Ramal da Figueira da Foz

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Ramal da Figueira da Foz
Estação de Costeira (PK 11,5), em 2007.
Estação de Costeira (PK 11,5), em 2007.
Ramal da Figueira da Foz.png
Comprimento: 50,4 km
Bitola: Bitola larga

O Ramal da Figueira da Foz, igualmente conhecido como Ramal de Pampilhosa, é uma ligação ferroviária desactivada, situada no centro-oeste de Portugal. Liga a estação de Figueira da Foz (que é também término da Linha do Oeste) à estação de Pampilhosa, na intersecção da Linha do Norte com a Linha da Beira Alta, numa distância total de 50,4 quilómetros.

Desde Janeiro de 2009 está encerrado.

Índice

Caracterização [editar]

Apeadeiro de Alhadas-Brenha.

Percurso [editar]

Este ramal apresenta cerca de 50 quilómetros de extensão, unindo a cidade de Figueira da Foz à Pampilhosa1 , onde se ligava às Linhas da Beira Alta e do Norte.2 3 Passa pelos concelhos de Mealhada, Cantanhede, Montemor-o-Velho, e Figueira da Foz.2

Obras de arte [editar]

O Ramal apresenta várias obras de arte, como o Túnel de Alhadas.2

Material circulante [editar]

Um dos tipos de automotora a cumprir serviço neste ramal foi a Série 0300 dos Caminhos de Ferro Portugueses.4

História [editar]

Estação de Santana-Ferreira (PK 15,8).

Planeamento, construção e inauguração [editar]

Em 3 de Agosto de 1878, foi assinado um contrato entre o Governo Português e a Société Financière de Paris, para a construção e exploração de uma ligação ferroviária entre Pampilhosa e Vilar Formoso; para este fim, foi formada a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses da Beira Alta.5

Já nesta altura, se ponderava continuar a Linha da Beira Alta da Pampilhosa até à cidade de Figueira da Foz, de forma a poder escoar os produtos daquela linha através do seu porto marítimo; no entanto, este projecto entrava em conflito com as pretensões da Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses, que também estava a planear uma ligação à Figueira da Foz, como tinha sido estipulado num contrato de 14 de Setembro de 1859.5

Mesmo assim, foi aberto o concurso para o troço entre a Pampilhosa e a Figueira da Foz, tendo a Companhia da Beira Alta requerido apenas metade do subsídio governamental que tinha sido oferecido à Companhia Real, e, em 30 de Agosto de 1879, prescindiu totalmente dos apoios estatais.5 A Junta Consultiva das Obras Públicas autorizou, assim, este projecto, tendo o contrato provisório sido assinado no dia 31 de Outubro; este documento foi apresentado às cortes em 19 de Janeiro de 1880 e imediatamente aprovado, tendo sido promulgado por uma lei de 31 de Março.5 As obras deste ramal iniciaram-se oficialmente em 10 de Agosto desse ano.6 A Companhia Real ainda apresentou uma reclamação, que foi indeferida pelo Tribunal Arbitral em 7 de Outubro do mesmo ano.5

O primeiro troço da Linha da Beira Alta, entre a Pampilhosa e Vilar Formoso, foi aberto à exploração, de forma provisória, em 1 de Julho de 1882; a ligação entre a Figueira da Foz e a Pampilhosa foi inaugurada oficialmente, junto com o troço já aberto, no dia 3 de Agosto do mesmo ano, sendo, assim, considerada completa a Linha da Beira Alta.6 5 A cerimónia contou com a presença do rei D. Luís.7

Este ramal melhorou consideravelmente as relações da Figueira da Foz com as Beiras e Espanha, tendo contribuído decisivamente para o aumento das actividades turísticas na época balnear8 ; facilitou, igualmente, o transporte de mercadorias de e até à Figueira da Foz, que até aí era realizado principalmente pelo Ramal de Alfarelos.3 Com efeito, possibilitou uma maior penetração dos produtos daquela cidade, nomeadamente o sal, carvão, cal e peixe, em todo o país, especialmente nas Beiras, e em Espanha.3 No entanto, entrou em concorrência com a cabotagem costeira3 , tendo contribuído para o declínio da actividade marítima.9

Transição para a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses [editar]

Em 2 de Maio de 1930, foi assinado um contrato de trespasse, que estipulava a transição da exploração e do material circulante da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses da Beira Alta para a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses; no entanto, só em 28 de Fevereiro de 1946 é foi executada a escritura, para a transferência da exploração.10

Século XXI [editar]

Em 2007, esta ligação foi alvo de vários investimentos, nomeadamente num parque industrial junto à Pampilhosa, na supressão de passagens de nível, na Estação de Cantanhede, e no rebaixamento do Túnel de Alhadas.2

