Díli

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Díli
Díli e a ilha Ataúro.
Díli e a ilha Ataúro.
Mapa de Díli
Mapa de Díli
Coordenadas 8° 34' S 125° 34' E
País Timor-Leste
Prefeito Jaime Correia[1]
População  
  Metro 150 000

Díli (em tétum Dili) é a capital de Timor-Leste, sede do distrito do mesmo nome e de um dos três bispados do país: a Diocese de Díli. Situa-se na costa norte da ilha de Timor, a mais oriental das Ilhas Menores de Sonda. Díli é o principal porto e centro comercial e administrativo de Timor-Leste e tem cerca de 150 000 habitantes, 20% da população do país. O aeroporto internacional em Comoro foi recentemente rebaptizado em honra do líder independentista Nicolau Lobato.

História[editar | editar código-fonte]

Baia de Dili nos anos 1930
Escola em Dili 1930-1936
Antigo canhão português em Díli.

A primeira capital do Timor Português foi Lifau, situado a 5 km a oeste de Pante Macassar, no enclave de Oecusse. Foi aí que se localizou o primeiro estabelecimento português no que é hoje Timor-Leste, criado em meados do século XVII, já que a fortaleza construída em Cupão (hoje Kupang) em 1646 teve de ser abandonada em 1653 por imposição dos holandeses.[2]

Os conflitos regionais contra as autoridades portuguesas em Lifau levaram o governador António José Teles de Meneses a mandar evacuar a praça em 11 de Agosto de 1769, destruindo-a antes de a abandonar.

A nova capital do Timor Português foi fundada na baía de Díli e começou a ser construída em 10 de Outubro do mesmo ano. Nos primeiros anos, a cidade não passava de um pequeno aglomerado de casas de madeira, sumariamente protegidas por trincheiras e baluartes. Os frágeis edifícios de madeira acabaram por ser consumidos por sucessivos incêndios até que, em 1834, sob orientação do governador José Maria Marques, Díli foi devidamente urbanizada, sendo elevada à categoria de cidade, em Janeiro de 1864.

Rafael Jácome Lopes de Andrade, entre 1881 e 1888, levou a cabo diversas melhorias em Díli, ligando a cidade aos povoados circunvizinhos por estrada, construindo uma rede de abastecimento de água e erguendo o farol do porto.

Já nos inícios do século XX, de inspiração neoclássica, são construídas a catedral e o edifício da câmara municipal de Díli. Com a invasão e ocupação japonesa em Díli, durante a Segunda Guerra Mundial, estes dois edifícios foram destruídos. Este foi um período particularmente negro da história de Díli e de Timor, com massacres à população e destruição generalizada do edificado.[3]

Arquitetura de Díli.

Terminada a guerra, Timor regressou ao domínio português, empreendendo-se uma penosa e demorada reconstrução da capital da colónia e de todos os outros centros populacionais. Foi já durante a permanência do coronel Themudo Barata (governador entre 1959 e 1963) que foi a construída ponte-cais de Díli, restabelecida a rede de esgotos, o abastecimento regular de água e de energia eléctrica. Foram erguidas escolas e hospitais e reparadas ou construídas novas ruas, estradas e pontes.

Seguiu-se o general José Alberty Correia (governador de 1963 a 1967) que alcatroou os principais arruamentos de Díli, alargou o período de fornecimento de energia eléctrica às 24 horas do dia e aprovou legislação regulamentando as condições estéticas, de higiene e de conforto a que todas as construções deviam obedecer. Fundos do Plano de Fomento e do Ministério do Ultramar foram usados para construir diversos edifícios na cidade: o Centro Emissor de Telecomunicações, as oficinas das Obras Públicas, a Escola Técnica, a Imprensa Nacional, os CTT, a prisão. O porto de mar foi modernizado e ampliado. Foram construídos novos armazéns e acessos, sendo aumentada a sua capacidade, passando a poder receber navios até sete mil toneladas, como o "Índia" e o "Timor" da Companhia Colonial de Navegação.

Entre 1968 e 1972, durante o governo do general José Nogueira Valente Pires, a Câmara Municipal construiu bairros sociais destinados a população mais carenciada, contribuindo para a melhoraria da salubridade geral da cidade.

Timor-Leste proclamou unilateralmente a independência em 28 de Novembro de 1975. Entretanto, nove dias depois, a Indonésia invadiu Díli, transformando o território na sua 27.ª província, chamada "Timor Timur". No entanto, os resistentes timorenses, agrupados em torno da Fretilin, prosseguiram uma luta de guerrilha contra a ocupação, ferozmente combatida pelo exército indonésio. Ao longo dos 25 anos que durou a ocupação, dezenas de milhares de civis foram mortos.

