Tempo verbal

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Um tempo verbal é a categoria gramatical que diz respeito ao tempo. Toda língua é capaz de expressar inúmeras distinções de tempo: logo, amanhã, na próxima quarta-feira às duas da tarde, faz 137 anos, faz 138 anos. Ora, há línguas que constroem algumas dessas distinções de tempo como parte de sua gramática, e uma língua que assim o faz, tem a categoria tempo. A categoria gramatical de tempo é, pois, a gramaticalização do tempo. Na maioria das línguas, a categoria gramatical de tempo é indicada nos verbos, mas há exceções.

Em algumas línguas, a categoria gramatical de tempo inexiste por completo. É o caso do chinês, onde não existe nada que equivalha ao contraste eu estou indo / eu estava indo do português. Algumas línguas que dispõem da categoria distinguem apenas dois tempos; outras têm três, quatro, cinco ou mais tempos; na língua africana Ngyembɔɔn-Bemileke-dschang distinguem-se onze tempos.[1] [2]

O português tem formas verbais adequadas para distinguir três situações temporais, definidas a partir do momento de fala (nos exemplos que seguem esses tempos aparecem entre colchetes): tempos passados, como ‘... [chutou] o adversário sem bola e [foi expulso] aos 25 min do segundo tempo...’, que se aplicam a fatos anteriores ao momento de fala; tempos presentes como ‘...chuta ... a bola [sai] prensada ... por cimaaaaa’, ‘... o time [está] nesse momento com dez jogadores, um atacante [está sendo atendido] fora do campo...’ que se aplicam a fatos contemporâneos ao momento de fala, e tempos futuros, que se aplicam a fatos posteriores ao momento de fala ‘...o próximo jogo [será] em Buenos Aires...’.

Na expressão do tempo pelas formas verbais, contudo, não há uma correspondência exata entre formas verbais e situações temporais; muitas formas se prestam para indicar verdades atemporais (Bobeou, dançou; errou tem que pagar; a água ferve a cem graus Celsius), e além disso a forma do futuro, sempre disponível em princípio, é pouco usada; em seu lugar é comum encontrar perífrases que se baseiam em formas presentes, exemplo:

  • "Viajo a semana que vem para Ribeirão das orelhas"
  • "Estou viajando a semana que vem para Ribeirão das Neves"
  • "Ela vai morar no exterior"

O pouco uso do tempo futuro e a capacidade do tempo presente de indicar ora fatos posteriores ao momento de fala (‘futuros’), levaram alguns estudiosos a dizer que a principal distinção de tempo, no português do Brasil, não é entre passado, presente e futuro, mas entre o passado e presente-futuro.

Se aceitarmos essa ideia, teremos que admitir que o português efetivamente falado no Brasil tem um quadro de tempos de alguma forma semelhante ao do inglês, onde não existe um futuro distinto dos demais tempos verbais[carece de fontes?]. De fato, os falantes de inglês usam uma série de formas do não-passado para expressar uma variedade de atitudes com respeito a acontecimentos futuros:

  • I go to London tomorrow, ‘Eu vou para Londres amanhã’;
  • I’m going to London tomorrow ou I’m going to go to London tomorrow, ‘Estou indo para Londres amanhã’;
  • I’ll go to London tomorrow ‘literalmente, ‘Pretendo ir para Londres amanhã’;
  • I’ll be going to London tomorrow, literalmente, ‘Pretendo estar indo para Londres amanhã’;
  • I must go to London tomorrow, ‘Devo ir para Londres amanhã’.

Todos esses exemplos (e suas traduções) trazem representações de fatos futuros nos quais estão envolvidos não só noções de tempo, mas também de aspecto e de modalidade.

Embora essa "diferença" entre o português de Portugal e o do Brasil seja apontada como tal por aqueles brasileiros que gostariam de ver uma separação linguística entre as duas normas muito maior do que a que existe de fato, a verdade é que essas afirmações são fundamentalmente ignorantes e se diferença existe ela é pequena e apenas de grau. A verdade é que as formas futuras também pouco se usam no português de Portugal, sendo em geral substituídas por construções frásicas baseadas no tempo presente, especialmente no discurso informal e oral.

Além dos tempos que tomam como referência o momento de fala, o português tem também alguns tempos verbais que situam os fatos em relação a algum outro momento. Trata-se geralmente de um momento salientado pelo contexto, podendo ser, por sua vez, um momento passado ou futuro.

Exemplos:

  • Ao olhar o relógio, percebeu que chegaria atrasado (a chegada é posterior ao momento de olhar o relógio, que é passado).
  • No meio da escalada, o alpinista passou pelo ponto onde seu antigo instrutor morrera alguns anos antes (a morte do antigo instrutor é anterior à passagem do alpinista, que é passada).

Os tempos verbais são classificados, basicamente, em três tipos:

Presente[editar | editar código-fonte]

No presente, é onde se expressa um fato atual.

Exemplo: Estudo aqui há dois anos.

Representam fatos que se passam no momento atual, ou seja, no momento em que estamos falando.

Exemplo: Estou cansado de você.

Passado[editar | editar código-fonte]

No passado, temos o pretérito perfeito, pretérito imperfeito e o pretérito mais-que-perfeito.

Pretérito Perfeito[editar | editar código-fonte]

Expressa um fato que aconteceu em um momento anterior e que foi totalmente terminado.

Exemplo: Ela estudou toda a matéria ontem à noite.

Expressa um fato que começou no passado e que pode se prolongar até o momento atual.

Exemplo: Tenho estudado bastante para as provas. (Forma composta)

Pretérito Imperfeito[editar | editar código-fonte]

Expressa um fato no passado que ainda se decorria no momento em que um outro aconteceu.

