Pedro I da Rússia

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Pedro I
Imperador e Autocrata de Todas as Rússias
Imperador da Rússia
Reinado 7 de maio de 1682
a 8 de fevereiro de 1725
Coroação 25 de junho de 1682
Predecessor Teodoro III
Sucessora Catarina I
Co-regente Ivan V (1682–1696)
Consortes Eudoxia Lopukhina
Marta Skavronskaja
Descendência
Alexei da Rússia
Alexandre da Rússia
Ana da Rússia
Isabel da Rússia
Natalia da Rússia
Nome completo
Pedro Alekseyevich Romanov
Casa Romanov
Pai Aleixo da Rússia
Mãe Nataliya Naryshkina
Nascimento 9 de junho de 1672
Moscou, Czarado da Rússia
Morte 8 de fevereiro de 1725 (52 anos)
São Petesburgo, Império Russo
Enterro Catedral de Pedro e Paulo,
São Petesburgo, Rússia
Assinatura

Pedro I (Moscovo, 9 de junho de 1672São Petersburgo, 8 de fevereiro de 1725, alcunhado O Grande (em russo: Великий; transl.: Velikiy) [1] , foi czar da Rússia, e primeiro Imperador do Império Russo.

Nascido em Moscovo, filho do imperador Aleixo I da Rússia e da imperatriz Nataliya Naryshkina, e portanto membro da casa real de Romanov, foi precedido por Ivan V, com quem teve de dividir o poder político e monárquico até sua morte em 1696, quando assumiu de forma absoluta o trono real tendo reinado de 1682 a 1725[2] . Esmagou as revoltas da guarda tsarista e governou só, a partir de 1694. Fez ser reconhecido como líder supremo da Igreja Ortodoxa Russa.[3] . Foi importante na modernização e ocidentalização da Rússia, país que já estava muito desfasado em relação às potências ocidentais. Também deu ao seu país grande poder depois de derrotar a Suécia na Grande Guerra do Norte (1700-1721), que ficou marcada pela sua grande vitória na Batalha de Poltava (1709).[4] [5] .

Ao se aperceber de que a Rússia era socialmente e tecnicamente atrasada, resolveu abrir uma janela para o Ocidente, já como czar, a fim de ingressar no país ideias europeias de progresso. Não sem antes recolher a irmã Sofia aos costumes no Convento das Carmelitas. Empreendeu um périplo de 18 meses pela Europa, em que se fez passar por marinheiro e trabalhar como carpinteiro num estaleiro da Holanda, aprendeu a retalhar a gordura da baleia, estudou anatomia e cirurgia observando dissecação de cadáveres, visitou museus e galerias de arte. Ao assistir a sessões do Parlamento das galerias dos visitantes, o governo inglês lhe ofertou a morada de um aristocrata, no que retribuiu com móveis quebrados e retratos utilizados como alvos de tiro. Pedro indenizou o proprietário com um enorme diamante bruto envolto num papel sujo[2] .

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Nascimento[editar | editar código-fonte]

Pedro, o Grande, nasceu a 9 de Junho de 1672 (30 de Maio de acordo com o calendário juliano) em Moscou, fruto do segundo casamento do tsar Aleixo I da Rússia com a tsarina Natália Cirilovna Naryshkina. Pedro, o Grande tinha mais de 2 metros de altura[2] .

Do primeiro casamento de seu pai com Maria Miloslavskaya haviam nascido cinco filhos e oito filhas, embora quando do nascimento de Pedro, apenas dois dos filhos se encontrassem vivos: Teodoro e Ivan.

Aleixo I faleceu 8 de Janeiro de 1676, não tinha ainda Pedro completado 4 anos de idade.

O seu meio-irmão Teodoro torna-se então Teodoro III, regente da Rússia entre 1676 e 1682.

Ascensão ao poder[editar | editar código-fonte]

Em 1682 morre Teodoro. A sucessão ao trono é então disputada pelos dois ramos de sucessão ao trono - Miloslavsky do primeiro casamento de Aleixo I e os Naryshkins de Pedro. Do lado dos Miloslavsky, o seu meio-irmão Ivan é o primeiro na linha da sucessão. Contudo, o facto de este ser inválido e diminuído mental dá razão à pretensão dos Naryshkins de Pedro, então com apenas 9 anos, a ser o sucessor ao trono.