Um dos mais pungentes massacres ocorridos na cidade foi o do cemitério de Santa Cruz, em 1991. A cobertura dada pelos media revitalizou o apoio internacional a favor da independência de Timor-Leste, sobretudo no exterior, onde se formaram inúmeros movimentos de apoio à causa timorense.

Em 1998, com a queda do ditador Suharto e a tomada de posse de B. J. Habibie, o governo da Indonésia aceitou a realização de um referendo supervisionado pela ONU em Timor-Leste. A maioria da população (78,5%) votou pela independência, o que provocou a ira de milícias orquestradas pela Indonésia, levando à destruição de grande parte da cidade. Em 20 de Maio de 2002, Díli voltou a ser capital da República Democrática de Timor-Leste.

A maioria dos edifícios sofreu danos na sequência dos actos de violência de 1999, no entanto, a cidade mantém ainda muitos edifícios e monumentos da era portuguesa.

Para possibilitar um desenvolvimento sustentável e retirar o carácter anárquico e de elevada densidade populacional que caracterizam actualmente a capital de Timor-Leste está em elaboração, com o apoio da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa, um Plano de Urbanização de Díli que permitirá traçar ruas e espaços públicos, fazer equipamentos e infra-estruturas, licenciar grandes construções e concretizar propostas no âmbito das políticas sectoriais.

Edifícios[editar | editar código-fonte]

Palácio Presidencial Nicolau Lobato

Inaugurado no dia 27 de agosto de 2009, foi oferta do governo da República Popular da China ao governo de Timor-Leste e homenageia Nicolau Lobato.

Palácio do Governo de Timor-Leste
O Palácio do Governo de Timor-Leste antes da independencia denominou-se como Palácio do Governador. Na frente tem Monumento ao Infante D. Henrique. Atualmente o palácio do governo sedia o gabinete do Primeiro-Ministro de Timor-Leste.

É um dos edifícios do período português que mais se destacam em Díli, construído para sede do Governo e das repartições provinciais. Actualmente é a sede do gabinete do primeiro-ministro bem como de secretarias de estado. Trata-se de uma construção feita pelo Estado Novo. A opção por uma ampla colunata resulta da influência das construções da Praça do Comércio em Lisboa que ali se queria espelhar. Perto dele, virados para o mar, estão três grandes canhões antigos que recordam os tempos em que eles marcavam uma presença de força dos portugueses. A avenida marginal que se estende na baía junto ao Palácio do Governo é a principal zona para os passeios ao fim da tarde e aos fins-de-semana.

Centro Cultural Uma Fukun

Num projecto apoiado pela UNESCO e pelo Banco Mundial foi recentemente levada a cabo a reabilitação do antigo quartel de infantaria para a criação do Centro Cultural Uma Fukun, dotando a capital de Timor-Leste, de espaços especialmente vocacionados para exposições, com salas de reuniões, lojas e todo um conjunto de serviços de apoio.

Hospitais

Numa perspectiva social e de assistência, são de realçar a Maternidade Leonor Dias de 1947, desactivada e degradada; o Hospital Dr. António Cândido de Carvalho, também de 1947, em funcionamento de forma supletiva e com limitações, o Hospital Militar e o Hospital Nacional Guido Valadares

Escolas

De entre os estabelecimentos de ensino, destacam-se os edifícios das antigas Escola Preparatória e Escola Comercial e Industrial Professor Silva Cunha, construídas em 1964, e o antigo Liceu Dr. Francisco Machado, erguido em 1960 e recuperado como o apoio da Câmara Municipal de Lisboa. Actualmente ambos estão integrados na Universidade Nacional de Timor-Leste. De assinalar ainda o seminário de Dare.

Igrejas

Do ponto de vista religioso, as igrejas mais relevantes são as da Imaculada Conceição em Balide, actualmente centro paroquial ladeando uma nova igreja e a Igreja de Motael. Em 1940 foi criada a Sé de Díli, edifício destruído durante a ocupação japonesa.

Outros edifícios

Destacam-se ainda em Díli as antigas instalações do Banco Nacional Ultramarino, a SAPT (Sociedade Agrícola), o Edifício ACAIT (sede da Missão Portuguesa e dos Correios). Outros edifícios de relevo são o cinema, a estação transmissora de rádio (construída em 1970 e actualmente abandonada) e o Matadouro Municipal.

