República das Duas Nações

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Rzeczpospolita Obojga Narodów
Abiejų tautų respublika

República das Duas Nações
União de Estados
Alex K Kingdom of Poland-flag.svg
Brasão de armas
15691795 Flag of the Kingdom of Prussia (1750-1801).svg
Flag of the Habsburg Monarchy.svg
Flag of Russia.svg
Bandeira da República das Duas Nações Brasão da República das Duas Nações
Bandeira Brasão
Lema
Latim: Si Deus Nobiscum quis contra nos
(Se Deus está conosco, então quem estará contra nós?)
Latim: Pro Fide, Lege et Rege
(Pela Fé, pela Lei e pelo Rei, a partir do século XVIII)
Polish-Lithuanian Commonwealth 1635.png
A República em sua maior extensão (c. 1635)
Capital Cracóvia até 1596,
Varsóvia (juntamente com Grodno a partir de 1673)
Línguas latim, polonês, ruteno e outras (ver a seção Línguas da República para detalhes)
Religião Católica Romana, ortodoxa oriental, protestantismo (no oeste), judaísmo, islamismo (principalmente os tártaros e turcos no sul)
Forma de governo
Rei da Polônia
Grão-Ducado da Lituânia
Monarquia
Lista
Lista
Legislativo Sejm
História
  - Início da união
  - 1ª Partição
  - Constituição
  - 2ª Partição
  - 3ª Partição

1 de julho de 1569
5 de agosto de 1772
3 de maio de 1791
23 de janeiro de 1793
24 de outubro de 1795
Área
  - 1582 815.000 km²
  - 1618 990.000 km²
População
  - 1582 est. 6.500.000 hab.
Densidade 8 hab./km²
  - 1618 est. 10.500.000 hab.
Densidade 10,6 hab./km²

A República das Duas Nações, conhecida também por Comunidade das Duas Nações, Comunidade dos Dois Povos, Comunidade Polaco-Lituana ou Primeira República da Polônia, (polonês: Rzeczpospolita Obojga Narodów; lituano: Abiejų tautų respublika), foi um dos maiores e mais populosos[1] países da Europa no século XVII. Sua estrutura política — república aristocrática, semifederal e semiconfederada — foi constituída em 1569, pela União de Lublin, que uniu o Reino da Polônia e o Grão-Ducado da Lituânia, e durou nesta forma até a adoção da Constituição de 3 de maio de 1791. A República abrangia não apenas os territórios do que são hoje a Polônia e a Lituânia, mas também todo o território da Bielorrússia e Letônia, grande parte da Ucrânia e Estônia e a parte ocidental da atual Rússia (óblasts de Smolensk e Kaliningrado). Originariamente as línguas oficiais da República eram o polonês e o latim (no Reino da Polônia) e o ruteno e o lituano[2] (no Grão-Ducado da Lituânia).

A República foi uma extensão da União Polaco-Lituana, uma união pessoal entre aqueles dois Estados que existia desde 1386 (ver União de Krewo). O sistema político da República, freqüentemente chamado de democracia dos nobres ou liberdade dourada, foi caracterizado pela redução, por meio de leis, do poder do soberano e pelo controle do Poder legislativo (Sejm) pela nobreza (szlachta). Este sistema foi o precursor das concepções modernas de ampla democracia[3] e de monarquia constitucional,[4] [5] [6] bem como de federação..[7] Os dois estados que compunham a República eram formalmente iguais, embora na realidade a Polônia fosse o parceiro dominante na união.[8] A Igreja Católica Apostólica Romana tinha grande influência nos assuntos da República, mesmo assim o Estado foi capaz de manter uma relativa tolerância religiosa,[9] embora o seu grau tenha variado com o tempo.[10] Sua economia foi baseada principalmente na agricultura. Enquanto que o primeiro século da República foi uma era dourada[11] [12] tanto para a Polônia quanto para a Lituânia, o segundo século foi marcado por derrotas militares, um retorno à servidão[13] para os camponeses e o crescimento do anarquismo[6] [14] na vida política. Pouco antes de sua dissolução, a República adotou a segunda constituição nacional codificada mais antiga do mundo na história moderna;[15]

O Ducado de Varsóvia, constituído em 1807, remonta sua origem à República. Outros movimentos de restauração surgiram durante a Revolta de Janeiro (18631864) e na década de 1920, na tentativa fracassada de Józef Piłsudski de criar uma federação liderada pela Polônia chamada Międzymorze ("entre mares"), que incluiria a Lituânia e a Ucrânia. Hoje em dia, a República da Polônia se considera uma sucessora da República das Duas Nações[16] enquanto que a República da Lituânia, anterior à Segunda Guerra Mundial, se distanciou de qualquer associação com ela por considerar não ter sido historicamente beneficiada com sua existência.[17]

História[editar | editar código-fonte]

O brasão de armas da República das Duas Nações no tempo do reinado de Stanisław August Poniatowski, Casa da Guarda, Poznań.

A criação da República das Duas Nações pela União de Lublin em 1569 foi uma das notáveis realizações de Sigismundo II Augusto, último rei da Dinastia Jaguelônica. Sua morte em 1572 foi seguida por um interregno que durou três anos e durante o qual foram feitos ajustes no sistema constitucional que efetivamente aumentaram o poder da nobreza (a szlachta) e estabeleceram verdadeiramente uma monarquia eletiva.

A República alcançou sua era dourada na primeira metade do século XVII. Seu poderoso parlamento (o Sejm) era dominado por nobres que estavam relutantes em aceitar um envolvimento na Guerra dos Trinta Anos, poupando o país das destruições que o conflito religioso vinha trazendo para a maior parte da Europa contemporânea. A República foi capaz de defender-se sozinha contra a Suécia, a Rússia, e os vassalos do Império Otomano e, às vezes lançar-se em bem sucedidas ofensivas expansionistas contra seus vizinhos. Durante as diversas invasões à Rússia, que estava fragilizada no início do século XVII pelo Tempo de Dificuldades, as tropas da República conseguiram tomar Moscou e mantê-la sob seu controle de 27 de setembro de 1610 a 1612, quando foram expulsas por uma revolta popular ocorrida a 4 de novembro. Desde 2005 este dia é comemorado na Rússia como o Dia da União Popular (em russo, День народного единства).

