Universidade de Vilnius

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Desenho de cerca de 1850 do pátio principal da Universidade de Vilnius e da Igreja de São João.
Imagem atual do pátio principal da Universidade de Vilnius e da Igreja de São João.
Uma porta em bronze da biblioteca da Universidade de Vilnius em homenagem ao primeiro livro impresso em língua lituana.

Universidade de Vilnius (também conhecida como Universidade Estatal de Vilnius, A Universidade de Vilnius, lituano: Vilniaus Universitetas, polonês: Uniwersytet Wileński, antigamente Universidade Stefan Batory, bielorrusso: Вiленскi Унiверсытэт) é uma das mais antigas universidades da Europa Oriental e a maior universidade da Lituânia.

História[editar | editar código-fonte]

A República das Duas Nações[editar | editar código-fonte]

Em 1568, a nobreza local pediu para os jesuítas que fundassem uma academia em Vilnius (Wilno) ou em Kaunas. No ano seguinte Walerian Protasiewicz, o bispo de Wilno (Vilnius), adquiriu várias casas no centro da cidade e iniciou a construção da Academia de Vilnius (Akademia Wileńska). Inicialmente, a Academia tinha três divisões: trivium (gramática, retórica e dialética ou lógica), filosofia e teologia. Os primeiros estudantes foram matriculados na Academia em 1570. Uma biblioteca universitária foi criada no mesmo ano; a maioria de seus livros foi doada pelo seu fundador.

Em 1 de abril de 1579, o Rei Stephen Báthory melhorou a qualidade da academia e garantiu-lhe os mesmos direitos dados à Universidade Jagiellon de Cracóvia. Seu édito foi aprovado pela bula papal de Gregório XIII de 30 de outubro de 1579. O primeiro reitor da Academia foi Piotr Skarga. Ele convidou muitos cientistas notáveis de todas as partes da Europa e ampliou sua biblioteca, com a colaboração de muitas pessoas importantes: Sigismundo II da Polônia, Bispo Walerian Protasewicz e o Marechal da Coroa, Kazimierz Lew Sapieha.

Em 1575, o Duque Mikołaj Krzysztof Radziwiłł e Elżbieta Ogińska contribuíram o estabelecimento da primeira editora da academia, uma das primeiras na região. Nesse local foram editados livros em latim e polonês e em 1595 o primeiro livro em língua lituana foi produzido - Catechismusa Prasty Szadei (Palavras Simples de Catecismo), por Martynas Mažvydas.

O período de crescimento da Academia durou até o século XVII. O período seguinte, conhecido como O Dilúvio, levou a uma dramática redução, tanto no seu número de estudantes matriculados quanto na qualidade de seus programas. Na metade do século XVIII, as autoridades educacionais tentaram recuperar a Academia. Isto levou a construção do primeiro observatório na República das Duas Nações, (o quarto na Europa), em 1753, por Tomasz Żebrowski. A Comissão de Educação Nacional tomou a direção da Academia em 1773 e a transformou em uma moderna universidade. Graças ao Reitor da Academia, Marcin Poczobutt-Odlanicki, foi-lhe conferida a posição de Escola Principal (Szkoła Główna) em 1783. A Comissão de Educação Nacional, a autoridade secular que dirigiu a instituição após a dissolução da Companhia de Jesus, deu-lhe um novo estatuto.

Partições da Polônia[editar | editar código-fonte]

O Campus da Universidade de Vilnius no século XIX...

Depois das Partições da Polônia-Lituânia, Vilnius (Wilno) foi anexada pelo Rússia Imperial. Porém, a Comissão de Educação Nacional manteve o controle sobre a Academia até 1803, quando o Tsar Alexandre I da Rússia aceitou o novo estatuto e renomeou a Academia como A Universidade Imperial de Vilna. Foi garantido à instituição os direitos à administração de todos os meios educacionais do antigo Grão-Ducado da Lituânia. Dentre suas notáveis personalidades estão: o curador (governador) Adam Jerzy Czartoryski e o reitor Jan Śniadecki.

A Universidade floresceu. Por volta do ano de 1823, era uma das maiores da Europa; o número de estudantes ultrapassava ao da Universidade de Oxford. Alguns estudantes foram presos em 1823 por conspirarem contra o Tsar. Dentre eles estava Adam Mickiewicz, que mais tarde se tornou um dos maiores poetas do seu tempo. Em 1832, depois da Revolta de Novembro, a Universidade foi fechada pelo Tsar Nicolau I da Rússia.

...e no século XXI.

Duas de suas faculdades foram desmembradas: a Academia de Medicina e Cirurgia (Akademia Medyko-Chirurgiczna) e a Academia Católica Romana (Rzymsko-Katolicka Akademia Duchowna), mas logo elas também foram proibidas. A repressão que se seguiu à derrota da revolta resultou na proibição do uso das línguas polonesa e lituana e toda a educação nesses idiomas foi suspensa. Finalmente, a maior parte dos bens da Universidade foi confiscado e enviado para a Rússia (a maioria para São Petersburgo).

