Miguel de Cervantes

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Miguel de Cervantes Saavedra
Cervates jauregui.jpg

Retrato de Cervantes, feito por Juan de Jáuregui, por volta de 1600 (modernos estudiosos não acreditam que esta ou qualquer outra seja uma representação autêntica de Cervantes)
Nacionalidade Castela
Data de nascimento 29 de Setembro de 1547
Data de falecimento 23 de abril de 1616 (68 anos)
Local de falecimento Madrid, Castela
Gênero(s) romance, teatro, poesia
Magnum opus Don Quixote
Influências Homero, Virgílio, filosofia grega, romance de cavalaria, renascimento italiano
Assinatura Miguel de Cervantes signature.svg

Miguel de Cervantes Saavedra [a] (Alcalá de Henares, 29 de setembro de 1547Madrid, 22 de abril de 1616[1] ) foi romancista, dramaturgo e poeta castelhano.A sua obra-prima, Dom Quixote, muitas vezes considerado o primeiro romance moderno,[2] é um clássico da literatura ocidental e é regularmente considerado um dos melhores romances já escritos.[3] Seu trabalho é considerado entre os mais importantes em toda a literatura.[3] A sua influência sobre a língua castelhana tem sido tão grande que o castelhano é frequentemente chamado de La lengua de Cervantes (A língua de Cervantes).[4]

Infância[editar | editar código-fonte]

Filho de um cirurgião cujo nome era Rodrigo e de Leonor de Cortinas, supõe-se que Miguel de Cervantes tenha nascido em Alcalá de Henares.[5] O dia exato do seu nascimento é desconhecido, ainda que seja provável que tenha nascido no dia 29 de setembro, data em que se celebra a festa do arcanjo San Miguel, pela tradição de receber o nome do santoral. Miguel de Cervantes foi batizado em Castela no dia 9 de outubro de 1547 na paróquia de Santa María la Mayor.[6] A carta do batismo reza:

Domingo, nueve días del mes de octubre, año del Señor de mill e quinientos e quarenta e siete años, fue baptizado Miguel, hijo de Rodrigo Cervantes e su mujer doña Leonor. Baptizóle el reverendo señor Bartolomé Serrano, cura de Nuestra Señora. Testigos, Baltasar Vázquez, Sacristán, e yo, que le bapticé e firme de mi nombre. Bachiller Serrano.

Juventude[editar | editar código-fonte]

Miguel de Cervantes Saavedra (Retratos de Españoles Ilustres, 1791).

Em 1569 foge para Itália depois de um confuso incidente (feriu em duelo Antonio Sigura), tendo publicado já quatro poesias de valor. Sua participação na batalha de Lepanto, no ano 1571, onde foi ferido na mão e no peito,[7] deixa-lhe inutilizada a mão esquerda que lhe vale o apelido de o manco de Lepanto.

Em 1575, durante seu regresso de Nápoles a Castela é capturado por corsários de Argel, então parte do Império Otomano. Permanece em Argel até 1580, ano em que é liberado depois de pagar seu resgate.

Idade adulta[editar | editar código-fonte]

De volta a Castela se casa com Catalina de Salazar em 1584, vivendo algum tempo em Esquivias, povoado de La Mancha de onde era sua esposa, e se dedica ao teatro.

Publica em 1585 A Galatea, o seu primeiro livro de ficção, no novo estilo elegante da novela pastoral. Com a ajuda de um pequeno círculo de amigos, que incluía Luíz Gálvez de Montalvo, com o livro um público sofisticado passou a conhecer Cervantes.

Encarcerado em 1597 depois da quebra do banco onde depositava a arrecadação, "engendra" Dom Quixote de La Mancha, segundo o prólogo a esta obra, sem que se saiba se este termo quer dizer que começou a escrevê-lo na prisão, ou simplesmente que se lhe ocorreu a ideia ou o plano geral ali.

Vida literária[editar | editar código-fonte]

Finalmente, em 1605 publica a primeira parte de sua principal obra: O engenhoso fidalgo dom Quixote de La Mancha. A segunda parte não aparece até 1615: O engenhoso cavaleiro dom Quixote de La Mancha. Num ano antes aparece publicada uma falsa continuação de Alonso Fernández de Avellaneda.

Entre as duas partes de Dom Quixote, aparecem as Novelas exemplares (1613), um conjunto de doze narrações breves, bem como Viagem de Parnaso (1614). Em 1615 publica Oito comédias e oito entremezes novos nunca antes representados, mas seu drama mais popular hoje, A Numancia, além de O trato de Argel , ficou inédito até ao final do século XVIII.

Miguel de Cervantes morreu em 1616, parecendo ter alcançado uma serenidade final de espírito.

Um ano depois de sua morte aparece a novela Os trabalhos de Persiles e Sigismunda.

Morte[editar | editar código-fonte]

É bem conhecida a coincidência das datas de morte de dois dos grandes escritores da humanidade, Cervantes e William Shakespeare, ambos com data de falecimento em 23 de abril de 1616. Porém, é importante notar que o Calendário gregoriano já era utilizado na Castela desde o século XVI, enquanto que na Inglaterra sua adopção somente ocorreu em 1751. Daí, em realidade, William Shakespeare faleceu dez dias depois de Miguel de Cervantes.[carece de fontes?]

