Organização dos Países Exportadores de Petróleo

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Organização dos Países Exportadores de Petróleo
OPEP
Bandeira da OPEP.
OPEC.svg

Países membros da OPEP.
Fundação 10–14 de setembro, 1960
em vigor em janeiro de 1961[1] [2]
Tipo Bloco comercial
Sede Viena,  Áustria
Membros
Línguas oficiais Inglês[3]
Secretário Geral Abdallah Salem el-Badri
(desde 1 de janeiro, 2007)
Sítio oficial www.opec.org

Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP ou, pelo seu nome em inglês, OPEC) é uma organização internacional criada em 1960 na Conferência de Bagdá que visa coordenar de maneira centralizada a política petrolífera dos países membros, de modo a restringir a oferta de petróleo no mercado internacional, impulsionando os preços, o que até então era evitado em parte devido à ação das sete irmãs.[1] [2]

A OPEP é o exemplo mais conhecido de cartel, conforme descrito por José Rodrigues dos Santos em O Sétimo Selo: seu objetivo é unificar a política petrolífera dos países membros, além de ser o único Cartel legalizado do mundo, centralizando a administração da actividade, o que inclui um controle de preços e do volume de produção, estabelecendo pressões no mercado.

História[editar | editar código-fonte]

Sede da OPEP em Viena

Foi criada em 14 de setembro de 1960 como uma forma dos países produtores de petróleo se fortalecerem frente às empresas compradoras do produto, em sua grande maioria pertencentes aos Estados Unidos, Inglaterra e Países Baixos, que exigiam cada vez mais uma redução maior nos preços do petróleo.[2]

Guerra do Yom Kippur[editar | editar código-fonte]

A persistência do Conflito israelo-árabe forçou a OPEP a tomar atitudes drásticas. Logo após a Guerra dos Seis Dias em 1967, os membros árabes da OPEP fundaram a Organização dos Países Árabes Exportadores de Petróleo com o propósito de centralizar a política de actuação e exercer pressão no Ocidente, que apoiava Israel. O Egito e a Síria, embora não fossem países exportadores usuais de petróleo, passaram a fazer parte da nova organização. Em 1973, a Guerra do Yom Kippur alarmou a opinião pública árabe. Furiosos com o facto de que o fornecimento de petróleo havia permitido que Israel resistisse às forças egípcias e sírias, o mundo árabe impôs um embargo contra Estados Unidos, Europa Ocidental e Japão.

O conflito israelo-árabe provocou uma crise. Os membros da OPEP pararam de exportar petróleo para o Ocidente, fazendo com que tivessem que reduzir os gastos anuais com energia, aumentar os preços, e ainda vender mercadorias com preço inflacionado para os países do Terceiro Mundo produtores de petróleo. Isto foi agravado pelo do Irã Reza Pahlavi , que era o segundo maior exportador de petróleo mundial e aliado mais próximo dos Estados Unidos na época. É claro que [o preço do petróleo] vai aumentar, disse ele ao New York Times em 1973. Certamente, e como...; Vocês [países do Ocidente] aumentaram o preço do trigo vendido a nós em 300%, o mesmo ocorreu com o açúcar e com o cimento...; Vocês compram nosso petróleo bruto e nos vendem ele de volta beneficiado na forma de produtos petroquimícos, por uma centena de vezes o preço que vocês o compraram...; Seria no mínimo justo que, daqui para frente, vocês paguem mais pelo petróleo. Poderíamos dizer umas 15 vezes mais.

Incidente com reféns de 1975[editar | editar código-fonte]

Em 21 de dezembro de 1975, Ahmed Zaki Yamani e os outros ministros do petróleo dos membros da OPEP foram tomados como reféns por uma equipe de seis pessoas liderada pelo terrorista Carlos, o Chacal (que incluía Gabriele Kröcher-Tiedemann e Hans-Joachim Klein), em Viena, Áustria, onde os ministros estavam participando de uma reunião na sede da OPEP. Carlos planejava aparecer na conferência à força e seqüestrar todos os onze ministros do petróleo na reunião e mantê-los para resgate, com exceção de Ahmed Zaki Yamani e do Iraniano Jamshid Amuzegar, que eram para ser executados.

