Doutrina da Igreja Católica
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A Doutrina da Igreja Católica é o conjunto de crenças professadas pela Igreja Católica ou Igreja Católica Apostólica Romana acerca de diversos aspectos relativos a Deus, ao homem e ao mundo. Para a fé cristã, essas crenças foram sendo reveladas por Deus através dos tempos, atingindo o seu cume em Jesus Cristo. Para os cristãos, a fé em Deus inclui a adesão da inteligência e da vontade à doutrina por Ele revelada, que tem a finalidade última de conduzir à salvação.
[editar] Tipos de doutrinas católicas
A Igreja Católica, bem como todas as outras Igrejas cristãs, professa um conjunto bastante alargado de doutrinas. No entanto, apesar de todas fazerem parte da fé professada pela Igreja, o grau de assentimento que é exigido aos crentes para cada uma delas é variável, pois depende do valor e da importância que tem cada uma delas.
Deste modo existem:
- Dogmas: verdades de fé contidas na Revelação ou que com ela tenham um nexo necessário, e como tal definitivas e imutáveis, cujo sentido está suficientemente manifestado (o que não exclui o progresso crescente na sua compreensão por parte dos fiéis).
- Verdades de fé não contidas directamente na Revelação, mas propostas pela Igreja como ensinamento verdadeiro e definitivo.
- Doutrinas que a Igreja propõe para serem acolhidas com assentimento por parte dos fiéis, mas a que não pretende dar carácter definitivo e infalível, estando abertas à reflexão teológica e a uma clarificação ou modificação posterior.
- Hipóteses que a Igreja, como tal, não subscreve oficialmente, mas que são acreditadas por parte dos fiéis, sem prejuízo da fé católica, e que permanecem como hipóteses de trabalho e reflexão.
A doutrina católica tem a sua base nos dogmas, e a partir destes e da reflexão de séculos propõe um considerável conjunto de crenças que deles derivam.
[editar] Desenvolvimento da doutrina
Apesar de, para a fé cristã, a Revelação ter chegado ao seu ponto culminante e definitivo em Jesus Cristo, a compreensão dessa Revelação, bem como a expressão da fé por parte dos fiéis é um processo que se dá progressivamente. Assim, a doutrina cristã e católica foi-se desenvolvendo ao longo de séculos, corrigindo e purificando muitas compreensões erradas ou incompletas. Tal processo, para a fé católica, deve ser guiado pelos responsáveis da Igreja, inspirados pelo Espírito Santo, numa fidelidade contínua à Revelação.
[editar] Fontes
As principais verdades da doutrina cristã encontram-se expressas e resumidas no Credo dos Apóstolos e no Credo Niceno-Constantinopolitano. Ao longo dos séculos, a Igreja foi transmitindo a sua doutrina, oralmente e através de publicações escritas. Actualmente, pode encontrar-se o conjunto da doutrina da Igreja Católica resumida e compilada no chamado "Catecismo da Igreja Católica" (CIC). Para um acesso e compreensão mais fácil à Doutrina Católica, encontra-se também a síntese do CIC, chamada de "Compêndio do Catecismo da Igreja Católica" (CCIC).
[editar] Notas históricas
As grandes verdades da doutrina cristã acerca de Deus, da Santíssima Trindade, de Cristo e da Salvação ficaram praticamente definidas nos primeiros séculos do Cristianismo nos primeiros concílios ecumênicos: Primeiro Concílio de Niceia (325), Primeiro Concílio de Constantinopla (381), Concílio de Éfeso (431) e Concílio de Calcedónia (451). Tais verdades estão sintetizadas no Credo Niceno-Constantinopolitano.
Santo Agostinho, no século V, baseando-se nas espístolas de Paulo, desenvolveu a doutrina do pecado original e da graça.
A partir do século XIII, vários teólogos, nomeadamente São Tomás de Aquino, procurou afirmar que a fé supera mas não contradiz a razão humana. Aquino defendia que a filosofia devia servir a teologia cristã e tornou-se num excelente mestre da doutrina católica. Nesta altura também vai-se definindo a doutrina da presença real de Cristo na Eucaristia.
No século XVI, o Concílio de Trento tornou definitiva a doutrina dos sete sacramentos e reiterou a presença real de Cristo na Eucaristia. Após este Concílio, no confronto com os protestantes, desenvolveram-se as grandes doutrinas relativas à Igreja.
Ao longo dos séculos XVII e século XVIII, os teólogos católicos confrontaram-se com polémicas acerca do papel da graça e da participação do homem na sua própria salvação.
Durante o século XIX, foram proclamadas como dogmas a Imaculada Conceição de Maria e a Infalibilidade Papal. E, em meados do século XX, foi proclamado pelo Papa Pio XII, como um ensinamento infalível o dogma da Assunção da Virgem Maria ao céu.
A doutrina católica actual é, pois, resultado duma reflexão que vem de longa data.
[editar] A doutrina católica e a das outras Igrejas cristãs
A doutrina católica diz respeito ao corpo de verdades professadas pela Igreja Católica. Mas, como Igreja cristã, muitas dessas verdades são compartilhadas por outras Igrejas. Há diversas doutrinas podem ser chamadas com propriedade doutrinas cristãs e não apenas católicas, pois são compartilhadas por praticamente todas as confissões cristãs.
[editar] Igreja Ortodoxa
A doutrina da Igreja Ortodoxa é idêntica à da Igreja Católica. A única diferença significativa diz respeito à compreensão do papel e função do Papa, Bispo de Roma, na Igreja, que para os ortodoxos não tem jurisdição sobre as outras Igrejas nem é revestido de infalibilidade quando fala ex cathedra.
Mesmo algumas contendas doutrinais históricas, como a do filioque, são hoje consideradas pelos teólogos como ultrapassadas.
De resto, a única diferença que se observa deriva do facto de as duas Igrejas terem seguido caminhos separados no que diz respeito à reflexão teológica e doutrinal, o que conduz a algumas diferenças de formulação das doutrinas, que porém não são significativas.
