Francisco de Sales

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de São Francisco de Sales)
Ir para: navegação, pesquisa
São Francisco de Sales
C.O., T.O.M., O.F.M.Cap.
São Francisco de Sales com Santa Joana Francisca de Chantal.
Bispo de Genebra; Confessor; Doutor da Igreja
Nascimento 21 de agosto de 1567 em Château de Sales, Ducado de Saboia
Morte 28 de dezembro de 1622 (55 anos) em Lyon, Reino da França
Veneração por Igreja Católica
Comunhão Anglicana
Beatificação 8 de janeiro de 1661, Roma por Papa Alexandre VII
Canonização 8 de abril de 1665, Roma por Papa Alexandre VII
Principal templo Annecy, França
Festa litúrgica 24 de janeiro
29 de janeiro (vetero-católicos)
Atribuições Sagrado Coração de Jesus, coroa de espinhos
Padroeiro Imprensa católica; confessores; surdos; educadores; escritores; jornalistas; salesianos
Gloriole.svg Portal dos Santos

Francisco de Sales, C.O., T.O.M., O.F.M.Cap. (em francês: François de Sales) foi um bispo de Genebra do século XVII honrado como santo e Doutor da Igreja pelos católicos. Ficou famoso por sua profunda fé e por sua abordagem gentil aos conflitos religiosos que inflamaram sua diocese durante a Reforma Protestante. Escreveu também muitas obras sobre direção e formação espiritual, particularmente a "Introdução à Vida Devota" e ao "Tratado do Amor de Deus".

Vida[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Francisco de Sales nasceu em 21 de agosto de 1567 em Château de Sales na nobre família dos Sales do Ducado de Saboia, território onde hoje está Thorens-Glières, na Haute-Savoie, na França. Seu pai era François de Sales, senhor de Boisy, em Sales, e Novel. Sua mãe era Françoise de Sionnaz[1] , filha única de um proeminente magistrado de linhagem nobre. O pai de Francisco queria que ele, o primogênito de seis filhos, estudasse nas melhores escolas para prepará-lo para a magistratura. Por isso, Francisco teve uma educação diferenciada nas cidades vizinhas de La Roche-sur-Foron e Annecy[1] .

Educação e conversão[editar | editar código-fonte]

Em 1583, Francisco entrou para o Collège de Clermont (rebatizado depois Lycée Louis-le-Grand) em Paris, uma instituição jesuíta, para estudar retórica e humanidades. No ano seguinte, esteve presente numa discussão teológica sobre predestinação e se convenceu que estava condenado ao inferno, o que o colocou numa profunda crise de desespero da qual só saiu em dezembro de 1586. Durante este período, ficou tão doente a ponto de passar um tempo na cama sem poder se levantar. No mês seguinte, em janeiro de 1587, com grande dificuldade, Francisco visitou a antiga paróquia de Saint-Étienne-des-Grès, em Paris, onde se ajoelhou em oração perante uma famosa estátua de Nossa Senhora do Livramento (em francês: Notre Dame de Bonne Délivrance), uma "Virgem Negra", consagrou-se à Virgem Maria e decidiu dedicar sua vida a Deus através de um voto de castidade. Em seguida, tornou-se um terceiro da Ordem dos Mínimos[2] .

Em 1588, Sales completou seus estudos em Clermont e matriculou-se na Universidade de Pádua, na Itália, onde estudou direito e teologia. Seu diretor espiritual era Antonio Possevino, um sacerdote da Companhia de Jesus[1] , que o ajudou em sua decisão de também ser ordenado padre.

Volta para o Ducado de Saboia[editar | editar código-fonte]

Em 1592, Sales recebeu seu doutorado em direito e teologia de Guido Panciroli. Depois de peregrinar para Loreto, na Itália, famosa por seu Santuário da Santa Casa, voltou para Saboia e foi contratado como advogado pelo senado de Chambéry. Enquanto isso, seu pai assegurou-lhe várias posições, inclusive um cargo de senador, e também uma rica herdeira de linhagem nobre para ser sua noiva. Porém, Francisco recusou todos os planos, preferindo manter-se fiel ao caminho que havia escolhido. Seu pai inicialmente se recusou a acreditar ou aceitar que Francisco havia escolhido o sacerdócio ao invés de realizar suas próprias ambições através de uma carreira político-militar[3] .

Claude de Granier, que era na época bispo de Genebra, interveio e fez os arranjos para sua ordenação em 1593. Imediatamente, Francisco recebeu a tão esperada nomeação para ser o prepósito do capítulo catedrático de Genebra, a mais alta posição oficial na diocese.

Padre e prepósito[editar | editar código-fonte]

Na nova função, Francisco se envolveu ativamente nas campanhas de evangelização entre os protestantes de Saboia, conseguindo que muitos retornassem à fé católica[3] . Neste período, sobreviveu à diversas tentativas de assassinato[4] . Ele viajou para Roma e Paris para forjar alianças com o papa Clemente VIII e o rei Henrique IV da França. Depois de ser nomeado bispo coadjutor de Genebra, alistou-se na Arquiconfraria da Corda de São Francisco.

Bispo de Genebra[editar | editar código-fonte]

Em 1602, o bispo Granier morreu e Sales foi consagrado em seu lugar, mesmo morando em Annecy (atualmente na Frahnça), pois Genebra estava sob controle calvinista e, portanto, inacessível para ele. Sua diocese ficou famosa por toda a Europa por causa de sua organização eficiente, do clero zeloso e dos leigos muito bem educados, todas conquistas monumentais para a época[5] .

