Bernardo de Claraval

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São Bernardo de Claraval, O.Cist
São Bernardo de Claraval, representado em A Short History of Monks and Monasteries de Alfred Wesley Wishart, 1900
Abade de Claraval e
Doutor da Igreja (Doctor Mellifluus)
Nascimento 1090 em Castelo de Fontaine-lès-Dijon, Borgonha
Morte 20 de agosto de 1153
Canonização 18 de junho de 1174 por Papa Alexandre III
Festa litúrgica 20 de Agosto
Gloriole.svg Portal dos Santos

São Bernardo de Claraval O.Cist, ou de Fontaine, foi um abade de Claraval, santo e Doutor da Igreja. Nascido em 1090 em Fontaine-lès-Dijon, falecido em 20 de Agosto de 1153 na Abadia de Claraval.[1]

Foi um monge cisterciense e grande propagador da Ordem e defensor da Igreja. Uma das personalidades mais influentes do século XII.

Foi ele quem escreveu a regra dos Templários e outras obras como o Tratado do Amor de Deus e o Comentário ao Cântico dos Cânticos. É também o compositor ou redactor do hino Ave Maris Stella. Também é sua a invocação: " Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria" da salve-rainha.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

São Bernardo num manuscrito iluminado do século XIII dC.

Nascido numa grande família nobre da Borgonha, no castelo de Fontaine-lès-Dijon, Bernardo foi o terceiro de sete filhos de Tescelin o Vermelho (Tescelin Sorrel) e de Aleth de Montbard.

Com a idade de nove anos, é enviado para a Escola Canônica de Châtillon-sur-Seine, onde mostra um gosto particular pela literatura.

Em 1112, decide entrar na Abadia de Cister, fundada em 1098 por São Roberto de Molesme, e na qual Santo Estevão Harding havia acabado de ser eleito Abade. Convence vários amigos, irmãos e parentes a ingressarem com ele na vida monástica e chega assim com outros 30 candidatos para entrar na Abadia.

Em 1115, Estevão Harding envia o jovem à frente de um grupo de monges para fundar uma nova casa cisterciense no vale de Langres, em Ville-sous-la-Ferté. A fundação é chamada "Vale Claro", ou Clairvaux – Claraval. Bernardo é nomeado abade desta nova abadia, e confirmado por Guilherme de Champeux, bispo de Châlons e célebre teólogo.

Os primórdios de Claraval são difíceis: a disciplina imposta por São Bernardo é bastante severa. Bernardo busca formação na Bíblia e nos Padres da Igreja. Ele tem uma predileção quase exclusiva pelo Cântico dos Cânticos e por Santo Agostinho. O livro e o autor correspondem às tendências da época.

Muitas pessoas afluem à nova abadia e Bernardo acaba de converter toda sua família: seu pai, Tescelin, e seus cinco irmãos tornam-se monges em Claraval. Sua irmã, Umbelina, toma igualmente o hábito no priorado de Jully-les-Nonnains.

A partir de 1118, novas casas são fundadas (a exemplo da Abadia Nossa Senhora de Fontenay, para evitar a superlotação de Claraval.

Em 1119, Bernardo faz parte do Capítulo Geral dos Cistercienses convocado por Estevão Harding, que dá sua forma definitiva à Ordem. A Carta da Caridade, que é então redigida, é confirmada pouco depois pelo papa Calisto II.

É nesta época que Bernardo escreve suas primeiras obras, tratados e homilias e, sobretudo, uma Apologia, escrita a pedido de Guilherme de Saint-Thierry, que defende os beneditinos brancos (os cistercienses segundo a cor de seu hábito) contra os beneditinos negros (cluniacenses). Pedro, o Venerável, abade de Cluny, lhe responde amigavelmente, e apesar de suas diferenças ideológicas, os dois homens tornam-se amigos.

Envia igualmente numerosas cartas para incentivar à reforma o resto do clero, em particular os bispos. Sua carta ao arcebispo de Sens, Henrique de Boisrogues chamada mais tarde de De Officiis Episcoporum (Da conduta dos Bispos) é reveladora do importante papel dos monges no século XII, e das tensões entre o clero regular e secular.

Em 1128, Bernardo participa do concílio de Troyes, convocado pelo papa Honório II e presidido por Matthieu d’Albano, legado do papa. Bernardo é nomeado secretário do concílio, mas ao mesmo tempo é contestado por uma parte do clero, que pensa que, por ser monge, se intrometia em coisas que não são lhe concerniam. Ele termina por se desculpar, mas o concílio é fortemente influenciado por sua atuação. É durante este concílio que Bernardo consegue o reconhecimento para a Ordem do Templo, os Templários, cujos estatutos são delineados por ele mesmo.

