Francisco Louçã

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Francisco Louçã
Francisco Louçã em 2009
Político de  Portugal
Vida
Nascimento 12 de Novembro de 1956 (57 anos)
Dados pessoais
Partido Bloco de Esquerda
Profissão Economista

Francisco Anacleto Louçã (Lisboa, São Sebastião da Pedreira, 12 de Novembro de 1956) é um economista e político português. Foi coordenador do Bloco de Esquerda de 2005 a 11 de novembro de 2012, tendo sido sucedido no cargo por Catarina Martins e João Semedo.

Família[editar | editar código-fonte]

Segundo dos cinco filhos e filhas de António Seixas Louçã, Capitão de Mar e Guerra da Marinha Portuguesa, Veterano da Guerra Colonial e Comendador da Ordem Militar de Avis (19 de Outubro de 1963),[1] e de sua mulher, Noémia da Rocha Neves Anacleto, nascida em 1931, Advogada e Comendador da Ordem do Infante D. Henrique (4 de Março de 1996),[2] neto materno do Advogado antifascista António Neves Anacleto, de S. Bartolomeu de Messines, Silves, irmão de Isabel Maria, António, João Carlos e Jorge Manuel, e primo do Ministro das Finanças Vítor Gaspar.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Estudou no Liceu Padre António Vieira, em Lisboa (Prémio Sagres para os melhores alunos do país), licenciou-se em Economia, no Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa (Prémio Banco de Portugal para o melhor aluno do curso), onde ainda fez o mestrado (Prémio JNICT) e concluiu o doutoramento, em 1996. Em 1999 prestou provas de agregação (tendo obtivo aprovação por unanimidade) e, em 2004, foi nomeado Professor Associado, mediante prova pública. Presidiu à Unidade de Estudos sobre a Complexidade na Economia do ISEG, a que pertence e onde desenvolve a sua investigação académica. É actualmente professor catedrático do departamento de economia do ISEG[3]

Recebeu em 1999 o prémio da History of Economics Association para o melhor artigo publicado em revista científica internacional. É membro da American Association of Economists e de outras associações internacionais, tendo tido posições de direcção em algumas; membro do conselho editorial de revistas científicas em Inglaterra, Brasil e Portugal; “referee” para algumas das principais revistas científicas internacionais (American Economic Review, Economic Journal, Journal of Economic Literature, Cambridge Journal of Economics, Metroeconomica, History of Political Economy, Journal of Evolutionary Economics, etc.). Foi professor visitante na Universidade de Utrecht e apresentou conferências nos EUA, Inglaterra, França, Itália, Grécia, Brasil, Venezuela, Noruega, Alemanha, Suíça, Polónia, Holanda, Dinamarca, Espanha.

Publicou artigos em revistas internacionais de referência em economia e física teórica e é um dos economistas portugueses com mais livros e artigos publicados (traduções em inglês, francês, alemão, italiano, russo, turco, espanhol, japonês).

Publicou em 2007 “The Years of High Econometrics” (Routledge), em 2012, "Histories on Econometrics", com outros autores (Duke University Press), "A Dividatura" e, em 2013, "Isto é um Assalto", ambos com Mariana Mortágua.

Actividades políticas[editar | editar código-fonte]

Participou na luta contra a ditadura e a guerra no movimento estudantil dos anos setenta, foi preso na Capela do Rato (Dezembro de 1972); libertado de Caxias sob caução. Adere à LCI, seção portuguesa da Quarta Internacional, em 1973 (transformada em PSR em 1979) e faz parte da sua estrutura da direcção quando do 25 de Abril de 1974, participando na luta política desde então.

Escreveu ou fez crónicas de rádio em diversos órgãos de comunicação social (O Jornal, Público, TSF, Antena 1, etc.)

Fundador do Bloco de Esquerda em 1999 e membro da sua direção desde essa data. Eleito deputado por Lisboa em 1999, reeleito em 2002, 2005, 2009 e 2011. No Parlamento, pertenceu às comissões da área de economia e finanças e, durante uma legislatura, fez igualmente parte da comissão de liberdades, direitos e garantias.

Foi um dos intervenientes na preparação da reforma fiscal parcial de 2000[carece de fontes?], de que algumas medidas emblemáticas foram logo revogadas pelo governo Guterres [carece de fontes?] e depois pelos governos das direitas[carece de fontes?]. Fez parte de várias comissões de inquérito e dirigiu a bancada do Bloco de Esquerda no parlamento durante alguns anos.

Apresentou e defendeu inúmeros projetos de lei da sua bancada, alguns dos quais foram aprovados nestas três legislaturas: criminalização da violência doméstica[carece de fontes?], acesso livre à contraceção de emergência[carece de fontes?], descriminalização do consumo de drogas e nova política para a toxicodependência[carece de fontes?], legalização das medicinas alternativas[carece de fontes?], lei sobre a informação genética e pessoal de saúde[carece de fontes?], redução dos prazos do trabalho a prazo[carece de fontes?], novas políticas fiscais[carece de fontes?] e outras. Defendeu projetos que foram recusados, nomeadamente sobre a criação de um imposto sobre as grandes fortunas[carece de fontes?], sobre as regras para o levantamento do segredo bancário para efeitos de combate à fraude fiscal[carece de fontes?], generalização da banda larga[carece de fontes?], separação entre drogas leves e duras[carece de fontes?], administração médica de canabinóides em doentes terminais e crónicos[carece de fontes?] e outros.

