Inspiração (teologia)

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Rembrandt's O evangelista Mateus inspirado por um anjo.

Inspiração é o conceito teológico segundo o qual obras e feitos de seres humanos intimamente ligados a Deus, sobretudo as Escrituras do Antigo e do Novo Testamentos, receberam uma supervisão especial do Espírito Santo, de tal sorte que as palavras ali registradas expressam, de alguma maneira, a revelação de Deus.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A plavra "inspiração" vem do latim inspiratio e do verbo inspirare. Inspirare é composto pelo prefixo "in", em protuguês "em" e o verbo spirare (soprar). Inspirare significa "soprar em" ou "insuflar". Já no tempo clássico do Império Romano "inspirare" recebeu a conotação "respirar profundamente" e o sentido figurativo "insinuar algo no coração de alguém".

Inspiração verbal[editar | editar código-fonte]

O texto é inspirado diretamente de Deus. Isso pode ser em forma de um ditado, ou em forma de uma supervisão, que deixa o autor usar o seu estilo próprio, mas interfere para o autor não cometer erros. Se a Bíblia é considerada inspirada verbalmente, ela é infalível. Evidentes contradições e equívocos da Bíblia são ou erros de copiadores ou mistérios de Deus, ou os defensores da inspiração verbal falam que as passagens contraditórias se referem a assuntos diferentes. A inspiração verbal é doutrina para muitas igrejas evangélicas.

A compositora e poeta Hildegarda de Bingen recebe inspiração divina (illustração no Codex de Rupertsberg no Liber scivias Domini, do ano 1180)

Inspiração geral ou inspiração limitada[editar | editar código-fonte]

O autor é inspirado por Deus de alguma forma. Deus se manifesta ao autor por meio de em sonhos, palavras insinuadas, pessoas, anjos, entre outros, e o autor recebe assim uma mensagem. Muitas vezes ele anota-a muito mais tarde. Se o autor errar em detalhes, o Espírito Santo não intromete ou não intromete em todos os casos. Assim se explicam pequenos equívocos na Bíblia como também erros ortográficos e notas erradas em músicas inspiradas. Na visão neo-ortodoxa se acha a frase: "A Bíblia é a palavra de Deus", mas não "palavras de Deus."[1]

Visão liberal e progressiva[editar | editar código-fonte]

Teólogos liberais e progressivos negam a inspiração como fonte principal de obras sacras e vêem nelas somente criações de pessoas profundamente religiosas, que certamente sabem muito de Deus em relação a outras pessoas, mas pouco diante da grandeza do mistério de Deus.

Visão católica[editar | editar código-fonte]

Na igreja católica existem várias correntes teológicas, mas a opinião oficial é que a Bíblia é inspirada na forma geral e não verbal.[2] A Bíblia tem que ser vista no contexto histórico e na luz da tradição católica.[3] Ao outro lado o papa reclama por si mesmo uma inspiração divina infalível, se ele fala "ex cathedra".

Visão da Reforma Evangélica[editar | editar código-fonte]

Os reformadores fortaleciam a Escritura e rejeitaram a tradição católica como fonte divina ao par da escritura. Martinho Lutero, que nasceu católico, partiu no início da Reforma da teoria, que não todas as partes da Bíblia seriam inspiradas. Mais tarde ele reconheceu todas as partes como inspiradas, assim como os outros reformadores. Ele falou também sobre várias músicas, que seriam inspiradas (de forma geral e limitada, destacando, porém, o hino em latim "Veni, sancte spiritus" (em alemão "Komm, heiliger Geist, Herre Gott")[4] [5]

Referências

  1. Dicionário teológico enciclopédico: Inspiração. Books.google.com.br.
  2. Durand, Alfred (1910). "Inspiration of the Bible". The Catholic Encyclopedia. Nova Iorque: Robert Appleton Company. Consultado em 15 de novembro de 2010. 
  3. Karl Keating: Inspiration. Respostas Católicas, em inglês. Catholic.com.
  4. O hino "Komm, heiliger Geist" no site da Igreja Evangélica da Alemanha (em alemão). Ekd.de.
  5. Veja Axel Bergstedt: Como o Espírito Santo fala com seus filhos. Axelbergstedt.blogspot.com.br.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]