Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente

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Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente
(FRETILIN)
Paz, estabilidade e desenvolvimento
Presidente Lu Olo
Primeiro-secretário Mari Alkatiri
Fundação 11 de setembro de 1974 (39 anos)
Sede Avenida Mártires da Pátria, Comoro, Dili, Timor-Leste
Antecessor ASDT (1974)
Afiliação internacional Internacional Socialista (observador)
Parlamento Nacional do Timor-Leste
25 / 65
Espectro político Esquerda[1]
Alas jovens OJETIL
OPJT
Ala feminina OPTM
Cores Vermelho, amarelo e preto

A Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (FRETILIN) é um partido político de esquerda de Timor-Leste.

Foi anteriormente um movimento de resistência que lutou pela independência de Timor-Leste, primeiro de Portugal e depois da Indonésia, entre 1974 e 1998. Era originalmente a Associação Social Democrática Timorense (ASDT). Após Timor-Leste obter a independência da Indonésia, a FRETILIN tornou-se um partido político.

O líder mais proeminente da FRETILIN é José Ramos Horta, que em dezembro de 1996 dividiu o Prêmio Nobel da Paz com seu compatriota, o Bispo Carlos Filipe Ximenes Belo.

História[editar | editar código-fonte]

Após a Revolução dos Cravos em Portugal em abril de 1974, surgiram no Timor Português os primeiros partidos políticos. Posteriormente estes foram legalizados pelo novo governador Mário Lemos Pires, para a disputa das primeiras eleições livres, que formariam a Assembleia Constituinte da colônia.

Em 20 de maio de 1974, Francisco Xavier do Amaral, Nicolau dos Reis Lobato e outros ativistas, formaram um partido denominado Associação Social-Democrata Timorense (ASDT). Eles buscavam uma rápida independência de Portugal, enquanto que outros partidos defendiam a manutenção do vínculo colonial (com certa autonomia), ou uma estreita integração com a Indonésia ou a Austrália. Seu primeiro Secretário-geral foi Alarico Fernandes; sendo Justino Mota como Segundo Secretário; como Secretário de Assuntos Políticos, Mari Alkatiri, e; como Secretário para as Relações Externas, José Ramos-Horta. Em 11 de setembro 1974 o ASDT foi renomeada, passando a chamar-se Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (FRETILIN).[2] [3]

Luta pela independência contra Portugal[editar | editar código-fonte]

Nas eleições municipais realizadas de meados de 1975 os candidatos da ASDT/FRETILIN ganharam mais 55% dos votos. O segundo lugar ficou com os candidatos da União Democrática Timorense (UDT), partido que mantinha estreitos laços com Portugal; e o terceiro lugar com a Associação Popular Democrática Timorense (APODETI), que defendia a integração de Timor-Leste á Indonésia.[4] O resultado da eleição foi contestado pelos partidos derrotados, que imediatamente entraram em conflito contra o partido vencedor. O conflito se arrastou de agosto e durou até dezembro de 1975, com a FRETILIN capturando ou expulsando todos os opositores do território. Durante estes conflitos foi constituído o braço armado do partido, a FALINTIL, que anos mais tarde (após a independência da Indonésia) tornaria-se a base das Forças Armadas de Timor-Leste.

Logo após a declaração de independência do Timor em relação á Portugal em 1975, assumiram como Presidente do país, Francisco Xavier do Amaral (1975), e Nicolau dos Reis Lobato (1975-1979). Como primeiro-ministro assumiu Nicolau dos Reis Lobato (1975). Ambos os políticos eram líderes da FRETILIN.

Em novembro de 1975, quando o Timor declarou sua independência de Portugal, a FRETILIN recebeu apoio maciço da população para que assumisse o poder na ilha. A FRETILIN era acusada pela Austrália e pela Indonésia de ser comunista (ou marxista), por ter um programa com fortes tendências coletivistas. Aliado a isto o nome da FRETILIN soava semelhante ao do movimento marxista-leninista FRELIMO, que atuava em Moçambique. A desconfiança das principais potências regionais (Austrália e Indonésia) empurrou a FRETILIN para o campo marxista - que acabou por apoiar o movimento. A escalada da guerra Fria levou os Estados Unidos e a Austrália a dar suporte á fatídica invasão e ocupação da Indonésia sobre os territórios de Timor, ocorrida poucos dias depois da proclamação da independência.

Luta contra a ocupação indonésia[editar | editar código-fonte]

Campanha presidencial de 2007

A FRETILIN, com apoio do bloco comunista, ainda conseguiu manter grandes porções do território timorense livre da ocupação Indonésia até 1979. Entretanto a dificuldade de se conseguir munições e o isolamento cada vez maior enfrentado por causa bloqueio da aliança tríplice Indonésia-EUA-Austrália empurrou o movimento para áreas remotas de Timor. Depois de 1979 a resistência tornou-se pontual, e passou a utilizar-se de sabotagem contra a Indonésia.

