Língua lusoga

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Lusoga
 (Soga)
Falado em: Uganda Uganda
Região: Região de Busoga e arredores
Total de falantes: Primeira língua: + 3 milhões
Segunda língua: + 100 000 (2007)
Posição: ~ 136
Família: Nigero-congolesa
 Atlântico-Congo
  Volta-Congo
   Benue-Congo
    Bantóide
     Meridional
      Bantu-estreito
       Central
        J
         Nyoro-Ganda
          Lusoga
Regulado por: Lusoga Language Authority (LULA)
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: xog
ISO 639-3: xog


LuSoga (soga) é uma língua tonal falada em ‎‎Uganda. É a língua nativa do povo original da região de Busoga. Em termos de número de falantes, é uma das maiores línguas de Uganda, após o inglês, suaíli, e luganda. No entanto seus falantes se concentram principalmente na região de Busoga, sul de Uganda sendo o número estimado de mais de 3 ‎milhões de pessoas (2007), localizados principalmente nos arredores do Lago ‎Victoria ao sul, Lago Kyoga ao norte, o Nilo a oeste e o Rio Mpologoma (Leão) a leste do distrito de Iganga. Como se trata de uma língua tonal, o significado da palavra pode mudar dependendo da entonação com que é dita, algumas palavras são diferenciadas por pitch. Palavras pronunciadas da mesma maneira podem mudar o significado de acordo com o pitch. O lusoga é rico em metáforas, provérbios e contos. ‎

História e desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

O lusoga, a língua nativa do povo de Busoga, se desenvolveu como uma língua oral na maior parte de sua história. Sua forma escrita é recente e se desenvolveu com a chegada dos árabes e missionários e comerciantes europeus. Foi na segunda metade do século dezenove que o lusoga foi escrito pela primeira vez e começou a ter materiais impressos.

A língua lusoga é muito similar às línguas vizinhas, como luganda ‎e lugwere. Acredita-se que o povo que atualmente habita do sul de Busoga originalmente habitava Buganda quando no século 14th dominou os habitantes locais ‎‎- os luo que haviam migrado de Iteso ao norte, tendo que se mover para o nordeste.

O lusoga é usado em algumas escolas primárias de Busoga ao mesmo tempo em que as crianças começam, a aprender inglês, a língua oficial de Uganda. Também é ensinada nas escolas secundárias e há cursos disponíveis em instituições de ensino superior tais como a Universidade Busoga e a Universidade Makerere.

Dialetos[editar | editar código-fonte]

‎Lingüisticamente, o busoga é parte do grupo das línguas bantus. Originalmente, ‎a língua lusoga compreendia a vários dialetos resultantes da mistura de diferentes povos durante o período de migração, séculos 17 e 18. Havia tantos dialetos do lusoga que foi difícil chegar a algum acordo sobre qual a pronúncia correta de certas palavras. Por exemplo, o dialeto do norte de Busoga possui um 'H' distinto em seu vocabulário, mas os do sul não o têm. Busoga foi dividido em duas zonas dialetais principais. Ao norte de ‎‎Busoga, os dialetos lulamogi e lupakoyo são os mais falados. O ‎‎lupakoyo é um pouco similar ao runyoro. Havia um cinturão de dialetos associados ao runyoro ‎que ia de Bunyoro, passando pela região norte de ‎‎Buganda, e por ‎‎Busoga. Ao sul de Busoga um dialeto conhecido como lutenga tem sido tradicionalmente falado, lembra um pouco o luganda. Dialetos relacionados também são falados nas Ilhas Sesse, Ilha Buvuma e a leste de Buganda.‎

Mas como estabelecimento do Lusoga Language Authority (LULA), o Reino de Busoga ‎promoveu uma língua lusoga padronizada. Foram realizadas várias pesquisas sobre o lusoga bem como a produção de várias obras literárias. Muitas publicações em lusoga podem ser encontradas no Busoga Cultural Centre Offices library localizado em Nile ‎garden na cidade de Jinja. Muitos estão disponíveis em livrarias em Busoga ‎e também na capital Kampala assim como outras partes do país. Publicações importantes em lusoga incluem a Bíblia, livros de gramática, ‎lendas, provérbios, estórias e um dicionário lusoga/inglês.