[editar] Igrejas protestantes
Em relação às Igrejas protestantes, a diferença é maior. No entanto, essas Igrejas adoptam o Credo Niceno-Constantinopolitano, pelo que a doutrina acerca da Santíssima Trindade e de Jesus Cristo é idêntica à católica. O mesmo pode dizer-se em relação a alguns pontos da antropologia teológica e da escatologia.
As diferenças mais significativas dizem respeito à doutrina da Eucaristia, dos outros sacramentos e ao culto da Virgem Maria e dos santos. Há também diferenças importantes na doutrina do pecado original, da redenção e da graça.
Contudo, visto que mesmo entre as denominações protestantes há diferenças consideráveis, podemos encontrar entre elas algumas cuja doutrina se aproxima bastante da católica. É o caso, por exemplo, dalguns sectores do Anglicanismo.
[editar] O conhecimento natural de Deus
[editar] A Revelação divina e a sua transmissão
[editar] A Revelação de Deus
[editar] A Sagrada Escritura
[editar] A Tradição
[editar] A fé
[editar] Deus e a Santíssima Trindade
A Igreja Católica, tal como todas as confissões cristãs, creê o monoteísmo, a crença na existência de um único Deus, Criador do Universo e do Homem. Os cristãos acreditam que Deus consegue intervir na história e no curso da sua Criação. Os seus atributos mais importantes são por isso a omnipotência, a omnipresença e omnisciência.
Deus também é referido várias vezes ao longo do Novo Testamento como sendo a própria Verdade e o próprio Amor: Deus ama todas as pessoas e estas podem estabelecer uma relação pessoal e filial com ele através da oração.
Os católicos, juntamente com a maioria das confissões cristãs, acreditam no mistério da Santíssima Trindade, isto é, que Deus é um ser eterno único que existe como três pessoas eternas, distintas e indivisíveis: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Resumindo, este dogma, que é uma das verdades de fé centrais da Igreja Católica, professa que Deus é simultaneamente uno e trino e para aqueles que acreditam, esta crença não viola o monoteísmo.
As três Pessoas da SS Trindade estabelecem uma comunhão e união perfeita, formando um só Deus, e constituem um perfeito modelo transcendente para as relações interpessoais e sociais. Elas possuem a mesma natureza divina, a mesma grandeza, sabedoria, poder, bondade e santidade, mas, em algumas vezes, certas actividades são mais reconhecidas em uma pessoa do que em outra. As funções, as suas principais actividades desempenhadas e o seu modo de operar está registado nas Sagradas Escrituras e claramente resumido no Credo Niceno-Constantinopolitano, o credo oficial da Igreja.
[editar] Deus Pai: Criador do Mundo
Deus Pai, a primeira pessoa da Trindade, é considerado como o pai perfeito porque Ele nunca abandonou os homens, os seus filhos adoptivos, amando e perdoando-os infinita e incondicionalmente. Não foi criado e gerado. É o “princípio e o fim, princípio sem princípio” da Vida e está em absoluta comunhão com o Filho e com o Espírito Santo. Foi o Pai que enviou o seu Filho, Jesus Cristo, para salvar-nos da morte espiritual, pelo sacrifício vicário. É atribuído a esta pessoa divina a criação do Mundo.
O Credo Niceno-Constantinopolitano (texto aprovado pela Conferência Episcopal Portuguesa) faz referência a Deus Pai:
- Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso,
- Criador do Céu e da Terra,
- De todas as coisas visíveis e invisíveis.
[editar] Criação
[editar] Anjos
[editar] Jesus Cristo: Filho Unigénito de Deus
Jesus Cristo é a figura central do Cristianismo. Os seus ensinamentos morais, a sua obra e vida santas e exemplares tornaram-se na base da Igreja Cristã.
O dogma cristológico ensina que Jesus Cristo é o Filho de Deus, encarnação do Verbo divino, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Salvador e Bom Pastor da Humanidade. Ele é «o Filho Unigénito de Deus» (1 Jo 2, 23), a segunda Pessoa da SS Trindade, porque, "no momento do Baptismo e da Transfiguração, a voz do Pai designa Jesus como seu «Filho predilecto»" [1]. Aliás, Jesus Cristo apresenta-se a Si mesmo como o Filho que «conhece o Pai» (Mt 11,27), afirmando assim a Sua relação única e eterna com Deus Pai.
Segundo o dogma mariológico, Jesus Cristo foi concebido no seio da Virgem Maria pelo poder do Espírito Santo. Ele encarnou-se para anunciar a salvação e a bem-aventurança à humanidade inteira, "ou seja: para nos reconciliar a nós pecadores com Deus; para nos fazer conhecer o seu amor infinito; para ser o nosso modelo de santidade; para nos tornar «participantes da natureza divina» (2 Ped 1, 4)" [2].
Durante o seu Ministério, Jesus Cristo insiste «que o Reino dos Céus está próximo» (Mt 10,7) e que Deus estava preparando a Terra para um novo estado de coisas. Anunciou também que quem quisesse fazer parte do Reino de Deus teria de nascer de novo, de se arrepender dos seus pecados, de se converter e purificar. Jesus ensinava também que o poder de Deus era maior que o pecado e todas as forças do mal e que o arrependimento dos pecados e a fé podem salvar os homens.
Ele também mandou-nos amar a Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito (Mt 22,37) e amar o teu próximo como a ti mesmo (Mt 22,39), querendo dizer com isto que cada pessoa devia amar a Deus sobre todas as coisas e com todas as forças e tratar as outras pessoas como gostaria de ser tratada por elas. Para Jesus, estes dois mandamentos constituem o resumo de toda a lei e os profetas (Mt 22,40).