O poder da República diminuiu após dois golpes seguidos: o primeiro, ocorrido em 1648, foi o da maior rebelião cossaca da História (a Revolta de Khmelnytsky nos territórios orientais de Kresy, apoiada pelo tártaro Canato da Crimeia), que resultou no pedido de proteção formulado pelos cossacos ao tsar da Rússia.[18] (1654), fazendo com que gradualmente a influência russa sobre a Ucrânia suplantasse a polonesa. O outro golpe para a República foi o da invasão sueca em 1655 (apoiada pelas tropas do duque da Transilvânia, Jorge II Rakoczy e Frederico Guilherme I, Eleitor de Brandemburgo), conhecida como O Dilúvio, provocada pelas políticas dos reis da Casa real sueca de Vasa.

No final do século XVII, a debilitada República, sob o governo do Rei Jan III Sobieski, em aliança com as forças do imperador Leopoldo I, do Sacro Império Romano-Germânico, impôs derrotas esmagadoras ao Império Otomano: em 1683, a Batalha de Viena foi o marco decisivo que pôs fim a uma luta de 250 anos entre as forças da Europa cristã e o Império Otomano, islâmico. Por suas lutas ao longo dos séculos para deter o avanço muçulmano, a República ganharia o nome de "Antemurale Christianitatis" (vanguarda da cristandade). [7] Nos dezesseis anos seguintes (na "Grande Guerra Turca") os turcos seriam empurrados para o sul do rio Danúbio e nunca mais voltariam a ameaçar a Europa Central.

No século XVIII, a República enfrentou muitos problemas internos e ficou vulnerável às influências estrangeiras. A desestabilização do sistema político chegou à beira do anarquismo. As tentativas de reformas, como aquelas feitas pela Sejm de quatro anos de 17881792, que culminou na Constituição de 3 de maio de 1791, chegaram tarde demais e o país foi desmembrado em três ocasiões por seus vizinhos, o Império Russo, o Reino da Prússia e a monarquia dos Habsburgos. Pelo ano de 1795 a República das Duas Nações havia sido completamente apagada do mapa da Europa. Polônia e Lituânia restabeleceram suas independências, como países separados, somente em 1918.

Organização e política estatal[editar | editar código-fonte]

Liberdade dourada[editar | editar código-fonte]

União de Lublin de 1569, por Jan Matejko, 1869, óleo sobre tela, Museu Nacional, Varsóvia.

A doutrina política da República das Duas Nações era: nosso estado é uma república sob a presidência do Rei. O Chanceler Jan Zamoyski resumiu esta doutrina quando afirmou que "Rex regnat et non gubernat" ("O Rei reina mas não governa"). A República tinha um parlamento, o Sejm, bem como um Senado e um rei eleito. O rei era obrigado a respeitar os direitos dos cidadãos especificados nos Artigos do Rei Henrique assim como nos pacta conventa negociados à época de sua eleição.

O poder dos monarcas era limitado, em favor de uma considerável classe de nobres. Cada novo rei tinha que subscrever os Artigos do Rei Henrique, que eram a base do sistema político da Polônia (e incluíam as quase inéditas garantias de tolerância religiosa). Com o passar do tempo, os Artigos do Rei Henrique fundiram-se aos pacta conventa, promessas específicas feitas pelo rei eleito. A partir daí, o rei era efetivamente um parceiro da classe dos nobres e era constantemente supervisionado por um grupo de senadores.

A base do sistema político da República das Duas Nações, a "Liberdade dourada" (polonês: Zlota Wolność, um termo usado a partir de 1573), incluía:

  • eleições livres do rei por todos os nobres que quisessem participar;
  • o Sejm, o parlamento da República, que o rei era obrigado a convocar a cada dois anos;
  • pacta conventa (latim), "condições convencionadas" negociadas com o rei eleito, inclusive uma declaração dos direitos dos cidadãos, obrigatória para o rei, baseada nos antigos Artigos do Rei Henrique;
  • rokosz (rebelião armada), o direito da szlachta de empreender uma rebelião legal contra um rei que violasse suas garantias adquiridas;
  • liberum veto (latim), o direito individual de um deputado do Sejm de opor-se a uma decisão da maioria em uma seção do Sejm; a invocação de um "veto livre" anulava todas as decisões que haviam sido aprovadas naquela sessão; durante as crises da segunda metade do século XVII, os nobres poloneses podiam também usar o liberum veto nas sejmiks provinciais;
  • konfederacja (do latim confederatio), o direito de formar uma organização para pugnar pela obtenção de um objetivo político comum.

As três regiões da República (ver abaixo) desfrutaram de grande autonomia. [19] Cada voivodia tinha seu próprio parlamento (sejmik), que exercia forte poder político, inclusive na escolha do poseł (deputado) para o Sejm nacional e na instrução do deputado para a realização de votações específicas. O Grão-Ducado da Lituânia tinha seu próprio exército, seu Ministério da Fazenda e outras instituições.[20]

A República no zênite de seu poder. Liberdade dourada. A eleição real de 1573, por Jan Matejko.

A Liberdade dourada criou um Estado que era incomum para o seu tempo, embora alguns sistemas políticos semelhantes tenham existido nas cidades-Estados contemporâneas como a República de Veneza [21] (curiosamente os dois Estados eram intitulados "Sereníssima República"). [22] Num tempo em que a maioria dos países europeus se voltava para a centralização, monarquia absoluta, guerra religiosa e dinástica, a República experimentou a descentralização,[7] a confederação e a federação, a democracia, a tolerância religiosa e até mesmo o pacifismo.

Este sistema político incomum para o seu tempo resultou das vitórias da szlachta (classe dos nobres) sobre as outras classes sociais e sobre o sistema político da monarquia. Naquele tempo, a szlachta acumulou privilégios suficientes (como aqueles estabelecidos pelo Ato Nihil novi de 1505) que impediriam qualquer monarca de tentar tirar-lhes o controle do poder. É difícil classificar o sistema político da República em uma única categoria, mas pode-se tentar descrevê-lo como sendo um misto de:

  • confederação e federação, em relação à ampla autonomia de suas regiões;
  • oligarquia,[7] já que apenas a szlachta (cerca de 10% da população) tinha direitos políticos;
  • democracia, uma vez que todos da szlachta eram iguais em direitos e privilégios e o Sejm podia vetar o rei em importantes matérias, inclusive na instituição de leis (na aprovação de leis novas), assuntos externos, declaração de guerra e assuntos tributários (mudanças nos impostos existentes ou a criação de novos). Ademais, 10% da população da República desfrutavam de direitos políticos (a szlachta) sendo esta uma porcentagem substancialmente maior do que em qualquer outro país europeu; note que em 1831 na França apenas cerca de 1% da população tinha o direito de voto e em 1867 no Reino Unido, apenas cerca de 3%;
  • monarquia eletiva, uma vez que o monarca, eleito pela szlachta, era o Chefe de Estado;
  • monarquia constitucional, uma vez que o monarca estava limitado por pacta conventa e outras leis, e a szlachta podia desobedecer qualquer decreto real que julgasse ilegal.