Em 5 de Janeiro de 2009, o ramal foi totalmente encerrado ao tráfego ferroviário por motivos de segurança1 11 12 13 , devido à antiguidade dos carris utilizados na maior parte do percurso.2 Em substituição dos serviços ferroviários, iniciaram-se várias carreiras de autocarros; estes apresentavam uns horários mais apropriados às necessidades das populações dos que os comboios, cujos horários, no final, já não se adequavam à procura.11 Previa-se que o investimento necessário para a remodelação do ramal seria de cerca de 35 milhões de Euros.13

Iniciaram-se, assim, as obras de modernização, prevendo-se, em 2009, a reabertura para 2011; no entanto, os trabalhos foram suspensos2 , pelo que, em Janeiro de 2011, o Bloco de Esquerda questionou o Governo sobre os prazos de execução da obra.1

Em Maio, um grupo de trabalho da Assembleia Municipal de Mealhada organizou um debate público, para promover a modernização e reabertura deste ramal, defendendo que traria um maior desenvolvimento económico à região, e beneficiaria as populações; por outro lado, o comboio também era utilizado para o acesso às praias, o que prejudicou o movimento durante a época balnear.2 Em termos de movimento de mercadorias, argumentou-se que este eixo facilitaria o transporte de carga do Porto de Figueira da Foz para a Europa e o resto do país, seria essencial à então projectada plataforma logística rodo-ferroviária na Pampilhosa, uma vez que permitia o acesso ao porto2 11 , e beneficiaria a zona industrial de Cantanhede.13

A requalificação e reabertura deste ramal também foi discutida em Setembro, numa reunião em Mira, que envolveu representantes do Partido Socialista, Partido Nacional Renovador, Partido Comunista Português, Bloco de Esquerda, e do PCTP/MRPP.13 O Partido Nacional Renovador realizou, em 2011, uma campanha de sensibilização nas localidades anteriormente servidas por este caminho de ferro.12

Em Dezembro do mesmo ano, a operadora Comboios de Portugal anunciou que, devido à suspensão do processo de reabertura desta ligação, iria terminar os serviços alternativos, por via rodoviária, a partir do dia 1 de Janeiro de 2012.14

Em Março de 2013, a Rede Ferroviária Nacional começou a levantar os carris e as travessas da via neste ramal, argumentando que esta era a melhor forma de proteger os seus activos, face às várias tentativas de roubo que foram feitas.15

Ver também [editar]

Referências

  1. a b c (7 de Janeiro de 2011) "BE quer obras em ramal ferroviário encerrado". Jornal de Notícias 123 (220): 19. Controlinveste Media SGPS, S. A.. ISSN 0874-1352.
  2. a b c d e f g h Transportes: Reabertura de ramal ferroviário entre Pampilhosa e Figueira da Foz defendido em debate público. SIC Notícias (26 de Maio de 2011). Página visitada em 26 de Maio de 2012.
  3. a b c d Arroteia, p. 23
  4. BRAZÃO, Carlos. (1992). "CP Automotor" (em Espanhol). Maquetren 2 (8): 29. Madrid: Resistor, S. A..
  5. a b c d e f TORRES, Carlos Manitto. (16 de Março de 1958). "A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário". Gazeta dos Caminhos de Ferro 71 (1686): 133, 134.
  6. a b Arroteia, p. 100
  7. Arroteia, p. 24
  8. Arroteia, p. 52, 53
  9. Arroteia, p. 43
  10. Cronologia. Comboios de Portugal. Página visitada em 25 de Maio de 2012.
  11. a b c FRANKLIN, Agostinho (27 de Maio de 2011). Ramal entre Figueira da Foz e Pampilhosa “pode ser rentável”. As Beiras. Página visitada em 26 de Maio de 2012.
  12. a b PNR defende ramal ferroviário da Pampilhosa. Correio da Manhã (4 de Setembro de 2011). Página visitada em 26 de Maio de 2012.
  13. a b c d Ramal ferroviário Pampilhosa-Figueira da Foz debateu-se em Mira. Notícias Ribeirinhas (30 de Setembro de 2011). Página visitada em 26 de Maio de 2012.
  14. MADEIRA, Paulo Miguel (17 de Dezembro de 2011). CP encerra linhas do Leste e Beja-Funcheira a 1 de Janeiro. Público. Página visitada em 18 de Dezembro de 2011.
  15. CIPRIANO, Carlos (29 de Março de 2013). Refer levanta carris na linha Figueira-Pampilhosa que valem 960 mil euros. Autarcas da zona protestam. Público. Página visitada em 18 de Abril de 2013.

Bibliografia [editar]

ARROTEIA, Jorge Carvalho. Figueira da Foz: A Cidade e o Mar. Coimbra: Ministério da Administração Interna - Comissão de Coordenação da Região Centro, 1985. 113 p.

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Ligações externas [editar]


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