Grande Sertão: Veredas
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Grande Sertão: Veredas é um livro de Guimarães Rosa escrito em 1956 e é um dos mais importantes livros da literatura brasileira. Pensado inicialmente como uma das novelas do livro "Corpo de Baile", lançado nesse mesmo ano de 1956, em que veio à luz também a quarta edição de Sagarana, revista pelo autor, cresceu, ganhou autonomia e tornou-se um dos mais importantes livros da literatura de língua portuguesa.
Grande Sertão: Veredas é a expressão máxima do que a ensaísta Dirce Cortes Riedel chamou de “sertão construído na linguagem", isto é, o sertão dos Campos Gerais apropriado e recriado pela poesia rosiana. Mais extensa das narrativas do autor, o livro é a narração pelo personagem Riobaldo, de suas andanças pelo sertão.
O jagunço Riobaldo conta sua saga a um ouvinte letrado, cuja presença é perceptível apenas pelas marcas que deixa no discurso do narrador. Em sua saga, Riobaldo faz um pacto com o Que-Diga (Lux-fero, aquele que porta a luz), no intuito de vencer o silente Hermógenes. A vitória tem seu preço: Riobaldo perde Diadorim (Deo-dorina, presente de Deus, a Alma). A vitória tem também seu prêmio: Riobalado "recebe" a riquíssima Otacília, a "moça da carinha redonda" ("prêmio esse eu merecia?").
O projeto de João Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas é o de discorrer sobre elementos universais, alegoricamente contextualizados em um ambiente pretextualmente regional, numa escrita poética marcada por inúmeras idiossincrasias. Dessa forma, eleva-se o sertão à condição de locus hominis: “o sertão é do tamanho do mundo”.
O sertão é “onde o pensamento da gente se forma mais forte que o poder do lugar”, é o páthos em que a vida contemplativa e absurda suplanta o automatismo da técnica moderna e do senso comum (“quando acordei, não cri: tudo que é bonito é absurdo - Deus estável”). Esse páthos é a altura desde a qual o homem transborda de sua individualidade e redescobre-se no mundo.
Riobaldo, em suas andanças pelos Gerais, de uma feita, é chamado, porquanto uma mulher “não estava conseguindo botar seu filho no mundo”, “mulher tão precisada, pobre que não teria o com que para uma caixa-de-fósforos”. Em aquele “papiri à toa”, à margem de toda bem-aventurança, entrevê, de súpeto, o impossível da nascença: "’minha Senhora Dona: um menino nasceu - o mundo tornou a começar...’"
A aridez sertaneja, enfatizada sobretudo na linguagem visceralmente regionalista, contrasta com a dimensão universal da narrativa de Riobaldo. Homem e mundo, realidade e devaneio, mundano e divino, são aspectos de um mesmo conflito, exaustivamente contemplado pela literatura universal (casos paradigmáticos são a Ilíada de Homero, a Divina Comédia de Dante, o Dom Quixote de Cervantes e o Fausto de Goethe) e que na obra de Guimarães Rosa figura sob o paradoxismo sertão-grande sertão. “E estou contando não é uma vida de sertanejo, seja se for jagunço, mas a matéria vertente”.
Guimarães Rosa declarou que esse romance é sua "autobiografia irracional". O nome do herói, Riobaldo, na pronúncia de boa parte dos habitantes sertanejos, é "Riobardo", ou seja, "R-io-bardo" - "Rosa-eu-poeta".
O grande sertão é o acontecimento do milagre no “vai-vem da vida burra” e cética, descrente de si. É a constatação plena de que "viver é negócio muito perigoso...". Como "autobiografia", é a proposta de se viver de forma transcendente à limitada condição humana: ao invés de "viver para contá-la", o autor vai "contar para vivê-la".
[editar] Adaptações
O livro foi adaptado pela Rede Globo numa minissérie exibida no ano de 1985, escrita por Walter George Durst e dirigida por Walter Avancini, com Tony Ramos no papel de Riobaldo e Bruna Lombardi no papel de Diadorim. Para 2006 é previsto o lançamento desta minissérie em DVD.