Jesus Cristo não veio para superar, substituir ou «abolir a Lei ou os Profetas» (os mandamentos e ensinamentos do Antigo Testamento), «mas sim para levá-los à perfeição» (Mt 5,17). Isto quer dizer que Ele revelou na sua totalidade e deu o sentido último à Verdade de Deus já revelada no Antigo Testamento. Ele renovou também a Aliança dos homens com Deus.
Jesus deu inclusivamente aos homens um novo e radical mandamento de Amor: «amai-vos uns aos outros, como Eu vos amo» (Jo 15,10). Resumindo, Jesus ensinava que devíamos sempre perdoar e amar incondicionalmente o nosso próximo (todos os seres humanos), independentemente da sua etnia, classe social, cultura, nacionalidade, riqueza ou nascimento; e amar a Deus sobre todas as coisas.
Para os católicos, Jesus amou tanto os homens que entregou-se incondicional e totalmente para eles, sacrificando inclusivamente a sua própria vida para salvar-lhes do pecado e da morte espiritual, abrindo-lhes na plenitude o caminho para a vida eterna, santa, livre de todo o Mal e feliz com Deus. Foi Jesus que derrotou todas as forças do mal e a morte, ressuscitando ao terceiro dia. Ele é o único e verdadeiro Sumo Sacerdote, o mediador entre os homens e o Pai que está nos céus. Cristo veio também salvar e libertar a humanidade do pecado original, que, segundo o dogma soteriológico, enfraqueceu a natureza humana e acentuou a sua tendência de abusar a liberdade dado por Deus, cometendo o mal.
O Filho Unigénito de Deus assumiu um verdadeiro corpo dotado de uma alma racional, de vontade e de inteligência humanas. Jesus Cristo, embora sendo o Filho de Deus e conhecendo íntima e plenamente os desígnios eternos de Deus que Ele viera revelar, aprendeu, como homem, muitas coisas através da experiência e da sua inteligência humana [3].
Jesus Cristo, o Messias prometido e enviado por Deus, durante a celebração da sua última Páscoa judaica ("A Última Ceia"), instituiu a Eucaristia "para perpetuar o sacrifício da cruz no decorrer dos séculos até ao Seu regresso, confiando assim à Sua Igreja o memorial da Sua Morte e Ressurreição" [4]; e também para que aqueles que tomassem o seu Corpo (simbolizado pelo pão) e o seu Sangue (simbolizado pelo vinho) possam estar unidos intimamente com Ele, formando um só Corpo.
Jesus Cristo confiou na plenitude os meios necessários para a salvação para a Igreja fundada e encabeçada por Ele, com o objectivo de que "todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade" (1 Tim 2, 4). Segundo a doutrina católica, se nós tivermos fé em Jesus Cristo, se pormos sempre em prática os seus ensinamentos e seguir o caminho de salvação e de santidade proposto e aberto plenamente por Ele, estariamos simplesmente salvos. Iremos também contribuir para a construção de um mundo melhor e mais humano e inclusivamente para a aceleração da vinda do Reino de Deus com a nossa fé e as nossas acções boas.
Jesus procede de Deus Pai e é eternamente consubstancial (pertencente à mesma natureza e substância) a Ele. Não foi criado pelo Pai, mas gerado porque encarnou-se, assumindo a Sua natureza humana. O Filho, a segunda Pessoa da SS Trindade, é considerado como o filho perfeito, aquele que subordina a sua vontade humana à vontade (divina) do Pai que consiste na salvação dos seus filhos adoptivos humanos. É atribuído ao Filho a redenção do mundo.
O Credo Niceno-Constantinopolitano (texto aprovado pela Conferência Episcopal Portuguesa) faz referência a Jesus Cristo:
- Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
- Filho Unigénito de Deus,
- nascido do Pai antes de todos os séculos:
- Deus de Deus, luz da luz,
- Deus verdadeiro de Deus verdadeiro;
- gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
- Por Ele todas as coisas foram feitas.
- E por nós, homens, e para nossa salvação
- desceu dos Céus.
- E encarnou pelo Espírito Santo,
- no seio da Virgem Maria.
- e se fez homem.
- Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos;
- padeceu e foi sepultado.
- Ressuscitou ao terceiro dia,
- conforme as Escrituras;
- e subiu aos Céus, onde está sentado à direita do Pai.
- De novo há-de vir em sua glória
- para julgar os vivos e os mortos;
- e o seu Reino não terá fim.
[editar] Significado dos nomes Jesus, Cristo e Messias
O nome Jesus (do hebraico, Yeshua) significa "Deus Salva" [5], e para os cristãos e católicos, Jesus é o «Cristo» (em grego) ou o «Messias» (em hebraico) porque Ele é o «Ungido do Senhor». Mais especificamente, Ele é consagrado por Deus Pai e ungido pelo Espírito Santo para a missão redentora que consiste em salvar a Humanidade dos seus pecados.
Para os cristãos, Jesus aceitou o título de Messias e exprimiu o seu verdadeiro significado e sentido para toda a Humanidade: Ele, «descido do céu» (Jo 3,13), foi crucificado e depois ressuscitado, e é o Servo Sofredor «que dá a sua vida em resgate pela multidão» (Mt 20,28) [6].
[editar] Encarnação
[editar] Vida e Ministério de Cristo
[editar] Paixão e Morte
[editar] Ressurreição
[editar] Espírito Santo
O Espírito Santo procede do Pai e do Filho. Esta Pessoa divina personaliza o Amor íntimo e infinito de Deus sobre os homens. Manifestou-se primeiramente no Baptismo e na Transfiguração de Jesus e plenamente revelado no dia de Pentecostes. Habita nos corações dos fiéis e estabelece entre estes e Jesus uma comunhão íntima, tornando-os unidos num só Corpo. Ele foi enviado por Jesus para tomar conta da Igreja e para que ela sempre lembre e interprete bem a Palavra de Deus revelado por Jesus.
