Língua ladino-dolomítica

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Ladino-dolomítico (Ladin)
Falado em: Itália.
Região: Trentino-Alto Adige e Vêneto
Total de falantes: ~30.000
Família: Indo-europeia
 Itálica
  Romance
   Ítalo-ocidental
    Ocidental
     Galo-ibérica
      Galo-românica
       Galo-rética
        Rética
         Ladino-dolomítico
Regulado por: SPELL -Servisc de Planificazion y Eleborazion dl Lingaz Ladin
Istitut Cultural Ladin Majon di Fascegn
Istitut Ladin Micurà de Rü
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: ---
ISO 639-3: lld
Distribuição geográfica do ladino

O ladino dolomítico (ladin) constituiu-se de uma série de dialetos reto-românicos, unidos por estreita afinidade e falados por cerca de 30.000 pessoas no noroeste da Itália, na zona das montanhas Dolomitas, porção oriental do arco alpino - a chamada "ilha linguística ladino-dolomítica".

História[editar | editar código-fonte]

O ladino é a língua mais antiga do Tirol e provavelmente a palavra Tirol seja de origem ladina, sendo o antigo sobrenome dos Condes do Tirol, fundadores da dinastia que dominou a região por séculos[1] .

No Tirol do sul (Südtirol) e no Trentino (Welschtirol), na região autônoma italiana de Trentino-Alto Ádige, vive um pequeno número de falantes de variedades retorromânicas denominadas ladino dolomítico. A população ladina habita os vales das montanhas Dolomitas, rodeados de populações de germanófona e italófona.

O patriotismo dos falantes de ladino dolomita esteve mais próximo da Áustria que da Itália. Do século XIV até 1918 (Primeira Guerra Mundial), toda a região pertenceu à Áustria (Império Austro-húngaro) enquanto parte integrante do Tirol. Os soldados ladinos combateram pela Áustria e, durante a Segunda Guerra Mundial, da Alemanha, houve esperanças da população de ver sua província unida à Alemanha, por conta das perseguições que o governo fascista impôs ao Tirol. Após a guerra, com o estatuto de autonomia garantido pelas Nações Unidas, a língua ladina passou a ter status de língua oficial da Região Autônoma Trentino-Südtirol, sendo atualmente ensinada nas escolas primárias, ainda que na variante própria a cada vale.

Alguns falantes do romanche (língua retorromânica da Suíça) também chamam seu idioma ladin. O ladino dolomítico não deve ser confundido com o ladino espanhol ou judeu-espanhol, falado pelos judeus sefarditas.

Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

O território da Ladínia tem cerca de 1.200 km² e é inteiramente ocupado pelas Dolomitas. Administrativamente, divide-se em duas regiões, três províncias (Bolzano, Trento e Belluno) e várias pequenas comunas.

Próximo ao seu centro, está o imponente Maciço do Sella, que forma os chamados cinco vales ladinos: Val di Fassa ("Val de Fascia", "Fassertal"), no Trentino, Val Gardena ("Gherdëina", "Grödnertal") e Val Badia ("Gran Ega", "Gadertal") - onde há o ladino marebano ("marebe"), na província de Bolzano; e Livinallongo ("Fodom"), Ampezzo ("Anpezo", "Haydn") e Val Comelico (em ladino, Comelgo), na província de Belluno, região do Vêneto.

Dados[editar | editar código-fonte]

Os falantes do ladino somam pouco mais de 30.000 pessoas, sendo todos bilíngues ou trilíngues, pois a língua majoritária das Trento e da Belluno é o italiano, enquanto na Bolzano é o alemão.

Dispõe-se de um bom número de livros com textos para conhecimento e introdução ao ladino dolomítico, além de muitas e boas gramáticas descritivas, dicionários e análises linguísticas. Há dois jornais, Die Dolomiten, em alemão, e Alto Adige, em italiano, que incluem uma página escrita em algumas das variedades do ladino-dolomítico, além da Union Ladina que publica informativos em ladino.

Também há duas publicações que atuam como fontes de informação, cobrindo aspectos acadêmicos, atividades políticas, e assuntos sociais: Mondo Ladino, editada pelo Institut Cultural Ladin (Fassa, Trento), principalmente em língua italiana, e Ladinia, editada pelo Institut Ladin (Val Badia, Bolzano), escrito em alemão na sua maior parte.

Dialetos[editar | editar código-fonte]

Nas províncias de Bolzano (al. Südtirol, lad. Südtirol, it. Sudtirolo ou Alto Adige) e Trento (it. Trentino, lad. Trentin, al. Welschtirol) o ladino é uma língua oficialmente reconhecida e a minoria ladina é protegida por diversas normas referentes, entre outros, ao ensino nas escolas públicas e a faculdade de usar o ladino nas relações com órgãos públicos, exceto as forças armadas e na polícia. Assim, nas escolas das localidades ladinas do Tirol Meridional, a língua ladina é ensinada juntamente com o alemão e o italiano. Segundo deliberação da Junta Provincial de 27 de janeiro de 2003, as variantes do ladino oficialmente reconhecidas na província de Bolzano são o ladino unificado de Val Badia e o de Val Gardena.

Também na Província de Belluno, foram reconhecidos como ladinas as comunas das regiões históricas do Cadore, Comelico, Agordino, do alto Val Cordevole e do Val di Zoldo. É ativo o Istituto Ladin de la Dolomites,[2] com sede em Borca di Cadore e Selva di Cadore.

Amostra de texto[editar | editar código-fonte]

Ladin dla Val Badia (Marô) La olp ea endo en iade afamada. te chel veghera en corf co tignia en tòch de ciajó te so bech. " Chel mo sess pa bun", s'ara ponsé, y à cherdé le corf: " Tan en bel che t'es! Sce to cianté è tan bel co to ciaré fora, spo este dessogü tö le plü bel vicel de düc.

Ladin dla Val Badia (Badiot) La olp ê indô n iade afamada. Te chël vëighera n corf che tignî n tòch de ciajó te so bech. "Chël me savess bun", s’àra ponsè, y à cherdè le corf: "Tan bel che t’es! Sce to ciantè é tan bel co to ciarè fora, spo este dessigü tö le plü bel vicel de düc.

Ladin de Gherdëina (Gherdëina) La bolp fova inò n iede arfameda. Te chëla vëijela n corf che tën n tòch de ciajuel te si bech. "Chël me savëssa bon", se ala mpensà y à cherdà l corf: "Ce bel che te ies! Sce te ciantes tan bel coche te cëles ora, pona ies dessegur tu l plu bel ucel de duc.

Ladin de Fascia (Fascian) La bolp era endò famèda. Te chela la veit n corf con n toch de formai tel bech. "Chel, vé, me saessa bon", la se peissa e la ge disc al corf: "Che bel che t’es! Se tie ciantèr l'é scì bel che tia parbuda dapò t’es de segur tu l più bel anter duc i ucìe.


Referências

  1. Altmayer, Everton. Còssa son mi? Pequena introdução sobre nossas origens trentinas. São Paulo: Circolo Trentino di São Paulo, 2010.
  2. Site do Istituto Ladin de la Dolomites

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]