Língua somali

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Somali (af Soomaali)
Falado em: Somália, Etiópia, Djibuti, Quênia significantes comunidades na Europa, América do Norte, e Iémen.
Total de falantes: 10-16.000.000
Posição: 49ª mais falada
Família: Afro-asiática
 Cuchita
  Oriental
   Somali
Escrita: Alfabeto latino
Códigos de língua
ISO 639-1: so
ISO 639-2: som

A língua somali é falada na Somália, Etiópia, Quênia e Djibuti. Faz parte do subgrupo cuchítico da família das línguas afro-asiáticas. Suas línguas mais próximas são as línguas afar e oromo. Dentre as línguas cuchíticas é a mais bem documentada, com estudos acadêmicos desde 1900.

Falantes[editar | editar código-fonte]

As estimativas quanto à quantidade de falantes variam muito: A falta de censo estatístico na terra pátria (Somália) e uma grande quantidade de expatriados refugiados torna impossível avaliar corretamente a quantidade de falantes de somali. Estimativas plausíveis ficam entre 10 a 16 milhões no mundo, sendo que cerca de meio milhão têm o somali com segunda língua.

Uma fonte estima que haja 7,78 milhões de falantes de Somali na Somália e mais 4,87 milhões em outros países.[1] . A "Dutch Universiteitsbibliotheek Utrecht" (Biblioteca Universitária Holandesa de Utrecht) avalia os falantes de somali em 10 a 15 milhões.[2]

Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

Mapa da Somália

A língua Somali é falada pelos na Somália, Djibuti, Etiópia, Yemen, Quênia e na diáspora somali.

Mapa da Distribuição da Língua Somali

História[editar | editar código-fonte]

Antes do período colonial, os somalis letrados e os religiosos escreviam, ou em alfabeto árabe, ou simplesmente transliteravam "ad hoc" do somali para a escrita árabe. Uma carta de Sayyid Mohammed Abdullah Hassan (líder religioso e nacionalista da Somália a um intelectual, que foi de conhecimento das autoridades coloniais, foi escrita em Árabe. O Qur'an (Corão) era ensinado em toda a Somália, ficando as crianças expostas ao alfabeto árabe desde cedo. Conforme materiais descobertos em 1940, muitas inscrições em túmulos e cartas antigas mostram que, a exemplo do que ocorre hoje em urdu e um persa (farsi), a língua era escrita em alfabeto árabe. Porém, não havia uma codificação padronizada para esse uso e não se sabe exatamente acerca da extensão desse uso.

Nos anos 20 houve diversas tentativas para padronizar o uso do diferentes alfabetos para esta língua, sendo que em 1972 foram distribuídos panfletos ao público de uma partida de futebol num estádio de Mogadíscio (10 de outubro) definindo padronizações.

Os primeiros dicionários compreensivos foram produzidos em 1976, os Qaamuus kooban ee af Soomaali ah e Qaamuuska Af-Soomaaliga. Dos servidores públicos foi exigida a aprovação em exames de proeficiência linguística somali. Em campanha de alfabetização rural, estudantes eram enviados a áreas rurais para ensinar a nova escrita. Assim, conforme relatórios, por volta de 1978, a maioria dos somalis eram alfabetizados, no mais rápido desenvolvimento de alfabetização ocorrido na história da África. Porém, mais recentemente, com a falência de um governo central e o fim do estado de direito na Somália depois da guerra civil, houve significativa queda no índice de alfabetização e uma estagnação no desenvolvimento do idioma somali.

Situação oficial[editar | editar código-fonte]

Em 1972, o então presidente, Siad Barre, decretou o Somali como língua nacional e oficial da Somália, na sua forma padrão com o uso do alfabeto latino. Como o país esteve sob domínio de diversos países europeus com línguas diferentes, durante a transição para a independência foram usadas essas línguas pelo governo, em especial na educação profissional onde o inglês se mostrou importante. Até à decisão de Siad Barre, o uso da escrita do somali era uma questão complexa e causava polêmicas. Numa única ocasião em que o único jornal de Mogadício, "Corriere della Somalia", que normalmente apresentava três páginas em italiano e uma em árabe, apresentou uma página em somali escrita em letras latinas, houve ruidosos protestos contra o uso de um "alfabeto infiel". Desde o colapso do governo central do país na Guerra Civil Somali nos anos 90, o somali ficou como língua oficial do país e dos governos regionais como Somalilândia e Puntlândia.