Cervantes, por outro lado, teria morrido em 22 de abril de 1616, sexta-feira, tendo sido registada a morte no sábado, dia 23, em sua paróquia, em San Sebastián. Conforme costume da época, no registo constava a data do enterro. Em 23 de abril é comemorado o Dia do Livro na Espanha.[1]

Em 2011, um grupo de investigadores históricos e arqueólogos iniciaram uma busca pelos ossos do autor Miguel de Cervantes na igreja conventual das Trinitarias em Madrid, onde os seus restos mortais foram depositados em 1616, não se sabendo exactamente em que parte do monumento. A iniciativa, que permite reconstruir o rosto do escritor, até agora só conhecido através de uma pintura do artista Juan de Jauregui, conta com o apoio da Academia Espanhola e o aval do arcebispado espanhol.

A igreja foi remodelada no final do século XVII, e apesar das certezas de que os restos do escritor espanhol ali se encontram, ninguém sabe o lugar exacto onde estará a sua campa.

A descoberta e consequente análise das ossadas do autor espanhol poderão ainda ajudar os investigadores a determinar as causas da morte de Cervantes, que se acredita que tenha morrido de cirrose[8] .

Teatro[editar | editar código-fonte]

A única peça teatral trágica a sobreviver de Cervantes é O cerco de Numancia, na qual é encenada a resistência desesperada da população desta cidade íbera contra as forças romanas que querem conquistá-la.

Já o volume Oito comédias e oito entremezes nunca antes representados traz um excelente exemplo do humor cervantino, com seu pleno domínio das convenções da época; curioso notar as diferenças de tratamento existentes entre a novela exemplar O ciumento de Extremadura e o entremez O velho ciumento, que apresentam basicamente a mesma história - a do marido que, para evitar ser traído, tranca a mulher em casa e proíbe-lhe qualquer contacto com o mundo externo: Cervantes sacrifica, na peça, boa parte da sutileza da novela para produzir um efeito cômico mais imediato.

Cronologia[editar | editar código-fonte]

  • 1547 - Nasce Miguel de Cervantes Saavedra.
  • 1551 - O pai, Rodrigo, é preso por causa de dívidas de jogo.
  • 1566 - A família instala-se em Madrid.
  • 1569 - Após incidente no qual teria ferido um homem, deixa Madrid e vai morar em Roma.
  • 1571 - Participa da batalha de Lepanto, contra os turcos. Ferido em combate, tem a mão esquerda inutilizada.
  • 1575 - Capturado por corsários, é levado para Argel, com seu irmão Rodrigo, onde fica cinco anos em cativeiro.
  • 1581 - Vai para Lisboa, onde escreve peças de teatro.
  • 1584 - De um romance com Ana Franca, nasce Isabel de Saavedra. Casa-se com Catalina de Palácios Salazar.
  • 1585 - Publica La Galatea. Morte do pai.
  • 1587 - É nomeado comissário real encarregado de recolher azeite e trigo para a Armada Invencível.
  • 1593 - Morte da mãe. Publicação do romance La casa de los celos.
  • 1597 - É preso em Sevilha, após ser condenado a pagar dívida exorbitante.
  • 1598 - Deixa a prisão. Morte de Ana Franca.
  • 1605 - É publicada a primeira parte de Dom Quixote.
  • 1613 - Ingressa na Ordem Terceira de São Francisco. Publicação de Novelas exemplares.
  • 1614 - Surge uma continuação de Dom Quixote, escrita por Avellaneda.
  • 1615 - Cervantes publica a segunda parte de Dom Quixote.
  • 1616 - Morre em Madrid, no dia 23 de abril.

Notas[editar | editar código-fonte]

a. ^ Sua assinatura é grafada Cerbantes com um b, mas ele passou a ser conhecido com a ortografia Cervantes, usada pelos publicadores de suas obras. Saavedra era o sobrenome de um parente distante. Ele adotou como seu segundo sobrenome após seu retorno da Berbéria.[9] Os primeiros documentos assinados com os dois nomes de Cervantes, Cervantes Saavedra, aparecem vários anos depois de sua repatriação. Ele começou a acrescentar o segundo sobrenome (Saavedra, um nome que não corresponde à sua família imediata) ao seu patronímico em 1586-1587, nos documentos oficiais relacionados com o seu casamento com Catalina de Salazar.[10]

Referências

  1. a b Jean Canavaggio, «Cervantes en su vivir». Biografia do Portal de Miguel de Cervantes Saavedra da Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes. Acessado em 23 de abril de 2011.
  2. Harold Bloom on Don Quixote, the first modern novel | Books | The Guardian. Books.guardian.co.uk. Página visitada em 2009-07-18.
  3. a b "Cervantes, Miguel de". Encyclopaedia Britannica. (2002). 
  4. "La lengua de Cervantes" (PDF) (em espanhol). Ministerio de la Presidencia de España.
  5. Apesar das declarações de que ele mesmo tenha jurado na Informação de Argel, ainda existem conjeturas sobre o seu verdadeiro local de nascimento. Muitos asseguram com homónimos que o seu lugar de nascimento esteja localizado onde estes nasceram. Existe assim a teoria, segundo a qual o escritor teria nascido em Cervantes, no Novo Reino de Galiza. Também existe outra teoria, muito minoritária, segundo a qual Cervantes teria nascido em Alcázar de San Juan, já que se conserva uma certidão de batismo com esse nome nesta localidade.
  6. O templo foi construído em 1553 e acabou destruído quatro séculos mais tarde na Guerra Civil Espanhola.
  7. Jack Beeching. "La Battaglia di Lepanto" (em italiano). Milão: Tascabili Bompiani, 2002. Capítulo: XII - La Battaglia. , p. 257. ISBN 88-542-9059-X
  8. Arqueólogos espanhóis procuram restos mortais de Miguel de Cervantes.
  9. M.A. Garcés, Cervantes in Algiers, 191-192
    * C. Slade, Introduction, xxiv
  10. M.A. Garcés, Cervantes in Algiers, 191-192


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