Após 1919[editar | editar código-fonte]

Depois que a área de Vilnius foi anexada pela Polônia, A Academia de Vilnius foi renomeada para Universidade Stefan Batory (Uniwersytet Stefana Batorego) em 20 de agosto de 1919, pelo ato de Józef Piłsudski. A Universidade rapidamente se recuperou e ganhou prestígio internacional, grandemente devido à presença de notáveis cientistas tais como Władysław Tatarkiewicz, Marian Zdziechowski e Henryk Niewodniczański. Dentre os estudantes da Universidade daquele tempo estava o futuro ganhador do Prêmio Nobel Czesław Miłosz. A Universidade cresceu rapidamente, graças ao apoio do governo e de doações particulares.

Em 1938 a Universidade contava com:

  • 7 Institutos
  • 123 professores
  • 104 diferentes unidades científicas (incluindo dois hospitais)
  • 3110 estudantes

Dos estudantes estrangeiros da Universidade 212 eram russos, 94 bielorrussos, 85 lituanos, 28 ucranianos e 13 alemães.

O pátio principal atualmente.
O Observatório da Universidade de Vilnius

Segunda Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Após a Invasão da Polônia a Universidade foi fechada. Porém, logo a seguir a cidade foi ocupada pela União Soviética, a maioria dos professores retornaram e quase todas as faculdades foram reabertas em 1 de outubro de 1939. Em 28 de outubro, Vilnius voltou a pertencer novamente[1] à Lituânia. Em 13 de dezembro de 1939 [2] , a nova Carta universitária especificava que a Universidade de Vilnius seria regida de acordo com o estatuto da Universidade Vytautas Magnus de Kaunas e que os programas em língua lituana e faculdades seriam instituídos. Logo após a anexação da Lituânia pela União Soviética, a maioria dos professores foram presos e enviados para prisões e gulags na Rússia e no Cazaquistão.

A cidade foi ocupada pela Alemanha em 1941, e todas as instituições de ensino superior para os não alemães foram fechadas. Contudo, os professores que permaneceram organizaram um sistema secreto de educação com aulas e avaliações sendo realizadas em residências particulares. Os diplomas das universidades clandestinas foram aceitos por muitas Universidades polonesas depois da Guerra. Em 1944, muitos dos estudantes participaram da Revolta de Vilnius. A maioria dos estudantes foi presa mais tarde pela NKVD e deportados para a União Soviética. Com a expulsão dos alemães em 1944, os remanescentes do corpo docente e estudantes de descendência polonesa que sobreviveram à guerra foram expulsos da cidade. Muitos deles se juntaram à várias universidades na Polônia. A fim de não perderem o contato entre si, os professores decidiram transferir faculdades inteiras. Depois de 1945, a maioria dos matemáticos, humanistas e biólogos se reuniram na Universidade Nicolau Copérnico em Toruń, enquanto que um número de faculdades de medicina formaram a recém criada Universidade de Medicina de Gdańsk.

Após 1945[editar | editar código-fonte]

Depois da guerra, a Universidade foi renomeada para A Universidade da República Socialista Soviética da Lituânia. Embora sujeita ao sistema soviético, a Universidade de Vilnius cresceu e ganhou importância. A Universidade de Vilnius começou a se libertar da ideologia soviética em 1988, graças à política do glasnost. Em 11 de março de 1990 a Lituânia declarou a sua independência e a Universidade obteve autonomia. Desde 1991, a Universidade de Vilnius tem sido uma signatária da Carta Magna das universidades européias. A Universidade é um membro da Associação das Universidades Européias (AUE) e da Conferência dos Reitores das Universidades do Báltico.

A Universidade de Vilnius atualmente[editar | editar código-fonte]

A Universidade de Vilnius representada em uma moeda comemorativa de 1-litas lançada em 2004 em homenagem aos seus 425 anos de fundação
Sino comemorativo na Universidade de Vilnius
Planta do Campus Central

Nos tempos modernos, a Universidade ainda oferece cursos com um conteúdo internacionalmente reconhecido.

Em 1 de janeiro de 2006 havia 23 126 estudantes matriculados na Universidade de Vilnius.

O atual Reitor da Universidade é o Professor Benediktas Juodka do Departamento de Bioquímica e Biofísica.

Organização[editar | editar código-fonte]

Existem doze faculdades:

A universidade tem um número de institutos semi-autônomos:

Há também diversos centros de pesquisas e estudos na Universidade de Vilnius:

Projetos[editar | editar código-fonte]

Os projetos de pesquisas recentes e em andamento incluem:

  • 1999-2002 NATO SfP-972534. "Espectrômetro de laser para testes de Camadas de Cristais e Componentes Ópticos no Alcance Grande Espectral e Angular"[3] . Projeto do programa da NATO Ciência para a Paz.
  • Em andamento: "Biologia celular e lasers: para novas tecnologias". Universidade de Vilnius - UNESCO Centro Associado de Excelência. [4]

Professores e ex-alunos notáveis da Universidade de Vilnius[editar | editar código-fonte]

Por ordem alfabética

Doutores Honorários Conferidos pela Universidade de Vilnius[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Studia z dziejów Uniwersytetu Wileńskiego 1579–1979, K. Mrozowska, Cracóvia 1979
  • Uniwersytet Wileński 1579–1979, M. Kosman, Wrocław 1981
  • Vilniaus Universiteto istorija 1579–1803, Mokslas, Vilnius, 1976, 316 p.
  • Vilniaus Universiteto istorija 1803–1940, Mokslas, Vilnius, 1977, 341 p.
  • Vilniaus Universiteto istorija 1940–1979, Mokslas, Vilnius, 1979, 431 p.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]