Exemplo: Eu estudava quando o Eduardo bateu na porta.

Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual, mas que não foi completamente terminado.

Exemplo: Ele voltava para casa, quando se acidentou.

Pretérito Mais-Que-Perfeito[editar | editar código-fonte]

Expressa um fato que ocorreu antes de outro já terminado.

Exemplos:

Ele já estudara toda a matéria quando os seus amigos chegaram.

Ele já tinha estudado as lições quando os amigos chegaram. (Forma composta)

Futuro[editar | editar código-fonte]

Futuro do Presente[editar | editar código-fonte]

Um fato que vai ocorrer brevemente em relação ao momento atual.

Exemplo: Ela estudará Biologia amanhã.

Um fato que vai ocorrer depois a um momento atual, mas já terminando antes de outro fato futuro.

Exemplo: Antes dele partir, todos já terão se despedido dele. (Forma composta)

Futuro do Pretérito (ou Condicional)[editar | editar código-fonte]

Um fato que pode acontecer depois de um determinado fato passado.

Exemplo: Se eu tivesse tempo, iria contigo amanhã.

Um fato que poderia ter acontecido depois a um determinado fato passado.

Exemplo: Se eu tivesse esse tempo, teria ido contigo ontem. (Forma composta)

Modos Verbais[editar | editar código-fonte]

Indicativo[editar | editar código-fonte]

O verbo expressa uma ação que provavelmente acontecerá, uma certeza, trabalhando com reais possibilidades de concretização da ação verbal ou com a certeza comprovada da realização daquela ação.

O modo indicativo possui os seguintes tempos verbais: presente, pretérito perfeito, pretérito imperfeito, pretérito mais-que-perfeito, futuro do presente e futuro do pretérito.

Subjuntivo (Conjuntivo)[editar | editar código-fonte]

O Modo Subjuntivo é considerado o modo verbal que, ao contrário do Indicativo expressa uma ideia de dúvida, exprime uma ação, hipotética.

Este modo verbal possui uma extrema dependência de outro verbo. O modo subjuntivo geralmente se apresenta nas orações subordinadas, nas quais sua utilização está ligada ao sentido que se pretende dar à ação verbal.

Os tempos existentes no modo subjuntivo são: presente, pretérito perfeito, pretérito imperfeito, pretérito mais-que-perfeito e futuro.

Presente

Enuncia um fato que pode ocorrer no momento atual. Indica uma possibilidade, um fato incerto no presente.

Exemplo: É conveniente que estudes para o exame.

Pretérito Perfeito

Expressa um fato totalmente terminado num momento passado.

Exemplo: Embora tenha estudado bastante, não passou no teste.

Pretérito Imperfeito

Indica a possibilidade de um fato ter acontecido ou não.

Expressa um fato passado, mas posterior a outro já ocorrido.

Exemplo: Eu esperava que ele vencesse o jogo.

Também usado nas construções em que se expressa a ideia de condição ou desejo.

Exemplo: Se ele viesse ao clube, participaria do campeonato.

Pretérito Mais-Que-Perfeito

Expressa um fato ocorrido antes de outro fato já terminado.

Exemplo: Embora o teste já tivesse começado, alguns alunos puderam entrar na sala de exames.

Futuro

Indica a possibilidade de um fato vir a acontecer. Enuncia um fato que pode ocorrer num momento futuro em relação ao atual.

Exemplo: Quando ele vier à loja, levará as encomendas.

Também é usado em frases que indicam possibilidade ou desejo.

Exemplo: Se ele vier à loja, levará as encomendas.

Enuncia um fato posterior ao momento atual mas já terminado antes de outro fato futuro.

Exemplo: Quando ele tiver saído do hospital, nós o visitaremos.

Imperativo[editar | editar código-fonte]

O verbo indica uma ordem, um pedido, uma sugestão, uma recomendação, um alerta, um convite ou um conselho.

No imperativo, não existe a primeira pessoa do singular (eu).

O imperativo é indeterminado em tempo. Supõe-se que a ação se dará no futuro.

Imperativo Afirmativo

Na segunda pessoa (tu ou vós) usa-se o verbo conjugado tal qual no presente do indicativo cortando-se a letra s. A exceção é o verbo "ser": sê tu, sede vós.

Para a terceira pessoa (você ou vocês) e para a primeira do plural (nós), usa-se o verbo conjugado tal qual o presente do subjuntivo.

Imperativo Negativo

No imperativo negativo, todas as pessoas coincidem com a forma verbal do presente do subjuntivo.

Formação dos Tempos Simples[editar | editar código-fonte]

Quanto à formação dos tempos simples, estes dividem-se em primitivos e derivados.

Primitivos: presente do indicativo, pretérito perfeito do indicativo e infinitivo impessoal.

Derivados do Presente do Indicativo: presente do subjuntivo, imperativo afirmativo e imperativo negativo.

Derivados do Pretérito Perfeito do Indicativo: pretérito mais-que-perfeito do indicativo, pretérito imperfeito do subjuntivo e futuro do subjuntivo.

Derivados do Infinitivo Impessoal: futuro do presente do indicativo, futuro do pretérito do indicativo, imperfeito do indicativo, gerúndio e particípio.

Referências

  1. Tone and morphene rules in Bemileke-Ngyembɔɔn Anderson C., Stephen, 1983 (em inglês)
  2. Anderson C., Stephen, 1980. "Tense/Aspect in Ngyembɔɔn-Bemileke". Paper apresentado na 14ª Conferência anual em Cotonou, Benin.