Diferenças entre o castelhano e o português

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Mapa cronológico mostrando o desenvolvimento do castelhano (castilian) e do português (portuguese).

Apesar de estarem estreitamente relacionadas, até o extremo de ter um certo grau de inteligibilidade entre uma e outra, há importantes diferenças entre o castelhano e o português, o que pode trazer dificuldades para as pessoas que falam uma destas duas línguas e buscam aprender a outra.

A língua portuguesa e a língua castelhana são duas das línguas com mais falantes do mundo e compõem um grupo linguístico mais amplo conhecido como línguas ibero-ocidentais, que contém também línguas ou dialetos com menos falantes, todos os quais são, em certa medida, mutuamente inteligíveis entre eles.

As diferenças aumentam, quando atenta-se para o fato de que há versões de cada língua, como o português brasileiro, o português europeu, o espanhol da América (e as muitas variações internas), o espanhol andaluz.

Neste artigo, estão apresentadas as diferenças, quando, tanto o português brasileiro, como o europeu, diferem não só entre eles, mas também do espanhol; e quando um dos dois dialetos do português (o português brasileiro ou o português europeu) difere do espanhol com uma sintaxe inviável em espanhol.

Exemplos[editar | editar código-fonte]

Os idiomas castelhano e português compartilham uma grande quantidade de vocábulos que se escrevem de maneira idêntica (mesmo que possam pronunciar-se ligeiramente diferente), que se escrevem de maneira quase idêntica (mesmo que possam pronunciar-se mais ou menos igual) ou que se escrevem de maneira previsivelmente similar. Considere, por exemplo, o seguinte parágrafo, tomado do livro Gramática Esencial del Español, de Manuel Seco, e o compare com a versão em português que aparece à continuação. Notará a grande similaridade no léxico e apenas leves mudanças na ordem das palavras:

Pero, a pesar de esta variedad de posibilidades que la voz posee, sería muy pobre instrumento de comunicación si no contara más que con ella. La capacidad de expresión del hombre no dispondría de más medios que la de los animales. La voz, sola, es para el hombre apenas una materia informe, que para convertirse en un instrumento perfecto de comunicación debe ser sometida a un cierto tratamiento. Esa manipulación que recibe la voz son las "articulaciones".

Porém, apesar desta variedade de possibilidades que a voz possui, seria um instrumento de comunicação muito pobre se não contasse com mais que isso. A capacidade de expressão do homem não disporia de mais meios que a dos animais. A voz, sozinha, é para o homem apenas uma matéria informe, que para se converter num instrumento perfeito de comunicação deve ser submetida a um certo tratamento. Essa manipulação que a voz recebe são as "articulações".

Algumas palavras comuns são, no entanto, bastante diferentes entre os dois idiomas, por exemplo:

Castelhano Português Origem Comentários
tienda loja Latim: tenta
Francês: loge
Há um cognato em português, tenda, mas não significa loja.
Há um cognato em castelhano, lonja, mas não significa loja.
rodilla joelho Latim: rŏtella, genucŭlu

Rótula, o osso do joelho tanto em espanhol como em português, tem a mesma etimologia que rodilla. O termo espanhol hinojo (joelho) ou de hinojos (de joelhos) tem a mesma etimologia que o português joelho.

calle rua Latim: callis, [via] ruga Rúa também existe em espanhol, mas não tem exatamente o mesmo significado e é muito menos utilizada.
ventana janela Latim: vĕntu, jānuella Janela provém de Jano, o deus das portas.
borrar apagar Visigodo: borra, latim adpācāre A palavra borrar existe em português, mas significa sujar, enquanto que apagar em espanhol tem outro significado (este significado existiria também em português, em expressões tais como apagar a luz).
olvidar esquecer Latim: oblītare, excadĕscere Olvidar também existe em português, mas é muito menos comum, assim como os termos obliterar e obliviar, da mesma raiz.

