Grande Sertão: Veredas

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Nota: Se procura minissérie da Rede Globo de 1985, consulte Grande Sertão: Veredas (minissérie).
Trechos pendurados de Grande Sertão: Veredas, a obra-prima de Guimarães Rosa, no Salão de Exposições Temporárias do museu.
Trechos pendurados de Grande Sertão: Veredas, a obra-prima de Guimarães Rosa, no Salão de Exposições Temporárias do museu.
Trecho do livro de Guimarães Rosa inscrito em tijolos.
Trecho do livro de Guimarães Rosa inscrito em tijolos.
Crianças lêem um fac-símile de uma das páginas do romance Grande Sertão: Veredas (na página é possível ver as correções e alterações feitas de próprio punho pelo autor).
Crianças lêem um fac-símile de uma das páginas do romance Grande Sertão: Veredas (na página é possível ver as correções e alterações feitas de próprio punho pelo autor).

Grande Sertão: Veredas é um livro de Guimarães Rosa escrito em 1956 e é um dos mais importantes livros da literatura brasileira. Pensado inicialmente como uma das novelas do livro "Corpo de Baile", lançado nesse mesmo ano de 1956, em que veio à luz também a quarta edição de Sagarana, revista pelo autor, cresceu, ganhou autonomia e tornou-se um dos mais importantes livros da literatura de língua portuguesa.

Grande Sertão: Veredas é a expressão máxima do que a ensaísta Dirce Cortes Riedel chamou de “sertão construído na linguagem", isto é, o sertão dos Campos Gerais apropriado e recriado pela poesia rosiana. Mais extensa das narrativas do autor, o livro é a narração pelo personagem Riobaldo, de suas andanças pelo sertão.

O jagunço Riobaldo conta sua saga a um ouvinte letrado, cuja presença é perceptível apenas pelas marcas que deixa no discurso do narrador. Em sua saga, Riobaldo faz um pacto com o Que-Diga (Lux-fero, aquele que porta a luz), no intuito de vencer o silente Hermógenes. A vitória tem seu preço: Riobaldo perde Diadorim (Deo-dorina, presente de Deus, a Alma). A vitória tem também seu prêmio: Riobalado "recebe" a riquíssima Otacília, a "moça da carinha redonda" ("prêmio esse eu merecia?").

O projeto de João Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas é o de discorrer sobre elementos universais, alegoricamente contextualizados em um ambiente pretextualmente regional, numa escrita poética marcada por inúmeras idiossincrasias. Dessa forma, eleva-se o sertão à condição de locus hominis: “o sertão é do tamanho do mundo”.

O sertão é “onde o pensamento da gente se forma mais forte que o poder do lugar”, é o páthos em que a vida contemplativa e absurda suplanta o automatismo da técnica moderna e do senso comum (“quando acordei, não cri: tudo que é bonito é absurdo - Deus estável”). Esse páthos é a altura desde a qual o homem transborda de sua individualidade e redescobre-se no mundo.

Riobaldo, em suas andanças pelos Gerais, de uma feita, é chamado, porquanto uma mulher “não estava conseguindo botar seu filho no mundo”, “mulher tão precisada, pobre que não teria o com que para uma caixa-de-fósforos”. Em aquele “papiri à toa”, à margem de toda bem-aventurança, entrevê, de súpeto, o impossível da nascença: "’minha Senhora Dona: um menino nasceu - o mundo tornou a começar...’"

A aridez sertaneja, enfatizada sobretudo na linguagem visceralmente regionalista, contrasta com a dimensão universal da narrativa de Riobaldo. Homem e mundo, realidade e devaneio, mundano e divino, são aspectos de um mesmo conflito, exaustivamente contemplado pela literatura universal (casos paradigmáticos são a Ilíada de Homero, a Divina Comédia de Dante, o Dom Quixote de Cervantes e o Fausto de Goethe) e que na obra de Guimarães Rosa figura sob o paradoxismo sertão-grande sertão. “E estou contando não é uma vida de sertanejo, seja se for jagunço, mas a matéria vertente”.

Guimarães Rosa declarou que esse romance é sua "autobiografia irracional". O nome do herói, Riobaldo, na pronúncia de boa parte dos habitantes sertanejos, é "Riobardo", ou seja, "R-io-bardo" - "Rosa-eu-poeta".

O grande sertão é o acontecimento do milagre no “vai-vem da vida burra” e cética, descrente de si. É a constatação plena de que "viver é negócio muito perigoso...". Como "autobiografia", é a proposta de se viver de forma transcendente à limitada condição humana: ao invés de "viver para contá-la", o autor vai "contar para vivê-la".

[editar] Adaptações

O livro foi adaptado pela Rede Globo numa minissérie exibida no ano de 1985, escrita por Walter George Durst e dirigida por Walter Avancini, com Tony Ramos no papel de Riobaldo e Bruna Lombardi no papel de Diadorim. Para 2006 é previsto o lançamento desta minissérie em DVD.

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