Angra do Heroísmo

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Angra do Heroísmo
Brasão de Angra do Heroísmo Bandeira de Angra do Heroísmo
Brasão Bandeira
Cidade de Angra do Heroismo e Baía de Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores, Portugal.jpg
Angra do Heroísmo e sua baía.
Localização de Angra do Heroísmo
Gentílico Angrense
Área 239 km²
População 35 402 hab. (2011[1] )
Densidade populacional 148,13 hab./km²
N.º de freguesias 19
Presidente da
Câmara Municipal
Álamo de Meneses (PS)
Fundação do município 1478
Região Autónoma Região Autónoma dos Açores
Ilha Ilha Terceira
Antigo Distrito Angra do Heroísmo
Orago São Salvador
Feriado municipal 24 de Junho
Site oficial www.cm-ah.pt/
Municípios de Portugal Flag of Portugal.svg
Caravela Vera Cruz a entrar no Porto de Pipas, festas das Sanjoaninas, 2008, Angra do Heroísmo.
Fortaleza de São João Baptista, Angra do Heroísmo: Portão de Armas.
"A Cidade de Angra na Ilha de Jesus Cristo da Terceira…" (Jan Huygen van Linschoten, 1596).
"Angra op Tercera".
"Ilha Terceira - Porto e cidade de Angra do Heroísmo" (Álbum Açoriano, 1903).
Vista aérea e parcial de Angra do Heroísmo e seus arredores.
Cidade de Angra do Heroísmo, ao fundo o Monte Brasil.
Cerrado do Bailão, palco de eventos ao ar livre em Angra.

Angra do Heroísmo GC TE é uma cidade que se localiza na costa Sul da Ilha Terceira, nos Açores, com cerca de 10 800 habitantes.[2]

É sede de um município com 239 km² de área e 35 402 habitantes (2011),[1] subdividido em 19 freguesias. O município é limitado a nordeste pelo município da Praia da Vitória, sendo banhado pelo Oceano Atlântico em todas as demais direcções.

Com cerca de 21 300 habitantes, constitui-se na capital histórica e em sede da diocese dos Açores. Abriga ainda um destacamento militar, o Regimento de Guarnição nº 1. A riqueza de seu património edificado fê-la ser classificada como cidade Património Mundial pela UNESCO desde 1983.

História[editar | editar código-fonte]

O local escolhido pelos primeiros povoadores foi uma crista de colinas, que se abria, em anfiteatro, sobre duas baías, separadas pelo vulcão extinto do Monte Brasil. Uma delas, a denominada "angra", tinha profundidade para a ancoragem de embarcações de maior tonelagem, as naus. Tinha como vantagem a proteção de todos os ventos, exceto os de Sudeste.

As primeiras habitações foram erguidas na encosta sobre essa angra, em ruas íngremes de traçado tortuoso dominadas por um outeiro. Neste, pelo lado de terra, distante do mar, foi iniciado um castelo com a função de defesa, à semelhança do urbanismo medieval europeu: o chamado Castelo dos Moinhos.

Por carta passada pela Infanta Dna. Beatriz em 2 de abril de 1474, a capitania de Angra foi doada a Álvaro Martins Homem, que ao tomar posse dela deu início aos trabalhos da chamada Ribeira dos Moinhos, aproveitando a forças de suas águas e lançando as bases para o futuro desenvolvimento económico da povoação. A partir da proteção propiciada pelo Castelo dos Moinhos (atual Alto da Memória), o casario acompanhou a Ribeira dos Moinhos até à baía, primitivamente por ruas e vielas sinuosas - ruas do Pisão, da Garoupinha, de Santo Espírito, das Alcaçarias - cuja toponímia conservou a memória de suas actividades económicas. Martins Homem deu início à chamada Casa do Capitão, posteriormente acrescentada por João Vaz Corte Real, que também procedeu à canalização da Ribeira, à construção do primitivo Cais da Alfândega, da muralha defensiva da baía de Angra e do Hospital de Santo Espírito.