Gramática e vocabulário[editar | editar código-fonte]

‎Em comum com outras línguas bantus tonais, o lusoga possui um sistema de classes substantivos na qual prefixos marcam o gênero da palavra. Pronomes, adjetivos, e verbos refletem o gênero do substantivo dos nominais aos quais se referem. Alguns exemplos de classes substantivas: ‎

Prefixos possessivos[editar | editar código-fonte]

‎Nas línguas bantus faladas na área do Lago Victoria em Uganda, os substantivos são indicados principalmente por prefixos variáveis: seres humanos são indicados pelos prefixos ba- (plural), e mu- (singular), e o nome de um país por Bu-.

  • mu - perssoa (singular), e.g. musoga = nativo de Busoga
  • bu - terra, e.g Busoga = terra dos basoga.
  • lu - língua, e.g. Lusoga = a língua dos basoga.
  • ba - povo, e.g. Basoga = o povo de Basoga.
  • ki – fantasias ou tradições, e.g. kisoga = descreve a tradição religiosa ou cultura do povo basoga.

Pronomes reflexivos[editar | editar código-fonte]

  • Nze – mim
  • Iwe/Imwe – ti

Pronomes sempre juntos ao verbo[editar | editar código-fonte]

  • N – I
  • O – Você
  • A – Ele/ela
  • Tu – Nós
  • Mu – Vocês
  • Ba – Eles

Demonstrativos[editar | editar código-fonte]

  • Wano – Aqui
  • Kino – Esse (coisa)
  • Ono – Esse(pessoa)
  • Oyo – Este (pessoa)
  • Bino – Estes (coisas)

Interrogativos[editar | editar código-fonte]

  • Ani – Quem
  • Ki – O que
  • Lwaki - Por que?
  • Tya – Como?

Cumprimentos[editar | editar código-fonte]

As saudações em lusoga são feitas da mesma forma que nos países ocidentais. No entanto possuem uma natureza mais informal que no Ocidente, sua forma depende do período do dia e do tempo transcorrido desde o último contato com o cumprimentado.

O diálogo seguinte ilustra uma forma simples de se cumprimentar alguém do mesmo nível ou um idoso de uma maneira respeitosa:

Pessoa A:
Wasuzotya (osiibyotya) ssebo (nnyabo)? – Como dormiu? (Como foi seu dia?) senhor/senhora?
Pessoa B:
Bulungi, wasuzotya (osiibyotya) ssebo (nnyabo)? – Bem, Como dormiu? (Como foi seu dia) senhor/senhora? – Bem, Como dormiu? (Como foi seu dia) senhor/senhora?
Pessoa A:
Bulungi ssebo (nnyabo) – Bem senhor/senhora

A natureza pessoal dos cumprimentos se dá quando o indivíduo que está sendo cumprimentado opta por responder a questão ao invés de simplesmente responder que vai bem. É como ser perguntado "Como vai?" e responder "Como vai?" No entanto, em lusoga, o indivíduo sendo cumprimentado é livre para entrar em pequenos detalhes ao dar uma resposta a uma saudação.

Além disso, a simples eliminação do senhor/senhora pode gerar o mesmo efeito que em português. O diálogo acima apenas se torna uma saudação a uma pessoa devido ao fato de que algumas palavras podem ser um misto de muitas outras e.x "Wasuzotya" é a combinação do prefixo regular (Wa - você), a palavra (sula - dormir), e o sufixo singular (otya – como fez?) falada como uma com uma forma plural que subsequentemente se torna "Mwasuze mutya" que é composta de duas palavras distintas derivadas de dois prefixos plurais, a palavra, e a forma plural do sufixo. Às vezes é impossível não separar a forma plural.

Introduções[editar | editar código-fonte]

  • Ninze Nankwanga – Eu sou Nankwanga

Alguns verbos comuns[editar | editar código-fonte]

Para conjugar um verbo basta remover o ‘oku’ e substituí-lo pelo pronome necessário ex. n, o, a, tu, mu, ba.

