Economia da Bolívia

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Economia da Bolívia
Edifício do Banco Central da Bolívia
Moeda Boliviano
Ano fiscal Ano calendário
Blocos comerciais OMC, Mercosul (associado), Unasul e CAF
Estatísticas
PIB 50,94 bilhões (2011) (91º lugar)
Variação do PIB 5,2% (2011)
PIB per capita 4.800 (2011)
PIB por setor agricultura 11%, indústria 40%, comércio e serviços 49% (2011)
Inflação (IPC) 8,5% (2012)
População
abaixo da linha de pobreza
46,7% (2011)
Coeficiente de Gini 58,2 (2009)
Força de trabalho total 4 643 000 (2011)
Desemprego 7,5% (2011)
Principais indústrias mineração, refino de minérios, petróleo, alimentos e bebidas, tabaco, artesanato, roupas, joalheria
Exterior
Exportações 8 332 milhões (2011)
Produtos exportados gás natural, soja e derivados, petróleo cru, minérios de zinco e estanho
Principais parceiros de exportação Brasil 41,8%, Estados Unidos 12,2%, Coreia do Sul 6,4%, Peru 5,7%, Argentina 5,2%, Japão 4,7%
Importações 7 126 milhões (2011)
Produtos importados derivados de petróleo, plásticos, papel, aviões e peças, automóveis, inseticidas, soja
Principais parceiros de importação Chile 23,5%, Brasil 23%, Argentina 10,3%, Estados Unidos 10,1%, Peru 6,9%, República Popular da China 5,8%
Dívida externa bruta 4 755 milhões (2012)
Finanças públicas
Receitas 10,82 bilhões (2011)
Despesas 10,62 bilhões (2011)
Fonte principal: [[1] CIA World Fact Book]
Salvo indicação contrária, os valores estão em US$

A Bolívia é um dos países mais pobres e menos desenvolvidas da América Latina[1] . Após uma desastrosa crise econômica no início da década de 1980, algumas reformas atraíram o investimento privado, estimularam o crescimento econômico e diminuíram os índices de pobreza na década seguinte[1] . O período entre 2003 e 2005 foi caracterizado por instabilidade política, tensões étnicas e violentos protestos contra planos - posteriormente abandonados - de exportar o gás natural produzido no país para grandes mercados do Hemisfério Norte[1] .

Em 1° de maio de 2006, o governo do presidente boliviano Evo Morales (eleito em dezembro de 2005) promulgou um decreto de nacionalização dos hidrocarbonetos que, em nove artigos secos e diretos, abriu um novo ciclo de participação do Estado boliviano na economia do país. O decreto impôs um significativo aumento dos royalties sobre a produção e determinou que as empresas estrangeiras que operavam sob o regime de contratos de risco entregassem toda sua produção à empresa estatal, em troca de uma tarifa fixa pelos serviços prestados[1] .O decreto gerou reações favoráveis, por um lado, mas também temor acerca dos riscos do ato nacionalizador, a curto prazo.

O maior peso da chamada "economia do gás" teve importante efeito multiplicador sobre outros setores, estimulando as exportações de produtos tradicionais (jóias, têxteis, couros, madeira e produtos da agricultura orgânica) e encorajando a atividades de pequenos produtores urbanos e rurais, com alto potencial de geração de emprego, redistribuição de renda e de construção de uma nova base produtiva para as classes médias urbanas emergentes. A questão central parece ser justamente construir a ponte entre a economia do gás e as atividades tradicionais.[2]

Hoje a Bolívia uma das economias que mais crescem na América do Sul, desde o início das reformas do presidente Evo Morales do partido Movimiento al socialismo. Contudo o país continua com graves problemas sociais e econômicos.

História[editar | editar código-fonte]

Ciclo da borracha[editar | editar código-fonte]

Durante o apogeu do extrativismo da borracha, a Bolívia, por ser um país sem fronteira marítima, precisava encontrar uma alternativa para escoar a produção para os centros industriais da Europa e da América do Norte. Em 1846 a Bolívia propôs a construção de uma ferrovia, margeando os rios Mamoré e Madeira, através da qual seria possível escoar a produção através do porto de Belém do Pará, no Oceano Atlântico.

A construção da ferrovia só foi de fato efetivada depois da assinatura do Tratado de Petrópolis, que cedia o território do Acre para o Brasil, que, por sua vez, assumia o compromisso de construir a ferrovia Madeira-Mamoré. As obras foram iniciadas em 1907 e terminadas em 1912, já no final do ciclo da extração da borracha.

Recursos naturais[editar | editar código-fonte]

São importantes e variados os depósitos de minerais metálicos, como o estanho, prata, cobre, antimônio, zinco, ouro e enxofre. Também foram encontrados sal, petróleo e gás natural. O terreno de cultivo de algumas regiões, especialmente nos Yungas, é extraordinariamente fértil, destacando a produção de arroz, folha de coca, banana, café, cereais, cebola, cítricos e cacau.

Atividades produtivas[editar | editar código-fonte]

Agricultura

A agricultura tem uma grande importância na economia boliviana, já que emprega 5% da força laboral do país e representa 14,6% do produto interior bruto anual, a maioria dos bolivianos utiliza métodos de cultivo tradicionais.

