Região histórica de Castela

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Duas possíveis interpretações sobre a região histórica de Castela.

Castela é o nome de uma região histórica espanhola. Dependendo dos autores e as épocas, considera-se composta de territórios diferentes. A sua evolução histórica fez ainda mais imprecisos os seus componentes: o Reino de Castela foi num primeiro momento um condado dependente do Reino de Leão até finalmente se separar deste. Posteriormente fez parte, juntamente com outros reinos, da Coroa de Castela.

Assim, o nome de Castela empregou-se na Baixa Idade Média para denominar a Coroa de Castela, o conjunto de todos os territórios dos monarcas da Coroa (por contraposição ao resto de reis hispânicos, os de Aragão, Navarra e Portugal).

Geografia[editar | editar código-fonte]

Atualmente existem duas comunidades autônomas espanholas que manter o nome do lugar em seu próprio nome oficial: Castela e Leão e Castela-La Mancha. Uma terceira, a Comunidade de Madrid é considerada castelhano também pela sua posição geográfica e da abordagem do seu Estatuto de Autonomia, tendo se originado apenas na manifestação de interesse do Estado.

Antigamente, considerou-se que Castela estaria composta pelas antigas regiões de Castela a Velha e Castela a Nova (a partir do século XVI começaram a aparecer os primeiros mapas onde se emprega a denominação de Castela A Nova em lugar de Reino de Toledo). Segundo esta visão tradicional, Castela corresponderia às seguintes províncias de Espanha (de norte a sul):

Bandeira de Castela


Atendendo a critérios históricos, outros autores incluem também as comarcas de Utiel e Requena, actualmente dentro de Valência (à qual se uniram depois da divisão territorial de 1833) ou as de Plasência (actualmente na Cáceres), e a zona Serra de Béjar (Salamanca), pertencentes todas eles ao reino medieval de Castela, ainda que Béjar foi originariamente leonesa.

Por outra lado, há que assinalar que as províncias de Valladolid e Palência, quando atribuídas em 1833 a Castela a Velha, passaram em 1855 à região do Reino de Léon. Além disso a comarca de Barco de Ávila (antigamente Barco de Tormes) integrada em 1833 à província de Salamanca, tinha feito parte anteriormente do Reino de Castela (concretamente da Comunidade de Villa e Terra de Ávila).

Outros autores eliminam da lista anterior:

  • A Liébana.
  • A maior parte das províncias de Valladolid e Palencia, por terem pertencido ao Reino de Leão.
  • As províncias de Toledo e Cidade Real, pertencentes ao Reino de Toledo, e nas que se aplicava um direito romano visigótico, alheio à tradição legal de Castela, baseada no costume.
  • As partes da província de Albacete que não pertenceram a Cuenca (parte da província de Albacete estava incluída no Reino de Múrcia, bem como outras partes encontravam-se nas actuais províncias de Cuenca, Alicante e Cidade Real).

Alguns movimentos culturais e políticos regionalistas e nacionalistas, advogam a união política de Castela, entendendo-a como a totalidade das províncias das actuais comunidades autónomas de Castela e Leão, Castela-A Mancha, La Rioja, Cantabria e Madrid, juntamente com as comarcas de Utiel e Requena.

O Partido Regionalista de Cantabria encontra-se numa posição oposta a estes partidos, enquanto também existem movimentos a favor a esta hipotética união na Cantabria, como a Associação para a Integração de Cantabria em Castela e Leão (AICC).

À margem deste castelhanismo encontrámos partidos regionalismo castelhano-leonés|castelhanoleonesistas que defendem a actual autonomia de Castela e Leão. É o caso por exemplo da Unidade Regionalista de Castela e Leão.

Os partidos de ideologia leonesista (como a União do Povo Leonés, União do Povo Salmantino ou o Partido Regionalista do País Leonés) também se opõem a estas propostas, já que negam o carácter castelhano das províncias de Leão, Zamora e Salamanca (às quais denominam País Leonés), e pretendem a autonomia e identidade própria que sempre tiveram.

Por sua vez, os seguidores das teses de Anselmo Carretero defendem que as províncias castelhanas que fazem parte actualmente de Castela e Leão, e de Castela-A Mancha, devem formar comunidades autónomas uniprovinciales, estabelecendo posteriormente relações com o resto das províncias castelhanas. Desta maneira consideram que se respeita melhor a tradição de descentralización de Castela.

Em todo caso, os partidos políticos castelhanistas têm uma representação muito escassa. Não existem dados a respeito da opinião cidadã sobre estas discussões, para além da demonstrada nas sucessivas eleições.

