Adocionismo

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O Batismo de Jesus, momento no qual, segundo os adocionistas, Jesus se tornou o Filho de Deus.
Detalhe da obra de Perugino, na Capela Sistina, no Vaticano.

Adocionismo (AO 1945: adopcionismo), algumas vezes chamado de monarquianismo dinâmico, era a visão teológica do cristianismo primitivo, que professava a Jesus como Messias, mas afirmavam que ele era absolutamente humano, tornando-se posteriormente divino por ocasião de sua ressurreição, ponto em que foi adotado como filho de Deus.

Salmo da unção do Rei:

Eu, porém, ungi o meu Rei sobre Sião, minha montanha sagrada. Publicarei o decreto do Senhor. Ele me disse: Tu és o meu Filho, hoje te gerei. (Salmos 2:6-7)

Em Atos 13:33, Pedro disse que Deus ressuscitou a Jesus Cristo em cumprimento do Salmo 2,7.

Nós vos anunciamos o Evangelho da promessa feita a nossos pais, a qual Deus a cumpriu plenamente a nós, seus filhos, ressuscitando a Jesus, como também está escrito nos Salmos: Tu és o meu Filho, hoje te gerei. (Atos 13:33)

E Paulo também sugere que a ressurreição de Jesus marca o início de sua constituição como Filho de Deus.

Acerca de seu Filho (que nasceu da descendência de Davi segundo a carne e foi constituído Filho de Deus com poder, segundo o espírito de santificação, por meio da ressurreição dos mortos), Jesus Cristo, nosso Senhor. (Romanos 1:3-4)

Descrição[editar | editar código-fonte]

Esta é uma das duas manifestações do monarquianismo; a outra é o modalismo, que trata o "Pai" e o "Filho" como dois modos de uma mesma divindade. O adocionismo entende que Cristo, como Deus, foi feito Filho de Deus pela geração e pela natureza, mas Cristo, como homem, é o Filho de Deus apenas pela adoção e graça, dispensada no momento de seu batismo.

O adocionismo é próprio do pensamento cristão primitivo. Havia, ao menos, duas concepções mais ou menos semelhantes (não necessariamente opostas) as quais devem emanar do seguinte:

  • No pensamento judeu, o Messias é um ser humano eleito por Deus para levar adiante sua obra: tomar os hebreus (um povo até então derrotado várias vezes por inimigos poderosos) e elevá-los por sobre todas as nações em uma espetacular inversão da história. Neste sentido, o Messias não é um Filho de Deus.
  • Na tradição grega existiam heróis elevados à condição divina depois de extraordinárias proezas ou façanhas, por meio da apoteose. O mais importante exemplo disto é Heracles, que depois de ser queimado vivo, é tomado por seu pai, Zeus, para governar ao seu lado. Devido ao predomínio do Império Romano, cuja orientação cultural era predominantemente grega na época dos primeiros cristão, é altamente provável que este exemplo estivera ao seu alcance.

Ao mesmo tempo, o adocionismo era psicologicamente interessante para os mesmos cristãos, já que estes eram uma comunidade pobre e atrasada, sendo fácil identificar-se com um herói como Jesus, ser humano qualquer que é eleito ("adotado") por Deus, e que dava esperanças de salvação aos próprios cristãos, tão humildes diante de Deus quanto seu herói máximo.

Um dos adocionistas mais famosos foi Teódoto, natural de Bizâncio, e que levou esta doutrina a Roma no ano de 190. Também durante o século II, Paulo de Samósata e os seguidores do monarquianismo expressaram visões semelhantes. A crença foi declarada herética pelo Papa Vítor I.

Hispanicus error[editar | editar código-fonte]

Uma segunda onda do adocionismo, chamada Hispanicus error, no final do século VIII, foi sustentada pelo Califato de Córdova e por Félix, bispo de Urgel, nas planícies dos Pirineus. Alcuin, líder intelectual da corte de Carlos Magno foi chamado a refutar ambos os bispos. Contra Félix, ele escreveu:

Como o nestorianismo impiedosamente dividiu Cristo em duas pessoas por causa das duas naturezas, o vosso desconhecimento temerariamente dividiu-O em dois filhos, um natural e um adotivo.

O monge espanhol Beato de Liébana, junto o bispo de Osma, Etério, combateram o adocionismo, fortemente defendido por Elipando. O credo foi condenado pelo Segundo Concílio Ecumênico, em Niceia (em 787). Nos anos 794 e 799, os papas Adriano I e Leão III, condenaram o adocionismo como heresia nos sínodos de Frankfurt e Roma, respectivamente.

Neo-adocionismo[editar | editar código-fonte]

Uma terceira onda se deu com o "Neo-adocionismo" de Pedro Abelardo, no século XII. Posteriormente, vários modificaram as teses adocionistas no século XIV. Duns Scotus (1300) e Durandus de Saint-Pourçain (1320) admitiram o termo Filius adoptivus, num sentido qualificado. Em mais recentes tempos, o Jesuíta Vasquez e os luteranos G. Calixtus e Walch, defenderam os adocionistas como essencialmente ortodoxos.

Psilantropismo[editar | editar código-fonte]

Psilantropismo foi um termo utilizado na cristologia do século XIX e que se sobrepõe ao conceito anterior do adocionismo, acreditando que Jesus era meramente humano e filho de José[1] .

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Coleridge "I was a psilanthropist, one of those who believe our Lord to have been the real son of Joseph." 1817 Biog. Lit. i 168, in Cyclopædia of Biblical, theological, and ecclesiastical literature, Volume 2 By John McClintock, James Strong 1894 p404

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Philip Schaff History of the Christian Church, Volume IV, 1882