Hipóstase dos Arcontes

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A Hipóstase dos Arcontes ou A Realidade dos Regentes é uma exegese no Livro do Gênesis do primeiro ao sexto capítulo[1] e expressa uma mitologia gnóstica da criação do cosmos e da humanidade. O texto foi encontrado na Biblioteca de Nag Hammadi (Codex II) em 1945, numa tradução copta[2] . O original nunca foi encontrado e esta é a única versão conhecida. Tentativamente datado no século II dC[1] , acredita-se que ele se origina de um período de transição no Gnosticismo, quando estava se convertendo de uma fase puramente mística em uma mais filosófica. O início e a conclusão do documento são do gnosticismo cristão, mas o resto do material é uma narrativa mitológica da origem e natureza dos poderes arcônticos populando os céus entre a Terra e a Ogdóade, e como o destino dos homens é afetado por estes eventos primordiais.

Conteúdo[editar | editar código-fonte]

O texto é apresentado como um tratado erudito no qual o professor endereça um tópico sugerido pela pessoa a quem o texto é dedicado. O tratado começa com um fragmento de cosmogonia, que leva a uma revisionista "história verdadeira" da história da criação no Gênesis, refletindo a desconfiança dos Gnósticos pelo mundo material e o Demiurgo que o criou. Na narrativa existe uma "revelação angelical" em forma de diálogo onde um anjo repete e elabora o fragmento de cosmogonia para um escopo muito mais amplo, concluindo com uma profecia histórica sobre a vinda do salvador e o fim dos tempos.[3]

Embora as etimologias e trocadilhos com nomes Semíticos sugere que o autor tenha tido contato intenso com lendas e tradições judaicas e também com a Mitologia grega, o mito é proposto como antissemita[3] . Adicionalmente, fora o primeiro parágrafo, o trabalho não contém nenhuma característica Cristã não-gnóstica[3] .

Personagens Místicos[editar | editar código-fonte]

  • O Pai de Tudo: O Virginal Espírito Invisível
  • Incorruptibilidade
  • A Criança: Preside sobre o Tudo
  • Os Quatro Luminares: Eleleth e três outros
  • O Verdadeiro Ser Humano
  • A Raça Não Dominada
  • Sabedoria: Sophia ou Pistis Sophia
  • Vida: Filha de Sophia
  • Yaldabaoth: O Regente Máximo, também chamado de Saklas (tolo) e Samael (deus cego)
  • Sabaoth: Um dos primeiros sete filhos de Yaldabaoth
  • Adão: O primeiro ser humano
  • Eva: Esposa de Adão e sua contraparte
  • Cain: Filho de Eva concebido pelos Regentes
  • Abel: Filho de Eva concebido por Adão
  • Seth: Filho de Eva concebido por Deus
  • Norea: Filha de Eva[3]

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Bullard, Roger A.. The Nag Hammadi Library in English, Revised Edition, Edited by James M. Robinson: Introduction to “The Hypostasis of the Archons" (em inglês). [S.l.]: Harper and Row, 1988. 161-162
  2. Layton, Bentley. (1974). "The Hypostasis of the Archons" (em inglês). Harvard Theological Review (67): 351-425.
  3. a b c d Layton, Bentley. The Gnostic Scriptures :A New Translation with Annotations and Introductions (em inglês). New York: Doubleday, 1995.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bullard, Roger A.. The Hypostasis of the Archons (em inglês). Berlim: De Gruyter, 1970.
  • Fallon, Francis T.. The Enthronement of Sabaoth: Jewish Elements in Gnostic Creation Myths. (em inglês). [S.l.]: Leiden: Brill, 1978.
  • Fallon, Francis T.. Novum Testamentum: The Gnostics: The Undominated Race (em inglês). [S.l.: s.n.], 1979. vol. 21.3. 271-88
  • Gilhus, Ingvild Sælid. The Nature of the Archons: A Study in the Soteriology of a Gnostic Treatise from Nag Hammadi (CGII, 4) (em inglês). [S.l.]: Wiesbaden: Otto Harrassowitz, 1985.
  • King, Karen L. “Ridicule and Rape, Rule and Rebellion: The Hypostasis of the Archons.” In Gnosticism and the Early Christian World: In Honor of James M. Robinson. Edited by James E. Goehring et al., Sonoma, California:Polebridge, 1990|língua=inglês}}
  • ---. “The Hypostasis of the Archons (Conclusion).” Harvard Theological Review 69 (1976):31-101.
  • McGuire, Anne. “Virginity and Subversion: Norea Against the Powers in The Hypostasis of the Archons. In Images of the Feminine in Gnosticism. Edited by Karen L. King, 239-258. Philadelphia: Fortress Press, 1988.