Os atores políticos[editar | editar código-fonte]

Chanceler e Grão-Hetman Jan Zamoyski. Segura o bulawa dos hetman.

Os maiores participantes na política da República foram:

  • os monarcas, que lutaram para expandir seus poderes e criar uma monarquia absoluta;
  • os magnatas, os mais ricos da szlachta, que queriam governar o país como uma privilegiada oligarquia e dominar tanto o monarca quanto os nobres mais pobres.
  • a szlachta, que desejava um fortalecimento do Sejm e governar o país como uma democracia da szlachta.

Os magnatas e a szlachta estiveram longe de ser uma unidade, com muitas facções apoiando ou o monarca ou vários outros magnatas.

As falhas da República[editar | editar código-fonte]

Quando a Dinastia Jaguelônica desapareceu em 1572, o frágil equilíbrio do governo da República começou a ser abalado. O poder foi aos poucos migrando do governo central para a nobreza.

Nas suas oportunidades periódicas para preencher o lugar deixado vago no trono, a szlachta demonstrou a sua preferência por candidatos estrangeiros que não estabelecessem uma outra dinastia forte. Esta política freqüentemente produziu monarcas que ou eram totalmente ineficazes ou estavam em constante conflito com a nobreza. Além disso, com notáveis exceções como a do hábil Stefan Batory da Transilvânia (15761586), os reis de origem estrangeira estavam propensos a subordinar os interesses da República àqueles de seus próprios países ou casa real. Isto foi especialmente observado na política e ações do primeiro dos dois reis eleitos da Casa sueca de Vasa, cujas políticas levaram a República a entrar em conflito com a Suécia, culminando com a guerra conhecida como O Dilúvio (1648), um dos eventos que marcaram o fim da Era dourada da República e o início de seu declínio.

A Rebelião de Zebrzydowski (16067) marcou um substancial aumento do poder dos magnatas e a transformação da democracia da szlachta em uma oligarquia dos magnatas. O sistema político da República era vulnerável a interferências externas, uma vez que os deputados do Sejm subornados [23] [24] por forças estrangeiras podiam usar seu liberum veto para impedir as tentativas de reformas. Isto solapou a República e a mergulhou em uma paralisia política e anarquia por mais de um século, desde meados do século XVII até o fim do XVIII, enquanto seus vizinhos estabilizavam seus assuntos internos e aumentavam seu poderio militar.

Reformas tardias[editar | editar código-fonte]

Constituição de 3 de maio, por Jan Matejko, 1891, óleo sobre tela. Castelo Real (Varsóvia).

A República fez um sério esforço para reformar seu sistema político, adotando em 1791 a Constituição de 3 de maio, a primeira constituição[15] nacional codificada da Europa nos Tempos Modernos e a segunda do mundo, depois da Constituição dos Estados Unidos da América, que havia surgido cerca de dois anos antes. A revolucionária constituição transformou a República das Duas Nações em um Estado federativo polaco-lituano com uma monarquia hereditária e aboliu muitas das características danosas do antigo sistema. A nova constituição:

Entretanto, estas reformas chegaram tarde demais, uma vez que a República acabou sendo imediatamente invadida por todos os lados por seus vizinhos que, de início satisfeitos por terem uma República fraca e inofensiva como Estado-tampão, reagiram vigorosamente às tentativas do rei Stanisław August Poniatowski e de outros reformistas no sentido de tentar fortalecer o país.[19] A Rússia temia as implicações revolucionárias das reformas políticas da Constituição de 3 de maio e a possibilidade da República recuperar sua posição de império europeu. Catarina, a Grande considerou a Constituição de maio fatal para a sua influência[25] e declarou-a jacobinista.;[26] Grigori Alexandrovich Potemkin redigiu o ato para a Confederação Targowica, referindo-se à constituição como o 'contágio de ideias democráticas'.[27] Enquanto isso, a Prússia e a Áustria, também temerosas de um fortalecimento da República, usaram-na como um pretexto para futuras expansões territoriais.[26] O ministro prussiano Ewald Friedrich von Hertzberg chamou a constituição de "uma bofetada na monarquia prussiana",[28] temendo que o fortalecimento da República pudesse mais uma vez dominar a Prússia.[25] [29] Na realidade, a Constituição de 3 de maio nunca foi completamente implementada e a República desapareceu quatro anos após a sua adoção.

O militarismo da República[editar | editar código-fonte]

Hussardos da República, por Józef Brandt.

Os exércitos da República eram comandados por dois Grão-Hetmans e dois Hetmans-de-Campo.
Os exércitos eram formados por:

  • Wojsko kwarciane: Unidades regulares com soldos pagos pelos impostos (essas unidades foram mais tarde fundidas com a wojsko komputowe);
  • Wojsko komputowe: Unidades semi-regulares criadas para os tempos de guerra (em 1652 essas unidades foram fundidas com a wojsko kwarciane em um novo exército permanente);
  • Pospolite ruszenie: Unidades formadas pela Szlachta;
  • Piechota łanowa e piechota wybraniecka: Unidades predominantemente formadas por recrutas camponeses;
  • Cossacos registrados: Tropas formadas de cossacos, usados principalmente como infantaria, menos freqüentemente como cavalaria. Foram recrutados até 1699;
  • Guarda Real: Uma pequena unidade cuja finalidade principal era a de escoltar o monarca e membros de sua família;
  • Mercenários: Como a maioria de outros exércitos, eram contratados para suplementar as unidades regulares e incluíam, dentre outros, alemães, escoceses, valáquios, sérvios, húngaros, tchecos e morávios.
  • Paramilitares: Em tempos de paz, geralmente pequenos regimentos (menos de cem homens) eram pagos e equipados pelos magnatas ou cidades. Porém, em tempos de guerra, eram aumentados grandemente (para até mesmo cerca de mil homens) e pagos pelo Estado.