Em relação à Virgem Maria, o Espírito Santo enche-a de graça e concebeu Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado, no seio da Virgem Maria. O Espírito faz dela a Mãe de Cristo e, como Jesus Cristo é o próprio Deus encarnado, também a Mãe de Deus [7].
O Espírito Santo, a terceira Pessoa da Trindade, é considerado como o puro nexo de amor. Atribui-se a esta pessoa divina a santificação da Igreja e do Mundo com os seus dons.
O Credo Niceno-Constantinopolitano (texto aprovado pela Conferência Episcopal Portuguesa) faz referência ao Espírito Santo:
- Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida,
- e procede do Pai e do Filho;
- e com o Pai e o Filho
- é adorado e glorificado:
- Ele que falou pelos Profetas.
[editar] Igreja
A Igreja é "o povo que Deus convoca e reúne de todos os confins da Terra, para constituir a assembleia daqueles que, pela fé e pelo Baptismo, se tornam filhos de Deus, membros de Cristo e templo do Espírito Santo" ([8].
A Igreja de Cristo é a detentora na plenitude dos meios necessários para a salvação, dados por Jesus Cristo à Igreja para que ela, através dos sacramentos, reúne, santifique e purifique toda a humanidade, para que todos os seres humanos possam caminhar juntos para a salvação e santidade. Aliás, este caminho de salvação já foi aberto definitivamente por Jesus Cristo, através do seu sacrifício vicário (morte e sofrimento na cruz). Pretende também antecipar a vinda e a realização do Reino de Deus, cujo semente é necessariamente a Igreja. Por esta razão, a Igreja, guiada pelo Espírito Santo, insiste na sua missão de anunciar o Evangelho a todo o mundo. Aliás, a missionação é ordenada pelo próprio Cristo: "ide e ensinai todas as nações, baptizando-as no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28,19); com o objectivo de que "todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade" (1 Tim 2, 4).
Os católicos acreditam que "a única Igreja de Cristo, como sociedade constituída e organizada no mundo, subsiste (subsistit in) na Igreja Católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele" [9]. A grosso-modo, a Igreja Católica é a única instituição verdadeiramente encabeçada por Cristo. Esta Igreja é constituída por 23 Igrejas autónomas (sui juris), em ligação umas com as outras e subordinadas ao Papa, também chamado de Bispo de Roma, na sua qualidade de Sumo Pontífice da Igreja Universal, segundo a doutrina tradicional católica. Estas igrejas autônomas professam a mesma doutrina e fé, salvaguardada na sua integridade e totalidade pelo Papa. Mas, elas possuem diferentes particularidades histórico-culturais, uma tradição teológica e litúrgica diferentes e uma estrutura e organização territorial separadas.
[editar] Nomes da Igreja
A Igreja é conhecida, de entre os seus muitos nomes, por:
- << Corpo de Cristo >> porque os católicos acreditam que a Igreja é constituído por Cristo, que é a cabeça, e pelos fiéis, que são membros deste corpo único, inquebrável e divino. Este nome é assente também na fé de que os fiéis são unidos intimamente a Cristo, por meio do Espírito Santo, sobretudo na Eucaristia [10]. A Igreja Católica acredita que os cristãos não-católicos também pertencem, apesar de um modo imperfeito, ao Corpo Místico, visto que tornaram-se uma parte inseparável d'Ele através do Baptismo. A Igreja Católica defende também que muitos elementos de santificação e de verdade estão também presentes nas Igrejas e comunidades cristãs que não estão em plena comunhão com ela [11].
- << Esposa de Cristo >> porque o próprio Cristo "Se definiu como o «Esposo» (Mc 2,19) que amou a Igreja, unindo-a a Si por uma Aliança eterna. Ele entregou-se a Si mesmo por ela, para a purificar com o Seu sangue, «para a tornar santa» (Ef 5,26) e fazer dela mãe fecunda de todos os filhos de Deus" [12].
- << Templo do Espírito Santo >> porque o Espírito Santo reside na Igreja, no Corpo Místico de Cristo, e estabelece entre os fiéis e Jesus Cristo uma comunhão íntima, tornando-os unidos num só Corpo. Para além disso, Ele guia, toma conta e "edifica a Igreja na caridade com a Palavra de Deus, os sacramentos, as virtudes e os carismas" [13].
[editar] Propriedades da Igreja
As 4 propriedades da Igreja estão explicitamente definidas nas palavras do Credo Niceno-Constantinopolitano:
- « una » porque nela subsiste a única instituição verdadeiramente fundada e encabeçada por Cristo para reunir o povo de Deus, porque ela tem como alma o Espírito Santo, que une todos os fiéis na comunhão em Cristo e porque ela tem uma só fé, uma só vida sacramental, uma única sucessão apostólica, uma comum esperança e a mesma caridade [14];
- « santa » por causa da sua ligação única com Deus, o seu Autor, porque "o Espírito Santo vivificou-a com a caridade" e porque ela é a "Esposa de Cristo", e que visa, através dos sacramentos, santificar, purificar e transformar os fiéis [15];
- « católica » porque a Igreja é universal, é espalhada por toda a Terra, é portadora da integralidade e totalidade do depósito da fé, "leva e administra a plenitude dos meios de salvação", "é enviada em missão a todos os povos, em todos os tempos e qualquer que seja a cultura a que eles pertençam", e nela está presente Cristo ("Onde está Cristo Jesus, aí está a Igreja Católica", citação de S. Inácio de Antioquia) [16];
- « apostólica » porque ela é fundamentada na doutrina dos Apóstolos cuja missão recebeu sem ruptura [17]. Segundo a Doutrina Católica, todos os Bispos da Igreja são sucessores dos Apóstolos e o Papa, Chefe da Igreja, é sucessor do "Príncipe dos Apóstolos", São Pedro.
