Reservas internacionais

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As reservas internacionais são os depósitos em moeda estrangeira dos bancos centrais e autoridades monetárias. São ativos dos bancos centrais que são mantidos em diferentes reservas, como o dólar americano, o euro ou o iene, e que são utilizados no cumprimento dos seus compromissos financeiros, como a emissão de moeda, e para garantir as diversas reservas bancárias mantidas num banco central por governos ou instituições financeiras.

História[editar | editar código-fonte]

O sistema monetário vigorante do século XIX até a Primeira Guerra Mundial era o padrão-ouro. Mas ao final da segunda Guerra Mundial, após os acordos de Bretton Woods, os Estados Unidos da América fixaram o valor do dólar ao do ouro, e permitiram a conversibilidade de dólares em ouro. Isto fez com que o dólar fosse visto efetivamente como um equivalente do ouro. Em 1971, durante o governo de Richard Nixon, os Estados Unidos da América abandonaram o sistema de Bretton Woods, mas o dólar permaneceu como uma moeda estável e fiduciária, e ainda hoje é a mais importante moeda de reserva. Atualmente os bancos centrais mantém reservas compostas de múltiplas moedas.

Finalidade[editar | editar código-fonte]

Em um regime de câmbio fixo, as reservas permitem que o banco central compre a moeda local emitida, negociando os seus ativos em moeda estrangeira. As reservas dão aos bancos centrais um meio adicional para estabilizar a emissão de moeda, para minimizar volatilidade, e para proteger o sistema monetário de choques, como os que ocorrem quando especuladores compram e vendem moeda em um espaço curto de tempo. Grandes reservas são quase sempre um sinal de que o país detentor é capaz de suportar turbulências econômicas. Um nível baixo ou em queda pode ser um indicativo de que uma corrida bancária contra a moeda local é iminente ou de que um "calote" é provável, configurando uma crise monetária.

Os bancos centrais muitas vezes defendem que a manutenção de grandes reservas resulta num seguro contra crise. Isto é verdade até o momento em que o banco central pode manter a sua moeda através da venda das reservas. (Esta prática é considerada como uma manipulação do mercado de câmbio. Muitos bancos centrais utilizaram-se deste expediente desde o colapso do sistema de Bretton Woods. Em algumas poucas vezes, alguns bancos centrais cooperaram para tentar manipular taxas de câmbio de forma coordenada. Não é claro o quanto esta prática é eficiente.) Além disso, a manutenção de grandes reservas não significa necessariamente uma proteção contra a inflação, já que a política de grandes compras de moeda estrangeira para manter a moeda local barata pode iniciar ou alimentar um processo inflacionário.

Custos e benefícios[editar | editar código-fonte]

Por um lado, se um país deseja controlar a taxa de câmbio, a manutenção de grandes reservas dá ao banco central uma grande possibilidade para manipular o mercado de câmbio. Mas as reservas também têm um custo. A diferença existente entre o retorno da aplicação das reservas em instituições internacionais e o valor pago aos detentores da sua dívida interna, gera um custo fiscal para o governo. Além disso alguns governos sofrem perdas importantes por causa de problemas no gerenciamento das reservas, que acabam redundando em custo fiscal.[1]

Reservas internacionais por país.

No início do ano de 2007, a política de acumulação de reservas do governo brasileiro recebeu críticas devido ao seu alto custo fiscal.[2] [3]

Níveis de reserva[editar | editar código-fonte]

Não existe um número absoluto que seja considerado como adequado para o nível das reservas internacionais. O nível ideal das reservas é normalmente obtido a partir de uma porcentagem do débito de curto prazo, da disponibilidade de moeda ou da média mensal de importações.

No final do ano de 2004, 66% das reservas eram mantidas em dólares estadunidenses e 25% em euros.[4]