Algumas unidades do exército da Comunindade Polaco-Lituana eram compostas de:

  • Hussardos: cavalaria pesada armada com lanças; seus ataques eram extremamente eficazes até que o avanço das armas de fogo no final do século XVII aumentou substancialmente o poder de fogo da infantaria. Seus membros eram conhecidos por towarzysz husarski e eram apoiados por unidades menores chamadas de pocztowy.
  • Pancerni: cavalaria média, armada com sabres ou machados, arco e flecha, e mais tarde com pistolas. Segundo segmento de cavalaria em importância do exército polonês.
  • Cossacos: nome genérico para todas as unidades de cavalaria ligeira da República, mesmo se elas não tivessem um único elemento da etnia cossaca; eram velozes e movimentavam-se como as unidades de cavalaria oriental dos vassalos do Império Otomano, mas faltava-lhes o poder de fogo da cavalaria europeia, como os reiters suecos armados de pistolas.

A Marinha da República era pequena e teve um papel relativamente secundário na sua história, mas venceu a importante batalha naval de Oliwa, quebrando o bloqueio marítimo sueco em 1627. Sobre o Mar Negro, os cossacos com suas pequenas embarcações (czajka) eram conhecidos por seus ataques e pilhagens de ação rápida contra as cidades costeiras do Império Otomano e de seus vassalos (eles chegaram a queimar uma ou duas vezes subúrbios de Istambul).

Economia[editar | editar código-fonte]

"Grão paga."
E "Grão não paga". As duas figuras ilustram a noção que a agricultura, uma vez extremamente lucrativa para a nobreza (szlachta) na República das Duas Nações, tornou-se muito menos lucrativa a partir da segunda metade do século XVII.

A economia da República era dominada pela agricultura feudal baseada na exploração da mão-de-obra agrícola (servidão). Tipicamente uma propriedade rural de um nobre compreendia um latifúndio, uma grande fazenda onde os servos trabalhavam para produzir excedentes para o comércio interno e externo. Este arranjo econômico funcionou bem para as classes dominantes nos primeiros anos da República, que foram uma das mais prósperas eras do comércio de grãos.[30] Porém a situação do país piorou a partir do final do século XVII, quando os proprietários de terras da szlachta buscaram compensar a queda dos preços dos grãos com o aumento da carga de trabalho dos camponeses, levando à criação da segunda servidão, um fenômeno comum em toda a Europa Oriental contemporânea.

A preocupação da República com a agricultura, somada ao domínio da szlachta sobre a burguesia, resultou em um processo bastante lento de urbanização e de desenvolvimento das indústrias. Enquanto conflitos semelhantes entre classes sociais podiam ser encontrados por toda parte da Europa, em nenhum lugar eles foram tão dominados pela nobreza quanto na República das Duas Nações. Porém, há muitos debates entre historiadores sobre quais processos mais afetaram esses desenvolvimentos, pois, até as guerras e crises de meados do século XVII, as cidades da República não tinham ficado para trás em tamanho e riquezas, em comparação com as cidades ocidentais. A República tinha numerosas vilas e cidades. Algumas das maiores feiras de comércio na República aconteceram em Lublin. Veja a seção de geografia, abaixo, para uma lista de cidades principais na República (geralmente capitais de voivodias).

Embora a República fosse a maior produtora de grãos da Europa, a maior parte de sua produção era consumida internamente. O consumo estimado de grãos na Coroa polonesa (a Polônia propriamente dita) e na Prússia em 156070 foi cerca de 113 000 toneladas de trigo (ou de 226 000 łaszt (um łaszt, ou last, sendo uma grande unidade de medida; no caso de grãos, cerca de meia tonelada). A média da produção anual de grãos na República no século XVI era de 120 000 toneladas, 6% das quais eram exportadas, enquanto as cidades consumiam cerca de 19% e o restante era consumido pelas aldeias. As exportações provavelmente satisfaziam aproximadamente 2% da demanda por grãos na Europa Ocidental, alimentando 750 000 pessoas. A produção de grãos da República alcançava muito mais importância nos anos de colheitas fracas nos outros países europeus, como nos anos de 1590 e 1620, quando os governos do sul da Europa realizaram grandes importações de grãos para cobrir déficits nas suas jurisdições.

Ainda assim, os grãos eram o principal produto de exportação da República. O proprietário de um latifúndio normalmente assinava um contrato com comerciantes de Gdańsk (em alemão: Danzig), que controlavam 80% do comércio interno de grãos, para transportar sua produção por meio de barcos em direção ao norte até aquele porto marítimo no Mar Báltico. Muitos rios na República eram usados para o transporte de cargas: Vístula, Pilica, Bug Ocidental, San, Nida, Wieprz, Niemen. Os rios tinham uma infra-estrutura relativamente desenvolvida , com portos e silos para armazenagem dos grãos. A maior parte do transporte fluvial corria no sentido norte, uma vez que o transporte para o sul era menos lucrativo, e as barcaças e as balsas utilizadas eram freqüentemente vendidas em Gdańsk como lenha.

De Gdańsk, navios, na maioria dos Países Baixos e Flandres, levavam os grãos para portos como os de Antuérpia e Amsterdã. Os navios de Gdańsk respondiam por apenas 2–10% deste comércio marítimo. Além dos grãos, outras exportações por via marítima incluíam madeira e produtos relacionados como o alcatrão e o carvão.

Através das rotas terrestres, a República exportava peles de animais, cânhamo, algodão (principalmente da Wielkopolska) e linho para as terras alemãs do Sacro Império Romano-Germânico, incluindo cidades como Leipzig e Nurembergue. Grandes rebanhos (de aproximadamente 50 000 cabeças) de gado seguiam para o sul através da Silésia.

A República importava especiarias, artigos de luxo, roupas, peixes, cerveja e produtos industrializados como aço e ferramentas. Uns poucos barcos fluviais levavam os produtos importados para o sul a partir do porto de Gdańsk como vinhos, frutas, especiarias e arenque. Em um dado momento entre os séculos XVI e XVII, o equilíbrio da balança comercial da República passou de positivo para negativo.

Com o advento da Era dos Descobrimentos, muitas antigas rotas de comércio como a Rota do Âmbar perderam importância quando as novas foram criadas. A importância da Polônia como rota de caravanas entre a Ásia e a Europa diminuiu, ao mesmo tempo em que foram criadas novas rotas locais de comércio entre a República e a Rússia. Mas até mesmo com as melhorias tecnológicas do transporte marítimo, a República permaneceu sendo uma ligação importante entre o Ocidente e o Oriente, pois muitos bens e artefatos culturais passavam de uma região a outra através da República. Por exemplo, os tapetes de Isfahan importados da Pérsia pela República eram na realidade conhecidos no Ocidente como "tapetes poloneses".[31] Ademais, o preço das especiarias orientais na Polônia era muitas vezes mais baixo do que em portos ocidentais, o que levou à criação de uma culinária polonesa distinta, devido à grande influência tanto oriental quanto ocidental.