[editar] Constituição hierárquica
A Igreja Católica tem uma estrutura hierarquizada porque Cristo instituiu-a para "apascentar o povo de Deus em seu nome, e para isso lhe deu autoridade" [18]. A hierarquia da Igreja é formada por "ministros sagrados que receberam o sacramento da Ordem". Todos os outros fiéis são chamados leigos. Existe também aqueles fiéis, provenientes quer do grupo dos ministros sagrados quer do grupo dos leigos, "que se consagram de modo especial a Deus com a profissão dos conselhos evangélicos: castidade no celibato, pobreza e obediência" [19]. Por outras palavras, podemos dizer que estes fiéis consagrados, para servir de um modo especial a Deus, ingressaram em ordens religiosas.
Para os católicos, o Chefe da Igreja é o Papa, Sumo Pontífice da Igreja Universal. O Papa é eleito (o processo de eleição, que tem lugar na Capela Sistina, é chamado Conclave), aconselhado e assistido pelo Colégio dos Cardeais, conhecidos também como Príncipes da Igreja. Cada Papa continua no cargo até a sua morte ou até que abdique (o que aconteceu poucas vezes, e nunca desde a Idade Média). Na Igreja Latina e em algumas das Igrejas orientais, só o Papa pode designar os membros da Hierarquia da Igreja acima do nível de presbítero. Todos os membros da hierarquia respondem perante o Papa e a sua corte papal, chamada de Cúria Romana.
Os Papas exercem o que é chamado Infalibilidade Papal, isto é, o direito de definir declarações definitivas de ensinamento católico em matérias de fé e moral. Na realidade, desde a sua declaração no Concílio Vaticano I, em 1870, a infalibilidade papal foi usada solenemente só uma vez, pelo Papa Pio XII, no ano 1950.
A autoridade do Papa vem da fé de que ele é o sucessor directo do Apóstolo Simão Pedro, conforme o Evangelho de Mateus 16,18-19, chamado Príncipe dos Apóstolos, e, como tal, o Vigário de Cristo na Terra. A Igreja tem uma estrutura hierárquica de títulos que são, em ordem descendente:
- Papa, líder da Igreja Católica (ou Igreja Universal) e também Bispo de Roma, possuidor do Pastoreio de todos os cristãos, concedido por Nosso Senhor Jesus Cristo. A sucessão dos Papas, desde São Pedro, possuiu sua sede em Roma, a chamada cátedra de Pedro. Por isso, o Papa (Bispo de Roma), herda toda autoridade (Jurisdição Universal) depositada nessa cátedra e além de Bispo de Roma, é também Chefe de toda a Igreja Universal, exercendo assim o Pastoreio Universal. Os que o assistem e aconselham na liderança da Igreja são os Cardeais;
- Patriarcas são normalmente títulos possuídos pelos líderes das Igrejas Católicas Particulares Orientais sui juris, que, com os seus sínodos, constituem a instância suprema para todos os assuntos dos Patriarcados Orientais, não excluído o direito de constituir novas eparquias e de nomear Bispos do seu rito dentro dos limites do território patriarcal, salvo o direito inalienável do Romano Pontífice de intervir em cada caso. Estes patriarcas são eleitos pelos respectivos sínodos das Igrejas Orientais e depois reconhecidos pelo Papa. Mas alguns dos grandes arcebispos da Igreja Latina também são chamados Patriarcas; entre estes contam-se o Arcebispo de Lisboa e o Arcebispo de Veneza, mas eles não têm o poder que os Patriarcas Orientais possuem;
- Bispos (Arcebispo e Bispo Sufragário) são os sucessores directos dos doze Apóstolos. Receberam o todo do sacramento da Ordem;
- Presbíteros são colaboradores dos Bispos, que não o mesmo nivel de jurisdição completa sobre os fiéis.
- Monsenhor é um título honorário para um presbítero, que não dá quaisquer poderes sacramentais adicionais.
- Diácono: possui o primeiro grau do Sacramento da Ordem. É ordenado não para o sacerdócio, mas para o serviço da caridade e da proclamação da Palavra de Deus e da liturgia. Auxilia directamente os presbíteros e bispos. Os ministros aqui citados fazem parte do clero.
Existem ainda funções menores: Leitor, Ministro Extraordinário da Comunhão eucarística, Ministro da Palavra e Acólito (desde o Concílio Vaticano Segundo, o cargo de sub-diácono deixou de existir). Estas funções tomados em conjunto não fazem parte do clero, pois são conferidas aos leigos, uma vez que, para entrar para o sacerdócio, é preciso ao cristão receber as Ordens Sagradas. As ordens religiosas têm a sua própria hierarquia e títulos específicos.
[editar] Fora da Igreja não há salvação
Esta afirmação não significa que aqueles que não forem membros da Igreja Católica nunca poderiam ser salvos. Pelo contrário, todos aqueles que, sem culpa própria, ignoram a Verdade contida nos ensinamentos de Jesus Cristo e da sua Igreja, mas que "procuram sinceramente Deus e, sob o influxo da graça, se esforçam por cumprir a sua vontade", podem conseguir a salvação eterna [20]. Mas, e aí está o verdadeiro significado da afirmação, toda a gente que é salva é-o por causa de Jesus Cristo, Salvador do Mundo e de toda a Humanidade, e da sua Igreja, que é o seu Corpo. É que Jesus morreu na cruz não só para salvar os católicos e cristãos, mas para salvar todos os homens do Mundo [21].
[editar] Comunhão dos santos
[editar] Maria
De acordo com a fé católica, o arcanjo Gabriel foi enviado por Deus para anunciar á uma virgem chamada Maria, que ela havia sido escolhida por Deus para ser mãe do seu único Filho Unigénito, que viria para salvar a humanidade do pecado e do mal.
O anjo disse a Maria que Deus faria com que ela concebesse "do Espírito Santo", ou seja, sem participação de homem algum: "Eis que conceberás no teu seio e darás à luz um filho a quem porás o nome de Jesus." (Lc. 1,30-33). "O Espírito Santo descerá sobre ti e o poder do altísimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o que nascer será chamado Santo, Filho de Deus." (Lc. 1,35-37).