Cognatos[editar | editar código-fonte]

No caso de cognatos, palavras semelhantes, percebe-se o fato de ambas as línguas derivarem da mesma família, a ibero-ocidental. Há casos como:

Vogais[editar | editar código-fonte]

  • Ditongos crescentes, foram desenvolvidos na língua castelhana, enquanto em português manteve-se a vogal única em silaba tônica, herdado do latim, assim como os ditongos decrescentes, na língua portuguesa.
    Ex.: miedo – medo; siempre – sempre; tierra – terra; fiesta – festa; nieve – neve; hacienda – fazenda; nueve – nove; bueno – bom; cuerpo – corpo; muerte – morte; cuero – couro; puente – ponte; fuego – fogo; barrio – bairro; lluvia – chuva; fuente – fonte.
  • Vogal única do castelhano, ou mesmo ditongo crescente, que no português é ditongo decrescente, bastante comum em português.
    Ex.: toro – touro; oro – ouro; mucho – muito; leche – leite; pecho – peito; barrio – bairro; no – não; después – depois; moro – mouro; bandera – bandeira.
  • Conforme os aspectos informados acima, em espanhol poucas são as palavras com ditongos decrescentes.
  • As formas do aumentativo e do diminutivo do português, cujos finais são geral e respectivamente ão e inho(a) equivalem às formas castelhanas respectivamente aumentativo ón/ión e diminutivo ito/ita.
    Notas: a derivação ión/on para ão vale também para palavras com essas desinências, ainda que não sejam aumentativos. Em português de Portugal, usam-se mais extensivamente do que no Brasil os diminutivos em ito.

Consoantes[editar | editar código-fonte]

  • Algumas palavras que em português são iniciadas com ch equivalem às palavras iniciadas com ll no catelhano.
    Ex.: llorar – chorar; lluvia – chuva; llaga – chaga; llamar – chamar; llegar – chegar; llave – chave; lleno – cheio.
  • Muitas palavras que em português são iniciadas com f equivalem às palavras iniciadas com h no castelhano, devido à influência da lingua basca, que não conhecia o "f-" latino inicial.
    Ex.: hacer – fazer; hablar – falar; hacienda – fazenda; harina – farinha; hermosa – formosa; hazaña – façanha; hembra – fêmea; herir – ferir; humo – fumo; hierro – ferro; higo – figo; hoja – folha; huracán – furacão; hurtar – furtar; hijo – filho; hondo – fundo; hiel – fel; huir – fugir.
  • Certas palavras do português iniciadas com z equivalem às palavras do espanhol iniciadas com c.
    Ex.: cebra – zebra; celador – zelador; celo/celoso – zelo/zeloso; cero – zero; cerbatana – zarabatana.
  • Muitas vezes a letra v do português corresponde com b no espanhol.
    Ex.: palabra - palavra; posible - possível; variable - variável; prueba - prova; escribir - escrever; caballo - cavalo; árbol - árvore
  • O dígrafo lh do português corresponde com a letra j no espanhol.
    Ex.: trabajo - trabalho; hijo - filho; hoja - folha; conejo - coelho; ajo - alho; ojo - olho;
  • Algumas vezes o j no português corresponde com z no espanhol.
    Ex.: cerveza - cerveja; cereza - cereja;
  • Algumas vezes o y espanhol corresponde o j português.
    Ex.: proyecto - projeto; coyuntura - cojuntura; cónyuge - cônjuge;
  • Não há palavras em castelhano terminadas em m, como quase não há em Português palavras terminadas em n. Palavras do português, incluindo conjugações verbais, que terminam em m geralmente derivam de palavras similares do castelhano terminadas em n.
    Ex.: joven – jovem; alguien – alguém; quien – quem; bien – bem; hacen – fazem; lloran – choram.

