Ramal da Figueira da Foz

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Ramal da Figueira da Foz
Estação de Costeira (PK 11,5), em 2007.
Estação de Costeira (PK 11,5), em 2007.
Ramal da Figueira da Foz.png
Comprimento: 50,4 km
Bitola: Bitola larga
Suburbanos - Coimbra
(Serviços ferroviários suburbanos de passageiros,
na região de Coimbra)

Serviços: BSicon fBHFq.svg em funcionamento
BSicon BHFq black.svg extinto em 2011 • BSicon BHFq.svg extinto em 2004


 
Track turning from left Track turning from right
 
(ʟ) Lobazes 
Station on track Station on track
 Moinhos (ʟ)
(ʟ) Miranda do Corvo 
Station on track Station on track
 Trémoa (ʟ)
(ʟ) Padrão 
Station on track Station on track
 Vale de Açor (ʟ)
(ʟ) Meiral 
Station on track Station on track
 Ceira (ʟ)
(ʟ) Lousã-A 
Station on track Station on track
 Conraria (ʟ)
(ʟ) Lousã 
Station on track Station on track
 Carvalhosas (ʟ)
(ʟ) Prilhão-Casais 
Station on track Station on track
 S. José (Calhabé) (ʟ)
(ʟ) Serpins 
End station
End station + Hub
 Coimbra-Parque (ʟ)
(ʟ) Coimbra 
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(ʟ)(n) Coimbra-B 
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(n) Souselas 
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(f)(n) Pampilhosa 
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 Bencanta (n)
(f) Mala 
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 Espadaneira (n)
(f) Silvã-Feiteira 
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 Casais (n)
(f) Enxofães 
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 Taveiro (n)
(f) Murtede 
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 V. Pouca Campo (n)
(f) Cordinhã 
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 Amial (n)
(f) Cantanhede 
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 Pereira (n)
(f) Limede-Cadima 
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 Formoselha
(f) Casal 
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 Alfarelos (a)(n)
(f) Arazede 
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 Montemor (a)
(f) Bebedouro 
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 Marujal (a)
(f) Liceia 
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 Verride (a)
(f) Santana-Ferreira 
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 Reveles (a)
(f) Costeira 
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 Bif. de Lares (a)(o)
(f) Alhadas 
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 Lares (o)
(f) Maiorca 
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 Fontela (o)
 
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 Fontela-A (o)
 
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 Figueira da Foz (f)(o)

Linhas: a R. Alfarelosf R. Figueira da Foz
ʟ R. Lousãn L. Norteo L. Oeste
Fonte: Diagrama oficial (2001)

O Ramal da Figueira da Foz, igualmente conhecido como Ramal de Pampilhosa, e originalmente como Linha da Beira Alta, em conjunto com o troço de Pampilhosa a Vilar Formoso, é uma ligação ferroviária desactivada, situada no centro-oeste de Portugal. Liga a estação de Figueira da Foz (que é também término da Linha do Oeste) à estação de Pampilhosa, na intersecção da Linha do Norte com a Linha da Beira Alta, numa distância total de 50,4 quilómetros. Foi inaugurado em 3 de Agosto de 1882[1] [2] , tendo sido encerrado em 5 de Janeiro de 2009, por motivos de segurança.[3] [4] [5] [6]


Caracterização[editar | editar código-fonte]

Apeadeiro de Alhadas-Brenha.

Percurso[editar | editar código-fonte]

Este ramal apresenta cerca de 50 quilómetros de extensão, unindo a cidade de Figueira da Foz à Pampilhosa[3] , onde se ligava às Linhas da Beira Alta e do Norte.[7] [8] Passa pelos concelhos de Mealhada, Cantanhede, Montemor-o-Velho, e Figueira da Foz.[7]

Obras de arte[editar | editar código-fonte]

O Ramal apresenta várias obras de arte, como o Túnel de Alhadas.[7]

Material circulante[editar | editar código-fonte]

Um dos tipos de automotora a cumprir serviço neste ramal foi a Série 0300 dos Caminhos de Ferro Portugueses.[9]

História[editar | editar código-fonte]

Estação de Santana-Ferreira (PK 15,8).