Maria se casou com José, que assumiu a paternidade de Jesus e viveu com ela um matrimónio puro e santo, conservando assim a sua virgindade por toda a vida.
[editar] Ressurreição e vida eterna
[editar] Liturgia
[editar] Sacramentos
A Igreja Católica celebra sete sacramentos, que são: Baptismo, Confirmação (ou Crisma), Eucaristia, Reconciliação (ou Penitência), Unção dos enfermos, Ordem e Matrimónio.
Segundo os ensinamentos da Igreja, estes sacramentos foram instituídos por Jesus Cristo como "sinais sensíveis e eficazes da graça [...] mediante os quais nos é concedida a vida divina" [22] e foram confiados à Igreja. Através destes sinais, "Cristo age e comunica a graça, independentemente da santidade pessoal do ministro", embora "os frutos dos sacramentos dependam também das disposições de quem os recebe" [23].
Ao celebrá-los, a Igreja Católica, através das palavras e elementos rituais, alimenta, exprime e fortifica a sua fé e a fé de cada um dos seus fiéis. Estes sinais de graça constituem uma parte integrante e inalienável da vida cristã de cada crente. Os sacramentos são necessários para a salvação dos crentes porque eles conferem a graça de Deus, "o perdão dos pecados, a adopção de filhos de Deus, a conformação a Cristo Senhor e a pertença à Igreja" [24].
Os sete sacramentos marcam as várias fases importantes de vida cristã do crente, sendo estes divididos em três categorias:
- sacramentos da iniciação cristã (Baptismo, Confirmação e Eucaristia) que "lançam os alicerces da vida cristã: os fiéis, renascidos pelo Baptismo, são fortalecidos pela Confirmação e alimentados pela Eucaristia" [25];
- sacramentos da cura (Penitência e Unção dos enfermos);
- sacramentos ao serviço da comunhão e da missão (Ordem e Matrimónio).
Os dois sacramentos mais importantes são a Eucaristia, pela qual se renova o mistério pascal de Cristo e se actualiza e renova a salvação, e o Baptismo, pelo qual alguém se torna membro da Igreja e alcança a salvação.
[editar] Baptismo
O Baptismo, o fundamento da comunhão entre todos os cristãos, é dado às crianças e a convertidos adultos que não tenham sido antes baptizados validamente (o baptismo da maior parte das igrejas cristãs é considerado válido pela Igreja Católica visto que se considera que o efeito chega directamente de Deus independentemente da fé pessoal, embora não da intenção, do sacerdote).
"O rito essencial deste sacramento consiste em imergir na água o candidato ou em derramar a água sobre a sua cabeça, enquanto é invocado o Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" [26]. O Baptismo significa imergir "na morte de Cristo e ressurgir com Ele como «nova criatura»" [27].
O Baptismo perdoa o pecado original e todos os pecados pessoais e as penas devidas ao pecado. Possibilita aos baptizados a participação na vida trinitária de Deus mediante a graça santificante e a incorporação em Cristo e na Igreja. Confere também as virtudes teologais e os dons do Espírito Santo. Uma vez baptizado, o cristão é para sempre um filho de Deus e um membro inalienável da Igreja e também pertence para sempre a Cristo [28].
A Igreja Católica insiste no baptismo às crianças porque "tendo nascido com o pecado original, elas têm necessidade de ser libertadas do poder do Maligno e de ser transferidas para o reino da liberdade dos filhos de Deus" [29].
[editar] Confirmação ou Crisma
[editar] Eucaristia
[editar] Reconciliação ou Penitência
[editar] Unção dos enfermos
[editar] Ordem
[editar] Matrimónio
[editar] Moral católica
[editar] Liberdade
[editar] Consciência
[editar] As Virtudes
A virtude é uma qualidade moral, "uma disposição habitual e firme para fazer o bem" [30]. Para S. Gregório de Nissa, "o fim de uma vida virtuosa é tornar-se semelhante a Deus".
As virtudes são divididas em duas categorias:
- as virtudes humanas que "são perfeições habituais e estáveis da inteligência e da vontade humanas". Elas regulam os actos humanos, ordenam as paixões humanas e guiam a conduta humana segundo a razão e a fé. "Adquiridas e reforçadas por actos moralmente bons e repetidos", os cristãos acreditam que estas virtudes "são purificadas e elevadas pela graça divina" [31]. As principais virtudes humanas são as denominadas virtudes cardinais.
[editar] As virtudes teologais
As virtudes teologais "têm como origem, motivo e objecto imediato o próprio Deus". Os cristãos acreditam que elas são infundidas no homem com a graça santificante, e que elas tornam os homens capazes de viver em relação com a Santíssima Trindade. Elas fundamentam e animam "o agir moral do cristão, vivificando as virtudes humanas". Para os cristãos, elas são "o penhor da presença e da acção do Espírito Santo nas faculdades do ser humano" [32].
Existem 3 virtudes teologais:
- Fé: através desta virtude, os cristãos crêem em Deus, nas verdades reveladas por Ele e naquilo que a Igreja de Cristo propõe para acreditar, visto que Deus é a própria Verdade. Pela fé, "o homem entrega-se a Deus livremente. Por isso, o crente procura conhecer e fazer a vontade de Deus, porque «a fé opera pela caridade» (Gal 5,6)" [33].
- Esperança: por meio desta virtude teologal, os crentes desejam e esperam de Deus a vida eterna como felicidade última deles, colocando a confiança deles nas promessas de Cristo. Para merecer e perseverar esta confiança até ao fim da vida terrena, os crentes acreditam que a ajuda da graça do Espírito Santo é fulcral [34].
- Caridade: considerada a mais importante e o fundamento de todas as virtudes, ela é, segundo os cristãos, "a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos por amor de Deus. Jesus faz dela o mandamento novo, a plenitude da lei" [35]. Para os crentes, a caridade é «o vínculo da perfeição» (Col 3,14).