Escrita[editar | editar código-fonte]

Alfabeto[editar | editar código-fonte]

Ambos idiomas usam variantes do alfabeto latino, havendo, porém, diferenças fonéticas e mesmo de grafia.[1]

  • Os nomes das letras são masculinos em português mas femininos em espanhol.[1]
  • Em português existem os dígrafos lh, nh e também o ç (C cedilha).
  • No castelhano, os dígrafos ch e ll são considerados como letras do alfabeto, assim como também o ñ, embora desde 1994, as palavras que contêm as letras ch e ll, são alfabeticamente ordenadas como se fossem letras diferentes.[2]

Há letras e dígrafos cujos sons diferem entre o português e o espanhol. são os casos de ch, j, y, s, z, v que são explicados a seguir.

Frequência das letras[editar | editar código-fonte]

Há ligeiras diferenças entre a frequência com que as diferentes letras aparecem em textos gerais dessas duas línguas.[3] [4]

  • As vogais correspondem em português a um percentual maior (~50%) nos textos do que em castelhano (~43,5%), mesmo se incluído aí o y.
  • Em ambas, as duas letras mais usadas são a e e, porém em castelhano o e suplanta o a, ao contrário do que ocorre em português.
  • A letra o é mais usada em português.
  • O l é bem mais usado em castelhano em função do ll.
  • Em português m e n apresentam quase a mesma frequência de presença, mas em castelhano o n é bem mais usado, por não haver aí palavras terminadas com m, ao contrário do português.
  • O v é bem mais usado no português.
  • O y é bem mais usado em castelhano.
  • O f também é mais utilizado no português
  • O h também é menos usado no espanhol, em conta do "nh" e do "lh" do português
  • As vogais "i" e "u" são mais utilizadas na língua portuguesa, talvez em conta do "ou" (ouro) virar apenas "o" no espanhol (oro) e do "ei" (oliveira) virar apenas "e" no espanhol (olivera)
  • O b é muito mais utilizado no espanhol, praticamente na mesma frequência em que o v no português. Veja a explicação disso acima.
  • O q é menos utilizado no espanhol, fato devido à troca que o espanhol faz em comparação ao português de q por c antes do ditongo UA, como em palavras como quando (cuando em espanhol). Já o "UO" em palavras como quociente viram apenas "O" no espanhol (cociente)
  • Há muita similaridade entre as sete letras (ordem decrescente) mais usadas nas duas línguas:
    • Português - a e o s r i n
    • Castelhano - e a o s r n i

Comparando em dicionários[5] , pode-se perceber que, em termos do percentual de palavras iniciadas com cada letra, as duas línguas são também muito similares. Em ambas as 5 letras que iniciam mais palavras são, em ordem decrescente, c-a-e-p-d. As seguintes mais comuns, com ligeira variação da sequência entre as duas línguas, são m-r-i-s-f-t-b-l. Há poucas mas significativas diferenças entre as duas línguas na quantidade relativa de algumas letras iniciais:

  • u e x iniciam mais palavras em português do que em espanhol
  • h e y iniciam mais palavras em espanhol do que em português

Interrogação e exclamação[editar | editar código-fonte]

Somente em castelhano as sentenças interrogativas e exclamativas, além de terem o respectivo ponto de interrogação ou ponto de exclamação das mesmas também apresentam, no início dessas sentenças, a mesma respectiva pontuação, porém invertida. Isso já prepara o leitor para essas características, interrogação ou exclamação, das sentenças.

  • Interrogativa: ¿Cuántos años tienes?
  • Exclamativa: ¡Cuidado con el perro!

Hífen[editar | editar código-fonte]

De forma diferente do que acontece em português, em castelhano não é usado o hífen para separar uma forma verbal de um pronome oblíquo átono que a segue. Nesse caso, ocorre a justaposição desses dois elementos, formando uma só palavra. Exemplos:

  • Português: sentir-se, compensá-lo, contar-lhe, explique-lhes, ir-me, fazê-lo.
  • Castelhano: sentirse, compensarlo, contarle, explíqueles, irme, hacerlo.

Não são apresentados aqui exemplos partindo de uma mesóclise em português, pois a mesóclise não existe em castelhano.