História[editar | editar código-fonte]

Castela nasceu a 15 de setembro do ano 800 no hoje desaparecido mosteiro de San Emeterio de Taranco de Mena, situado no vale de Mena, no norte da actual província de Burgos. O nome de Castela aparece num documento notarial no qual o abade Vitulo doava uns terrenos. Nesse documento aparece escrito «Bardulia quae nunc vocatur Castella» (Bardulia que desde agora chamaremos Castela). Também há que ter em conta a antiquíssima documentação do bispado de Valpuesta, monteiro da província de Burgos (804-1087), aonde nos seus velhos cartularios começam a se redigir palavras no nascente romance castelhano (futuro idioma castelhano ou espanhol). A crença popular diz que o nome de Castela provêm da grande quantidade de castelos ou fortalezas que existiam nestas terras; no entanto, o nome pode ter tido outra origem.

Anos mais tarde consolidar-se-ia como entidade política autónoma, ainda que permanecendo como condado vassalo do Reino de Leão. Esta terra estava habitada maioritariamente por habitantes de origem cántabrica e basca com um dialecto romance próprio, o castelhano, e umas leis diferenciadas, baseadas no livre arbítrio, e administradas, segundo a tradição, por juízes populares, em contraste com o Fuero Juzgo romano-visigótico vigente no reino leonés.

No ano 932 o condado de Castela tornou-se independente de facto de Leão com o conde Fernán González, sendo o primeiro rei de Castela Fernando I. No ano 1037 morre Bermudo III, rei de Leão, na batalha de Tamarón, enquanto lutava contra o seu cunhado, Fernando I. Ao morrer em 1037 Vermudo III sem descendencia, o seu cunhado considerou que era o sucessor e, portanto, passou a reger ambos reinos. No ano 1054 Fernando I lutou contra o seu irmão, Garcia Sánchez III de Nájera, rei de Navarra, na Batalha de Atapuerca, morrendo também o monarca navarro e anexando entre outras a comarca dos montes de Oca, perto da cidade de Burgos.

Por ocasião da morte de Fernando I, ocorrida em 1065, os reinos são repartidos entre os seus filhos, sendo para Sancho II o de Castela e para Afonso VI o de Leão. Sancho II é assassinado em 1072 e seu irmão ascende ao trono de Castela (séculos depois os românticos inventaram o famoso juramento que tomou El Cid a Afonso VI em Santa Gadea de Burgos, baseado na a inocência ou não do Monarca Leonês a respeito do assassinato do seu irmão). Ambos os reinos foram regidos então pela mesma pessoa durante várias gerações.

Após a sua morte sucedeu-lhe no trono a sua filha, Urraca. Esta casou-se, em segundas nupcias, com Afonso I de Aragão, mas ao não conseguir reger ambos reinos, e devido aos grandes confrontos entre classes dos diferentes reinos, Afonso I repudiou Urraca em 1114, o que agudizou os confrontos. Se bem que o papa Pascual II havia anulado o casamento anteriormente, eles continuaram juntos até essa data. Urraca também teve que enfrentar o seu filho, Rei da Galiza, para fazer valer os seus direitos sobre esse reino. Ao morrer, Urraca foi substituída por este mesmo filho sucede como Afonso VII, fruto do seu primeiro casamento. Afonso VII conseguiu anexar terras dos reinos de Navarra e do Aragão (devido à debilidade destes reinos causadas pela sua sucessão por altura da morte de Afonso I de Aragão). Renuncia ao seu direito à conquista da costa mediterrânica a favor da nova união de Aragão com o Condado de Barcelona (Petronila e Raimundo Berengário IV).

No seu testamento regressa-se à tradição real de diferentes monarcas para cada reino. Fernando II será rei de Leão, e Sancho III, rei de Castela

Em 1217 Fernando III o Santo recebeu de sua mãe Berenguela o Reino de Castela e de seu pai Afonso IX em 1230 o de Leão. Assim mesmo, aproveitou o declive do Califado Almóada para conquistar o vale do Guadalquivir enquanto seu filho Alfonso tomava o Reino de Múrcia. As Cortes de Leão e Castela fundiram-se, momento o que se considera que surge a Coroa de Castela, formada pelos reinos de Castela, Leão, Toledo e o resto de reinos taifas e senhorios conquistados aos árabes. Estes reinos conservaram instituições e legislação diferenciadas. Por exemplo, nos reinos de Galiza, Leão e Toledo aplicava-se um direito de raiz romano-visigótica, diferente da legislação principalmente baseada no costume que existia no Reino de Castela.

Ver também[editar | editar código-fonte]