Ordem Virtuti Militari

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Ordem Virtuti Militari
Ordem Virtuti Militari no grau Grã-Cruz com Estrelas.
Virtuti Militari Grand Cross.jpg
Classificação
País  Polónia
Outorgante República da Polônia
Criação 22 de junho de 1792
Tipo 5 classes
Descritivo por coragem extraordinária em face do inimigo
Agraciamento Militares
Condição Em uso
Histórico
Primeira concessão 1792
Última concessão 1989
Hierarquia
Inferior à Ordem da Águia Branca
Superior à Ordem da Polônia Restituta
Imagem complementar
POL Virtuti Militari Wielki BAR.svg
Barreta

Ordem Virtuti Militari é mais alta condecoração militar polonesa, criada pelo rei Estanislau II da Polônia, em 1792, e considerada uma das mais antigas condecorações militares do mundo ainda em uso.

Ela é outorgada por "coragem extraordinária em face do inimigo" em cinco classes diferentes, por heroísmo pessoal ou a comandantes por liderança em combate.[1] Pouco após a sua criação, entretanto, a República das Duas Nações, formada pela Polônia e Lituânia, foi destruída pelo Império Russo nas Partições da Polônia, em 1795, a condecoração abolida e seu uso proibido. Desde então, ela tem sido reintroduzida, renomeada e banida novamente diversas vezes. Através dos mais de duzentos anos de sua existência, milhares de soldados e oficiais, poloneses e estrangeiros, diversas cidades e um navio de batalha tem sido agraciados com a Virtuti Militari. Foi concedida pela última vez em 1989.

História[editar | editar código-fonte]

A ordem militar foi criada em 22 de junho de 1792 pelo Rei Estanislau II para comemorar a vitória na Batalha de Zielence.[1] Inicialmente, ela tinha dois graus de valor: uma medalha de ouro para generais e oficiais, e uma de prata para oficiais não-comissionados e soldados. Em agosto do mesmo ano, um estatuto para a medalha foi redigido, baseado no mesmo criado para a medalha austríaca da Imperatriz Maria Teresa. O novo estatuto mudou o formato da condecoração de estrela para cruz e criou cinco graus de valor:[2]

Os primeiros agraciados com a medalha foram os integrantes do comitê de outorga. Pela Guerra Russo-Polonesa de 1792, um total de 63 oficiais e 290 civis comissionados como oficias e soldados receberam a condecoração. O estatuto, entretanto, nunca foi usado, pois o rei aderiu ao acordo da Confederação Targowica, que aboliu a comenda e pribiu seu uso. Qulaquer um que a usasse poderia ser preso e expulso do exército. Apesar de reintroduzida em 23 de novembro de 1793, foi novamente banida em janeiro de 1794, por insistência da Imperatriz russa Catarina, a Grande.[2]

Um ano depois, com o fim da República das Duas Nações, a medalha seguiu o destino do país e foi novamente abolida. O Rei Estanislau abdicou no mesmo ano; durante seu reinado, foram outorgadas 526 medalhas: 440 medalhas e cruzes de prata, 85 medalhas de ouro e cruzes e 1 no grau de Comandante.[2] Entre os agraciados com ela no período, estavam o príncipe Józef Antoni Poniatowski e Tadeusz Kościuszko, líder militar e herói nacional polonês.

Barretas dos graus de valor da Virtuti Militari
Virtuti Militari Ribbon.png
Cruz de Prata
POL Virtuti Militari Złoty BAR.svg
Cruz de Ouro
POL Virtuti Militari Kawalerski BAR.svg
Cruz de Cavaleiro
POL Virtuti Militari Komandorski BAR.svg
Cruz de Comandante
POL Virtuti Militari Wielki BAR.svg
Grã-Cruz com Estrelas

A Ordem no século XX[editar | editar código-fonte]

Depois de um século em que foi banida, reintroduzida, renomeada e voltando a ter o nome original, de acordo com as relações da Polônia com a Rússia Tzarista, a condecoração foi novamente oficializada em 1919, após a I Guerra Mundial, com a fundação da Segunda República da Polônia, com o nome oficial de Ordem Militar Virtuti Militari (Order Wojskowy Virtuti Militari). [2] Cada um dos condecorados, independente de patente, recebia um salário anual de 300 zlótis. Outros privilégios incluíam o direito de primeira opção em caso de compra de terras estatais ou ocupação de um cargo público. Seu filhos recebiam pontos adicionais nos exames escolares ou universitários e os medalhados adquiriam também o direito de terem continência prestada por oficiais da mesma patente; os soldados recebiam automaticamente uma promoção ao posto imediatamente superior.

O chefe do conselho que outorgava as medalhas era o herói de guerra e comandante-em-chefe das Forças Armadas, Marechal da Polônia Józef Piłsudski, então o único polonês vivo outorgado com a medalha no grau de Grã-Cruz com Estrelas.

Com a invasão da Polônia pela Alemanha de Adolf Hitler em 1939 e a subsequente divisão do país entre nazistas e comunistas da União Soviética, pondo fim à Segunda República, a medalha passou a ser concedida por atos heróicos durante a defesa nacional e por atos de bravura de poloneses lutando ao lado de outros exércitos durante a Segunda Guerra Mundial, pelo governo polonês no exílio. Entre outros, foi agraciado com a comenda Tadeusz Bór-Komorowski, nome de código 'Comandante Bór', líder militar do Levante de Varsóvia, em agosto de 1944.[3] Tropas polonesas que lutavam ao lado dos soviéticos, após a invasão da URSS pela Alemanha, também eram condecoradas por seus generais.

Durante a vigência da República Popular da Polônia, a Polônia sob governo comunista entre 1944 e 1989, a Virtuti Militari foi outorgada 5167 vezes a pessoas e organizações.[4]

Pós-redemocratização[editar | editar código-fonte]

Com a fundação da Terceira República em 1990 e a saída do poder dos comunistas, após mais de 40 anos de controle do país, as novas autoridades começaram a questionar diversas concessões de Virtuti Militari feitas neste período. Em 10 de julho de 1990, o presidente Wojciech Jaruzelski revogou a Grã-Cruz outorgada ao premier soviético Leonid Brejnev em 1974. Em 1992, a Sejm, a Câmara Baixa do Parlamento polonês, promulgou um novo ato legislativo, restaurando o Conselho da Virtuti Militari abolido pelas autoridades soviéticas, reconfirmando todas as condecorações concedidas pelo governo polonês no exílio e pelas autoridades pró-soviéticas da República Popular. Em 1995, o presidente Lech Walesa cassou a comenda concedida a Ivan Serov, chefe da KGB nos anos 50.

Desde 1989 a condecoração não é mais concedida e um novo ato do Parlamento estabelece uma nova regra, que estipula como prazo máximo para a concessão, 'não mais do que cinco anos após o término das hostilidades'.[2]

Referências

  1. a b (em polonês) Order Wojenny Virtuti Militari. www.prezydent.pl. Página visitada em 2009-02-28.
  2. a b c d e (em polonês) 22 czerwca 1792 roku - ustanowienie Orderu Virtuti Militari. www.wspolnota-polska.org.pl. Página visitada em 2009-02-28.
  3. NOTA: Não confundir com o Levante do Gueto de Varsóvia, ocorrido em 1943.
  4. Tadeusz Jeziorowski. Order wojenny Virtuti Militari. [S.l.]: Poznań, Muzeum Narodowe, 1993. ISBN 978-83-85296-17-1 ISBN 978-83-85296-17-1

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]