Fonologia[editar | editar código-fonte]

O inventário de fonemas do castelhano é mais pobre do que o do português, talvez por isso é mais difícil para os falantes de espanhol entenderem o português falado do que a situação inversa. [6]

Vogais[editar | editar código-fonte]

  • A fonologia do português apresenta basicamente de doze a catorze vogais fonêmicas: [ä, ɐ, ɐ̃, ɛ, e, ẽ, i, ɨ, ĩ, ɔ, o, õ, u, ũ], enquanto que no espanhol são apenas cinco vogais fonêmicas [ä, e̞, i, o̞, u].

Consoantes[editar | editar código-fonte]

Existem sons consonantais no castelhano que não existem em português, porém, no total existem mais consoantes em português que não existem em espanhol.[1]

Só em português[editar | editar código-fonte]

  • A consoante fricativa palatoalveolar sonora [ʒ] do português - longe [ˈlõʒɨ], jacaré [ʒakaˈrɛ] não existe em espanhol, exceto em alguns falantes do castelhano do Rio da Prata, com as letras "Y" e "LL". Existem, porém, as letras G e J com outros sons.
  • A consoante fricativa palatoalveolar surda [ʃ] do português - chance [ˈʃɐ̃sɨ], chuva [ˈʃuvɐ] não existe em espanhol, exceto em alguns falantes do castelhano do Rio da Prata, com as letras "Y" e "LL". Existe, porém o encontro consonantal CH com um som similar a "tch".
  • Não existe em espanhol a consoante fricativa labiodental sonora [v] do português. Graficamente existem, em espanhol, b e v, mas a pronúncia é sempre [b ~ β] (bilabial sonoro). Exceto com algum falantes do castelhano do Chile.
  • Não existe fonemicamente em espanhol a consoante fricativa alveolar sonora [z] do português - zinco [ˈzĩku], mesa [ˈmezɐ]. Graficamente existem, em espanhol, s e z, mas a pronúncia é normalmente surda [s] - mesa [ˈmesa].

Só em espanhol[editar | editar código-fonte]

  • Não existe em português a consoante fricativa dental surda [θ] do espanhol europeu (exceto Andaluzia e ilhas Canárias), facilmente confundível com o [s] ou [f]; é como o th da língua inglesa; a grafia é com C ou Z - moza [ˈmoθa], ciento [ˈθiento].
  • Não existe em português o som do "j" espanhol, similar ao /x/ alemão, semelhante a rr em carro. Em alguns países do Caribe e da América Central, como Cuba e Venezuela, o som de "j" é semelhante ao h inglês, em hello.
  • Não existe em português o som do "ch" espanhol [t͡ʃ] como em mochila [moˈt͡ʃila] ou choza [ˈt͡ʃoθa], exceto no português brasileiro, normalmente pronunciado "t" antes de "e" ou "i".
  • Não existe em português o som de "y" como consoante fricativa palatal sonora [ʝ], representado em palavras como yema [ˈʝema] ou apoyo [aˈpoʝo], semelhante a j portuguesa como em janela. É muito comum que a "ll", que representa uma aproximante lateral palatal [ʎ], como o "lh" português, seja pronunciado como o "y" (fenômeno conhecido como "yeísmo") em quase tudos os dialetos do espanho: Valla (cerca) [ˈbaʝa] e Vaya (primeira pessoa do subjuntivo do verbo ir) [ˈbaʝa].
  • Não existe em português a nasal velar [ŋ], qué é alófono de n antes de uma consoante velar (c, g, j, k, q), como em blanco [ˈblaŋko] ou naranja [naˈraŋxa].
  • Não existem em português as aproximantes [β̞] aproximante bilabial, [ð̞] aproximante dental e [ɣ̞] aproximante velar, alófonos das oclusivas sonoras [b], [d] e [ɡ], respetectivamente, quando vai entre vogais ou antes e depois de cualquer consoante não nasal, exceito no português europeu, como em lava [ˈlaβ̞a], codo [ˈkoð̞o] e riego [ˈrjeɣ̞o], mais invertir [inbeɾˈtiɾ], ronda [ˈronda] e angustia [aŋˈgustja].