A moeda corrente da República incluía o złoty e o grosz. A cidade de Danzig tinha o privilégio de cunhar sua própria moeda.

Cultura[editar | editar código-fonte]

O foguete de múltiplos estágios, da Artis Magnæ Artilleriæ pars prima de Kazimierz Siemienowicz.

A República das Duas Nações foi um importante centro europeu para o desenvolvimento das modernas ideias sociais e políticas. Foi famosa por seu raro sistema político semidemocrático, elogiado por filósofos como Erasmo de Roterdão; e, durante a Contra-Reforma, foi conhecida por sua tolerância religiosa, que possibilitou a coexistência pacífica entre católicos, judeus, ortodoxos orientais, protestantes e até mesmo comunidades muçulmanas. A República deu origem à famosa seita cristã da Irmandade polonesa, antecessora dos unitaristas britânicos e estado-unidenses.

Com seu sistema político, a República fez surgir filósofos políticos como Andrzej Frycz Modrzewski (1503–1572), Wawrzyniec Grzymała Goślicki (1530–1607) e Piotr Skarga (1536–1612). Mais tarde, as obras de Stanisław Staszic (1755–1826) e Hugo Kołłątaj (1750–1812) prepararam o caminho para a Constituição da República de 3 de maio de 1791, a primeira constituição nacional codificada da história moderna da Europa,[15] que ordenou princípios políticos revolucionários pela primeira vez na Europa.

A Universidade Jaguelônica de Cracóvia é uma das mais antigas do mundo. A Universidade de Vilnius e a Universidade Jaguelônica eram os maiores centros educacionais e científicos na República. A Komisja Edukacji Narodowej, (polonês: para Comissão de Educação Nacional), formada em 1773, foi o primeiro Ministério da Educação nacional do mundo. Dentre os cientistas da República estão:

Dentre os muitos clássicos da literatura da República estão:

Muitos membros da szlachta escreveram memórias e diários. Talvez as mais famosas sejam as Memórias da História da Polônia de Albrycht Stanisław Radziwiłł (1595–1656) e as Memórias de Jan Chryzostom Pasek (entre 1636 e 1701).

Os magnatas freqüentemente empreendiam projetos de construção como monumentos a si próprios: igrejas, catedrais e palácios como os atuais Palácio Presidencial em Varsóvia, erguido pelo Grão-Hetman Stanisław Koniecpolski. Os maiores projetos envolveram cidades inteiras, embora com o tempo muitos cairiam no esquecimento ou seriam totalmente abandonados. Geralmente recebiam o nome do magnata que os patrocinava. Dentre os mais famosos está a cidade de Zamość, fundada por Jan Zamoyski e projetada pelo arquiteto italiano Bernardo Morando.

A szlachta e o Sarmatismo[editar | editar código-fonte]

A ideologia prevalecente da szlachta era a do "Sarmatismo", nome derivado dos sármatas, os alegados ancestrais da szlachta. Esta crença era uma parte importante da cultura da szlachta e influenciava todos os aspectos de suas vidas. O Sarmatismo cultuava a igualdade entre os membros da szlachta, o costume de andar a cavalo, a tradição, a vida rural provinciana, a paz e o pacifismo; incentivava o uso de trajes de inspiração oriental (żupan, kontusz, pas kontuszowy, delia, szabla); e serviu para integrar a nobreza multi-étnica ao criar um senso de quase nacionalismo, de unidade e de orgulho pela Liberdade dourada da szlachta.

Em sua forma inicial e idealizada, o Sarmatismo representou um movimento cultural positivo: ele incentivou a crença religiosa, a honestidade, o orgulho nacional, a coragem, a igualdade e a liberdade. Porém, com o tempo, terminou por ser distorcido. O Sarmatismo extremo dos últimos tempos transformou a convicção em fanatismo, a honestidade em ingenuidade política, o orgulho em arrogância, a coragem em teimosia e a liberdade em anarquia.[32]

Demografia e Religião[editar | editar código-fonte]

O casamento cossaco. Pintura de Józef Brandt.

A população na República das Duas Nações nunca foi esmagadoramente nem católica romana, nem polonesa. Esta circunstância era devida ao controle da Ucrânia pela Polônia e à confederação com a Lituânia, uma vez que em ambos desses países a etnia polonesa era uma distinta minoria. A República era constituída inicialmente por quatro nações: lituanos, poloneses, ucranianos e bielorrussos (os últimos geralmente referidos como rutenos). Algumas vezes os habitantes do Grão-Ducado da Lituânia eram chamados de litvins, um termo eslavo para lituanos, apesar de serem de etnias diferentes. Logo após a União de Lublin, no final daquele século, a população da República era de cerca de 7 milhões de habitantes, formada por 4,5 milhões de poloneses, 0,75 milhão de lituanos, 0,7 milhão de judeus e 2 milhões de rutenos.[33] Em 1618, depois da Trégua de Deulino a população da República aumentou, juntamente com a expansão de seu território, alcançando 11,5 milhões de habitantes divididos em: poloneses, 4,5 milhões; ucranianos, 3,5 milhões; bielorrussos, 1,5 milhão; lituanos, 0,75 milhão; prussianos, 0,75 milhão; judeus, 0,5 milhão; e livonianos, 0,5 milhão. Neste tempo a nobreza constituía 10% do total da população e a burguesia, 15%.[34] No período de 164857, a perda populacional foi estimada em 4 milhões.[34] Devido a outras perdas territoriais e populacionais, a população em 1717 diminuiu para 9 milhões de habitantes, dividida em: 4,5 milhões de poloneses, 1,5 milhão de ucranianos, 1,2 milhão de bielorrussos, 0,8 milhão de lituanos, 0,5 milhão de judeus e 0,5 milhão de outros.[34] Ser polonês, nas terras não polonesas da República era então muito menos um índice de etnicidade do que de religião e posição social; era uma designação essencialmente reservada para a classe dos nobres proprietários de terras, a (szlachta), que não só incluía poloneses, como também muitos membros de origem não polonesa que, convertidos ao catolicismo cresciam em número a cada nova geração. Para os nobres não-poloneses, tal conversão significava o passo final para a polonização que era seguida pela adoção da língua e cultura da Polônia.[35] A Polônia, como a parte mais desenvolvida culturalmente da República, com a corte real, a capital, as maiores cidades, a segunda mais antiga universidade da Europa Central (depois de Praga) e a mais liberal e democrática organização social, agia como uma atração irresistível para os nobres não-poloneses da República.[7]