Planeamento, construção e inauguração[editar | editar código-fonte]

Em 3 de Agosto de 1878, foi assinado um contrato entre o Governo Português e a Société Financière de Paris, para a construção e exploração de uma ligação ferroviária entre Pampilhosa e Vilar Formoso; para este fim, foi formada a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses da Beira Alta.[2]

Já nesta altura, se ponderava continuar a Linha da Beira Alta da Pampilhosa até à cidade de Figueira da Foz, de forma a poder escoar os produtos daquela linha através do seu porto marítimo; no entanto, este projecto entrava em conflito com as pretensões da Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses, que também estava a planear uma ligação à Figueira da Foz, como tinha sido estipulado num contrato de 14 de Setembro de 1859.[2]

Mesmo assim, foi aberto o concurso para o troço entre a Pampilhosa e a Figueira da Foz, tendo a Companhia da Beira Alta requerido apenas metade do subsídio governamental que tinha sido oferecido à Companhia Real, e, em 30 de Agosto de 1879, prescindiu totalmente dos apoios estatais.[2] A Junta Consultiva das Obras Públicas autorizou, assim, este projecto, tendo o contrato provisório sido assinado no dia 31 de Outubro; este documento foi apresentado às cortes em 19 de Janeiro de 1880 e imediatamente aprovado, tendo sido promulgado por uma lei de 31 de Março.[2] As obras deste ramal iniciaram-se oficialmente em 10 de Agosto desse ano.[1] A Companhia Real ainda apresentou uma reclamação, que foi indeferida pelo Tribunal Arbitral em 7 de Outubro do mesmo ano.[2]

O primeiro troço da Linha da Beira Alta, entre a Pampilhosa e Vilar Formoso, foi aberto à exploração, de forma provisória, em 1 de Julho de 1882; a ligação entre a Figueira da Foz e a Pampilhosa foi inaugurada oficialmente, junto com o troço já aberto, no dia 3 de Agosto do mesmo ano, sendo, assim, considerada completa a Linha da Beira Alta.[1] [2] A cerimónia contou com a presença do rei D. Luís.[10]

Este ramal melhorou consideravelmente as relações da Figueira da Foz com as Beiras e Espanha, tendo contribuído decisivamente para o aumento das actividades turísticas na época balnear[11] ; facilitou, igualmente, o transporte de mercadorias de e até à Figueira da Foz, que até aí era realizado principalmente pelo Ramal de Alfarelos.[8] Com efeito, possibilitou uma maior penetração dos produtos daquela cidade, nomeadamente o sal, carvão, cal e peixe, em todo o país, especialmente nas Beiras, e em Espanha.[8] No entanto, entrou em concorrência com a cabotagem costeira[8] , tendo contribuído para o declínio da actividade marítima.[12]

Transição para a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses[editar | editar código-fonte]

Em 2 de Maio de 1930, foi assinado um contrato de trespasse, que estipulava a transição da exploração e do material circulante da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses da Beira Alta para a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses; no entanto, só em 28 de Fevereiro de 1946 é foi executada a escritura, para a transferência da exploração.[13]

Século XXI[editar | editar código-fonte]

Em 2007, esta ligação foi alvo de vários investimentos, nomeadamente num parque industrial junto à Pampilhosa, na supressão de passagens de nível, na Estação de Cantanhede, e no rebaixamento do Túnel de Alhadas.[7]

Em 5 de Janeiro de 2009, o ramal foi totalmente encerrado ao tráfego ferroviário pela Rede Ferroviária Nacional por motivos de segurança[3] [4] [5] [6] , devido à antiguidade dos carris utilizados na maior parte do percurso.[7] Em substituição dos serviços ferroviários, iniciaram-se várias carreiras de autocarros; estes apresentavam uns horários mais apropriados às necessidades das populações dos que os comboios, cujos horários, no final, já não se adequavam à procura.[4] Previa-se que o investimento necessário para a remodelação do ramal seria de cerca de 35 milhões de Euros.[6]