Contrações[editar | editar código-fonte]

A presença de contrações das preposições a, de, em, por com os artigos definidos ou indefinidos e com os pronomes demonstrativos (isto, este (a, es, as), isso, esse (a, es, as), aquilo, aquele (a, es, as)), que seguem as preposições, é muito mais generalizada em português. Em castelhano existem somente as contrações a + el = al e de + el = del.[1] . Também é importante a diferença no uso do artigo com topônimos, existente mas mais restrito em espanhol do que em português[7] .

Pronomes[editar | editar código-fonte]

Os sistemas de pronomes pessoais de ambos idiomas se assemelham muito, exceto nos seguintes aspectos:[1]

  • Os pronomes da 1ª a 2 ª pessoas do plural (nós, vós) do castelhano variam em gênero gramatical - nosotros, nosotras, vosotros, vosotras, o que não ocorre em português.
    • No espanhol da América não se usam vosotros, vosotras como plural de tu. Em seu lugar usa-se ustedes.
  • Há mais pronomes pessoais (formais e informais) em português (tu, você, o senhor, a senhora, vós, vocês, os senhores, as senhoras) do que em castelhano (tu, vos, usted, ustedes)
  • As frases em castelhano, ao contrário do português, podem iniciar com pronome oblíquo - Ex. Me" dijo que vendría mañana
  • Mesmo sendo ambas línguas com característica de língua "pro-drop" (sujeito "nulo" - não precisa ser expicitado), em português é costume enfatizar o sujeito por pronome, enquanto que em castelhano essa ênfase vai para o objeto.[8]
  • Em espanhol, não em português, existe a abundância de acompanhantes clíticos, sendo que pronomes se apresentam muitas vezes redundantes, na forma tônica e na forma átona, aparecendo duas vezes numa mesma sentença o "mesmo" objeto.[8] Ver os exemplos a seguir:
    • Le di los libros a Juan. Literalmente - lhe dei os livros a Juan.
    • La llamaron a ella. Literalmente - a chamaram a ela.
  • Pronomes indefinidos:
    • Quem em português é invariável, mas em espanhol apresenta formas singular (quién) e plural (quiénes),
    • A forma a gente do português tem equivalente em espanhol que varia em gênero - uno, una; nota: gente em espanhol pode equivaler em português a gente (Hay mucha gente en la calle) ou a pessoas (La gente va para la fiesta).

Numerais[editar | editar código-fonte]

Algumas diferenças mínimas:[1]

  • Dois não varia em gênero em espanhol (sempre dos), variando porém em português (dois, duas).
  • Somente no português brasileiro, não no de Portugal, um bilhão corresponde a 1.000.000.000 (mil milhões), enquanto que em Espanhol (e palavras similares em Francês, Italiano, Sueco, Alemão e outras) un billón são um 1.000.000.000.000. (un millón de millones);

Acentuação gráfica[editar | editar código-fonte]

Em castelhano existe apenas o acento agudo (Geografía). Não há o acento grave, nem o circunflexo que existem no Português. O trema ainda é usado em espanhol, tendo desaparecido do português no Acordo Ortográfico de 1990 aplicado a partir de 2009. O apóstrofo é arcaico e pouco usado.

Percebem-se certas repetitivas diferenças de acentuação gráfica em diversas palavras cujas grafias e pronúncia, em português e espanhol, são idênticas (a menos da acentuação). São os casos de máfia (português) e mafia (castelhano); geografia (português) e geografía (castelhano).

