Língua hadza

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Hadza
Falado em: Tanzânia (povo hadza)
Região: Lago Eyasi
Total de falantes: 975 (2005)
Família: Isolada ou Khoisan
 Hadza
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: ---
ISO 639-3: hts

Hadza é uma língua isolada falada por menos de mil pessoas do povo hadza que vivem às margens do Lago Eyasi em Tanzânia, a noroeste dos sandawe, a sudoeste do Lago Vitória nas áreas dos doe Singida, Arusha e Shinyanga. .

História[editar | editar código-fonte]

O povo hadza é composto parcialmente por caçadores coletores, apesar dos esforços feitos para assentá-los. Mesmo com pouquíssimos falantes, o uso da língua é bem forte, as crianças ainda aprendem hadza. Porém, com a recente erradicação das moscas “tsetse”, as terras onde viviam os hadza vêm sendo gradativamente ocupadas por criadores de gado, queima de madeira para carvão, caçadores esportivos e fazendeiros, que faz com que o povo hadza venha perdendo sua terra, florestas, água e comida.

Classificação[editar | editar código-fonte]

Hadza sempre tem sido classificada como pertencente ao grupo das línguas khoisan, junto com sua vizinha língua sandawe pelo fato das duas línguas apresentarem cliques nas consoantes. Porém, Hadza apresenta muito poucos cognatos tanto com sandawe, como com as diversas línguas khoisan e os poucos verificados são duvidosos. As ligações com sandawe, por exemplo, parecem ser apenas de palavras vindas do cuchítico e as ligações com as demais línguas da África Meridional são poucas e de fraca significância.Ex.; o uso de sílabas comuns do tipo C+V, o que pode ser uma simples coincidência e outros cognatos espúrios, vindos talvez da língua “oropom”.

Outros nomes[editar | editar código-fonte]

Hatsa, Hadzapi, Hadzabi, Kindiga, "Tindiga", Wakindiga, Kangeju;

Bali pode ser considerado um dialeto do hadza;

Hadza e origens da linguagem[editar | editar código-fonte]

Em 2003 a imprensa mundial veiculou teorias de Alec Knight e Joanna Mountain da Universidade de Stanford no sentido de que as linguagens humanas mais primitivas apresentavam cliques. As evidências seriam genéticas: as Línguas “Ju/’hoan” e “Hadza” tem uma “DNA mitocondrial” mais divergente dentre todas as línguas humanas, o que colocaria esses dois idiomas entre os mais antigos e mais primitivos, cujos falantes teriam dado origem a todas as famílias lingüísticas. Assim, as três primeiras divisões das líguas humanas seriam Hadzabe, Juǀʼhoansi e derivadas, e, então todas as demais. Desse modo, se dois desses grupos têm cliques nos seus idiomas, o terceiro grupo e o ancestral único (portanto, todas as línguas do mundo) também teriam “nascido” com cliques;

Porém essas teorias tiverem seus opositores por certas razões:

  • Ambas línguas parecem ter se mantido intactas desde os primórdios da humanidade, sem desvios significativos.
  • Nenhuma das duas adquiriu cliques de outras por Sprachbund, como ocorreu com o xosa e com o sesotho;
  • Nenhum dos ancestrais dos juǀʼhoansi ou dos hadzabe desenvolveram cliques de forma independente.

O próprio Alec Knight sugeriu certas vantagens para os cliques da linguagem. Quando caçando, os juǀʼhoansi informavam não usar sua linguagem do dia a dia, pois isso poderia espantar as presas. Nas caçadas se comunicavam por gestos e pelos cliques. Os hadzabe são, porém, caçadores geralmente solitários, o que contrariaria o uso dos cliques. Se Knight estivesse correto e os cliques provessem vantagens aos caçadores das savanas, seria insustentável acreditar que somente eles, os juǀʼhoansi e os hadzabe, usassem essa comunicação nessas regiões. Como, ao longo de dezenas de milhares de anos, os cliques não teriam se espalhado por áreas bem maiores. Porém, os hadza têm a maioria da aplicação dos cliques no seu vocabulário ligado às atividades de caça e nomes de animais.

Fonologia[editar | editar código-fonte]

Tons[editar | editar código-fonte]

Não se sabe ao certo se hadza apresenta ou não “tons” léxicos. Pode haver um sistema de tonicidade, mas esses detalhes ainda requerem mais estudos.

Vogais[editar | editar código-fonte]

Hadza tem as cinco vogais [i e a o u]. Podem ocorrer vogais longas como [ɦ] no caso de [kʰaɦa] ou [kʰaː] para “pular” sobre uma vogal “nasal”, embora isso seja pouco comum. As vogais podem ser nasalizadas diante de cliques nasais fracos.

Consoantes[editar | editar código-fonte]

Labial Dental / Alveolar Palatal /
Palato-Alveolar
Velar Glotal
Central sibilante Central plena Lateral Central sibilante Lateral Plena Labialização
Clique Aspirada kǀʰ kǃʰ kǁʰ
Tênue
Nasal ŋǀ ŋǃ ŋǁ
muda (fraca) glotalizada nasal (ŋ̊ʘʔ) ŋ̊ǀʔ ŋ̊ǃʔ ŋ̊ǁʔ
Plosiva
and
Africativa
Aspirada tsʰ tʃʰ cʎ̥ʰ kʷʰ
Tênue p ts t cʎ̥ k ʔ
Forte vocal b dz d ɡ ɡʷ
Ejetiva (pʼ) tsʼ tʃʼ cʎ̥ʼ kxʼ kxʷʼ
Aspirada pre-nasalizada m ntsʰ n ŋ
Vocal prenasalizada mb ndz nd ɲ ŋɡ ŋɡʷ
Nasal m n ɲ ŋ ŋʷ
Fricativa f s ɬ ʃ
Aproximante ɾ ~ l j w ɦ

Nota: a labial ejetiva /pʼ/ é encontrada em pouquíssimas palavras. A clique labial /ŋ̊ʘʔ/ existe numa única palavra e se alterna com /ŋ̊ǀʔ/. A lateral /l/ aparece como a flap [ɾ] quase sempre entre vogais..

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Sands, Bonny E. (1998) 'The Linguistic Relationship between Hadza and Khoisan' In Schladt, Matthias (ed.) Language, Identity, and Conceptualization among the Khoisan (Quellen zur Khoisan-Forschung Vol. 15), Köln: Rüdiger Köppe, 265-283.
  • Bonny Sands, Ian Maddieson, Peter Ladefoged (1993). 'The Phonetic Structures of Hadza', UCLA Working Papers in Phonetics, No. 84: Fieldwork Studies in Targeted Languages.
  • A.N. Tucker, M.A. Bryan, and James Woodburn as co-author for Hadza (1977). 'The East African Click Languages: A Phonetic Comparison'. In J.G. Moehlig, Franz Rottland, Bernd Heine, eds, Zur Sprachgeschichte und Ethnohistorie in Afrika. Berlin: Dietrich Diener Verlag.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]