[editar] As virtudes cardinais
As virtudes cardinais ou virtudes cardeais são as principais virtudes humanas que "reagrupam todas as outras [virtudes humanas] e constituem a charneira da vida virtuosa" [36].
Existem 4 virtudes cardinais:
- Prudência: Esta virtude "dispõe a razão para discernir em todas as circunstâncias o verdadeiro bem e a escolher os justos meios para o atingir. Ela conduz a outras virtudes, indicando-lhes a regra e a medida" [37].
- Fortaleza: Ela "assegura a firmeza nas dificuldades e a constância na procura do bem, chegando até à capacidade do eventual sacrifício da própria vida por uma causa justa" [39].
- Temperança: Ela "modera a atracção dos prazeres, assegura o domínio da vontade sobre os instintos e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados" [40].
[editar] Pecado
Segundo os ensinamentos da Igreja Católica, o Pecado "é «uma palavra, um acto ou um desejo contrários à Lei eterna» (Santo Agostinho). É uma ofensa a Deus, na desobediência ao seu amor. Fere a natureza do homem e atenta contra a solidariedade humana. Cristo, na sua Paixão [sofrimento, crucifixão e morte na cruz], revela plenamente a gravidade do pecado e vence-o com a sua misericórdia" [41].
Há uma grande variedade de pecados, distinguindo-lhes "segundo o seu objecto, ou segundo as virtudes ou os mandamentos a que se opõem. Podem ser directamente contra Deus, contra o próximo e contra nós mesmos. Podemos ainda distinguir entre pecados por pensamentos, por palavras, por acções e por omissões" [42].
A Igreja defende que a repetição de pecados gera o vício que, "sendo contrários às virtudes, são hábitos perversos que obscurecem a consciência e inclinam ao mal. Os vícios podem estar ligados aos chamados sete pecados capitais, que são: soberba, avareza, inveja, ira, luxúria, gula e preguiça ou negligência" [43]. A Igreja ensina também que temos responsabilidade "nos pecados cometidos por outros, quando culpavelmente neles cooperamos" [44].
Além do pecado original, existe também os pecados pessoais, que são os pecados cometidos por nós e que podem ser classificados quanto à sua gravidade por duas categorias:
- o pecado mortal que é cometido "quando, ao mesmo tempo, há matéria grave, plena consciência e deliberado consentimento. Este pecado destrói a caridade, priva-nos da graça santificante e conduz-nos à morte eterna do inferno, se dele não nos arrependermos. É perdoado ordinariamente mediante os sacramentos do Baptismo e da Penitência ou Reconciliação" [45].
- o pecado venial, "que difere essencialmente do pecado mortal, comete-se quando se trata de matéria leve, ou mesmo grave, mas sem pleno conhecimento ou sem total consentimento. Não quebra a aliança com Deus, mas enfraquece a caridade; manifesta um afecto desordenado pelos bens criados; impede o progresso da alma no exercício das virtudes e na prática do bem moral; merece penas purificatórias temporais" [46].
Porém, segundo a doutrina católica, como Deus é infinitamente bom e misericordioso, todos os homems podem ser perdoados por Ele quando eles reconhecem as suas culpas e arrependem dos seus pecados [47].
[editar] Pecado original
Segundo a Igreja Católica, o Pecado original, que ela própria afirma que é um mistério que a humanidade não consegue compreender plenamente, é "o estado de privação da santidade e da justiça originais". É um pecado «contraído» e não «cometido» pelos homens, por isso é "uma condição de nascimento e não um acto pessoal. Por causa da unidade de origem de todos os homens, ele transmite-se aos descendentes de Adão com a natureza humana, «não por imitação mas por propagação»" [48].
Este pecado cometido por Adão e Eva e transmitido de geração para geração à humanidade inteira, consiste na desobediência deles à Palavra de Deus e no desejo deles de tornarem-se «como Deus», sem Deus e não segundo Deus (Gn 3, 5). O pecado original faz com que "a natureza humana, sem ser totalmente corrompida, fica ferida nas suas forças naturais, submetida à ignorância, ao sofrimento, ao poder da morte, e inclinada ao pecado" [49]. Esta inclinação ao pecado chama-se concupiscência.
Após o primeiro pecado cometido por Adão e Eva, o mundo foi infestado de inúmeros pecados, mas, segundo a doutrina católica, "Deus não abandonou o homem ao poder da morte. Pelo contrário, pré-anunciou de modo misterioso – no «Proto-evangelho» (Gn 3,15) – que o mal seria vencido" [50]. É o primeiro anúncio do Messias, do Salvador e Redentor da Humanidade, da vinda de Jesus Cristo.
[editar] Matérias relacionadas com a Sexualidade
A Igreja Católica considera o Sexo uma dádiva divina, por isso ela condena o Sexo antes do casamento. Segundo os seus ensinamentos, o sexo é um instrumento divino e abençoado por Deus que concede aos casais o poder da Vida e por isso precisa da devida benção divina, que é dada na celebração do sacramento do Sagrado Matrimónio.
Para a Igreja, o sexo não exerce só a função de procriar, mas também um papel importante na vida íntima conjugal e é considerada por ela como a grande expressão do amor recíproco assente na entrega e receptividade mútuas, onde o homem e a mulher unem-se e complementam-se, atingindo o auge da sua intimidade e comunhão. Mas, ela defende que, para além da expressão e da êxtase sexuais, o amor de um casal cresce também através da abstinência e do ascetismo sexuais. As duas coisas, parecendo antagónicas à primeira vista, andam de mãos dadas.