Ao mesmo tempo, liberava a área do vale para que, de acordo com os princípios do urbanismo do Renascimento, pudessem ser abertas ruas obedecendo a um plano ortogonal, organizadas por funções, de acordo com as necessidades do porto que crescia com rapidez. Nesse plano ortogonal serão abertas as ruas da Sé e Direita, ligando os principais elementos da cidade: o porto e a casa do capitão nos extremos do braço menor, os celeiros do Alto das Covas e a Câmara Municipal nos do braço maior. Ao longo do século XVI a cidade crescerá até ao Alto das Covas e a São Gonçalo, embora com ruas de traçado mais irregular.

Desse modo, em poucos anos, desde 1478, a povoação fora elevada à categoria de vila e, em 1534, ainda no contexto dos Descobrimentos, foi a primeira do arquipélago a ser elevada à condição de cidade.[3] No mesmo ano, foi escolhida pelo Papa Paulo III para sede da Diocese de Angra com jurisdição sobre todas as ilhas dos Açores.[4]

As razões para esse vigoroso progresso deveram-se à importância do seu porto como escala da chamada Carreira da Índia, centrado na prestação de serviços de reabastecimento e reaparelhamento das embarcações carregadas de mercadorias e de valores. Por essa razão desde as primeiras décadas do século XVI aqui foi instalada a Provedoria das Armadas, com essa função e a de apoiar a chamada Armada das ilhas. Posteriormente, no contexto da Dinastia Filipina, a estes vieram justar-se os galeões espanhóis carregados de ouro e prata, oriundos das Índias Ocidentais, numa rota que se estendia de Cartagena das Índias, passava por Porto Rico e por Angra, e alcançava Sevilha. Para apoiar essas fainas, foram implantados os primeiros estaleiros navais, na Prainha e no Porto das Pipas, e as fortificações que fecham a baía: o chamado Castelo de São Sebastião e o de São João Baptista.

A cidade, mais de uma vez, teve parte ativa na história de Portugal: à época da Crise de sucessão de 1580 resistiu ao domínio Castelhano, apoiando António I de Portugal que aqui estabeleceu o seu governo, de 5 de Agosto de 1580 a 6 de Agosto de 1582. O modo como expulsou os espanhóis entrincheirados na fortaleza do Monte Brasil em 1641 valeu-lhe o título de "Sempre leal cidade", outorgado por João IV de Portugal.

Posteriormente, aqui esteve Afonso VI de Portugal, detido nas dependências da fortaleza do Monte Brasil, de 21 de Junho de 1669 a 30 de Agosto de 1684.

Posteriormente Angra constitui-se na capital da Província dos Açores, sede do Governo-geral e em residência dos Capitães-generais, por Decreto de 30 de Agosto de 1766, funções que desempenhou até 1832. Foi sede da Academia Militar, de 1810 a 1832.

No século XIX, Angra constitui-se em centro e alma do movimento liberal em Portugal. Tendo abraçado a causa constitucional, aqui se estabeleceu em 1828 a Junta Provisória, em nome de Maria II de Portugal. Foi nomeada capital do reino por Decreto de 15 de Março de 1830. Aqui, no contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), Pedro IV de Portugal organizou a expedição que levou ao desembarque do Mindelo e aqui promulgou alguns dos mais importantes decretos do novo regime, como o que criou novas atribuições às Câmaras Municipais, o que reorganizou o Exército Português, o que aboliu as Sisas e outros impostos, o que extinguiu os morgados e capelas, e o que promulgou a liberdade de ensino no país.

Em reconhecimento de tantos e tão destacados serviços, o Decreto de 12 de Janeiro de 1837 conferiu à cidade o título de "mui nobre, leal e sempre constante cidade de Angra do Heroísmo", e condecorou-a com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada.

A cidade sempre teve forte tradição municipalista, e a sua Câmara Municipal foi a primeira do país a ser eleita, já em 1831, após a reforma administrativa do Constitucionalismo (Decreto de 27 de Novembro de 1830).

