Língua franco-provençal

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Francoprovençal (arpitan)
Falado em: França, Itália, Suíça
Total de falantes: 77.000
Família: Indo-europeia
 Itálico
  Romance
   Ítalo-ocidental
    Ocidental
     Galo-ibérica
      Galo-românica
       Galo-rética
        Oil
         Sul-oriental
          Francoprovençal
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: roa
ISO 639-3: frp

O franco-provençal ou arpitano (arpitan) é uma língua galo-românica sem uma norma ortográfica unificada e marcada por uma razoável quantidade de dialetos.

História[editar | editar código-fonte]

Muitos linguistas reconhecem o franco-provençal como um conjunto de dialetos franceses do sudeste, no limite com o provençal e por isso o uso do termo franco-provençal. Há quem afirme que estes dialetos são basicamente o occitano onde o francês mais se mesclou nas variedades ocidentais; o léxico é próximo ao occitano. Mas há outros linguistas que atestam as similaridades entre o reto-romance e o franco-provençal e defendem um antepassado comum que possuía características francesas. Outros relacionam as características franco-provençais com incidências linguísticas francesas do norte e do leste que possuem características mais arcaicas.

Localização da região de fala franco-provençal.

Os dialetos franco-provençais que se falaram na França na região de Lyon, Grenoble e Jura desapareceram, mas na Suíça e na Itália sobreviveram. Atualmente são falados nas regiões de Saboia e no oeste da Suíça (Vaud, Neuchatel, Valais), assim como no Vale de Aosta. Os limites do franco-provençal são bastante incertos, sobretudo no norte; na parte ocidental do Franco Condado, de Poligny a Vesoul, os dialetos são predominantemente borgonheses (franceses, portanto); mais ao sul, a região de Saint-Claude fala dialetos franco-provençais.

Na Suíça romanda (Suisse romande), que é sem discussão o território mais vasto e contínuo onde se falam dialetos franco-provençais, o franco-provençal lida a leste com dialetos alemânicos, ou seja, alemães. Também aqui a fronteira é mais caprichosa e não deixou de sofrer mudanças nas últimas décadas. É oportuno, sem dúvida, observar na parte alemã da Suíça os dialetos alemânicos (o chamado Schwyzer-tütsch) possuem grande vitalidade até entre pessoas cultas, enquanto na Suíça romanda, sobretudo nas cidades, o uso do dialeto está em contínua diminuição. Assim, quando a língua romance ganha território (como tem ocorrido no Jura), é em favor do francês, língua de cultura ensinada na escola, e não do franco-provençal.

Ainda que não exista um modelo padrão da língua, contamos com uma longa, e escassa, tradição escrita. São catalogados um fragmento de 105 versos de um poema sobre Alexandre Magno (de princípios do século XII) e um poema épico (meados do século XII) de 10.002 versos intitulado “Girart de Roussillon”. Não obstante, ainda que a língua do primeiro poema contenha trechos franco-provençais, não existem provas contundentes para esta catalogação; de fato, o respeitável responsável da edição de “Girart” é de opinião que a linguagem é composta de uma mescla de formas francesas e occitanas. Em contrapartida, a “Lista dos vassalos do conde de Forez”, de meados do século XII e sem valor literário, tem notadamente teor franco-provençal e o mesmo ocorre com uma ata jurídica de 1265, com um recibo de Lent-en-Dombes de 1271 e com um extenso documento jurídico dos condes de Vienne de 1276. Também é do século XIII a “Lenda de São Bartolomeu”, cuja língua possui teor lionês.

Já a partir do século XIII contamos com a tradução (no dialeto de Grenoble) do latim de um código legal de Justiniano, de vários documentos legais (principalmente de Lyon e Friburgo) e dos devocionários, no dialeto de Lyon. A partir desta data, a atividade literária na França e na Suíça tem sido, ainda que com alguma intermitência, constante, distribuída em vários gêneros: obras satíricas, poesia, teatro, jornalismo. Abaixo se reproduz uma mostra de uma farsa da primeira metade do século XVI no dialeto de Friburgo:

Me lese joyx gala
putana denzix et alla
fere des aubade de nex
alla per tot le au me plix
fere banquet silliu feczron
quan not prennyn noczro feczron
et puit ma edix a dependre
largent de mon paret et pendre
por jn fere a mon plesir.

Dados[editar | editar código-fonte]

Não existe cifras oficiais quanto ao número de falantes de franco-provençal Esse número é calculado, com uma possível margem ampla de erro, em cerca de 60 mil pessoas na França e 70 mil na Itália, enquanto que os dados sobre a Suíça não estão disponíveis em nenhuma fonte. Podemos assumir que todos os falantes na França e na Suíça conhecem perfeitamente o francês, enquanto que na Itália a língua não só deve competir com o francês e o italiano, como também com o piemontês.

Em nenhum dos três países a língua goza de reconhecimento oficial. Enquanto que algumas línguas regionais na Itália, tais como o ladino-dolomita, o alemão, o esloveno e o sardo contam com um estatuto reconhecido em seu sistema educativo, a única língua, exceto o italiano, que goza de reconhecimento nas escolas no Vale de Aosta é o francês.

Dialetos[editar | editar código-fonte]

A divisão em subdialetos é extremamente difícil, pois o fracionamento é marcadíssimo e, por assim dizer, não há um vale sem individualidade linguística. Isto deve-se, em boa parte, à carência de unidade histórica e política. Dessa forma, pode-se classificar os dialetos em lionês, neuchâtelois, delfinês, saboiano, e na Itália, o grupo do Vale de Aosta.

O dialeto de Genebra foi por um tempo a língua oficial da antiga república genebrina, mas depois o abandonaram voluntariamente (exemplo extremamente raro) em favor do francês, até o ponto da total extinção na cidade e seus arredores, à margem direita do lago Leman, sobrevivendo apenas nos municípios rurais.

Gramática[editar | editar código-fonte]

Linguisticamente, o franco-provençal está a meio caminho entre o occitano e o francês na gramática e sistema de sons. Entre as características dos modos de falar do franco-provençal pode-se se assinalar, primeiramente, o vocalismo muito próximo ao provençal e o consonantismo mais de acordo com o francês.

Em algumas partes do território, especialmente em Saboia, ts passa a s e pode sofrer várias evoluções. O léxico é muito conservador; em vista de que se trata, na maioria das vezes, de dialetos alpinos, não é surpreendente se deparar com relíquias pré-romanas. Também do ponto de vista do superestrato germânico tem no franco-provençal elementos característicos de origem burgúndia.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]