Como conseqüência, nos territórios orientais, um aristocrata polonês (ou polonizado) dominava a classe dos camponeses cuja grande maioria não era nem polonesa, nem católica romana. Além disso, as décadas de paz levaram a enormes esforços de colonização para a Ucrânia, aumentando as tensões entre os nobres, judeus, cossacos (tradicionalmente ortodoxos), camponeses poloneses e rutenos. Mais tarde, desprovidos de seus protetores naturais dentre a nobreza rutena, buscaram proteção entre os cossacos que geraram violência e acabaram por desestabilizar a República. As tensões foram agravadas pelos conflitos entre a Igreja Ortodoxa e a Igreja Greco-Católica que se seguiu à União de Brest, o que causou uma discriminação generalizada das Igrejas ortodoxas pelo catolicismo dominante [36] e várias revoltas de cossacos. No Oeste e Norte, muitas cidades possuíam consideráveis minorias alemãs, geralmente pertencentes às Igrejas Reformadas. A República tinha também uma das maiores diásporas judaicas do mundo.

Até a Reforma Protestante, a szlachta era em sua maioria católica ou ortodoxa. Porém, muitas famílias adotaram rapidamente a religião reformada. Depois da Contra-Reforma, quando a Igreja Católica Apostólica Romana recuperou o poder na Polônia, a szlachta tornou-se quase que exclusivamente católica romana, apesar do fato de o Catolicismo não ser a religião da maioria da população (as Igrejas católicas romanas e ortodoxas contavam cada uma com aproximadamente 40% da população, enquanto que os 20% restantes eram compostos por judeus e membros de igrejas protestantes). Deve ser observado que a Contra-Reforma na Polônia, influenciada pela tradição de tolerância religiosa da República, foi baseada quase que totalmente na propaganda jesuítica e foi muito mais pacífica quando comparada aos excessos, tais como a Guerra dos Trinta Anos, nas outras partes da Europa.

Línguas da República[editar | editar código-fonte]

"O Alquimista Michał Sędziwój". Pintura de Jan Matejko, 73×130cm, Museu das Artes (Łódź)
  • Polonês (reconhecida oficialmente;[37] língua dominante, utilizada pela maioria da nobreza da República[37] [38] [39] [40] e pelo campesinato na província da Coroa;[41] língua oficial na chancelaria da Coroa e desde 1697 na chancelaria do Grão-Ducado)[42] Língua dominante nas cidades.[41]
  • Latim (reconhecida oficialmente;[37] [43] comumente usada nas relações exteriores[42] e popular como uma segunda língua entre a nobreza[44] )
  • Lituano (não reconhecida oficialmente,[37] [45] mas utilizada em alguns documentos no Grão-Ducado[46] [47] e por alguns camponeses do Grão-Ducado[41] )
  • Alemão (reconhecida oficialmente;[37] usada em algumas relações exteriores,[42] na Prússia Real e por minorias nas cidades[41] [48] )
  • Hebreu (reconhecida oficialmente;[37] usada pelos judeus; a iídiche era também usada,[41] mas não reconhecida como língua oficial[49] [50] )
  • Ruteno (reconhecida oficialmente;[37] língua oficial da chancelaria do Grão-Ducado até 1697; usada em algumas relações exteriores[42] [43] e por alguns camponeses na província da Rutênia[41] )
  • Armênio (reconhecida oficialmente;[37] usada pela minoria armênia[50] [51] )

Províncias e geografia[editar | editar código-fonte]

Mapa da República das Duas Nações com suas principais subdivisões depois da Paz de Deulino de 1618, sobreposto às fronteiras atuais dos países; Legenda: 1 - A Coroa, 2 - Ducado da Prússia - feudo polonês, 3 - Grão-Ducado da Lituânia, 4 - Ducado da Curlândia - feudo, 5 - Ducado da Livônia.

As terras que uma vez pertenceram à República das Duas Nações estão agora distribuídas entre os diversos países da atual Europa central e Leste Europeu:
Polônia, Ucrânia, Moldávia (Transnístria), Bielorrússia, Rússia, Lituânia, Letônia e Estônia. Também algumas pequenas cidades na Eslováquia, então dentro do Reino da Hungria, tornaram-se parte da Polônia pelo Tratado de Lubowla.

Embora o termo "Polônia" fosse largamente empregado para designar toda a sua divisão política, a Polônia era, de fato, apenas uma parte de um todo maior — a República das Duas Nações, que era composta principalmente de duas partes:

A Coroa, por sua vez, compreendia duas grandes regiões ("prowincjas"): Wielkopolska ou Grande Polônia e Małopolska ou Pequena Polônia e outra nação titular da República era o Grão-Ducado da Lituânia. A República foi dividida posteriormente, em unidades administrativas menores conhecidas por voivodias (województwa). Cada voivodia era governada por um voivoda (wojewoda, governador). As voivodias foram posteriormente divididas em starostwa, cada starostwo era governada por um starosta. As cidades eram governadas por castelões. Havia freqüentes exceções a esta regra, geralmente envolvendo a subunidade administrativa ziemia.

Outras partes importantes da República, freqüentemente sem relação com as divisões das regiões ou voivodias, incluem:

Mapa da Europa no século XVI por Gerardus Mercator.

As fronteiras da República sofreram muitas modificações em seus traçados devido às muitas guerras e tratados, chegando a ser alteradas várias vezes em uma década, especialmente nas partes sul e leste.

Pensou-se muitas vezes em criar um Principado da Rutênia, particularmente durante a revolta dos cossacos contra o governo da Polônia, em 1648, na Ucrânia. Tal Principado, como proposto pelo Tratado de Hadiach, em 1658, teria sido um membro da República, que faria parte do Estado tripartite da República polaco-lituana-rutena ou República das Três Nações, mas devido às exigências da szlachta, a uma invasão moscovita e a divergências entre os cossacos, o plano nunca foi implementado. Pelos mesmos motivos, os planos para uma República polaco-lituana-moscovita também nunca se realizaram, embora durante a Guerra polaco-moscovita (1605–1618) o príncipe polonês (mais tarde, Rei) Władysław IV Waza tivesse sido, por um curto período, eleito Tsar da Moscóvia.

