Voz verbal

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Voz verbal, em linguística, refere-se relação entre sujeito e verbo sob o aspecto de quem recebe e quem pratica uma ação. [1]

Na maioria dos verbos transitivos da língua portuguesa, o sujeito (na voz ativa) é a entidade que efetua ou desencadeia uma ação, e o objeto direto é uma entidade que sofre passivamente algum efeito da ação. Entretanto, há verbos em que o sujeito da voz ativa tem papel conceitualmente passivo, como por exemplo na frase "ele levou um tiro" ou "ele ignorou o agressor". A distinção entre voz ativa e passiva não leva em conta o caráter da ação mas unicamente a forma gramatical da oração; assim, estas duas frases, em particular, estão na voz ativa.

Na língua portuguesa[editar | editar código-fonte]

Voz ativa[editar | editar código-fonte]

Na voz ativa, o processo verbal origina-se no sujeito. [1]

O repórter leu a notícia.

Voz reflexiva[editar | editar código-fonte]

Na voz reflexiva o sujeito é ao mesmo tempo agente e paciente. Usa-se um objeto direto como um pronome oblíquo reflexivo ("me", "te", "se", "nos" ou "vos"), que se refere ao próprio sujeito.

O repórter vestiu-se e foi trabalhar.

Mais especificamente, na voz reflexiva recíproca, o sujeito é composto, e cada um dos seus elementos componentes aplica a ação descrita pelo verbo nos demais, em vez de em si próprio. Este é o caso, por exemplo, nas frases "Anakin e Padme se abraçaram", e "nós nos veremos na escola".

Uma construção superficialmente similar à voz reflexiva, mas com sentido bem diferente, usa como predicado um verbo simples intransitivo na terceira pessoa do singular, com sujeito oculto, e o pronome oblíquo "se" na função aparente de objeto direto; por exemplo, na frase "vive-se bem aqui". Neste tipo de oração, a palavra "se" não tem função reflexiva mas indica na verdade que o sujeito é genérico, "uma pessoa geralmente vive bem aqui". e é isto ai uma pessoa geralmente vive bem.

Voz passiva[editar | editar código-fonte]

Na língua portuguesa há duas construções para a voz passiva: a analítica, e a pronominal. [1]

Na voz passiva analítica, o predicado é uma locução verbal composta de um verbo auxiliar, como "ser", e do particípio de um verbo. [1] Nesse caso, a entidade que seria o objeto direto deste verbo na voz ativa passa a ser o sujeito do verbo "ser"; e o sujeito da voz ativa passa a ser um complemento verbal (o agente da passiva), ligado ao verbo com a preposição "por".

As roupas foram passadas.

A voz passiva pronominal ou sintética é formada através do pronome pessoal se como partícula apassivadora junto à uma forma verbal de terceira pessoa. [1]

Passaram-se roupas.

Uso[editar | editar código-fonte]

A escolha entre voz ativa e passiva é basicamente uma questão de estilo. A voz ativa é geralmente mais sucinta, simples, direta, e fácil de entender. A voz passiva pode ser usada no lugar da ativa para aumentar a ênfase no objeto direto e reduzir a importância do sujeito, ou suprimi-lo inteiramente.

A empresa depois colhe, embala e vende as frutas.
As frutas depois são colhidas, embaladas e vendidas pela empresa.
As frutas depois são colhidas, embaladas e vendidas.

Em outras línguas[editar | editar código-fonte]

Construções semelhantes à voz ativa e à voz passiva analítica do português existem em muitas outras línguas indo-europeias, incluindo inglês ("the cat eats the mouse" versus "the mouse is eaten by the cat"). A voz passiva sintética existe no espanhol e no italiano ("si vendono case") mas não no francês nem no inglês.

Referências

  1. a b c d e Abaurre, Maria Luiza; Pontara, Marcela Nogueira; Fadel, Tatiana. Português: língua e literatura. 2 ed. São Paulo: Moderna, 2005. p. 216. 1 vol. vol. 1. ISBN 85-16-03845-9

Ver também[editar | editar código-fonte]

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