Cooperação Econômica Ásia-Pacífico

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Cooperação Econômica Ásia-Pacífico
APEC
APEC memberstates(Pacific).svg

Estados membros da APEC
Fundação 1989
Tipo Fórum econômico
Sede  Singapura
Membros
Diretor Executivo Nova Zelândia Alan Bollard
Sítio oficial www.apec.org

A Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (em inglês: Asia-Pacific Economic Cooperation - APEC) é um fórum de 21 países-membros localizado no Círculo do Pacífico,[1] que visa promover o livre comércio e a cooperação econômica em toda a região da Ásia-Pacífico. A organização foi criada em 1989, em resposta à crescente interdependência das economias da região Ásia-Pacífico e do advento dos blocos comerciais regionais em outras partes do mundo e aos temores de que o Japão (que é altamente industrializado e um membro do G8) passasse a dominar a atividade econômica na região. Tem o objetivo de estabelecer novos mercados para os produtos agrícolas e matérias-primas para além da Europa (onde a demanda tinha vindo a diminuir).[2]

A APEC trabalha para elevar os padrões de vida e os níveis de ensino de seus membros através de um crescimento econômico sustentável e para fomentar um sentimento de comunidade e uma valorização de interesses compartilhados entre os países da região Ásia-Pacífico. O fórum inclui algumas das economias recém-industrializadas e seus membros são responsáveis por aproximadamente 40% da população, cerca de 54% do produto interno bruto (PIB) e aproximadamente 44% do comércio de todo o mundo.[3] [4]

São realizadas cúpulas anuais dos líderes da APEC, frequentadas pelos chefes de governo de todos os membros da APEC, exceto Taiwan (que é representado por um funcionário de nível ministerial sob o nome de Taipé Chinesa).[5] O local das reuniões muda todo ano entre as economias dos membros e uma tradição famosa, seguido pela maioria (mas não todos) as cúpulas, envolve que os líderes participantes vistam-se com um traje típico do país anfitrião.

Organização[editar | editar código-fonte]

Líderes da APEC reunidos na cúpula de 2007, em Sydney, na Austrália

A APEC se mantém através de contribuições anuais de seus países membros. Desde 1999 estas contribuições totalizaram 3,38 milhões de dólares. Este dinheiro é usado para manter uma pequena secretaria em Singapura e para apoiar os projetos da APEC. Desde 1997 o Japão vem contribuindo com uma quantia extra para projetos, que varia entre US$ 2,7 e US$ 4,2 milhões dependendo do valor em relação ao Iene. Os outros países também contribuem com um dinheiro extra para projetos ou outros interesses de seus líderes (como encorajar a participação de empresas não governamentais), além de enviar profissionais para as reuniões e para a secretaria do grupo.

A APEC é dividida em quatro grupos ou comitês, cada um responsável por determinada seção. O BMC é responsável pelos orçamentos e administração. O CTI comanda a facilitação e liberalização dos investimentos e do comércio. O EC conduz pesquisas e discussões que dizem respeito à economia. E o ESC auxilia os líderes dos países membros na administração e coordenação das agendas.

Cada país membro deve entregar, anualmente, um IAP (Individual Action Plan), no qual irá traçar seus objetivos individuais quanto à abertura do comércio e os investimentos. Simultaneamente ao IAP é desenvolvido o CAP (Collective Action Plan). Este traça as ações que deverão ser seguidas por todos os países membros quanto à abertura do comércio e os investimentos.

Todos os anos acontecem as seguintes reuniões:

  • Reunião dos líderes da APEC: Decidem a agenda política da APEC
  • Reunião dos ministros da APEC: Ocorre logo a seguir da primeira reunião, ministros da economia dos países decidem as atividades econômicas que serão tomadas pelos países.
  • Reunião dos ministros setoriais: Especialistas em vários setores se reúnem para aconselhar as medidas que cada país pode tomar em cada setor.
  • Reunião dos conselheiros econômicos: Estes conselheiros providenciam a APEC relatórios sobre a sua perspectiva de negócios e fazem recomendações para aumentar os negócios e os investimentos na região da APEC.

Objetivos[editar | editar código-fonte]

A criação da APEC muito contribuiu para o crescimento e desenvolvimento da região pacífico-asiática. Em sua primeira década de existência, 195 milhões de empregos foram criados, sendo 174 milhões nos países em desenvolvimento. O PIB da região triplicou e o dos países em desenvolvimento cresceu cerca de 70%. Investimentos internacionais aumentaram em 210% em toda a região e em 475% nos países em desenvolvimento. As exportações cresceram 113%, passando para mais de US$25 bilhões. A segurança contra o terrorismo e contra doenças infecciosas também aumentou.