Francisco atuou ainda de forma muito próxima da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, que era muito ativa na pregação da fé católica em sua diocese. Eles apreciaram tanto a cooperação que, em 1617, fizeram dele um oficial associado da ordem, a mais alta honraria possível para alguém que não era membro. Diz-se que, em Évian, na margem sul do Lago Genebra, São Francisco de Assis, apareceu para ele e disse: "Desejas o martírio como eu também o quis. Mas, como eu, não o terás. Terás que te tornar um instrumento de teu próprio martírio"[4] .

Durante seus anos como bispo, Sales ganhou fama como um pregador que provocava fascínio e também algo asceta. Ele era igualmente conhecido como amigo dos pobres e uma pessoa de afabilidade e compreensão sobrenaturais.

Escritor místico[editar | editar código-fonte]

Estas últimas qualidades transpareceram principalmente nas obras de Francisco, a mais famosa delas a "Introdução à Vida Devota", que - algo raro na época - foi escrita especialmente para os leigos. Nela, ele recomendava a caridade acima da penitência como forma de progressão na vida espiritual. Sales também escreveu uma obra mística, o "Tratado do Amor Divino"[6] e diversas outras valiosas cartas sobre a direção espiritual. Ele era famoso por sua clareza e estilo em francês, italiano e latim.

Suas obras sobre a perfeição do amor de Maria como modelo de amor a Deus influenciou Jean Eudes a desenvolver a devoção aos Corações de Jesus e Maria[7] .

Fundador[editar | editar código-fonte]

São Francisco de Sales oferecendo seu coração à Virgem Maria com Santa Joana Francisca de Chantal.
Atualmente na Catedral de Saint-Siffrein, em Carpentras, no distrito de Vaucluse, França.

Juntamente com Santa Joana Francisca de Chantal, Sales fundou a Ordem da Visitação de Santa Maria ("Visitandines") em Annecy em 6 de junho de 1610. Apesar de sua amizade com Denis-Simon de Marquemont, o arcebispo ainda assim restringiu as liberdades da nova ordem de Sales em 1616 ao comandar que seus membros vivessem enclausurados[8] .

Francisco de Sales também fundou uma pequena comunidade masculina, o Oratório de São Filipe Néri, em Thonon-les-Bains, com ele próprio como superior ou prepósito. Contudo, esta foi duramente aleijada por sua morte e logo desapareceu[9] .

Morte e veneração[editar | editar código-fonte]

Em dezembro de 1622, Sales teve que viajar com a corte de Carlos Emanuel I, o duque de Saboia, acompanhando o tour de Natal através de seus domínios. Ao chegar em Lyon, Francisco escolheu se hospedar na choupana do jardineiro do mosteiro visitandino da cidade. Ali sofreu um derrame que acabou provocando-lhe a morte em 28 de dezembro de 1622[6] .

Apesar da resistência da população de Lyon, o corpo de Sales foi levado para Annecy, onde foi enterrado no dia 24 de janeiro de 1623 na igreja do Mosteiro da Visitação, que ele havia fundado com Chantal, que também estava enterrada ali. Os restos dos dois eram venerados ali até a Revolução Francesa[10] , quando foram desenterrados e destruídos.

Contudo, o coração de Francisco de Sales permaneceu em Lyon para apaziguar o clamor popular, mas acabou sendo levado para Veneza durante a Revolução Francesa e lá permanece objeto de veneração até hoje.

Francisco foi beatificado em 1661 pelo papa Alexandre VII, que também o canonizou quatro anos depois. Ele foi declarado Doutor da Igreja pelo papa Pio IX em 1877[11] .

A Igreja Católica Romana celebra atualmente a festa de São Francisco de Sales em 24 de janeiro, o dia de seu enterro em Annecy em 1624[12] . De 1666, quando sua festa foi incluída no Calendário Geral Romano, até a reforma em 1969, depois do Concílio Vaticano II, ela foi observada no dia 29 de janeiro, uma data que ainda é observada pelos vetero-católicos.

São Francisco de Sales é chamado de "o Santo Cavalheiro" por sua paciência e gentileza[4] .

Patronato[editar | editar código-fonte]

Em 1923, Pio XI o proclamou patrono dos escritores e jornalistas, pois Francisco de Sales fez amplo uso de folhetos e livros para apoiá-lo na direção espiritual e nos seus esforços para converter os calvinistas de sua diocese[3] . São Francisco também desenvolveu uma linguagem de sinais para conseguir ensinar a doutrina católica aos surdos e, por isso, é também considerado seu patrono[6] .

Tendo sido fundada como o primeiro grupo de freiras não enclausuradas depois da tentativa fracassada de Francisco de Sales com sua Ordem da Visitação, as Irmãs de São José (ordem fundada em Le Puys, França, em 1650) o considera como um de seus patronos.

Legado[editar | editar código-fonte]

No século XIX, a visão de Francisco de Sales sobre as comunidades religiosas passou por um renascimento. Diversas instituições foram fundadas no período, tanto para homens quanto para mulheres que quisessem seguir o caminho espiritual proposoo por ele:

São Francisco de Sales é reconhecido como "exemplar" pela Igreja da Inglaterra, na qual sua memoria é observada em 24 de janeiro, e na Igreja do País de Gales, na qual seu memorial foi mudado para 23 de janeiro para não coincidir com o de São Cadoc.

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Francisco de Sales

Obras[editar | editar código-fonte]