíveis sobretudo aos leitores da capital.

A televisão é difundida apenas nas aglomerações urbanas e em língua portuguesa, os filmes de produção estrangeira são projectados na voz original com legendas em português. Enquanto que a rádio é transmitida em português a par com as seis línguas regionais mais importantes, neste contexto cabe um papel destacado à língua changana entre estas línguas autóctones.

Em suma, conclui-se que, exceptuando a rádio, a língua portuguesa detém uma posição dominante[8] no quadro dos meios de comunicação social moçambicanos.

Léxico do português moçambicano[editar | editar código-fonte]

Algumas palavras e verbos que foram adicionadas ao português moçambicano, atribuindo características próprias:

Moçambique Significado
agorinha agora mesmo
babalaza ressaca
bichar formar fila
chima papa de farinha de milho, mapira, mexoeira, mandioca
cronicar fazer/escrever crónicas
desconseguir não conseguir
depressar ir depressa
estrutura autoridade, responsável governamental
machamba campo agrícola
machimbombo autocarro (Portugal), ônibus (Brasil)
madala pessoa idosa, pessoa prestigiada
matabicho pequeno-almoço (Portugal), café-da-manhã (Brasil)
pasta mala (saco) de mão
situação problema, crise, guerra

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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