Atualmente a APEC engloba quase metade da população mundial, ou seja, cerca de 3 bilhões de pessoas; seu PIB é de aproximadamente US$19 trilhões, 60% do PIB mundial; é responsável por cerca de 50% do comércio mundial, movimentando US$28 bilhões em exportações e US$30 bilhões em importações.

Países-membros[editar | editar código-fonte]

Países membros da APEC

A APEC é formada por países muito distintos econômica, política, social e culturalmente. Temos a maior potência mundial, o Japão e a China lado a lado com diversos países subdesenvolvidos. Para os EUA, a área de livre comércio é muito vantajosa, já que os principais produtos que importa são primários e matéria-prima, e exporta produtos industrializados. Já para os países subdesenvolvidos, a vantagem não é tão grande, já que eles aumentam a exportação, mas continuam dependentes da economia de países desenvolvidos.

Alguns países do leste africano questionam o objetivo da APEC, que acaba atuando como um mecanismo para abrir mercados e aumentar os lucros de países desenvolvidos, sem necessariamente beneficiar o conjunto da região.

Em 9 de setembro de 2005, os ministros das Finanças dos países membros da APEC se reuniram na Coreia e decidiram se unir para combater a alta do petróleo. Em um comunicado conjunto, os 21 membros da organização pediram “investimentos apropriados na produção de petróleo, nas capacidades de refinamento, além da transferência de tecnologia para a economia de energia”. Os ministros das Finanças pediram também uma redução nos sistemas de subsídio dos preços do combustível que mantêm artificialmente baixo o preço da gasolina ao consumidor, causando uma “distorção da demanda”. Vários países asiáticos, incluindo a China e a Indonésia, ainda dispõem de tais sistemas.

A China tem o maior percentual de crescimento entre os países membros da APEC, chegando a 7,8% mesmo com a epidemia de SARS em 2003, e não ficando abaixo de 7% nos anos seguintes. O país é considerado a locomotiva do crescimento de todo o bloco. Depois dela temos a economia do Vietnã e Tailândia, que apresentam crescimentos notórios, seguidos, surpreendentemente, pelos EUA e Japão, países que há muito não apresentavam tão significativo desenvolvimento, tendo o Japão sido considerado o “doente da Ásia”.

A explicação para esse crescimento é a chamada “economia de conhecimento”. Segundo estudos, quanto maior é o progresso do país nos setores baseados no conhecimento, (informática, comunicações e pesquisa) maiores são seus índices econômicos gerais e mais seguro é seu crescimento. A ciência universitária e corporativa, a compra e venda de informações e propriedade intelectual, a aplicação de conhecimentos na atividade empresarial formam um sistema que foi chamado de “produção de conhecimentos”. E esta é uma produção que, como se torna agora evidente, muda os destinos de países inteiros e promove o desenvolvimento de toda a região. Vale destacar a situação da Rússia perante esse novo sistema, que apresentou um crescimento de 6% e que graças ao seu potencial da “economia do conhecimento” pode depositar esperanças no prosseguimento deste crescimento.

Membro (nome usado na APEC) Data de adesão
 Austrália Novembro de 1989
 Brunei Darussalam Novembro de 1989
 Canadá Novembro de 1989
 Estados Unidos Novembro de 1989
 Indonésia Novembro de 1989
 Japão Novembro de 1989
 Coreia do Sul Novembro de 1989
 Malásia Novembro de 1989
 Nova Zelândia Novembro de 1989
 Filipinas Novembro de 1989
 Singapura Novembro de 1989
 Tailândia Novembro de 1989
Flag of the Republic of China.svg Taipé Chinesa[nota 1] Novembro de 1991
 Hong Kong[6] Novembro de 1991
 República Popular da China Novembro de 1991
 México Novembro de 1993
 Papua Nova-Guiné Novembro de 1993
 Chile Novembro de 1994
 Peru Novembro de 1998
 Rússia Novembro de 1998
 Vietnã Novembro de 1998

Líderes[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Como a República Popular da China (RPC) não reconhece a República da China (ROC) como um Estado soberano e independente, a APEC usa a designação Taipé Chinesa para se referir ao país, que também é conhecido como "Taiwan" (ver: estatuto da República da China).

Referências

  1. Member Economies - Asia-Pacific Economic Cooperation. Apec.org. Acessado em 12 de abril de 2014.
  2. CHAPTER 5, Back to Canberra: Founding APEC
  3. APEC Secretariat website. Acessado em 10 de novembro de 2014.
  4. APEC Economic Trends Analysis em 2012 - Acessado em 10 de novembro de 2014.
  5. Conditions not right for APEC attendance: Ma. The China Post (27 de agosto de 2013). Acessado em 12 de abril de 2014.
  6. Hong Kong aderiu ao APEC em 1991 durante a administração britânica. Em 1997, Hong Kong tornou-se uma Região Administrativa Especial da República Popular da China

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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