Existe uma distribuição desigual da população e um sistema de transporte muito precário.Na atualidade Bolívia é auto-suficiente na produção de açúcar, arroz, soja e carne, mas ainda importa alguns alimentos. Os principais cultivos são de batata, cana de açúcar, algodão, café, milho, arroz, cereal e folhas de coca,que originam a cocaína,e, a partir daí informalmente há um grande aporte de capital, pois o tráfico internacional de cocaína representa um grande ingreso de recursos para alguns setores do país.

Silvicultura e Pesca

A indústria da pesca não é destacada já que, como falamos anteriormente, o país não tem saída para o mar. Utiliza o porto Chileno de Arica como centro de transporte e armazenamento de mercadorias. A falta de transporte adequado impede a exploração em grande escala dos ricos bosques bolivianos, que cobrem 48,9% do país, principalmente a região da planície.

Indústria

As empresas manufatureiras operam em pequena escala: a indústria representa 33% do produto interior bruto (PIB). As principais indústrias do país são de refinado de açúcar, de artigos de pele, fábricas de cigarro e de cimento, produtos químicos, papel, mobiliário, vidro, explosivos e fósforos. Mais de 2/3 das fábricas estão na cidade de La Paz, que também é o principal centro de comércio a nível nacional.

Transportes

A Bolívia conta com 3.163 km de ferrovias. O trem é o meio de transporte que serve para comunicar o país com os portos dos oceanos Atlântico e Pacífico. A principal linha é a que une La Paz com o porto livre de Antofagasta, no Chile. Mais de 53.790 km de estradas percorrem o país, das quais apenas 7% estão pavimentadas e em muitas zonas só podem ser transitadas na época da seca.

A companhia de aviação Aerosur oferece vôos para as principais cidades do país e a companhia Lloyd Aéreo Boliviano dispõe de vôos a outros países latino-americanos e para Estados Unidos. A extensão de rios que permitem a navegação de pequenos barcos totaliza uns 14.000 km.

Desempenho recente da economia[editar | editar código-fonte]

Exportações para Importações de
País Porcentagem País Porcentagem
 Brasil 44,2 %  Brasil 21.9 %
 Coreia do Sul 11,8 %  Argentina 16.7 %
 Estados Unidos 6,9 %  Estados Unidos 13.8 %
 Argentina 5,8 %  Chile 6.9 %
 Peru 5,7 %  Peru 6.5 %
Outros 25,6 % Outros 34.2 %

Durante a presidência do presidente Sánchez de Lozada (1993-97) a Bolívia assinou um tratado de comércio livre com o México, tornou-se membro associado do Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul) e procedeu à privatização da linha aérea estatal, da companhia de telefones, dos caminhos de ferro, da companhia eléctrica e da companhia petrolífera.

Em 1999, o crescimento do PIB foi próximo de zero, em parte devido a políticas orçamentárias restritivas, que limitaram os fundos necessários para programas de luta contra a pobreza, e às consequências da crise financeira asiática. Em 2000, sérios distúrbios civis, entre janeiro e abril (com a chamada Guerra da água em Cochabamba, contra a privatização do sistema de abastecimento de água[3] ) e entre setembro e outubro, quando o país viveu uma grave crise social, protagonizada por indígenas e sindicatos defensores do direito dos camponeses de cultivar a coca e contra a decisão governamental de erradicar as plantações. Houve greves, bloqueio de estradas e enfrentamentos entre a população e as forças militares, sobretudo nos departamentos de La Paz, Cochabamba e Santa Cruz. Apesar disso a economia boliviana cresceu 2,5% em 2000. No ano seguinte, porém, o PIB cresceu apenas 1,7%. Esse resultado pode ser creditado, em grande parte, às condições adversas da economia global. O deficit fiscal e o peso da dívida externa permaneceram elevados. [4] A partir de 2002, as taxas de crescimento do PIB aumentaram consideravelmente.

Ano Taxa de Crescimento Real (%) Referências históricas
1980 0,61
1981 0,3
1982 -3,9
1983 -4
1984 -0,2
1985 -1,7
1986 -2,6
1987 2,5
1988 2,9
1989 2,6
1990 4,6
1991 5,3
1992 1,6
1993 4,3
1994 4,7
1995 4,7
1996 4,4
1997 5,0
1998 5,0
1999 0,4
2000 2,5
2001 1.7
2002 2,5
2003 2.7
2004 4.2
2005 4.0
2006 4.6 Início do governo Evo Morales
2007 4.2
2008 4,7
2009 4,9

Finanças[editar | editar código-fonte]

  • Reservas em ouro e moeda estrangeira : US$ 19 688 milhões (2005)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e CIA. The World Factbook. Visitado em 28 de novembro de 2012.
  2. La economía boliviana "mas allá del gas". Por George GRAY MOLINA. América Latina Hoy, 43, 2006, pp. 63-85. Ediciones Universidad de Salamanca.
  3. Entre janeiro e abril de 2000, uma série de protestos ocorreram em Cochabamba, contra a privatização do sistema de abastecimento de água. Em 8 de abril, o presidente Hugo Banzer declarou estado de sítio. Os líderes do movimento foram presos e várias estações de rádio foram fechadas. Posteriormente, em 20 de abril, cedendo à pressão popular, o governo acabou por desistir da privatização e a prefeitura retomou o controle da água. Ver Bolívia, por Almiro Petry (2008)]
  4. Bolivia GDP - real growth rate

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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