Carlos liderou sua equipe de seis pessoas e passou por dois policiais no pátrio do edifício e foram até o primeiro andar, onde um policial, um guarda de segurança iraquiano à paisana e um jovem economista da Líbia foram mortos a tiros.

Quando Carlos entrou na sala de conferências e disparou tiros no teto, os delegados se abaixaram debaixo da mesa. Os terroristas procuraram por Ahmed Zaki Yamani e depois dividiram os 63 reféns em grupos. Delegados de países amigos foram levados em direção à porta, "neutros" foram colocados no centro da sala e os 'inimigos' foram colocadas ao longo da parede de trás, ao lado de uma pilha de explosivos. Este último grupo incluia os representantes da Arábia Saudita, Irã, Qatar e os Emirados Árabes Unidos. Carlos exigiu um autocarro para ser fornecido para levar o seu grupo e os reféns para o aeroporto, onde um avião DC-9 com uma tripulação estaria esperando. Nesse meio tempo, Carlos informou Ahmed Zaki Yamani sobre seu plano de voar para Aden, onde Yamani e o ministro iraniano seriam mortos.

O autocarro foi fornecido na manhã seguinte às 6 horas e 40 minutos, conforme solicitado, e 42 reféns entraram e foram levados para o aeroporto. O grupo foi embarcado no avião logo após as 9 horas e explosivos foram colocados debaixo do banco de Yamani. O avião primeiro parou em Argel, onde Carlos saiu do avião para se encontrar com o ministro das Relações Exteriores argeliano. Todos os 30 reféns não-árabes foram libertados, exceto Amuzegar.

O avião reabastecido partiu para Trípoli, onde houve problemas na aquisição de outro avião, como tinha sido planejado. Carlos decidiu, ao invés disso, voltar a Argel e se mudar para um Boeing 707, um avião grande o suficiente para voar para Bagdad sem parar. Mais dez reféns foram libertados antes de sair.

Com apenas 10 reféns restantes, o Boeing 707 partiu para Argel e chegou à 3h40. Depois de sair do avião para se encontrar com os argelinos, Carlos conversou com seus colegas na cabine da frente do avião e, em seguida, disse a Yamani e Amouzegar que seriam liberados ao meio-dia. Carlos saiu do avião pela segunda vez e voltou depois de duas horas.

Nesta segunda reunião, acredita-se que Carlos teve uma conversa telefônica com o presidente argelino Houari Boumédiène, que informou a Carlos que as mortes dos ministros do petróleo resultariam em um ataque ao avião. A biografia de Yamani sugere que os argelinos tinham usado um dispositivo de escuta secreta na parte da frente da aeronave para ouvir a conversa entre os terroristas, e descobriram que Carlos de fato ainda planejava matar os dois ministros do petróleo. Boumédienne também deve ter oferecido asilo a Carlos neste momento e, possivelmente, a compensação financeira por não completar sua missão.

No retorno ao avião, Carlos estava em pé diante de Yamani e Amuzegar e expressou seu pesar por não ser capaz de matá-los. Ele então disse aos reféns que ele e seus companheiros deixariam o avião, e que então todos estariam livres. Depois de esperar os terroristas para sair, Yamani e os outros nove reféns seguiram e foram levados para o aeroporto pelo ministro das Relações Exteriores da Argélia Abdelaziz Bouteflika. Os terroristas estavam presentes na sala ao lado e Khalid, o palestino, pediu para falar com Yamani. Quando sua mão pegou o casaco, Khalid estava cercado por guardas e uma arma foi encontrada escondida em um coldre.