Torna-se uma personalidade importante e respeitada na Cristandade; ele intervém em assuntos públicos, defende os direitos da Igreja contra os príncipes seculares e aconselha papas e reis.

Em 1130, depois da morte de Honório II, durante o cisma de Anacleto II, é a sua voz que faz com que Inocêncio II seja aceito.

Em 1132, ele consegue do papa a independência de Claraval em relação a Cluny.

Nesse período de desenvolvimento das escolas urbanas, no qual os novos problemas são discutidos na forma de questões (quaestio), de argumentação e busca de uma conclusão (disputatio), São Bernardo é defensor de uma linha tradicionalista. Ele combate as posições de Abelardo, e as faz ser condenadas no concílio de Sens em 1140.

Em 1145, Claraval dá um papa à Igreja, Eugênio III. Quando o reino de Jerusalém é ameaçado, Eugênio III, ele mesmo um cisterciense, pede a Bernardo que pregue a segunda cruzada em Vézelay em 31 de março de 1146 e mais tarde em Spira. Ele o faz com tanto sucesso que o rei de França Luís VII o Jovem e o imperador do Sacro Império Conrado III tomam eles mesmos a cruz.

No concílio de Reims, em 1148, ele faz uma acusação de heresia contra Gilbert de la Porreé, bispo de Poitiers. Não obtém grande sucesso e seu adversário conserva sua posição e prestígio. Cheio de zelo pela Ortodoxia, combate também as teses de Pierre de Bruys, de Arnaldo de Bréscia, e condena os excessos de Raul, um antigo monge de Claraval, que exige o massacre dos Judeus.

Neste mesmo ano, ele prega a cruzada em Hainaut e permanece em Mons, a capital dos condes de Hainaut.

São Bernardo fundou 72 mosteiros, espalhados por toda Europa: 35 na França, 14 na Espanha, 10 na Inglaterra e Irlanda, 6 em Flandres, 4 na Itália, 4 na Dinamarca, 2 na Suécia e 1 na Hungria, além de muitos outros que se filiaram à Ordem.

Em 1151, dois anos antes de sua morte, existem 500 abadias cistercienses. Havia 700 monges ligados a Claraval.

Bernardo morre em 1153 com 63 anos.

Foi canonizado em 18 de junho de 1174 por Alexandre III e declarado Doutor da Igreja por Pio VIII em 1830. É comemorado no dia 20 de agosto.

Histórias e milagres[editar | editar código-fonte]

Inúmeros milagres são atribuídos a São Bernardo em suas viagens.

Diz-se que inúmeras pessoas iam até ele buscando curas e ele as atendia. Conta-se que após o fracasso da Segunda Cruzada, muitos culparam Bernardo e ele, desconsolado, foi chorar aos pés de uma imagem do Crucificado. Então a imagem de Cristo desprendeu-se da Cruz e abraçou-o para consolá-lo.

Outra história popular é que São Bernardo sempre saudava a Virgem Maria quando via uma imagem sua: "Ave Maria". Certa vez, andando por um mosteiro, ao fazer a costumeira saudação, a imagem lhe respondeu: "Ave Bernardo".

Também se diz que, uma vez, escrevia uma carta importante ao ar livre, e começou a chover. Bernardo abaixou a cabeça e fez uma breve prece, e então, somente no lugar onde estava, a chuva parou.

São Bernardo e Portugal[editar | editar código-fonte]

Lendas há que associam São Bernardo e Portugal.

Diz-se, por exemplo, que o próprio Bernardo teria vindo a Portugal, por altura da introdução da Ordem Cisterciense no país (Mosteiro de São João de Tarouca, em 1142), e até que teria estado na abadia de Alcobaça, um dos maiores coutos cistercienses de toda a Europa (o que evidentemente era impossível, já que a abadia alcobacense foi sagrada no ano da morte de Bernardo).

Estudos recentes dão como certo que São Bernardo esteja associado à independência de Portugal. Parece ter sido por sua mediação (ou pelo menos, por mediação da sua abadia) que o Papa enviou um legado à Península Ibérica, o qual reconheceu, senão a independência nacional, pelo menos o título de dux a Afonso Henriques e a submissão do novo país à Santa Sé, pelo pagamento de quatro onças de ouro anuais.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Ver também[editar | editar código-fonte]