Participou como convidado no Fórum Social Mundial de Porto Alegre e em diversos fóruns e contra-cimeiras na Europa[4] . Participou nos movimentos sociais contra a guerra imperial, com Mário Soares, Freitas do Amaral, Maria de Lurdes Pintasilgo, Boaventura Sousa Santos, Carvalho da Silva e muitas outras personalidades[5] . Participou em conferências políticas em diversos países, como a França, Inglaterra, Alemanha, Espanha, Suíça, Países Baixos, Bélgica, Brasil, Chile, Uruguai, Paraguai, Nicarágua, Equador, Colômbia e Argentina[carece de fontes?].

Em 2005, tendo sido convidado pelo Banco Mundial para participar com quatro outros economistas, incluindo um Prémio Nobel, numa conferência científica em Pequim, foi desconvidado por pressão direta do governo chinês alegando razões políticas[6] .

Eleições presidenciais de 2006[editar | editar código-fonte]

Candidato votos  %
Aníbal Cavaco Silva 2.746.689
50,6%
Manuel Alegre 1.125.077
20,72%
Mário Soares 778.781
14,34%
Jerónimo de Sousa 466.507
8,59%
Francisco Louçã 288.261
5,31%
Garcia Pereira 23.622
0,44%
Abstenção 3.303.972
37,39%

Carreira[editar | editar código-fonte]

  • Coordenador da Comissão Política do Bloco de Esquerda, desde a IV Convenção do BE, em 2005.
  • Doutoramento e Agregação em Economia, leccionando no Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa.
  • Deputado eleito pelo círculo de Lisboa em 1999, 2002, 2005,2009 e 2011. Deixou o Parlamento, cessando a sua actividade parlamentar, a 25 de Outubro de 2012.

Obras publicadas[editar | editar código-fonte]

Ensaios políticos
  • Ensaio para uma Revolução (1984, Edição CM)
  • Herança Tricolor (1989, Edição Cotovia)
  • A Maldição de Midas – A Cultura do Capitalismo Tardio (1994, Edição Cotovia)
  • A Guerra Infinita, com Jorge Costa (Edições Afrontamento, 2003)
  • A Globalização Armada – As Aventuras de George W. Bush na Babilónia, com Jorge Costa (Edições Afrontamento, 2004)
  • Ensaio Geral – Passado e Futuro do 25 de Abril, co-editor com Fernando Rosas (Edições D. Quixote, 2004)
Livros de Economia
  • Turbulence in Economics (edição Edward Elgar, Inglaterra e EUA, 1997), traduzido como Turbulência na Economia (edição Afrontamento, 1997)
  • The Foundations of Long Wave Theory, com Jan Reinjders, da Universidade de Utrecht (edição Elgar, 1999), dois volumes
  • Perspectives on Complexity in Economics, editor, 1999 (Lisboa: UECE-ISEG)
  • Is Economics an Evolutionary Science?, com Mark Perlman, Universidade de Pittsburgh (edição Elgar, 2000)
  • Coisas da Mecânica Misteriosa– A Dinâmica dos Osciladores na Economia (Afrontamento, 2000)
  • Introdução à Macroeconomia, com João Ferreira do Amaral, G. Caetano, S. Santos, M°C. Ferreira, E. Fontainha (Escolar Editora, 2002). Segunda edição em 2007.
  • As Time Goes By, com Chris Freeman (2001 e 2002, Oxford University Press, Inglaterra e EUA); já traduzido para português (Ciclos e Crises no Capitalismo Global - Das revoluções industriais à revolução da informação, edições Afrontamento, 2004) e chinês (Edições Universitárias de Pequim, 2005).
  • The Years of High Econometrics – A Short History of the Generation that Reinvented Economics, Londres: Routledge, 2007.
  • Robert Solow and the Development of Growth Economics, 2009, Duke University Press, com outros autores.
  • Economia(s), com José Castro Caldas (Edições Afrontamento, 2010).
  • Histories on Econometrics, 2011, Duke University Press, com outros autores.
  • "Portugal Agrilhoado - A Economia Cruel na Era do FMI", 2011, Bertrand.
  • "A Dividadura", 2012, com Mariana Mortágua, Bertrand.
  • "Isto é um Assalto", 2013, com Mariana Mortágua, Bertrand.

Referências

  1. http://www.ordens.presidencia.pt/
  2. http://www.ordens.presidencia.pt/
  3. ISEG - Identificação de docentes: Prof. Doutor Francisco Louçã ISEG. Visitado em 2011-06-12.
  4. "Majestoso discurso de Francisco Louçã em Porto Alegre", Pravda.ru, 28/1/2003 http://port.pravda.ru/news/cplp/portugal/28-01-2003/1042-0/
  5. "Encontro apartidário, mas com o apoio do PS - Aula Magna recebe hoje comício contra a guerra", Público.pt, 1/3/2003 http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/aula-magna-recebe-hoje-comicio-contra-a-guerra-282554
  6. "Perfil de Francisco Louçã: o líder que nunca esteve em cima do muro", por Rita Brandão Guerra, Publico.pt http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/perfil-de-francisco-louca-o-lider-que-nunca-esteve-em-cima-do-muro_1568776?all=1

Ligações externas[editar | editar código-fonte]