A Coroa tinha quase o dobro da população da Lituânia e era cinco vezes mais próspera. Assim como outros países, as fronteiras, área e população da República variaram com o tempo. Depois da Paz de Jam Zapolski (1582), a República teve aproximadamente 815 000 km² de área e uma população de 6,5 milhões de habitantes. Depois do Trégua de Deulino (1618), a República teve uma área em torno de 990 000 km² e uma população de 10–11 milhões de habitantes (incluindo cerca de 4 milhões de poloneses). No século XVI, o bispo polonês e cartógrafo Martin Kromer publicou um atlas em latim, intitulado Polonia sive de situ, populis, moribus, magistratibus et Republica regni Polonici libri duo, que foi considerado como o guia mais completo sobre o país.

Os trabalhos de Kromer e outros mapas contemporâneos, tais como os de Gerardus Mercator, mostram a República quase que completamente constituída por planícies. A parte sudeste da República, a Kresy, era famosa por suas estepes. Os Cárpatos formavam parte da fronteira sul, com o ponto mais alto formado pela cadeia de Montanhas Tatra, e o Mar Báltico constituía o limite Norte da República. Como a maioria dos países europeus daquele tempo, a República era coberta por vastas florestas, especialmente no Leste. Hoje em dia, o que restou da Floresta Białowieża constitui a última floresta primeva intacta da Europa.

Voivodias da República[editar | editar código-fonte]

Note que algumas fontes utilizam a palavra palatinado ao invés de voivodia.

Grande Polônia (Wielkopolska)[editar | editar código-fonte]

Mapa mostrando as voivodias da República das Duas Nações

Pequena Polônia (Małopolska)[editar | editar código-fonte]

Grão-Ducado da Lituânia[editar | editar código-fonte]

Prússia Real[editar | editar código-fonte]

Ducado da Livônia (Inflanty)[editar | editar código-fonte]

Notas e referências

  1. Heritage: Interactive Atlas: Polish-Lithuanian Commonwealth, último acesso em 3 de setembro de 2006 No seu apogeu, a República das Duas Nações compreendia cerca de 400.000 milhas quadradas e uma população multi-étnica de 11 milhões de habitantes. Para comparações de populações, ver também estes mapas: [1], [2].
  2. Mes Wladislaus…, último acesso em 3 de setembro.
  3. Maciej Janowski, Polish Liberal Thought before 1918, Central European University Press, 2001, ISBN 963-9241-18-0, Google Print: p.3, p.12
  4. Paul W. Schroeder, The Transformation of European Politics 1763-1848, Oxford University Press, 1996, ISBN 0-19-820654-2, Google print p.84
  5. Rett R. Ludwikowski, Constitution-Making in the Region of Former Soviet Dominance, Duke University Press, 1997, ISBN 0-8223-1802-4, Google Print, p.34
  6. a b George Sanford, Democratic Government in Poland: Constitutional Politics Since 1989, Palgrave, 2002, ISBN 0-333-77475-2, Google print p.11 – monarquia constitucional, p.3 - anarchy
  7. a b c d e Aleksander Gella, Development of Class Structure in Eastern Europe: Poland and Her Southern Neighbors, SUNY Press, 1998, ISBN 0-88706-833-2, Google Print, p.13
  8. "Formalmente, a Polônia e a Lituânia eram para ser, componentes iguais na confederação, mas a Polônia tinha uma maior representação na Dieta e se tornou o parceiro dominante.""União de Lublin". Encyclopædia Britannica. (2006).[3]
  9. Halina Stephan, Living in Translation: Polish Writers in America, Rodopi, 2003, ISBN 90-420-1016-9, Google Print p. 373. Citando a declaração do diário acadêmico Sarmatian Review: A República das Duas Nações era caracterizada pela tolerância religiosa incomum na Europa pré-moderna.
  10. Feliks Gross, Citizenship and Ethnicity: The Growth and Development of a Democratic Multiethnic Institution, Greenwood Press, 1999, ISBN 0-313-30932-9, Google Print, p.122 (notas)
  11. Francis Dvornik, The Slavs in European History and Civilization, Rutgers University Press, 1986, ISBN 0813507995, Google Print, p.300.
  12. Salo Wittmayer Baron, A Social and Religious History of the Jews, Volume 16 (Late Middle Ages and Era of European Expansion, 1200-1650; Poland-Lithuania, 1500-1650), Columbia University Press, 1976, ISBN 0231088531, Google Print.
  13. The Causes of Slavery or Serfdom: A Hypothesis, discussão e texto completo online de Evsey Domar (1970) "The Causes of Slavery or Serfdom: A Hypothesis," Economic History Review 30:1 (março), pp. 18-32
  14. Martin Van Gelderen, Quentin Skinner, Republicanism: A Shared European Heritage, Cambridge University Press, 2002, ISBN 0-521-80756-5 Google Print: p.54
  15. a b c John Markoff descreve o advento de constituições nacionais codificadas modernas e declara que "O primeiro país europeu a seguir o exemplo dos Estados Unidos da América foi a Polônia em 1791". John Markoff, Waves of Democracy, 1996, ISBN 0-8039-9019-7, Google Print, p.121.
  16. Como declara, por exemplo no preâmbulo da Constituição da República da Polônia de 1997.
  17. Alfonsas Eidintas, Vytautas Zalys, Lithuania in European Politics: The Years of the First Republic, 1918-1940, Palgrave, 1999, ISBN 0-312-22458-3. Google Print, p.78
  18. "Em 1651, em face a uma crescente ameaça da Polônia e abandonado por seus aliados tártaros, Bohdan Khmelnytsky pediu ao Tzar para unir-se à Ucrânia como um ducado autônomo sob a proteção russa.""[4]". Encyclopædia Britannica. (2006).[5]
  19. a b James S. Pacy, James T. McHugh, Diplomats Without a Country: Baltic Diplomacy, International Law, and the Cold War, Greenwood Press, 2001, ISBN 0-313-31878-6. Google Print, p. 18
  20. Juliusz Bardach O Rzeczpospolitą Obojga Narodów, 1998, Varsóvia
  21. Joanna Olkiewicz, Najaśniejsza Republika Wenecka (Sereníssima República de Veneza), Książka i Wiedza, 1972, Warszawa
  22. Joseph Conrad, Notes on Life and Letters, Cambridge University Press, 2004, ISBN 0-521-56163-9, Google Print, p.422 (notas)
  23. William Bullitt, The Great Globe Itself: A Preface to World Affairs, Transaction Publishers, 2005, ISBN 1-4128-0490-6, Google Print, p.42-43
  24. John Adams, The Political Writings of John Adams, Regnery Gateway, 2001, ISBN 0-89526-292-4, Google Print, p.242
  25. a b Henry Eldridge Bourne, The Revolutionary Period in Europe 1763 to 1815, Kessinger Publishing, 2005, ISBN 1-4179-3418-2, Google Print p.161
  26. a b Wolfgang Menzel, Germany from the Earliest Period Vol. 4, Kessinger Publishing, 2004, ISBN 1-4191-2171-5, Google Print, p.33
  27. Isabel de Madariaga, Russia in the Age of Catherine the Great, Sterling Publishing Company, Inc., 2002, ISBN 1-84212-511-7, Google Print p.431
  28. Carl L. Bucki, A Constituição de 3 de maio de 1791, Texto de uma apresentação feita no Clube de Artes Polonesas de Buffalo por ocasião da comemoração do Dia da Constituição polonesa de 3 de maio, 1996, último acesso em 9 de setembro de 2006
  29. Piotr Stefan Wandycz, The Price of Freedom: A History of East Central Europe from the Middle Ages to the Presentm Routledge (UK), 2001, ISBN 0-415-25491-4, Google Print p.131
  30. Perry Anderson, Lineages of the Absolutist State, Verso, 1996, ISBN 086091710X, Google Print p.285
  31. Wielka Encyklopedia Powszechna PWN
  32. Andrzej Wasko, Sarmatismo ou o Iluminismo:O Dilema da Cultura polonesa, Sarmatian Review XVII.2, online
  33. População total de judeus estimada por Frazee; outras são estimativas de Pogonowski (veja a seguinte referência). Charles A. Frazee, World History the Easy Way, Barron's Educational Series, ISBN 0812097661, Google Print, 50
  34. a b c Baseado em mapa populacional de 1618 (p.115), 1618 mapa de idiomas (p.119), 1657-1667 mapa de perdas populacionais (p.128) e mapa de 1717 (p.141) de Iwo Cyprian Pogonowski, Um Atlas Histórico da Polônia, Hippocrene Books, 1987, ISBN 0880293942
  35. Linda Gordon, Cossack Rebellions: Social Turmoil in the Sixteenth Century Ukraine, SUNY Press, 1983, ISBN 0-87395-654-0, Google Print, p.51
  36. "História da Polônia" Encyclopædia Britannica da Encyclopædia Britannica Premium Service. [6] [Último acesso em 19 de outubro de 2006] e "Ucrânia" Encyclopædia Britannica da Encyclopædia Britannica Premium Service. [7] [Último acesso em 19 de outubro de 2006].
  37. a b c d e f g h Anatol Lieven, The Baltic Revolution: Estonia, Latvia, Lithuania and the Path to Independence, Yale University Press, 1994, ISBN 0300060785, Google Print, p.48
  38. Stephen Barbour, Cathie Carmichael, Language and Nationalism in Europe, Oxford University Press, 2000, ISBN 0199250855, Google Print p.184
  39. Östen Dahl, Maria Koptjevskaja-Tamm, The Circum-Baltic Languages: Typology and Contact, John Benjamins Publishing Company, 2001, ISBN 9027230579, Google Print, p.45
  40. Glanville Price, Encyclopedia of the Languages of Europe, Blackwell Publishing, 1998, ISBN 0631220399, Google Print, p.30
  41. a b c d e f Mikulas Teich, The National Question in Europe in Historical Context, Cambridge University Press, 1993, ISBN 0521367131, Google Print, p.295
  42. a b c d Kevin O'Connor, Culture And Customs of the Baltic States, Greenwood Press, 2006, ISBN 0313331251, Google Print, p.115
  43. a b Daniel. Z Stone, The Polish-Lithuanian State, 1386–1795, p.46
  44. Karin Friedrich et al., The Other Prussia: Royal Prussia, Poland and Liberty, 1569-1772, Cambridge University Press, 2000, ISBN 0521583357, Google Print, p.88
  45. Östen Dahl, Maria Koptjevskaja-Tamm, The Circum-Baltic Languages: Typology and Contact, John Benjamins Publishing Company, 2001, ISBN 9027230579, Google Print, p.41
  46. Zinkevičius, Z.. Rytų Lietuva praeityje ir dabar. [S.l.]: Vilnius: Mokslo ir enciklopedijų leidykla, 1993. 70 p. ISBN 5-420-01085-2
  47. Ališauskas, V.; L. Jovaiša, M. Paknys, R. Petrauskas, E. Raila and others. Lietuvos Didžiosios Kunigaikštijos kultūra. Tyrinėjimai ir vaizdai. Vilnius: [s.n.], 2001. 500 p. ISBN 9955-445-26-2
  48. Czesław Miłosz, The History of Polish Literature, University of California Press, 1983, ISBN 0520044770, Google Print, p.108
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  50. a b [8]
  51. [9]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Leituras adicionais[editar | editar código-fonte]