Com o apoio do patriarcado da Igreja Ortodoxa Russa e da maioria da Duma boiarda, o conselho de nobres, Pedro foi em Abril de 1682 escolhido para futuro czar da Rússia.

Contudo, os Miloslavsky não se conformaram, e Sofia, filha mais velha de Aleixo I, fomenta a rebelião dos streltsy, corpo de mosqueteiros da Rússia que eram a elite militar.

Nessa rebelião, muitos membros da família Naryshkin foram assassinados, tendo inclusivamente Pedro testemunhado alguns deles.

No seguimento dessa rebelião, a Duma boiarda proclama Ivan V czar sénior, tendo Pedro ficado como czar júnior.

A pretexto das limitações mentais de Ivan, a sua irmã Sofia torna-se regente com a missão de ajudar Ivan nas decisões. Para esta partilha de poder pelos dois czares e por Sofia é construído um trono especial com dois lugares para Ivan e Pedro e um lugar atrás destes onde Sofia se sentava e tomava ela as decisões governativas.

Pedro e os restantes membros da família Naryshkin afastam-se da corte, deixando Sofia e os seus partidários governarem o país.

Durante esse período de governação, o príncipe Vasily Golitsyn, favorito da regente, procede a uma modernização do sistema penal e regras sociais, incluindo a eliminação da servidão.

Sofia no convento de Novodevitchy

Contudo essas mudanças alimentam certas tensões na sociedade russa, e acumuladas as derrotas militares contra os Tártaros na Crimeia em 1687 e 1689, resultam numa nova rebelião dos streltsy.

Uma nova e definitiva luta pelo poder entre os Naryshkin e os Miloslavsky termina em Agosto de 1689 com uma revolta a favor de Pedro que afasta definitivamente Sofia da governação.

Sofia é então forçada a abandonar a regência e a dar entrada no convento de Novodevitchy.

Com 17 anos de idade, Pedro prefere deixar os assuntos de estado ao cuidado de sua mãe, Natália, dedicando-se ele mais aos estudos militares e náuticos, mas ele tinha um lado negro que gostava de acompanhar torturas, algo comum na época, bebedeiras e orgias. Ele gostava de chocar a corte com gozações ou comportamentos que não seriam muito agradáveis.

Em 1694 morre Natália Naryshkina, sua mãe, e Pedro é então obrigado a finalmente assumir as funções governativas. O seu irmão Ivan V, ainda czar, limitava-se a promulgar as leis que Pedro lhe dizia. Ivan V morre em 1696, ano a partir do qual Pedro passa a ser o regente único da Rússia.

Em 1722, o senado russo aclama-o Imperador de todas as Rússias, título que foi reconhecido pela Polónia, Prússia e Suécia.

Grande Guerra do Norte[editar | editar código-fonte]

Modernização da Rússia[editar | editar código-fonte]

O maior êxito de Pedro foi a modernização da Rússia.[6]

Em 1697, organiza uma expedição diplomática à Europa Ocidental, a que dá o nome de Grande Embaixada. Entre os objectivos que traça para essa embaixada, figuram a busca de conhecimentos técnicos, militares e náuticos, bem como tentar obter o apoio das restantes nações europeias para fazer frente ao Império Otomano.

Oficialmente esta expedição era liderada por Franz Lefort, mas Pedro integrava incógnito a missão, sob o nome de Pedro Mikhailov.

Monumento ao tsar Pedro o Grande em Taganrog.

Uma parte significativa dessa expedição foi passada nos Países Baixos onde Pedro estudou as diversas vertentes das ciências náuticas, alimentando o seu sonho de tornar a Rússia numa potência marítima.

Na língua russa, grande parte do vocabulário náutico foi assimilado da língua neerlandesa.