Iniciaram-se, assim, as obras de modernização, prevendo-se, em 2009, a reabertura para 2011; no entanto, os trabalhos foram suspensos[7] , pelo que, em Janeiro de 2011, o Bloco de Esquerda questionou o Governo sobre os prazos de execução da obra.[3]

Em Maio, um grupo de trabalho da Assembleia Municipal de Mealhada organizou um debate público, para promover a modernização e reabertura deste ramal, defendendo que traria um maior desenvolvimento económico à região, e beneficiaria as populações; por outro lado, o comboio também era utilizado para o acesso às praias, o que prejudicou o movimento durante a época balnear.[7] Em termos de movimento de mercadorias, argumentou-se que este eixo facilitaria o transporte de carga do Porto de Figueira da Foz para a Europa e o resto do país, seria essencial à então projectada plataforma logística rodo-ferroviária na Pampilhosa, uma vez que permitia o acesso ao porto[7] [4] , e beneficiaria a zona industrial de Cantanhede.[6]

A requalificação e reabertura deste ramal também foi discutida em Setembro, numa reunião em Mira, que envolveu representantes do Partido Socialista, Partido Nacional Renovador, Partido Comunista Português, Bloco de Esquerda, e do PCTP/MRPP.[6] O Partido Nacional Renovador realizou, em 2011, uma campanha de sensibilização nas localidades anteriormente servidas por este caminho de ferro.[5]

Em Dezembro do mesmo ano, a operadora Comboios de Portugal anunciou que, devido à suspensão do processo de reabertura desta ligação, iria terminar os serviços alternativos, por via rodoviária, a partir do dia 1 de Janeiro de 2012.[14]

Em Março de 2013, a Rede Ferroviária Nacional começou a levantar os carris e as travessas da via neste ramal, argumentando que esta era a melhor forma de proteger os seus activos, face às várias tentativas de roubo que foram feitas.[15]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Arroteia, p. 100
  2. a b c d e f g TORRES, Carlos Manitto. (16 de Março de 1958). "A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário". Gazeta dos Caminhos de Ferro 71 (1686): 133, 134.
  3. a b c d (7 de Janeiro de 2011) "BE quer obras em ramal ferroviário encerrado". Jornal de Notícias 123 (220): 19. Controlinveste Media SGPS, S. A.. ISSN 0874-1352.
  4. a b c d FRANKLIN, Agostinho (27 de Maio de 2011). Ramal entre Figueira da Foz e Pampilhosa “pode ser rentável” As Beiras. Página visitada em 26 de Maio de 2012.
  5. a b c PNR defende ramal ferroviário da Pampilhosa Correio da Manhã (4 de Setembro de 2011). Página visitada em 26 de Maio de 2012.
  6. a b c d e Ramal ferroviário Pampilhosa-Figueira da Foz debateu-se em Mira Notícias Ribeirinhas (30 de Setembro de 2011). Página visitada em 26 de Maio de 2012.
  7. a b c d e f g h Transportes: Reabertura de ramal ferroviário entre Pampilhosa e Figueira da Foz defendido em debate público SIC Notícias (26 de Maio de 2011). Página visitada em 26 de Maio de 2012.
  8. a b c d Arroteia, p. 23
  9. BRAZÃO, Carlos. (1992). "CP Automotor" (em Espanhol). Maquetren 2 (8): 29. Madrid: Resistor, S. A..
  10. Arroteia, p. 24
  11. Arroteia, p. 52, 53
  12. Arroteia, p. 43
  13. Cronologia Comboios de Portugal. Página visitada em 25 de Maio de 2012.
  14. MADEIRA, Paulo Miguel (17 de Dezembro de 2011). CP encerra linhas do Leste e Beja-Funcheira a 1 de Janeiro Público. Página visitada em 18 de Dezembro de 2011.
  15. CIPRIANO, Carlos (29 de Março de 2013). Refer levanta carris na linha Figueira-Pampilhosa que valem 960 mil euros. Autarcas da zona protestam Público. Página visitada em 18 de Abril de 2013.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

ARROTEIA, Jorge Carvalho. Figueira da Foz: A Cidade e o Mar. Coimbra: Ministério da Administração Interna - Comissão de Coordenação da Região Centro, 1985. 113 pp.

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]