Em Angra encontraram refúgio Almeida Garrett, durante a Guerra Peninsular, e a rainha Maria II de Portugal entre 1830 e 1833, durante a Guerra Civil Portuguesa (1828-1834). Por aqui passou Charles Darwin, a bordo do "HMS Beagle", tendo aportado a 20 de Setembro de 1836. Darwin partiu daqui para a ilha de São Miguel em 23 de setembro, após fazer um passeio a cavalo pela ilha, onde entre vários locais visitou as Furnas do Enxofre, tendo na altura afirmado que a nível biológico "nada de interessa encontrar". Mais tarde, e reconhecendo o seu erro, pediu a vários cientistas, nomeadamente a Joseph Dalton Hooker, a Hewett Cottrell Watson e a Thomas Carew Hunt que lhe enviassem espécimes da flora endémica da Macaronésia e também amostras geológicas.[5]

Títulos da cidade de Angra[editar | editar código-fonte]

Museus e instituições culturais no concelho de Angra do Heroísmo[editar | editar código-fonte]

Este museu apresenta três exposições permanentes: Pintura açoriana sobre madeira do século XVI e XVII, “Memórias de um Edifício” e uma bateria de artilharia Schneider–Canet, vinda para os Açores durante a 1ª Grande Guerra, sendo um exemplar único no mundo.

O meio da casa – separado dos restantes espaços por frontais de madeira, com capoeira em cantaria, estrado e mobiliário popular e quarto de cama comas mobílias apropriadas. Apresenta ainda um sótão tradicional. Tem ainda um pátio exterior, um curral de porco e uma rua para galinhas.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Angra do Heroísmo, encontra-se protegida a Norte pela serra do Morião e a Sul pelo Monte Brasil. A Nascente eleva-se a serra da Ribeirinha que alberga a freguesia do mesmo nome. A Poente estende-se uma paisagem costeira que desce suavemente desde a serra de Santa Bárbara, esta sempre presente na paisagem, formando pequenas baías e enseadas.

A economia da região assenta na pecuária (indústria de carne e lacticínios) e agricultura.

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima de Angra do Heroísmo é temperado marítimo ou oceânico, Cfb segundo a classificação climática de Köppen-Geiger, semelhante ao clima do resto do arquipélago dos Açores.

Gráfico climático para
Açores Angra do Heroísmo Portugal
J F M A M J J A S O N D
 
 
112
 
16
12
 
 
109
 
16
11
 
 
100
 
16
12
 
 
85
 
17
12
 
 
60
 
19
13
 
 
49
 
21
16
 
 
33
 
24
18
 
 
57
 
25
19
 
 
96
 
24
18
 
 
120
 
21
16
 
 
130
 
19
14
 
 
136
 
17
13
Temperaturas em °CPrecipitações em mm
Fonte: Instituto de Meteorologia, IP Portugal[6]
Nuvola apps kweather.svg Dados climatológicos para Angra do Heroísmo, Açores Açores,  Portugal Weather-rain-thunderstorm.svg
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima registrada (°C) 20,2 20,2 20,6 21,6 24,6 25,7 29,1 29,2 28,7 25,9 25,0 21,2 29,2
Temperatura máxima média (°C) 16,0 15,8 16,3 17,1 18,6 20,9 23,6 24,8 23,8 21,2 18,8 17,0 19,5
Temperatura mínima média (°C) 11,5 11,1 11,6 12,1 13,4 15,5 17,7 18,7 18,1 16,1 14,1 12,6 14,4
Temperatura mínima registrada (°C) 3,7 4,2 3,8 5,7 6,4 10,2 12,5 13,7 13,3 10,2 7,6 5,5 3,7
Precipitação (mm) 111,7 108,6 99,6 85,2 59,6 48,5 32,6 56,9 96,3 120,4 129,5 136,3 1 085,2
Fonte: Instituto de Meteorologia, IP Portugal[6] 2 de Março de 2010

Demografia[editar | editar código-fonte]

População do concelho de Angra do Heroísmo (1849 – 2011)
1849 1900 1930 1960 1981 1991 2001 2008 2011
22 973 33 002 32 828 43 374 32 808 35 270 35 581 35 065 35 402