Essa sua experiência durou apenas 18 meses, tendo regressado à Rússia no Outono de 1698 de forma inesperada ao receber notícia de uma rebelião dos streltsy em Moscovo. Quando regressou, trazia com ele várias centenas de mestres, técnicos, médicos e homens letrados que recrutou no seu périplo pela Europa.

Quadro, presente de Pedro I ao Rei de Inglaterra.

Não tendo o seu objectivo de unir uma coligação contra os Turcos sido atingido, a missão foi contudo um sucesso do ponto de vista do conhecimento. Consigo traz cartas topográficas, livros, invenções de Isaac Newton, e uma visão mais modernista que se reflecte inclusivamente na nova forma de vestir que introduz na sua corte. As tradicionais barbas longas passaram a ser objecto de imposto - todos os nobres e homens de comércio que ostentassem semelhantes barbas teriam agora de pagar 100 rublos; todos os outros teriam de pagar 1 "kopeik".[7]

Também os tradicionais trajes de influência oriental foram alvo de mudança. À entrada das cidades, eram afixados trajes de corte francês que eram agora o traje exigido aos nobres e homens de posse. A quem quisesse entrar na cidade sem tal traje, os soldados mandavam ajoelhar e cortavam a parte do traje que ficasse abaixo do joelho; como alternativa havia o pagamento de uma taxa.

Apesar dos óbvios protestos populares dos cidadãos mais tradicionais, os mais jovens adaptaram-se facilmente aos novos costumes.

Pedro manda traduzir para russo diversas obras em francês, neerlandês, alemão e inglês.

Em 1717 desloca-se novamente à Europa ocidental, onde visita entre outros locais, as cidades belgas de Liège, Nieuwpoort, Spa e Namur.

O seu fascínio pelo conhecimento leva-o a enviar diversas expedições de reconhecimento à Sibéria. Daniel Gottlieb Messerschmidt recolhe entre 1718 e 1727 dados sobre a geografia, população bem como sobre a fauna e flora das regiões ocidental e central da Sibéria.

Cascata do Peterhof.

No extremo oriental a península de Kamchatka é explorada por Ivan Jevrejnov e Fiodor Lujin e o extremo norte é explorada pelo dinamarquês Vitus Bering (nome que fica associado ao estreito de Bering).

Durante o seu reinado importantes medidas são tomadas tais como a adopção do calendário juliano, a simplificação do cirílico e a reforma do sistema administrativo.

Em 1703 manda edificar São Petersburgo, a nova capital da Rússia, um projecto urbanístico de acordo com os costumes mais ocidentais. Esta seria uma porta de ligação da Rússia com a Europa ocidental também do ponto de vista cultural.

Ainda nesse ano manda construir "Peterhof", uma cidade periférica de São Petersburgo conhecida pelo seu magnânime complexo de palácios. Esse complexo só será concluído em 1725.

Política militar[editar | editar código-fonte]

Desde cedo que Pedro se interessou pela vida militar. Quando ainda era criança e durante a sua permanência fora da corte, ele ter-se-ia entretido com casernas militares para crianças e exercícios militares a brincar, com crianças vestidas com uniformes.

Ele acreditava na meritocracia, e preferia começar por um posto subalterno e alcançar postos de comando após comprovado mérito.

Na sua expedição pela Europa Ocidental, para além dos conhecimentos que lhe permitiriam construir uma armada, Pedro assistiu a exercícios de artilharia na Prússia.

Conquista de Azov, em 1696

Os seus grande conflitos militares foram principalmente a Grande Guerra do Norte com Carlos XII da Suécia e as batalhas contra os Otomanos. Nota-se, que apesar de alguns fracassos militares contra o Império Turco-Otomano, todo o exército fora reformado no Império, se adequando mais aos grandes exércitos europeus. A esquadra marítima, pela primeira vez no Império, ganhou importância e a diplomacia estabelecida com o resto da Europa colocou o Império Russo no cenário político da época o marcando como potência. Apesar de ter que restituir Azov aos turcos em [1711]]; teve grandes conquistas territoriais, adquirindo a Livônia, a Estônia e a Finlândia pelo tratado de Nystad(1721).

Sucessão[editar | editar código-fonte]

Pedro I foi sucedido após sua morte por sua esposa consorte, Catarina I, em 1725.