Monumentos[editar | editar código-fonte]

Monumento a Nossa Senhora.
Monumento a Nossa Senhora

Construído durante o ano mariano de 1954, ocupa o centro de um jardim no largo de Lecidere, a oriente da praça do Palácio do Governo e em frente à Maternidade Leonor Dias. Nele figura o brasão simplificado de Timor Português e, no cimo, a imagem de Nossa Senhora rodeada de anjos.

Monumento às vítimas da ocupação de Timor pelos japoneses

Erguido em 1946 no bairro de Taibesse, tem um pedestal encimado por um escudo com as armas de Portugal e as cores nacionais, com duas espingardas cruzadas em baixo. Todo o conjunto localizado numa área quadrangular ladeada por granadas de canhão.

Monumento ao Infante D. Henrique

Situa-se na praça central, em frente ao Palácio do Governo e ultrapassa os 2 metros de altura. Foi construído em 1960 integrado das comemorações do quinto centenário da morte do Infante D. Henrique. Quem vê do lado do mar o monumento surge como um padrão, encimado com o escudo das cinco quinas e a cruz de Cristo. Inclui um alto-relevo relativo às descobertas com a rosa-dos-ventos e o sextante e a inscrição: «Por Mares Nunca Dantes Navegados».

Monumento ao Administrador Tenente Manuel de Jesus Pires

Situado em Colmera, a oeste da praça central de Díli do Palácio do Governo, em frente ao porto, um pequeno jardim triangular cercado por um beiral de ferro forjado, inclui no seu centro um monumento «Ao administrador Tenente Manuel de Jesus Pires 1895-1944», como é referido na legenda na base do pedestal. O monumento encontra-se virado para leste, para a praça central e possui do lado da cidade o escudo com as armas de Portugal, na frente e encimando o pedestal a cruz de Cristo.

Monumento à Reconstrução de Timor

A seguir ao jardim do monumento ao administrador Tenente Manuel de Jesus Pires, um vasto jardim quadrangular cercado por muro e portão enfrentando o porto, inclui no seu centro um monumento a Nossa Senhora ao qual se chega pela única alameda do jardim, ladeada de ambos os lados por uma iluminação que evoca os marcos do calvário de Cristo. O monumento consiste num pedestal com uma pequena estátua de Nossa Senhora encimado por uma cobertura em palmeira idêntica à dos telhados das casas timorenses. No pedestal, uma legenda aparece abaixo da bandeira portuguesa: «Portugal e a Fé na Reconstrução de Timor» e a indicação «2º Batalhão de Infantaria da Brigada Ligeira de Intervenção, 13 de Maio de 2001».

Monumento ao Engenheiro Artur de Canto Rezende

Erguido num jardim ao lado do farol e enfrentando o mar. É o único que em Díli apresenta um busto em bronze da figura homenageada sobre um pedestal encimado por um escudo com as armas de Portugal e a legenda: «Engenheiro Artur do Canto Rezende, morto na prisão em Calabai em 1945, vítima do seu patriotismo e heróica abnegação».

Estátua de Cristo-Rei

Colocada no monte Fatumaca, na zona oeste de Díli, de onde se consegue avistar a ilha de Ataúro, a estátua de Cristo-Rei foi inaugurada em Outubro de 1996 pelo presidente Suharto, em pleno período de ocupação indonésia. Os seus 76 degraus e 27 metros de altura são uma alusão clara à anexação de Timor-Leste em 1976 como a 27.ª província da Indonésia. A estátua foi construída com apoios financeiros de Jacarta, do governo da província de Timor Timur e de várias empresas, incluindo a companhia aérea indonésia Garuda. A construção da estátua do Cristo-Rei gerou muita polémica entre a população, sendo vista por muitos timorenses como um símbolo político imposto por Jacarta, e não como uma imagem meramente religiosa. No dia 24 de Novembro de 1996, em cerimónia que contou com a presença de 50 mil pessoas, o bispo Ximenes Belo, apelando à justiça e à paz em Timor-Leste, acabou por abençoar a estátua do Cristo-Rei, após ter sido pressionado pelas autoridades para fazê-lo.

Monumento à Integração

Localizado no que ainda é vulgarmente chamado Taman Integrasi (Parque da Integração) no centro de Díli, foi construído pelas autoridades indonésias para comemorar a integração de Timor-Leste enquanto a sua 27.ª província. Consiste numa estátua de um liurai (chefe local timorense) nas vestes tradicionais e armado da sua espada, libertando-se das grilhetas que o prendiam de pés e mãos. A base da estátua está suspensa por quarto colunas de grandes dimensões, fazendo lembrar os monumentos estalinistas. Diversos «monumentos à integração» similares foram construídos um pouco por todo o território. Prevê-se que o monumento venha a ser demolido.