Em ambas as línguas usa-se obrigatóriamente a acentuação gráfica em palavras proparoxítonas, ao passo que as palavras paroxítonas não apresentam acento gráfico. As diferenças apresentadas acima, máfia / mafia e geografia / geografía se devem ao fato desses encontros vocálicos finais (ia nos casos citados) serem considerados de forma diferente no português e no castelhano.[9]

  • Em português tal encontro vocálico (ia) é um hiato. É portanto, formado por duas sílabas, i e a. A palavra (ex. máfia), para ter ma como sílaba tônica, é proparoxítona, exigindo assim acentuação gráfica, embora possa opcionalmente ser pronunciado como ditongo crescente,[10] [11] No caso de geografia, havendo duas sílabas, i e a, a palavra é paroxítona para ter essa pronúncia, não precisa de acento gráfico
  • Em castelhano o mesmo encontro vocálico ia é um ditongo crescente, uma única sílaba, o que torna a palavra mafia uma paroxítona que não exige acentuação gráfica para ter o ma como sílaba tônica. No caso de geografía, para identificar o hiato, é preciso acentuar graficamente a sílaba tônica para não ser confundido com ditongo.

Exemplos diversos, conforme tonicidade do encontro vocálico final:

  • Tônico
    • Português (hiato) - geografia, biografia, biologia, rio, fotografia, astronomia, melodia
    • Castelhano (hiato) - geografía, biografía, biología, río, fotografía, astronomía, melodía
  • Átono
    • Português - (hiato) pátria, máfia, estátua, armário, glória, calvário, artéria
    • Castelhano - (ditongo) patria, mafia, estatua, armario, gloria, calvario, arteria

Em português não se acentua mais a sílaba subtônica, que era feita com o acento grave ou o circunflexo,[12] porém em espanhol a sílaba subtônica é acentuada,[13] por exemplo graficamente em espanhol escreve-se gráficamente.

Formas verbais[editar | editar código-fonte]

A quantidade e as caracteríticas (tempo, modo, formação, voz) de formas verbais do português e do castelhano são quase as mesmas, havendo algumas pequenas diferenças conforme segue:[14]

  • Em castelhano não há o pretérito-mais-que-perfeito do indicativo simples (que existe em português), somente o composto
  • Em castelhano não há o infinitivo pessoal (que existe em português), somente o impessoal.
  • Em castelhano há duas formas para o pretérito imperfeito do subjuntivo, havendo uma só em português, apesar de que o pretérito mais-que-perfeito simples do indicativo (que tem a mesma origem da segunda forma do pretérito imperfeito do subjuntivo espanhol) também possa ser usado como pretérito imperfeito do subjuntivo.

Dias da semana[editar | editar código-fonte]

Há uma diferença de vocabulário entre o português e o castelhano, a qual, aliás, diferencia o português das demais línguas do mundo está nos nomes dos cinco primeiros dias da semana, os quais na língua portuguesa, por iniciativa de Martinho de Braga em obediência à liturgia católica, não seguem nomenclaturas de origens pagãs.

Nas demais línguas europeias as denominações referem-se a divindades greco-romanas (latinas) ou germânicas, enquanto que no português são sequenciais[15] :

Assim temos, em português:

  • segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira

que correspondem respectivamente a palavras originadas em:

Características comuns[editar | editar código-fonte]

O castelhano e o português são duas línguas com muitas semelhanças entre si. Por isso, compartilham certas características especiais não presentes em muitos dos idiomas, mas presentes em algumas das línguas românicas.[16]

