Monofisismo
Monofisismo (em grego monos - "um, único" - e physis - "natureza") é a posição cristológica de que Cristo tinha apenas uma natureza, sua humanidade tendo sido absorvido pela divindade. É uma visão contrária à calcedoniana, que afirma que Cristo manteve suas duas naturezas. O monofisismo sempre foi considerado herético pela igreja ocidental e pela maior parte da oriental.
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História [editar]
O monofisismo e sua antítese,527 o nestorianismo (uma forma de diofisismo), foram ambos fartamente discutidos e se tornaram fatores de divisão entre os crentes na tradição cristã ainda em amadurecimento na primeira metade do século V d.C., principalmente durante as tumultuadas últimas décadas do Império romano do ocidente, marcadas pelo deslocamento do poder político para o oriente - principalmente a Síria, o Levante e a Anatólia - onde o monofisismo era muito popular entre as pessoas.
Há duas grandes doutrinas que podem indiscutivelmente serem chamadas de "monofisitas":
- Eutiquianismo afirma que as naturezas humana e divina de Cristo se fundiram em uma única nova singular (mono) natureza: sua natureza humana "dissolveu como uma gota de mel no oceano".
- Apolinarismo afirma que Cristo tinha um corpo humano e um "princípio vivo" humano, mas que o Logos (Cristo) tinha tomado o lugar do nous, ou "princípio pensante", análogo, mas não idêntico, ao que poderia ser chamando de "mente" hoje em dia.
Após o Nestorianismo, ensinado por Nestório, arcebispo de Constantinopla, ter sido rejeitado no Primeiro Concílio de Éfeso, Eutiques, um arquimandrita em Constantinopla, emergiu com uma visão diametralmente oposta. A energia e imprudência com que ele afirmou suas opiniões causaram-lhe acusações de heresia em 448 d.C., levando à sua excomunhão. Em 449 d.C., no controverso Segundo Concílio de Éfeso (o "Concílio de Ladrões"), Eutiques foi reconduzido ao posto e seus principais oponentes, Eusébio de Dorileia, Domno II de Antioquia e o Flaviano de Constantinopla, depostos. O monofisismo e Eutiques foram novamente rejeitados no Concílio de Calcedônia, em 451 d.C.
Posteriormente, o monotelismo se desenvolveu como uma alternativa para encerrar o cisma entre a posição monofisita e a calcedoniana, mas ele também foi rejeitada pelos membros de Calcedônia, apesar de ter tido, por vezes, o apoio do imperador bizantino e tendo escapado a condenação de um Papa de Roma, Honório I.
O miafisismo, a cristologia da Ortodoxia oriental, é considerada pelas igrejas calcedonianas como uma variação do monofisismo. Porém, as próprias igrejas miafisitas entendem de modo diferente e anatemizaram o monofisismo e Eutiques1 2 .
As características do monofisismo são reforçadas na Crônica, obra do bispo egípcio João de Nikiu. João contradiz o dogma estabelecido pelo Concílio de Calcedônia e escreve que a invasão de sua pátria pelos muçulmanos seria um castigo divino a heresia calcedônia que acometia o Império Romano. Na mesma obra, dá sua versão para a morte da filósofa Hipátia, descrita como uma bruxa que exercia influência nefasta sobre o prefeito de Alexandria, Orestes, e cujos feitiços punham em perigo a cidade de Alexandria. Hipátia foi brutalmente assassinada por monges nitrianos ou pelos parabolanos (dependendo das fontes), supostamente incitados pelo bispo Cirilo de Alexandria.
Ver também [editar]
- Diofisismo e o Miafisismo
Referências
Ligações externas [editar]
"Eutychianism" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público.
"Monophysites and Monophysitism" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público. com base a literatura