Educação[editar | editar código-fonte]

Universidade Nacional de Timor-Leste

A Universidade Nacional de Timor-Leste é uma instituição de ensino superior fundada em 2000 em Díli, criada após a completa vandalização das instalações da anterior Universitas Timor Timur, na sequência da destruição que se seguiu ao referendo pela independência em 1999.

Funciona nas instalações restauradas do antigo Liceu Dr. Francisco Machado e conta com o apoio internacional. Por regra, as aulas são ministradas em língua portuguesa.

Centro de Língua Portuguesa

Inaugurado em 2001, o Centro de Língua Portuguesa funciona nas instalações da Universidade Nacional de Timor-Leste, assegurando a licenciatura em Língua Portuguesa e Culturas Lusófonas e mantendo espaço próprio para o acervo bibliográfico e multimédia, composto por materiais das áreas da pedagogia, linguística, literatura e história. O Centro de Língua Portuguesa lecciona ainda cursos extracurriculares de formação e aperfeiçoamento em Língua Portuguesa, vocacionados para quadros médios e superiores, timorenses e internacionais, nos sectores da administração pública e nas áreas jornalística, bancária, hotelaria e turismo.

Centro Cultural Português

O Centro Cultural Português foi criado em 2001 e inclui uma biblioteca que abrange obras portuguesas, brasileiras, africanas de expressão oficial portuguesa e timorenses; um espaço multimédia, com acesso gratuito à Internet; uma videoteca, com cerca de 150 filmes lusófonos; e uma fonoteca com milhares de horas de música erudita e popular lusófona.

Colégio de São José

O Colégio de São José é um estabelecimento de ensino secundário católico (alunos entre os 15 e os 18 anos), fundado pela Diocese de Díli em 1983/84. Em 1993 a gestão da escola foi confiada à Companhia de Jesus.

Durante a onda de violência que se seguiu ao referendo pela independência em Agosto de 1999, o colégio foi transformado em campo de refugiados, dando protecção a quase 5 mil pessoas. A escola tem actualmente 330 alunos, sendo que 50 são seminaristas do Seminário-Menor de Nossa Senhora de Fátima que se preparam para ser tornarem padres.

Cidades-irmãs[editar | editar código-fonte]

Díli tem as seguintes cidades irmãs:

Referências

  1. MoJ publishes the land maps for the Nain Feto and Vera Cruz sub-districts, Dili district (em inglês) Timor-leste.gov.tl. 6 de fevereiro de 2012. Página visitada em 26 de março de 2014.
  2. Díli - história e monumentos Infopédia. Visitado em 21 de janeiro de 2014.
  3. Díli - history (em inglês) Princenton.edu (2013). Visitado em 21 de janeiro de 2014.
  4. Acordos de Geminação Câmara Municipal de Coimbra – Praça 8 de Maio – 3000-300 Coimbra. Visitado em 25/06/2009.
  5. Darwin's Sister Cities (em inglês) Darwin City Council. Visitado em 18 de setembro de 2010.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ABREU, Paradela de – Os Últimos Governadores do Império. Lisboa, Edições Neptuno, 1994
  • BRITO, Francisco Garcia de – Tata-Mai-Lau: Timor contra o Japão (1941-1945). Lisboa, Iniciativas Editoriais, 1977
  • GUNN, Geoffrey – Timor Loro Sae: 500 Anos. Macau, Livros do Oriente, 1999
  • LIBERATO, Cacilda dos Santos Oliveira – Quando Timor Foi Notícia. Braga, Editora Pax, 1972
  • MAGALHÃES, António Barbedo – Timor Leste, Mensagem aos Vivos. Porto, Limiar, 1983
  • MARTINHO, José S. – Timor, Quatro Séculos de Colonização Portuguesa. Porto, 1943
  • MATOS, Artur Teodoro de – Timor Português (1515-1769): Contributos para a Sua História. Lisboa, Instituto Infante D. Henrique, Faculdade de Letras, 1974
  • MORAIS, A. Faria de – Sólor e Timor. Lisboa, Agência Geral das Colónias, 1944
  • MOREIRA, Adriano – O Drama de Timor, Intervenção. Lisboa.1977
  • SANTA, José Duarte – Australianos e Japoneses em Timor na II Guerra Mundial. Lisboa, Editorial Notícias, 1997
  • Timor - Pequena Monografia. Lisboa, Agência-Geral do Ultramar, 1970

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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