Catarismo

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Expulsão dos Cátaros de Carcassonne, em 1209.
Expulsão dos Cátaros de Carcassonne, em 1209.

O catarismo (do grego καϑαρός [katharós], "puro") foi uma seita cristã da Idade Média surgida no Languedoc, no sudoeste da França ao final do século XI, apresentada por alguns como um sincretismo cristão, gnóstico e maniqueísta, manifestado num extremo ascetismo.

Índice

[editar] Catarismo vs. Catolicismo Romano

A doutrina cátara diferenciava-se da doutrina romana em alguns dos principais "pilares" da doutrina católica. Para eles, o livro sagrado era a Bíblia, em particular o Novo Testamento, mas segundo sua crença, Jesus não era filho de Deus, mas apenas um profeta importante. Eles também recusavam-se à hóstia sagrada (apenas repartiam o pão em suas cerimônias)e não admitiam distinção entre sexos, permitindo inclusive que mulheres celebrassem ritos religiosos. Muito menos reconheciam a autoridade Papal ou dos bispos, dividindo os seguidores da religião em três níveis: Perfeitos, Crentes e Ouvintes. Os Perfeitos ou "bons homens" praticavam o celibato e passavam os dias em orações e jejuns. Eram excelentes oradores. Os Crentes praticavam a virtude e a humildade, mas não eram obrigados a abstinências. Os Ouvintes eram simpatizantes da religião, acompanhando as palestras dos Perfeitos.

[editar] A criação do mundo

Os cátaros acreditavam que o mundo não havia sido criado diretamente por Deus, mas que era uma materialização do Mal e que, portanto, os que aqui viviam estavam destinados à expiação até que, após uma vida destinada ao bem, voltassem ao Paraíso perdido. Enquanto não conseguissem isso teriam que reencarnar em sucessivas vidas na Terra.

[editar] A salvação é uma responsabilidade individual

Outra diferença fundamental da então doutrina romana era que os cátaros acreditavam na salvação pela ação pessoal, e que cada indivíduo era responsável por sua própria salvação através de seus atos. Isso implicava a salvação irrestrita (todos teriam direito à salvação, tudo dependia de suas ações), e na crença de que a relação Deus-homem não necessitava de intermediários; todos os homens teriam o direito e a capacidade de vivenciar a experiência do êxtase espiritual, o que, na doutrina romana era intermediado pelos ritos e sacerdotes da igreja.

Algumas idéias do catarismo reapareceriam mais tarde em diversos momentos, como no Movimento da Reforma Protestante e naquelas doutrinas que visam resgatar o cristianismo primitivo, como o Gnosticismo e a Doutrina Espírita.

[editar] Os cátaros e o Santo Graal

Rezam as lendas que o Santo Graal (supostamente, o cálice onde Jesus teria bebido vinho na Santa ceia) teria sido possuído pelos cátaros. Porém, os templários, cavaleiros cruzados encarregados pela Igreja Medieval de resgatar o Santo Graal teriam capturado os cátaros. Mesmo sendo o objetivo central dos templários resgatar o cálice de Jesus, o maior objetivo de todos os cruzados era impor o Catolicismo aos outros povos (por meio bastante violento). Então, os templários submeteram o cristianismo católico aos cátaros, que recusaram-se a abandonar sua fé. Quase todos foram queimados vivos, mas os poucos que sobreviveram levaram o Santo Graal consigo na sua fuga.

A heresia cátara - ou Albigense, da localidade de Albi - provocou a Cruzada albigense, onde vários que eram considerados "Hereges Medievais", e habitavam as cidades e seus arredores, sofreram agressões e mortes violentas no século XIII. Toda a região de Rennes-le-Château carrega o estigma dos resíduos dessa história de amargura e sangue até hoje.

Bérenger Saunière, um sacerdote de Rennes-le-Château, se viu envolvido nessa história de sua terra natal, e entrou em contato com as tradições cátaras, ouviu sobre as lendas do cálice sagrado, e encontrou muitos pergaminhos que remetiam a essa seita, e assim as investigações sobre os mitos e a verdadeira história tiveram início.

A Cruzada Albigense durou cerca de 40 anos, comandada pelo Papa Inocêncio III, e seus enviados estampavam a cruz em suas túnicas e tinham como meta e recompensas a absolvição de todos os pecados, remissão das penas, um lugar à salvo no céu e, como recompensa material, o produto de todos os saques.

Os cátaros eram dualistas, acreditavam no conflito, portanto, entre o bem e o mal, o espírito e a carne, o superior e o inferior. Para eles, toda a Criação estava imersa em uma guerra eterna entre os dois princípios irreconciliáveis: A luz - ou seja, o espírito - e a escuridão, ou matéria; sendo os primeiros obra e origem Divina do Bem, e o segundo obra e criação do Mal.

Dois deuses: um sendo o Princípio, o Puro Espírito, a Energia livre das manchas da matéria. O Deus do Amor, considerado incompatível com o poder. Sendo a carne uma manifestação do poder, toda criação material portanto seria obra do segundo deus, um deus usurpador, mau em seu interior, chamado pelos cátaros de Deus do Mundo.

[editar] Bibliografia

  • O Santo Graal e a Linhagem Sagrada, por Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln. 1982. Título original: Holy Blood, Holy Grail.

[editar] Ver também

[editar] Ligações externas

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