Tratado Anglo-Iraquiano

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O Tratado Anglo-Iraquiano de 1921 foi um acordo assinado entre os governos do Reino Unido e do Iraque. O tratado foi planejado para permitir aos habitantes locais uma participação limitada na divisão do poder, dando aos britânicos o controle da política militar e exterior. Tinha a intenção de concluir um acordo feito na Conferência do Cairo para estabelecer um governo hashemita no Iraque.

Ao final da Primeira Guerra Mundial, as possessões do Império Otomano foram divididas entre França e Reino Unido, com o restante tornando-se a Turquia. As ex-províncias otomanas de Bagdá, Mossul e Baçorá tornaram-se um mandato Classe A da Sociedade das Nações, sob direto governo britãnico, conhecido como Mandato Britânico da Mesopotâmia. Em 23 de Agosto de 1921, Faiçal ibn Hasayn foi coroado Faiçal I, rei do Iraque. O novo reino continuou a operar como um Mandato da Sociedade das Nações. A idéia de ser um "mandato" foi vista com ceticismo entre muitos iraquianos como uma tentativa velada de colonização.

Paralelamente, o Iraque estava passando por um período de turbulência política. Nacionalistas que acreditavam que a expulsão dos otomanos levaria a uma maior independência ficaram decepcionados com o sistema de governo formado pelo Mandato britânico. Longe de os Iraquianos ganharem um novo senso de identidade nacional através do auto-governo, os britãnicos importaram funcionários civís da Índia, que já tinham conhecimento e experiência em como uma colônia deveria ser governada.

O Tratado Anglo-Iraquiano de 1922 serviu para regular levantes populares iraquianos, dando à Grã-Bretanha o controle da economia, da política e do exército do Iraque.


Interesses franceses no Oriente Médio em azul, britânicos em vermelho, sobrepondo o atual território de Israel.

O acordo de Sykes-Picot[editar | editar código-fonte]

Durante a Primeira Guerra Mundial, um acordo foi feito entre os ministros do exterior do Reino Unido e da França em benefício de seus respectivos governos, seguindo a visão pós-guerra de divisão do Império Otomano, na qual as províncias árabes do Império (sul e oeste da Anatólia) seriam divididas em esferas de influência dos franceses e dos britânicos.

França e Grã-Bretanha estão preparadas para reconhecer e proteger um estado árabe independente ou uma confederação de estados árabes (a) e (b) marcados no mapa anexado, sob a soberania de um chefe árabe. Que na área (a) - França, e na área (b) - Grã-Bretanha, a prioridade ao direito empresarial e de empréstimos deve ser desses dois países. Que na área (a) - França, e na área (b) Grã-Bretanha, devem apenas ser fornecidos consultores ou funcionários estrangeiros a pedido do Estado árabe ou confederação de estados árabes.

Insurreição[editar | editar código-fonte]

O Tratado Anglo-Iraquiano foi assinado principalmente devido aos esforços revolucionários dos cidadãos do Iraque, uma coligação de ambos os árabes, xiitas e sunitas. Os maiores centros de insurreição durante a Grande Revolução Iraquiana de 1920 incluíram Mosul, Bagdá, Najaf e Karbala. O esforço de insurgência em Karbala foi inflamado por uma fatwa emitida pelo grande mujtahid Imame Shirazi. A fatwa fazia uma observação que era anti-islâmico ser governado pelos britânicos, que não praticavam o islã. A fatwa ordenou um Jihad contra a ocupação britânica.

Os curdos do norte do Iraque também travaram guerra com os britânicos nos anos de assinatura e ratificação do tratado. Os curdos procuraram forçar o Iraque a ceder um lar para o seu povo. Os esforços revolucionários foram atenuados pelos britânicos em grande parte por ataques aéreos conduzidos pela Força Aérea Real, mas a ajuda dos curdos para derrotar a revolta foi de consequências significativas. Seria a primeira revolta realizada pelos curdos contra os britânicos na tentativa de criar um lar para o seu povo, e mais tarde contra o governo do Iraque.

A Conferência do Cairo[editar | editar código-fonte]

A Conferência do Cairo de 1921 preparou o palco para uma maior autonomia iraquiana. Os britânico indicaram Faiçal ibn Hasayn para liderar o país como o primeiro Rei do Iraque. Faiçal foi visto como um compromisso entre os interesses britânicos no país e os nacionalistas revolucionários; ele podia traçar sua árvore genealógica até o profeta Maomé, além de ter participado na revolta árabe de 1916 contra os Otomanos. De qualquer forma, os britânicos ainda viam um Faiçal dependente o suficiente de seu suporte para poder mantê-lo sob pressão.

A Assinatura[editar | editar código-fonte]

O tratado foi assinado em nome dos britânicos por Sir Percy Cox em 10 de outubro de 1922. Não foi ratificado pelo governo iraquiano até 1924, quando o Alto Comissário Britânico ameaçou impor sua autoridade para desfazer a constituição, elaborada pela assembléia constituinte do Iraque. Foi visto com desdém por muitos iraquianos, tanto xiitas quanto sunitas. De qualquer forma, foi o primeiro passo para um Iraque mais independente.

Suspensão[editar | editar código-fonte]

O Tratado acabou sendo suspenso após a assinatura do Tratado Anglo-Iraquiano de 1930.

Referências e Fontes[editar | editar código-fonte]

The History Guy [1] acessado em 13 de Abril de 2008. (em inglês)

Encyclopaedia of the Orient [2] acessada em 9 de Agosto de 2007. (em inglês)

Chronological Table of Middle East History [3] acessado em 9 de setembro de 2007. (em inglês)

Encyclopædia Britannica [4] (em inglês)

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Veja também[editar | editar código-fonte]