Breve cronologia militar[editar | editar código-fonte]

  • 1695 - Falha a tentativa de conquista de Azov aos Turcos.
  • 1696 - Conquista Azov com forças terrestres e marítimas, o que demonstrou a importância da armada.
  • 1697 - Grande embaixada, em busca de apoio político contra os turcos e conhecimentos militares.
  • 1698 - Criação da primeira base naval russa em Taganrog.
    • O holandês Cornelis Cruys é nomeado vice-almirante e presidente do município de Taganrog.
    • Envia delegação a Malta para estudo das técnicas militares dos Cavaleiros de Malta e da sua armada.
  • 1700 - Derrota na batalha de Narva, na Estónia contra Carlos XII da Suécia.
  • 1708 - Carlos XII da Suécia invade a Rússia e derrota novamente Pedro na batalha de Lesnaya.
    • Pedro destrói os reforços de Carlos que vinham de Riga e impede o seu progresso rumo a Moscovo.
  • 1709 - Carlos avança para a Ucrânia, onde se dá a Batalha de Poltava, terminando com a derrota definitiva de Carlos.
  • 1711 - Ataque infrutífero contra os Otomanos.
  • 1714 - A armada de Pedro captura um destacamento da marinha sueca, constituindo a primeira vitória da marinha russa.
  • 1718 - Carlos morre em batalha em Halden, Noruega.
  • 1721 - O Tratado de Nystad termina a Grande Guerra do Norte com a Suécia, apoderando-se de territórios que deram à Rússia o acesso ao mar Báltico.

Descendência[editar | editar código-fonte]

Pedro, o Grande com a sua família

Pedro, o Grande teve duas esposas de quem teve catorze filhos dos quais apenas três sobreviveram até à idade adulta. O seu filho mais velho e herdeiro, Aleksei, era suspeito de se envolver num golpe para destronar o Imperador. Aleksei foi julgado e confessou a sua culpa durante um questionário acompanhado de tortura conduzido por um secular da corte, acabando por ser acusado e condenado à morte. A sentença apenas podia ser realizada com a autorização assinada de Pedro e Aleksei morreu na prisão enquanto o seu pai hesitava tomar esta decisão. A sua morte ocorreu, muito provavelmente, devido a sofrimentos sofridos durante a sua tortura.

Pedro casou-se primeiro com Eudoxia Lopukhina em 1689. Da união nasceram cinco filhos, mas apenas um chegou à idade adulta:

Depois de se divorciar de Eudoxia em 1698, casou-se em segredo em 1707 com Marta Helena Skowrońska (futura Imperatriz Catarina I da Rússia). Juntos tiveram nove filhos, mas apenas duas chegaram à idade adulta:

Referências

  1. Houaiss, Antônio, Pequeno Dicionário Enciclopédio Koogan Larousse, editora Larousse do Brasil Ltda., Rio de Janeiro, 1979, pág. 1439
  2. a b c Conhecer a Rússia. Czares da Rússia, Pedro, o Grande (em português). Página visitada em 4 de abril de 2012.
  3. Houaiss, Antônio, Pequeno Dicionário Enciclopédio Koogan Larousse, editora Larousse do Brasil Ltda., Rio de Janeiro, 1979, pág. 925
  4. Houaiss, Antônio, Pequeno Dicionário Enciclopédio Koogan Larousse, editora Larousse do Brasil Ltda., Rio de Janeiro, 1979, pág. 1439
  5. Houaiss, Antônio, Pequeno Dicionário Enciclopédio Koogan Larousse, editora Larousse do Brasil Ltda., Rio de Janeiro, 1979, pág. 1508
  6. Houaiss, Antônio, Pequeno Dicionário Enciclopédio Koogan Larousse, editora Larousse do Brasil Ltda., Rio de Janeiro, 1979, pág. 1508
  7. O Panorama.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Houaiss, Antônio. Pequeno Dicionário Enciclopédio Koogan Larousse, editora Larousse do Brasil Ltda., Rio de Janeiro, 1979, pág. 1439

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Precedido por
Ivan V
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