Limites da cidade[editar | editar código-fonte]

Os limites da cidade de Angra do Heroísmo foram fixados pelo Decreto n.º 45854, de 5 de Agosto de 1964, cujo artigo único estabelece o seguinte:

Os limites da cidade de Angra do Heroísmo são definidos por uma linha poligonal que, partindo do mar, num ponto a cerca de 40 m a oeste do cais da Silveira, segue, em recta, na direcção norte, durante 560 m, até atingir o Caminho da Penha de França; inflecte para leste, com um ângulo de 150 grados, e prossegue, em recta, durante 220 m, até atingir a estrada municipal n.º 7 (Caminho de Cima); continua, sensivelmente na mesma direcção, à distância de 50 m a norte do eixo do Caminho das Figueiras Pretas (estrada municipal n.º 5), durante cerca de 720 m, até atingir a Ladeira Branca (estrada municipal n.º 6); daqui inflecte para sueste, com um ângulo de 140 grados, e segue, em recta, durante 400 m; desvia-se para nordeste, com um ângulo de 318 grados, e segue, em recta, durante 160 m; toma a orientação norte, com um ângulo de 233 grados, e segue, em recta, durante 160 m, até atingir a central hidroeléctrica de S. João de Deus; inflecte sensivelmente para nordeste, com um ângulo de 140 grados, e segue, em recta, durante 390 m, até atingir o quilómetro 1,345 da estrada nacional 2-1.ª (Ponta do Muro); prossegue desviando-se para leste, com um ângulo de 185 grados, e continua, em recta, durante 320 m; inflecte depois para sul, com um ângulo de 100 grados, e segue, em recta, durante 160 m, englobando todo o cemitério da Conceição; daqui inflecte para sueste, com um ângulo de 258 grados, prosseguindo, em recta, 400 m, até atingir a Ladeira de S. Bento (estrada municipal n.º 3), no ponto que dista sensivelmente 220 m do cunhal norte da Igreja de S. Bento; inflecte entretanto para leste, com um ângulo de 220 grados, e continua, em recta, durante 240 m; segue para sul, com um ângulo de 100 grados, prosseguindo, em recta, durante 480 m, até atingir o quilómetro 1,440 da estrada nacional 1-1.ª - este (Carreirinha); inflecte para sudoeste, com um ângulo de 157 grados, e segue, em recta, durante 140 m; prossegue para noroeste, com um ângulo de 110 grados, continuando, em recta, durante 140 m; inflecte para sudoeste, com um ângulo de 295 grados, prosseguindo, em recta, durante 180 m, até atingir a Grota; desvia-se para sul, com um ângulo de 236 grados, e continua pelo leito da referida Grota, durante 200 m, até atingir o mar, na baía das Águas; deste ponto, sempre pela orla marítima e passando por fora do Castelo de S. Sebastião e do cais do porto de Pipas, segue pela baía de Angra, abrangendo toda a península do Monte Brasil; prossegue pela baía do Fanal e cais da Silveira, continuando para oeste, durante 40 m, até atingir o ponto onde se iniciou a descrição.

Freguesias[editar | editar código-fonte]

Património[editar | editar código-fonte]

Património edificado[editar | editar código-fonte]

Património natural[editar | editar código-fonte]

Património cultural[editar | editar código-fonte]

Cidades-irmãs[editar | editar código-fonte]

[7]

Galeria[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Censos 2011. Instituto Nacional de Estatística.
  2. Censos 2011. Instituto Nacional de Estatística. Página visitada em 17 de fevereiro de 2012.
  3. Carta Régia de D. João III, datada de 24 de Agosto de 1534 elevando à categoria de cidade a vila de Angra, na ilha Terceira. in: ANTT, Chancelaria de D. João III, Liv. 7, p. 235v.
  4. Bula Equum reputamus
  5. Darwin Correspondence Project (em inglês). Darwinproject.ac.uk.
  6. a b Normais Climatológicas de Angra do Heroísmo (1971-2000).
  7. [1]. Anmp.pt.

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Angra do Heroísmo


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