A Igreja condena o sexo cujo fim é a excitação e o prazer passageiros. Ela considera este tipo de sexo como um acto irresponsável e imoral onde o(a) parceiro(a) é tratado(a) simplesmente como um objecto de prazer, desligando-se com o amor recíproco. Para a Igreja, amar é o mesmo que transformar-se a si mesmo como uma dádiva para o outro, para o seu complementar de sexo oposto, para a pessoa que amas. Com a sua ética sexual e de amor, a Igreja Católica pretende que todos possam ter uma vida sexual plena, casta, ideal, extasiada, com compromisso indissolúvel (o casamento), com responsabilidade, com amor recíproco e com respeito mútuo [51].
A Igreja Católica condena actos como "o adultério, a masturbação, a fornicação, a pornografia, a prostituição, o estupro e os actos homossexuais". Para ela, estes pecados são "expressão do vício da luxúria" [52].
Para a Igreja, a fidelidade no casamento, o amor recíproco, a castidade e a abstinência sexual são os melhores meios de impedir o avanço das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Ela não defende nem promove o uso de preservativos porque ela acha que o uso indiscriminado deste instrumento incentiva um estilo de vida sexual imoral, temendo com isto convidar as pessoas para a promiscuidade, ao sexo libertário, sem compromissos, irresponsável e banalizado, que privilegia o uso do corpo como um fim em si mesmo, tornando as pessoas escravas dos seus próprios instintos e do prazer [53].
[editar] Homossexualidade
A Igreja Católica considera os actos homosexuais como moralmente errados porque "violam a iconografia de diferenciação e complementariedade sexuais [a união homem-mulher], que tornam o amor sexual possível como acto de entrega e reciprocidade mútuas, e porque são, de natureza, incapazes de gerar vida" [54]. Entretanto, para ela, ter tendências homosexuais não é considerado um pecado. O pecado está em ceder a essas tendências e adoptá-las na prática. Na mesma linha de pensamento, a Igreja repudia qualquer reconhecimento legal das uniões entre pessoas do mesmo sexo.
A Igreja Católica não discrimina os homossexuais e pretende ajudá-los "a viver na integridade do amor na entrega de si mesmos e para evitarem actos sexuais que são, pela natureza, moralmente desordenados, porque são actos de afirmação de si mesmo e não dádiva de si mesmo" [55].
[editar] Regulação dos nascimentos e Contraceptivos
Para a Igreja Católica, "a regulação dos nascimentos, que é uma componente da paternidade e maternidade responsáveis, é objectivamente conforme à moralidade quando é realizada pelos esposos sem imposições externas, nem por egoísmo, mas com base em motivos sérios" [56]. A Igreja defende que os pais, ao decidirem ter filhos, têm que reunir condições suficientes e comprometerem-se a fazer o seu melhor para que os seus filhos possam crescer de um modo saudável e feliz. Em resumo, a Igreja defende a construção prudente de famílias.
Esta regulação, segundo a Igreja, só pode ser feita através do Planeamento familiar natural que utiliza métodos contraceptivos naturais como a continência periódica e o recurso aos períodos infecundos. Os outros métodos, nomeadamente a pílula, a esterilização directa e o preservativo, são condenados pela Igreja Católica.
A Igreja ensina que os métodos naturais, que utilizam os ritmos naturais do corpo para regular a fertilidade, são formas mais humanistas de viver a responsabilidade procriadora do que utilizar contraceptivos químicos ou mecânicos. Estes métodos defendidos pela Igreja, quando usadas correctamente, aumentam e fortalecem a comunicação e o amor entre os parceiros, podendo ajudar o casal a assumirem mais facilmente a sua responsabilidade procriadora; promovem o auto-conhecimento do corpo; nunca tem efeitos colaterais nos processos naturais do organismo; e promovem a ideia de que a fertilidade não é um fardo, uma "doença" a ser tratada, mas sim uma riqueza e dádiva divina que pode e deve ser utilizada em momento oportuno; entre outras [57].
[editar] Inseminação e fecundação artificial
A inseminação e fecundação artificiais são consideradas imorais porque "dissociam a procriação do acto com que os esposos se entregam mutuamente, instaurando assim um domínio da técnica sobre a origem e o destino da pessoa humana". Além disso, a Igreja Católica acrecenta que "a inseminação e a fecundação heteróloga, com o recurso a técnicas que envolvem uma pessoa estranha ao casal dos esposos, prejudicam o direito do filho a nascer dum pai e duma mãe conhecidos por ele, ligados entre si pelo matrimónio e tendo o direito exclusivo a tornarem-se pais, só um através do outro" [58].
[editar] Doutrina Social da Igreja
Doutrina Social da Igreja (DSI) é o conjunto dos ensinamentos contidos no magistério da Igreja Católica constante de numerosas encíclicas e pronunciamentos dos papas inseridos na tradição multissecular e que tem suas origens nos primórdios do Cristianismo. Tem por finalidade fixar princípios, critérios e diretrizes gerais a respeito da organização social e política dos povos e das nações. É um convite a ação. A finalidade da doutrina social da Igreja é "levar os homens a corresponderem, com o auxílio também da reflexão racional e das ciências humanas, à sua vocação de construtores responsáveis da sociedade terrena" [59].
Foi enriquecida pelos Padres da Igreja, teólogos e canonistas da Idade Média e pelos pensadores e filósofos católicos dos tempos modernos. "A doutrina social da Igreja se desenvolveu no século XIX por ocasião do encontro do Evangelho com a sociedade industrial moderna, suas novas estruturas para a produção de bens de consumo, sua nova concepção da sociedade, do Estado e da autoridade, suas novas formas de trabalho e de propriedade." [60]. Muitos historiadores concordam que a promulgação da encíclica Rerum Novarum pelo Papa Leão XIII no ano de 1891 como sendo o início da sistematização do pensamento social cristão, dando origem à actual DSI.
Esta doutrina rejeita as ideologias totalitárias e atéias associadas, nos tempos modernos, ao comunismo ou ao socialismo. Além disso, na prática do capitalismo ela recusou o individualismo e o primado absoluto da lei do mercado sore o trabalho humano.
A DSI aborda vários campos da vida social, económica e política, como por exemplo a família e o trabalho humano.