O Dilúvio (história polonesa)

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O Dilúvio
Rzeczpospolita Potop.png
A ocupação da República pela Suécia, Moscóvia, Brandemburgo e os cossacos de Chmielnicki.
Data 1655-1660
Local Polônia, Lituânia, Dinamarca
Resultado Vitória pírrica polaco-lituana
Combatentes
Herb Rzeczypospolitej Obojga Narodow.svg República das Duas Nações
aliados:
Canato da Crimeia
Flag of Brandenburg.svg Brandemburgo (1657 –)
Romanov Flag.svg Rússia (1656 –)
Dinamarca Dinamarca
Banner of the Holy Roman Emperor (after 1400).svg Sacro Império
Prinsenvlag.svg Países Baixos
Lilla riksvapnet.svg Suécia

aliados:
Flag of Brandenburg.svg Brandemburgo (1656 – 1657)
Flag of the Cossack Hetmanat.svg Hetmanato da Ucrânia
Flag of Transylvania before 1918.svg Transilvânia
Comandantes
Herb Rzeczypospolitej Obojga Narodow.svg Jan II Kazimierz Vasa
Flag of Poland.svg Stefan Czarniecki
Flag of Brandenburg.svg Frederico Guilherme I de Brandemburgo
Lilla riksvapnet.svg Carlos X da Suécia
Suécia Adolf Johan av Pfalz-Zweibrücken
Flag of Brandenburg.svg Frederico Guilherme I de Brandemburgo
Flag of the Cossack Hetmanat.svg Bohdan Khmelnytsky
Flag of Transylvania before 1918.svg Jorge II Rákóczi
Forças
A República tinha 50.000 homens A Suécia tinha 40.000 homens
Baixas
Estimativa muito alta Desconhecidas, porém menores do que as da República

O Dilúvio (polonês: Potop) é um nome utilizado na história da Polônia para se referir a uma série de guerras no século XVII que deixou a Polônia em ruínas. Em um sentido mais restrito, Dilúvio se refere somente à invasão sueca e a ocupação do país; em um sentido mais amplo, ele se aplica a toda uma série de infortúnios iniciados com a Revolta de Chmielnicki em 1648 e terminados ou em 1656, 1660 ou mesmo em 1667. Antes do Dilúvio a Polônia era uma força na Europa Central. Durante as guerras, porém, a Polônia perdeu cerca de um terço de sua população (um número relativamente mais alto que durante a Segunda Guerra Mundial) e sua posição de grande potência.

Juramento do rei Jan Kazimierz da Polônia, tomado em 1655 em Lwów, durante O Dilúvio.

Os infortúnios começaram em 1648 por causa do senhor feudal ruteniano e líder cossaco ucraniano Bohdan Khmelnytsky. Khmelnytsky contou às pessoas que os poloneses os tinham vendido como escravos e os entregue "nas mãos dos amaldiçoados judeus." Com isso como justificativa para a batalha, os cossacos mataram um grande número de judeus durante os anos de 16481649. O número preciso de mortes nunca foi conhecido, mas a diminuição da população judia durante aquele período é estimada em 50.000 a 200.000, que também inclui mortes por doenças e prisão pelos tártaros. Embora os cossacos fossem derrotados em 1651 na Batalha de Beresteczko, sua rebelião serviu de pretexto para os russos invadirem e ocuparem a metade oriental da República das Duas Nações em 1655. Os suecos invadiram e ocuparam o restante do território no mesmo ano.

Os príncipes Janusz Radziwiłł e Bogusław Radziwiłł iniciaram negociações com o rei sueco Carlos X Gustavo da Suécia na intenção de terminar com a República e desfazer a união polaco-lituana. Eles assinaram um tratado segundo o qual os Radziwiłłs teriam direito a dois Ducados encravados nas terras do Grão-Ducado da Lituânia, sob a vassalagem sueca.

Muitos nobres poloneses (szlachta), como o Deputado Chanceler da Coroa Hieronim Radziejowski e o Grande Tesoureiro da Coroa Bogusław Leszczyński, achando que João II Casimiro Vasa era um Rei fraco, ou um Rei-Jesuíta, ou por outras razões, encorajaram Carlos Gustavo a reivindicar a Coroa polonesa.

Jan Kazimirerz tinha poucos amigos dentre a szlachta polonesa, porque ele abertamente simpatizava com a Áustria e demonstrava descaso e desprezo pela cultura polonesa: Sarmatismo. (Ele juntou-se aos Jesuítas em 1643 e recebeu o título de Cardeal). De modo que Carlos Gustavo (seu primo) tornou-se o herdeiro do Trono polaco-lituano.

Todavia, em dezembro de 1646 Jan Kazimierz retornou à Polônia e em outubro de 1647, renunciou a sua posição de cardeal para concorrer à eleição ao trono polonês.

Mas o comandante das forças militares de Poznan, Krzysztof Opaliński, entregou a Grande Polônia para Carlos Gustavo e rapidamente, as outras voivodias também se renderam. Quase todo o país fez isto. Contudo, vários locais ainda resistiram. A mais notável e simbólica foi a resistência de Jasna Góra. Comandada pelo Grão-Prior Augustyn Kordecki, a guarnição do mais famoso santuário-fortaleza da Polônia derrotou os inimigos. Logo, a Confederação Tyszowce apoiou Jan Kazimierz, escondido na Silésia. O Grão-Hetman da Polônia, (A Coroa): Szczepan Czarniecki e o Grão-Hetman da Lituânia: Jan Paweł Sapieha iniciaram o contra-ataque com a finalidade de remover aqueles leais a Carlos Gustavo. Ao final, Jan II Kazimierz foi solenemente coroado na Catedral de Lwów em 1656.

Vestígios da fortificação no mosteiro de Jasna Góra, Polônia.

Os suecos foram expulsos em 1657 e os russos foram finalmente derrotados em 1662. A luta na Ucrânia terminou com o Tratado de Andrusovo (13 de janeiro de 1667), com a ajuda da intervenção dos turcos devido a sua reivindicação na Crimeia. Forças da Prússia e Transilvânia foram também derrotadas, mas a Prússia ganhou um reconhecimento formal de independência e deixou de ser um vassalo polonês.

O Dilúvio também terminou com a era de tolerância religiosa polonesa, uma vez que a maioria dos invasores era não-católicos, com a expulsão dos "confrades poloneses" como um sinal claro disto. Durante O Dilúvio, muitos milhares de judeus poloneses também se sentiram vítimas de pogroms iniciados pela rebelião cossaca.

Com o Tratado de Hadiach em 16 de setembro de 1658, a Coroa polonesa decidiu elevar os cossacos e os rutenianos à condição de igualdade àquela dos poloneses e lituanos na União polaco-lituana e de fato transformando a República das Duas Nações em uma Comunidade polaco-lituana-ruteniana (polonês: Rzeczpospolita Trojga Narodów, "República das Três Nações"). Apoiados pelos líderes cossacos este tratado poderia mudar a História do Leste Europeu.

O Dilúvio é contado em um romance ficcional de Henryk Sienkiewicz sob o mesmo título.

Cinema[editar | editar código-fonte]

O Dilúvio (título original em polonês: Potop) foi também transformado em um clássico filme histórico de 1974, criado pelo diretor de cinema Jerzy Hoffman e estrelado por Daniel Olbrychski como Andrzej Kmicic, um patriota que bravamente lutou contra a invasão sueca. O filme foi indicado como o Melhor Filme Estrangeiro ao Oscar em 1974.

Ver também[editar | editar código-fonte]