Demónio

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"O Triunfo do Gênio da Destruição", de Mihály Zichy

Demónio (português europeu) ou demônio (português brasileiro) é, segundo o Cristianismo, um anjo que se rebelou contra Deus e que passou a lutar pela perdição da humanidade.[1] Na antiguidade, contudo, o termo tinha outra conotação, referia-se a um gênio que inspirava os indivíduos tanto para o bem quanto para o mal.[2] [3]

Nos contextos judaico e islâmico, a ideia é diversa, até porque não se trata de um ente opositor ao Criador, mas de algumas criaturas a Ele subalterna. Na cércea do primeiro contexto, refere-se a um ser imperfeito que foi formado no sexto dia da Criação.[4] Para o segundo, os demônios, ou jiin, são seres que coexistem com os seres humanos, dotados de livre-arbítrio, que são chefiados por Iblis.[5]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O termo «demônio» vem do grego δαιμόν (daimon), através do termo latino daemonium.[2]

Cristianismo[editar | editar código-fonte]

"A Tentação de Santo Antônio", de Martin Schöngauer, retrata Santo Antônio cercado por demônios

Na maioria das religiões cristãs, os demônios, ou espíritos imundos, são anjos caídos que foram expulsos do terceiro céu (a presença de Deus), conforme diz em (Apocalipse 12:7-9). O chefe dos demônios, Lúcifer, era um querubim da guarda ungido (Ezequiel 28 & Isaías 14:13-14), que ao desejar ser igual a Deus, foi expulso do Paraíso.[6]

Porém, quando foi expulso do Céu, a Bíblia nos relata que Lúcifer (conhecido, depois da expulsão, como diabo e satanás, também referido em Apocalipse como dragão ou antiga serpente, fazendo uma referência ao Livro do Gênese) trouxe consigo um terço dos anjos de Deus (Apocalipse 12:4). Não encontra-se na Bíblia cristã qualquer referência ao quantitativo de anjos que acompanharam Lúcifer, mas o livro do Apocalipse diz que o número de anjos a serviço do Criador são "milhares de milhares e milhões de milhares" (Apocalipse 5:11), o que nos fornece uma breve ideia de que muitos anjos estão a serviço do querubim caído, o Satanás, ou Adversário.[6]

Devido a vários motivos ou simplesmente por submissão religiosa a Satanás os demônios podem possuir alguém, assumindo inclusive o senhorio sobre o corpo desta pessoa, manipulando suas atitudes e palavras e influenciando fortemente os seus pensamentos. Para os cristãos, o único meio eficaz, utilizado pelos apóstolos, para falir a autoridade de um ou mais demônios sobre uma ou mais pessoas é o nome de Jesus Cristo, Filho de Deus, que segundo a crença cristã é o Nome sobre todo nome, inclusive dos demônios.[7]

Cristadelfianos[editar | editar código-fonte]

Para os Cristadelfianos, os demônios na Bíblia são os deuses dos pagãos, isto é, dos não cristãos. Segundo os Cristadelfianos, os antigos gregos acreditavam que os espíritos podiam possuir pessoas e que eram os espíritos dos falecidos que tinham subido ao nível de demônios (semideuses que traziam o bem ou o mal à humanidade). Quando alguém não entendia a causa de uma enfermidade, por não haver causa aparente ou por ser uma doença do foro psicológico, eram atribuídas a demônios. Os Cristadelfianos também não acreditam que os anjos possam pecar.[8]

Judaísmo[editar | editar código-fonte]

A tradição judaica cunhou a figura de demónio com significado totalmente diverso daquela corrente na tradição cristã. Para o primeiro, os demónios são seres meio-humano, meio-espírito, criados após o homem, podendo reproduzir-se e ser bons ou maus, mas de natureza incompleta, cujos atos tendem ao caos.[9]


Referências

  1. Livro de Enoque, Capítulo LXIX [em linha]
  2. a b FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.534
  3. Bóreas se enche de raiva demoníaca para violentar Orítia, filha do rei Erecteu de Atenas e casada com Tereu rei da Trácia; Ovídio, Metamorfoses, Livro VI, 675-701
  4. Schwartz, Howard. Tree of Souls: the mythology of Judaism (em inglês). Nova Iorque: Oxford, 2004. p. 227.
  5. Waardenburg, Jean Jacques. Islam: historical, social, and political perspectives (em inglês). [S.l.]: Walter de Gruyter & Co, 2002. p. 38. ISBN 3110171783
  6. a b A origem de Satanás. Página visitada em 26.jun.2012.
  7. Lara, Aroldo. Possessão e exorcismo. São Paulo: Biblioteca24horas, 2011. p. 38. ISBN 978-85-7893-980-9
  8. Literatura - Diabo e Satanás - O Diabo, vosso adversário. Página visitada em 26.jun.2012.
  9. Ben-Amos, Dan; Noy, Dov. Folktales of the Jews: tales from Arab lands (em inglês). Filadélfia: Jewish Publications Society, 2011. p. 574, 577.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Sigmund Freud. Totem and Taboo:Some Points of Agreement between the Mental Lives of Savages and Neurotics (em inglês). Nova Iorque: W. W. Norton & Company, 1950. ISBN 978-0-393-00143-3
  • Wundt, W. (1906). Mythus und Religion, Teil II (Völkerpsychologie, Band II). Leipzig.
  • Castaneda, Carlos (1998). The Active Side of Infinity. HarperCollins NY ISBN 978-0-06-019220-4

Leitura adicional[editar | editar código-fonte]

  • Evil and the Demonic: A New Theory of Monstrous Behavior (em inglês). Nova Iorque: New York University Press, 1996. ISBN 978-0-8147-6193-9

Ver também[editar | editar código-fonte]

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