  • Diferença SER - ESTAR - característica muito rara, exclusiva de poucas línguas latinas (o italiano e as ibéricas)
  • Aumentativo e diminutivo sintéticos.
  • Ambas são línguas "pro-drop" nas quais o sujeito não precisa ser explicitado na sentença, sendo intuído pela conjugação e pelo contexto.[8]
  • Os numerais ordinais declinam em todas as casas desde as unidades até os milhares, ao contrário do que acontece em muitas línguas, onde a variação fica só nas unidades. Exemplos: 7862º- O sete milésimo octingentésimo sexagésimo segundo (pt); 1443º - El Milésimo cuadringentésimo cuadragésimo tercero (es)
  • Terceira pessoa do plural diferenciada por gênero gramatical.
  • Plural de Substantivos, Adjetivos, Artigos com "S" final. Das línguas "românicas" apenas o francês, o sardo e o catalão, compartliham essa característica. Os plurais com "S" final também são maioria no inglês.
  • Diferenças mínimas (só 1 letra) entre o masculino e feminino de palavras referentes a parentesco: filho - filha, hijo - hija; irmão - irmã, hermano - hermana; tio - tia, tío - tía; sobrinho - sobrinha, sobrino - sobrina; primo - prima, primo - prima. Bem como tais termos são todos sintéticos: avô - avó, abuelo - abuela, neto - neta, nieto - nieta; bisneto - bisneta, biznieto - biznieta; sogro- sogra, suegro - suegra; cunhado - cunhada, cuñado - cuñada.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f http://www.filologia.org.br/viisenefil/01.htm
  2. Abecedario (em castelhano). Diccionario panhispánico de dudas. Real Academia Española (2005).
  3. Frequência da ocorrência de letras no Português. Página visitada em 2009-06-16.
  4. Fletcher Pratt, Secret and Urgent: the Story of Codes and Ciphers Blue Ribbon Books, 1939, pp. 254-255.
  5. Melhoramentos - Dicionário Michaelis Espanhol -- Helena Bonito Couto Pereira - 1ª Ed.: 2006
  6. Dicionário Escolar Espanhol - Michaelis - Helena Bonito Couto Pereira - Editora Melhoramentos 1ª Edição - 2006
  7. Os topónimos que podem utilizarse facultativamente com artigo podem consultarse no Apéndice 5 do Diccionario Panhispánico de Dudas.
  8. a b c http://www.cce.ufsc.br/~lle/congresso/trabalhos_lingua/Maria%20Mercedes%20Sebold.doc
  9. Separação silábica, hífen e palavras compostas
  10. Academia Brasileira de Letras, Ortografia - Formulário Ortográfico (1943), XII - Acentuação Gráfica, 2ª regra.
  11. Priberam, Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa - (1990) Base X1 - Da acentuação gráfica das palavras proparoxítonas p. 15
  12. Marcos da Silva Machado. Estudo Diacrônico e Sincrônico da Ortografia do Português do Brasil: Uma Odisseia Linguística. (pdf) pp. 16. Página visitada em 3 de abril de 2010.
  13. Palabras sobresdrújulas (em castelhano). Página visitada em 3 de abril de 2010.
  14. [1] Michaelis Espanhol - Escolar - Verbos
  15. http://olimpiadadelinguaportuguesa.mec.gov.br/curiosidade/ver/1
  16. PERIS, ERNESTO MARTINS - GENTE 1 y 2 Nueva Edición - Libro del Alumno (Versão Brasileira - Martins Fontes)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CUNHA, Celso & CINTRA, Luís F. Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.
  • DICCIONARIO de la lengua española. 21. ed. (Edición electrónica) Real Academia Española/Espasa Calpe, 1998.
  • FLAVIAN, Eugenia & FERNÁNDEZ, Gretel Eres. Minidicionário Espanhol-Português/Português-Espanhol. 3ª ed. São Paulo: Ática, 1995.
  • HOUAISS, Antonio. Diccionario da língua portuguesa. (Dicionário eletrônico) Versão 1 – Instituto Antônio Houaiss/Objetiva, 2001.
  • REAL ACADEMIA ESPAÑOLA. Esbozo de una nueva gramática de la lengua española. Madrid: Espasa-Calpe, 1995
  • RODRÍGUEZ, Alfredo Maceira. Estudiemos español. 2ª ed. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2001.
  • RODRÍGUEZ, Alfredo Maceira. Breve nomenclatura vegetal en español: con algunas comparaciones del portugués. In. Revista Philologus, 3: 3-11, Rio de Janeiro: set-dez, 1995
  • SECO, Rafael. Manual de gramática española. Madrid: Aguilar, 1985
  • VÄZQUEZ CUESTA, Pilar & LUZ, Maria Albertina Mendes da. Gramática Portuguesa. 3ª ed. corrig. e aum. Madrid: Gredos, 1971. 2 vol.