Algum tempo depois do ataque foi revelado por cúmplices de Carlos que a operação foi comandada por Wadi Haddad, um terrorista palestino e fundador da Frente Popular para a Libertação da Palestina. Alegou-se também que a idéia e o financiamento veio de um presidente árabe, sendo que muitos apostam que seja Muammar al-Gaddafi.

Nos anos seguintes à invasão da OPEP, Bassam Abu Sharif e Klein afirmaram que Carlos tinha recebido uma grande soma de dinheiro em troca da libertação dos reféns árabes e a manteve para seu uso pessoal. Ainda há alguma incerteza quanto à quantia recebida, mas acredita-se estar entre 20 a 50 milhões de dólares. A fonte do dinheiro também é incerta, mas, segundo Klein, veio de "um presidente árabe". Carlos disse mais tarde a seus advogados que o dinheiro foi pago pelos sauditas em nome dos iranianos, e foi "desviado no caminho e se perdeu pela Revolução".[4]

Produção[editar | editar código-fonte]

Os países membros possuem 75% das reservas mundiais de petróleo. Suprem 40% da produção mundial[1] e 60% das exportações mundiais. Graças à OPEP, os países são os mais bem pagos pelo seu petróleo. As reservas mundiais são calculadas em 1.144.000 milhões de barris.[5]

Membros[editar | editar código-fonte]

Países membros da OPEP

A organização tem agora 12 países membros. Estão listados abaixo, com as datas da sua entrada na organização:[1]

Membros atuais

África
América do Sul
  •  Venezuela (setembro de 1960)
  • Equador (de 1973 até 1992, retornou como membro em dezembro de 2007)
Oriente Médio

Ex-Membros

• Equador suspendeu a sua adesão em dezembro de 1992 e reativou em dezembro de 2007.
• Gabão, que se tornou membro de pleno direito em 1975, terminou à sua adesão, com efeitos a partir de 1° de janeiro de 1995.
• Indonésia, que se tornou membro de pleno direito em 1962, suspendeu a sua adesão em dezembro de 2008.

Embora seis dos doze membros da OPEP sejam nações árabes, a língua oficial da organização é a inglesa.

Consequências[editar | editar código-fonte]

A criação e atuação da OPEP deu origem a duas crises financeiras no Ocidente. No entanto, o chamado Segundo Choque do petróleo, em 1979, incentivou as nações ocidentais a adotarem políticas para reduzir a sua dependência de petróleo estrangeiro. O alto valor do petróleo no mercado internacional tornou economicamente viável para países que possuíam reservas inexploradas, como Estados Unidos, Canadá e até o Brasil, investirem na exploração interna. Também deu origem a programas de substituição de combustíveis fósseis, como o Pró-álcool no Brasil e a produção de etanol a partir de grãos nos Estados Unidos. Os países da Europa foram os mais afetados pelos dois choques do petróleo, enfrentando uma séria depressão econômica nos anos 70 e 80.

Essas ações do ocidente afetaram negativamente os membros da OPEP. Uma redução no consumo internacional de petróleo fez cair a renda dos países produtores, levando-os a revisar suas políticas e tornar o petróleo mais competitivo no mercado internacional.[6] Isso levou a uma queda no preço do barril em 1986, e o reestabelecimento dos combustíveis fósseis como principal fonte de energia moderna.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d Opep (em português) brasilescola.com. Página visitada em 13/01/2012.
  2. a b c Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) (em português) infoescola.com. Página visitada em 13/01/2012.
  3. Chapter I, Article 6 of The Statute of the organization of the Petroleum Exporting Countries (as amended)
  4. Carlos the Jackal: Trail of Terror, Parts 1 and 2 — 'The Famous Carlos' — Crime Library on Trutv.com. Página visitada em 23 de outubro de 2010.
  5. Estimativas da Petrobras para 2002 (em português) educacional.com.br. Página visitada em 13/01/2012.
  6. proalcool (em português). Página visitada em 21/02/2013.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]