Em 1981 a Conferência Nacional da FRETILIN foi realizada secretamente em Lacluta. Nesta conferência Xanana Gusmão foi eleito chefe do braço armado do grupo, a FALINTIL. Sob sua liderança o movimento construiu núcleos secretos de resistência em todo o Timor Timur (nome do Timor-Leste sob domínio indonésio) com o objetivo de atacar órgãos e instalações da Indonésia. Gusmão coordenou a luta até que ele foi preso em 1992 em uma operação que contou com 40 mil soldados indonésios.

Em 31 de março 1986 foi criada a aliança Convergência Nacional Timorense (CNT), composta pelos partidos UDT, FRETILIN, Klibur Oan Timor Aswain (KOTA) e do Partido Trabalhista Timorense (PT). Esta aliança tinha o intuito de coordenar conjuntamente a luta por Timor, ainda muito fragmentada. Entretanto as divisões internas na CNT obrigaram que ela fosse dissolvida logo em seguida.

Em 20 de agosto 1987 a FALINTIL foi convertida por Gusmão em um exército regular para resistência timorense. Na prática isto significava que a FALINTIL deixava de ser exclusivamente ligada á FRETILIN. Havia a partir de então um recrutamento regular para novos quadros do antigo braço armado partidário.

Em uma convenção em 1988 foi finalmente estabelecido que Gusmão e José Ramos-Horta (porta-voz do governo timorense no exílio e representante nas Nações Unidas) liderariam uma nova aliança suprapartidária pela independência timorense, o Conselho Nacional de Resistência Maubere (CNRM). Esta aliança foi posteriormente renomeada, passando a chamar-se Conselho Nacional de Resistência Timorense (CNRT ). Xanana Gusmão foi eleito presidente da CNRM, renunciando então ás suas funções na FRETILIN, para não ser considerado tendencioso. O mesmo fez Ramos-Horta. A FALINTIL, que já trabalhava desde o ano anterior de forma mais independente, foi colocada sob os auspícios da CNRM.

A renúncia de Suharto em maio de 1998 permitiu o início das negociações para resolver a questão do Timor-Leste. Francisco Guterres (Lu Olo) foi designado pela FRETILIN para representar o partido na Reunião Extraordinária Nacional, ocorrida entre 15 e 20 de agosto de 1998 em Sydney, Austrália. Nesta reunião delinearam-se os primeiros passos rumo a independência de Timor. No mesmo ano Guterres foi eleito Coordenador Geral do Conselho Presidencial da FRETILIN, agora o mais alto cargo no partido.

Em 30 de agosto 1999 os timorenses votaram em um referendo onde 78,5% da população optou pela independência de Timor Leste da Indonésia. Antes e depois do referendo houve massacres e expulsões por milícias pró-indonésias e por militares indonésios. Uma força de paz internacional sob liderança da Austrália desembarcou para por fim aos conflitos. De 1999 até 2002 Timor Leste esteve sob administração da ONU.

Em maio de 2000, a Conferência Geral da FRETILIN em Dili reuniu 1.250 delegados de todo o Timor Leste e de todos os países onde haviam exilados timorenses. No congresso extraordinário do partido em julho de 2001, Lu-Olo foi reeleito presidente do partido, e como secretário-geral elegeu-se Alkatiri.

O Congresso do CNRT em agosto de 2000 trouxe novos partidos para a aliança suprapartidária, entre eles o PST, a CDU e o PSD. Até mesmo os velhos partidos KOTA, e o pró-Indonésia APODETI integraram-se ao CNRT. Após este congresso a FRETILIN deixou a CNRT, justificando que a aliança não mais a representava ideologicamente. Além disto a FRETILIN almejava disputar as primeiras eleições livres de forma independente.

Em 30 de agosto 2001 foram realizadas as primeiras eleições livres do país. A FRETILIN ganhou 57,37% dos votos e se tornou a maior força no parlamento. Timor Leste finalmente tornou-se independente em 20 de maio de 2002. A FRETILIN ficou com 55 assentos na Assembleia de 88 lugares, deixando-o sem a maioria de dois terços que esperava para direcionar a elaboração de uma constituição nacional.

Pós-independência e governo FRETILIN[editar | editar código-fonte]

O Secretário-Geral do partido, Mari Alkatiri, foi o primeiro primeiro-ministro do Timor Leste entre 2002 e 2006. Entretanto a instabilidade política em Timor Leste no ano de 2006, o obrigou a demitir-se, bem como dois de seus ministros. Sucedeu Alkatiri como primeiro-ministro, José Ramos-Horta, que, no entanto, como o presidente do Timor Leste, Xanana Gusmão, em 1988, deixou o partido para tomar uma posição politicamente neutra.

Referências

  1. Professora relata eleições parlamentares em Timor-Leste - UNIVATES
  2. School of Humanities and Social Sciences(HASS): ASDT
  3. Universidade de Coimbra: Formation of East-Timorese political associations aus John G Taylor, Indonesia’s Forgotten War: The Hidden History of East Timor (Zed Books, London, 1991)
  4. 30 Novembro 1975 - Memória do Timor-Leste

Ver também[editar | editar código-fonte]