  • Exemplo:
    • okukola – trabalhar/fazer,
      • nkola – eu trabalho/faço,
      • okola – você trabalha/faz,
      • akola – ele/ela trabalha/faz,
      • tukola – nós trabalhamos/fazemos,
      • mukola – vocês trabalham/fazem,
      • bakola – eles trabalham/fazem.
  • Okukola – trabalhar/fazer,
  • Okusoma – ler/estudar
  • Okunhwa – beber
  • Okulya – comer (Atenção, o exemplo acima nem sempre funciona com todas as formas de palavras, pois alguns verbos são irregulares e.x o singular de aqui é Ndya. que no entanto significa começar)
  • Okutambula – andar
  • Okuvuga – dirigir/caminhar
  • Okusobola – ser capaz de
  • Okutwala - levar
  • Okuseka - rir

Números[editar | editar código-fonte]

1 - 10 11 - 19 20 - 29 30 - 39 40 - 49
1 – Ndala 11 – Ikumi na ndala 20 – Abiri 30 – Asatu 40 – Ana
2 – Ibiri 12 – Ikumi na ibiri 21 – Abiri na ndala 31 – Asatu na ndala 41 – Ana mu emu
3 – Isatu 13 – Ikumi na isatu 22 – Abiri na ibiri
4 – Ina 14 – Ikumi na ina
5 – Itaanu 15 – Ikumi na itaanu
6 – Mukaga 16 – Ikumi na mukaga
7 – Musanvu
8 – Munana
9 – Mwenda
10 – Ikumi

Aprendendo a contar de 1 a10 e 20, 30, 40, o resto será fácil, basta juntar um número a outro.

50 - 99 100+
50 – Ataano 100 – Kikumi
60 – Nkaga 110 – Kikumi na ikumi
70 – Nsanvu
80 – Kinana
90 – Kyenda

Dizendo as horas[editar | editar código-fonte]

Dizer as horas em lusoga se dá de uma maneira diferente de como o fazemos em português, pois as horas da escuridão correspondentes a PM também inclui as primeiras horas da manhã. Você acorda às 6:00 am enquanto um musoga acordando no mesmo momento diria "essawa erii ikumi na ibiri munkyo (são 12 da manhã)". Essencialmente, o número representando a hora atual é escondido atrás de seis. O tempo é dito se usando a palavra ‘essaawa’, e.x., essaawa ndala – 7 horas.

Comida[editar | editar código-fonte]

  • Comida – Emmere
  • Açícar – Sukaali
  • Café – Kaawa
  • Leite – Amata
  • Galinha – Nkoko
  • Colher de chá – Kajiiko
  • Prato – Sowaani
  • Caçarola – Sefuliya
  • Copo – Kikopo

Frases gerais e vocabulário[editar | editar código-fonte]

  • Quanto?(preço) - Ssente imeka
  • Quarto – ekisenge
  • Mesa – Meeza
  • Casa – Enhumba
  • Cozinha – Eifumbiro
  • Porta – Olwiggi
  • Cadeira – Entebe
  • Espere! – Linda!
  • Viagem – Olugendo
  • Saia – Fuluma
  • Amanhã – Olwaidho
  • Devagat – Mpola
  • Rápido – Mangu
  • Senhor – Mwami
  • Senhora – Mukyala
  • Meu amigo! – Munange!
  • Meus amigos! – Banange!
  • Debaixo - Wansi/Ghansi
  • Tio - Senga
  • Pessoa -Omuntu
  • Homem - Omusaiza/omusaadha
  • Mulher - Omukazi
  • Criança -Omwaana
  • Pessoa branca -Omuzungu
  • Lâmpada - Eitaala
  • Lua/mês - Omwezi

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Fallers, Margaret Chave (1960) The Eastern Lacustrine Bantu (Ganda and ‎‎Soga). Ethnographic survey of Africa: East central Africa, Vol 11. London: ‎‎Onternational African Institute.‎
  • Van der Wal, Jenneke (2004) Lusoga Phonology. MA Thesis, Leiden ‎University.‎
  • Cohen, David William (1970). A survey of interlacustrine chronology. The ‎Journal of African History, 1970, 11, 2, 177-202.‎
  • Cohen, David William (1986). Towards a reconstructed past : Historical texts from ‎‎Busoga, Uganda. Fontes historiae africanae. Oxford: ‎Oxford University Press.‎
  • Fallers, Lloyd A (1965) Bantu Bureaucracy - A Century of Political evolution ‎among the Basoga of Uganda. Phoenix Books, The University of Chicago.‎


Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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