Monotelismo

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1.       Monotelismo:

Origem: História do Cristianismo – Jonathan Hill.

monotelismo foi a infeliz ideia de Sérgio, patriarca de Constantinopla, no começo do século VII d.C.. Grande amigo do imperador Heráclio e filho de sírios jacobitas, Sérgio estava estremamente interessado em reconciliar calcedônios e monofisistas. Acreditava que o conceito básico dos monofisistas era de que Cristo deveria possuir uma simples “vontade” ou arbítrio, e por isso sustentavam que Cristo tivesse uma única natureza. Mas por que, racionalizava Sérgio, deveria haver um “arbítrio” em cada natureza? Ele, entretanto, afirmava que Cristo tinha tido duas naturezas (de acordo com os calcedônios), mas somente um “arbítrio” em Sua pessoa (que, todos concordavam, ele tinha somente um). Essa ideia provou ser do agrado do imperador Heráclio e, em 638 d.C., ele promulgou o famoso decreto Ekthesis, no qual impôs a Doutrina do Monotelismo – que é “um só arbítrio” – à Igreja. Sérgio morreu alguns meses depois.

O Monotelismo sempre foi controverso. Sérgio pretendia que a doutrina significasse que o humano e o divino em Cristo se juntavam perfeitamente, na medida em que não havia cooperação completa, mas a simples ação de uma só pessoa. Muitos teólogos bizantinos concordavam com ele. Mas muitos outros interpretaram a mensagem como afirmando que Cristo tinha um arbítrio divino que simplesmente anulava sua humanidade. Ou seja, Cristo era uma pessoa divina disfarçada em ser humano: Ele não era, de fato, propriamente humano. Era assim que a maioria das pessoas no Ocidente interpretava a doutrina. Elas não tinham simpatia alguma para com o Monofisismo disfarçado. O papa João IV condenou-o em 641 d.C. – o golpe final em Heráclio, agora mergulhado em profunda depressão por causa das conquistas muçulmanas. Ele morreu imediatamente depois e foi sucedido por Constante II, Pogonatus, que promulgou o decreto chamado Typus que abolia toda a discussão sobre o arbítrio em Cristo e que foi completamente ignorado. Os bispos e os monges continuaram a discutir entre si e, em 649 d.C., o papa Martinho I convocou um concílio, no Palácio de Latrão, que novamente condenou o Monotelismo assim como o fizera o decreto de Typus. As relações entre o Oriente e o Ocidente esfriaram consideravelmente. Seu líder era Máximo, um monge que chegou a ser secretário pessoal de Heráclio. Máximo tinha a convicção de que o Monotelismo era nada mais que a negação da realidade da encarnação, a doutrina central da fé ortodoxa. Porque, ele afirmava, ter um arbítrio é parte da natureza humana. Portanto, Cristo deveria ter tido um arbítrio humano e um arbítrio divino, distintos um do outro, mas agindo em perfeita harmonia.

Em 653 d.C., Constante II, cansado de ser escarnecido pelo seu mais novo monge e também pelo bispo romano, prendeu-os e os trouxe a Constantinopla. O papa Martinho I e Máximo foram encarcerados e torturados. Martinho I foi exilado para Cherson, onde, doente e enfraquecido pela falta de comiga, morreu logo depois. Máximo foi exilado para Bizya, mas sobreviveu e continuou a pregar contra o Monotelismo. Por isso, foi trazido de volta à Constantinopla, em 662 d.c., e novamente julgado. Nesse julgamento a sentença foi mais dura: sua língua foi cortada e sua mão direita decepada para evitar que levasse adiante suas ideias, tanto pelo discurso como pela escrita. Máximo foi exposto pela cidade de maneira que todos pudessem ver o que havia sido feito com ele e, então, foi exilado para Lazica, onde morreu algum tempo depois.

Entretanto, o apoio ao Monotelismo se extinguia. A intransigente oposição de Roma à doutrina era uma razão; a outra era o fato de que nos últimos anos a maioria dos monofisistas estava sob o domínio muçulmano, portanto, havia menos motivo para tentar atraí-los de volta. A política conseguiu reconciliar alguns monofisistas, mas a maioria deles tinha tanto ódio pela Calcedônia que nada conseguiria persuadi-los a voltar atrás. Em 668 d.C., Constante II foi assassinado em seu banho, removendo-se o obstáculo final para a reversão política. Em 680 d.C., o imperador Constantino IV, Pogonatus, convocou o Terceiro Concílio de Constantinopla, condenando o Monotelismo e endossando a tese de Máximo de que Cristo tinha dois arbítrios, um humano e um divino, agindo em perfeito acordo. O concílio viria a ser conhecido como o Sexto Concílio Ecumênico, e o próprio Máximo lembrado como confessor – um degrau abaixo de mártir.

Estava estabelecida a controvérsia iconoclasta. Da mesma forma que a controvérsia Monotelista provou ser trágica e fragmentadora em suas consequências, transformando-se na maior insurgência do Império Bizatino. Na aparência as teses iconoclastas eram bastante diferentes das nonotelistas, porém, na essência, tratavam do mesmo tema.[1]

[1] Fonte: HILL, Jonathan. História do Cristianismo. São Paulo: Edições Rosari, 2008, pgs. 138-140.

2.       Monotelismo:

O monotelismo foi uma heresia surgida no Cristianismo. Opôs-se ao nestorianismo (que afirmava haver em Jesus Cristo duas pessoas, a divina e a humana, o que foi condenado pelo Concílio de Éfeso, em 431).

Eutiques, arquimandrita de um mosteiro de Constantinopla, defendeu que, havendo uma só pessoa em Jesus Cristo, também devia haver uma só natureza, admitindo que a humana fora absorvida pela divina. A discussão foi turbulenta e a questão só foi definitivamente resolvida no Concílio de Calcedónia, em 451, que definiu haver em Jesus Cristo duas naturezas, a divina e a humana, subsistindo na única pessoa divina do Verbo encarnado. Esta definição não convenceu diversas comunidades, que continuaram a aderir ao monotelismo, algumas até hoje.

Tempos depois, o patriarca Sérgio I de Constantinopla, com a intenção de congraçar os monofisitas, proclamou que em Jesus Cristo, embora havendo duas naturezas, só havia uma vontade, pela identificação perfeita da vontade humana com a vontade divina, o que ficou conhecido na história das heresias por monotelismo. A questão ficou esclarecida no Terceiro Concílio de Constantinopla, em 681.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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