  • Norman Davies, God's Playground, ISBN 0-231-05353-3 and ISBN 0-231-05351-7 (dois volumes).
  • Jan Chryzostom Pasek, Memoirs of the Polish Baroque: The Writings of Jan Chryzostom Pasek, a Squire of the Commonwealth of Poland and Lithuania, ISBN 0-520-02752-3.
  • Adam Zamoyski, The Polish Way: a Thousand-Year History of the Poles and Their Culture, ISBN 0-7818-0200-8.
  • Pawel Jasienica, Rzeczpospolita Obojga Narodów (Commonwealth of the Two Nations), ISBN 83-06-01093-0.
  • Zdzisław Kowalewski, Rzeczpospolita nie doceniona: Kultura naukowa i polityczna Polski przedrozbiorowej (Commonwealth not valued: Science and political culture of the pre-partition Poland), ISBN 83-211-0312-X.
  • Teresa Chynczewska-Hennel, Rzeczpospolita XVII wieku w oczach cudzoziemców (Commonwelath of the 17th century in the eyes of the foreigners), ISBN 83-04-04107-3.
  • Albrycht Stanisław Radziwiłł, Pamiętnik o dziejach w Polsce (Memoires on the Polish history). ISBN 83-06-00092-7
  • Jerzy Tadeusz Lukowski, Liberty's Folly: The Polish-Lithuanian Commonwealth in the Eighteenth Century, 1697–1795. Routledge, 1991 (ISBN 0-415-03228-8).Google Print
  • Timothy Snyder, "The Reconstruction of Nations: Poland, Ukraine, Lithuania, Belarus, 1569-1999", New Haven; London: Yale University Press, 2003 (ISBN 0-300-10586-X).
  • Daniel Z. Stone, The Polish-Lithuanian State, 1386–1795 (A History of East Central Europe; 4). Seattle, WA: University of Washington Press, 2001 (hardcover, ISBN 0-295-98093-1).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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