Dialetos[editar | editar código-fonte]

Os dialetos somalis se dividem em três grupos:

  • Norte-Central - forma a base do "somali padrão"
  • Benaadir - somali do litoral, falado na costa de Benadir desde Cadale até o sul de Marka, incluindo Mogadício e áreas interiores mais próximas, apresenta fonemas adicionais que não existem na língua "padrão".
  • Maay - Trata-se praticamente de uma outra língua com seus próprios dialetos, incompreensíveis para a maioria dos falantes de "somali padrão". É falada pelos clãs Digil e Mirifle (chamados também de Rahanweyn) que vivem no sul da Somália. Outras línguas desses grupos são Dabare, Garre, Tunni Central e Jiido, esta última a mais incomprensível de todas para os falantes de somali. Essas línguas dos Digil e Mirifle diferem do "somali padrão" por não apresentarem sons faringeais. A retroflexiva /ɖ/ é substituída por /r/ em alguns casos.

Escrita[editar | editar código-fonte]

Há mais de uma escrita para a língua somali [3] :

Escrita Osmanya[editar | editar código-fonte]

Alfabeto criado entre 1920 e 1922 por Cismaan Yuusuf Keenadiid, irmão do Sultão de Obbia. Em somali é denominada far soomaali (escrita somali) ou cismaanya. Já houvera uma tentativa pelo Sheikh Uweys para desenvolver um escrita somali com base no alfabeto árabe, a qual foi substituída por uma ortografia latina desenvolvida por Muuse Xaaji Ismaaciil Galaal (1914-1980). É escrita da direita para a esquerda.

São 30 caracteres, sendo 9 para sons vogais de 21 para sons consoantes. apresenta também 9 caracteres próprios para algarismos mais o "zero". O nome das letras se baseia no alfabeto árabe, as letras waw e ya são usadas para indicar as vogais longas uu e ii. Os quatro tons da língua não são marcados na escrita. Esses tons indicam número, gênero e caso gramatical.

Não é mais usada hoje essa escrita, embora nos anos 70 uma boa quantidade de pessoas ainda a usava para corespondência pessoal. Poucos livros e revistas chegaram a ser publicados nesse alfabeto.

Escrita Borama[editar | editar código-fonte]

A escrita Borama ou Gadabuursi foi criada em 1933 pelo Sheikh Abdurahman Sheikh Nuur, tendo sido usada somente pelos mais próximos do Sheikh's em Borama.

São 25 caracteres com aparência intermediária entre o alfabeto latino e o alfabeto árabe, sendo 6 vogais e 19 consoantes. Há ainda dois conjuntos de caracteres, um para vogais e um para consoantes

Escrita Wadaad[editar | editar código-fonte]

Usa o alfabeto árabe, existe desde o século XIII e foi implantada pelo Sheikh Yusuf al-Kowneyn para ajudar no ensino da língua korani. No século XIX, o Sheikh Uways al-Barawi melhorou essa escrita Somali para uso no dialeto Maay. O linguista Somali Muuse Xaaji Ismaaciil Galaal produziu radicais alterações na expressão da pronúncia da escrita árabe e introduziu novos símbolos para vogais nos anos 50.

Alfabeto latino[editar | editar código-fonte]

Usada desde 1922, usando o alfabeto latino do inglês sem P, V e Z. Não há diacríticos, exceto o apóstrofo (') para som "stop glotal" (nunca é inicial). Há três dígrafos de consoantes: DH, KH, SH. Não há marcação para os tons, nem distinção gráfica para vogais frontais ou posteriores. As vogais longas são indicadas pela duplicação gráfica. Letras maiúsculas são usadas no início de frases e em nomes próprios.

Gramática[editar | editar código-fonte]

A língua somali é uma língua aglutinativa, usando marcadores para caso gramatical, gênero e número. As maiores diferenças de características entra a língua somali e a maioria das línguas indo-europeias incluem:

  • Diversas formas para os pronomes pessoais.
  • Partículas usadas para significar o "foco" de uma frase.
  • Significativo uos dos tons para indicar caso, gênero e número. O gênero muda entre a forma singular e plural.

Vocabulário[editar | editar código-fonte]

O somali apresenta muitas palavras originárias do árabe, do persa e, mais recentemente, das línguas dos colonizadores, do inglês e do italiano. As palavras que vieram do árabe são principalmente as de fundo religioso (os somalis são sunitas em sua maioria), de vida pastoral e do dia a dia mais tradicional. Assim como nas palavras de origem árabe incorporadas às línguas indo-européias, essas palavras muitas vezes já incoporam o artigo "al". Ex.: Somali albaabka (a porta), do árabe الباب al baab. Um grande número de neologismos ligados ao governo e à educação surgiram para expressar conceitos depois que o somali se tornou a língua oficial da Somália.

Amostra de Texto[editar | editar código-fonte]

Aadanaha dhammaantiis wuxuu dhashaa isagoo xor ah kana siman xagga sharafta iyo xuquuqada Waxaa Alle (Ilaah) siiyay aqoon iyo wacyi, waana in qof la arkaa qofka kale ula dhaqmaa si walaaltinimo ah.

Tradução:

Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Eles são providos de razão e consciência e devem agir uns em relação aos outros num espírito de fraternidade. (Artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos)

Referências[editar | editar código-fonte]

Referência externas[editar | editar código-fonte]

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