Posição País/Autoridade monetária Reservas internacionais
(Milhões de USD)
Estimativas
 Mundo (soma de todos os países) 10,008,392 --
1  República Popular da China
3,341,000 dezembro de 2012[5]
2  Japão 1,238,713 junho de 2013[6]
- União Europeia Eurosystem
(EU member states which have adopted the euro, incl. ECB)
808,192 maio de 2013[6]
3 Arábia Saudita 656,900 dezembro de 2012 [5]
4 Suíça 524,800 abril de 2013[6]
5  Rússia 518,431 maio de 2013[6]
6 Taiwan 408,500 dezembro de 2012 [5]
7  Brasil 379,085 maio de 2014
8  Coreia do Sul 328,095 maio de 2013[6]
9 Hong Kong Hong Kong 305,713 maio de 2013[6]
10  Índia 287,897 maio de 2013[6]
11  Singapura 258,378 maio de 2013[6]
12  Alemanha 227,427 abril de 2013[6]
13  Argélia 191,600 dezembro de 2012 [5]
14  França 178,099 março de 2013[6]
15  Tailândia 177,803 março de 2013[6]
16  México 172,700 abril de 2013[6]
15  Itália 160,885 maio de 2013[6]
16  Estados Unidos 144,893 junho de 2013[6]
17  Malásia 140,312 abril de 2013[6]
18  Reino Unido 129,063 maio de 2013[6]
19  Turquia 128,862 maio de 2013[6]
20  Polónia 108,870 março de 2013[6]
21 Indonésia 105,149 maio de 2013[6]
22  Dinamarca 85,275 maio de 2013[6]
23 Filipinas 83,951 março de 2013[6]
24  Israel 77,600 maio de 2013[6]
União Europeia Banco Central Europeu
(ECB, not owned by any single EU member)
74,900 maio de 2013[6]
25  Canadá 70,695 maio de 2013[6]
26  Iraque 70,330 dezembro de 2012 [5]
27  Irã [a] 69,860 dezembro de 2012 [5]
28  Suécia 66,564 maio de 2013[6]
29  Peru 63,471 dezembro de 2012[6]
30  Noruega 55,313 fevereiro de 2013[6]
31 Líbano 52,500 dezembro de 2012 [5]
32  Austrália 49,849 maio de 2013[6]
33  Países Baixos 49,254 maio de 2013[6]
34  Espanha 48,342 maio de 2013[6]
35 África do Sul 48,146 maio de 2013[6]
36  Roménia 47,228 maio de 2013[6]
37 Nigéria 46,410 dezembro de 2012 [5]
38  Hungria 45,923 maio de 2013[6]
39  República Checa 43,599 maio de 2013[6]
40  Emirados Árabes Unidos 42,970 dezembro de 2012 [5]
41  Chile 40,148 maio de 2013[6]
42  Colômbia 40,032 maio de 2013[6]
43  Argentina 30.600 dezembro de 2013[6]
44  Venezuela 29,890 dezembro de 2012[5]
45 Cazaquistão 28,329 maio de 2013[6]
46  Bélgica 28,233 maio de 2013[6]
47  Ucrânia 24,542 maio de 2013[6]
48  Áustria 24,267 maio de 2013[6]
49  Vietname 23,880 dezembro de 2012 [5]
50  Portugal 19,912 maio de 2013[6]
51  Bulgária 19,303 maio de 2013[6]
52  Marrocos 18,287 maio de 2013[6]
53 Macau Macau 16,600 dezembro de 2012 [5]
54  Nova Zelândia 16,008 abril de 2013[6]
55  Croácia 15,534 maio de 2013[6]
56  Egito 15,251 maio de 2013[6]
57 Uruguai 14,300 abril de 2013[6]
58  Bolívia 13,930 dezembro de 2012 [5]
59 Paquistão 13,800 dezembro de 2012 [5]
60  Bangladesh 12,750 dezembro de 2012 [5]
61  Azerbaijão 11,280 dezembro de 2012 [5]
62 Jordânia 11,238 maio de 2013[6]
63  Finlândia 10,374 maio de 2013[6]
64 Trinidad e Tobago 9,897 dezembro de 2012 [5]
65  Bielorrússia 8,027 maio de 2013[6]
66 Costa Rica 7,960 abril de 2013[6]
67  Letônia 7,609 maio de 2013[6]
68  Letônia 7,609 maio de 2013[6]
69  Tunísia 7,400 abril de 2013[6]
70  Lituânia 7,302 junho de 2013[6]
71 Sri Lanka 7,000 outubro de 2010[6]
72  Grécia 6,324 maio de 2013[6]
73 Camboja 4,938 dezembro de 2012 [5]
74  Islândia 4,098 abril de 2013[6]
75 Paraguai 3,978 dezembro de 2010[6]
76 Myanmar 3,560 dezembro de 2009
77 El Salvador 3,062 abril de 2013[6]
78  Geórgia 2,982 junho de 2013[6]
79  Moldávia 2,481 abril de 2013[6]
80  Eslováquia 2,232 maio de 2013[6]
81  Irlanda 1,688 maio de 2013[6]
82  Arménia 1,670 maio de 2013[6]
83  Chipre 967 abril de 2013[6]
84  Luxemburgo 944 maio de 2013[6]
85  Eslovênia 770 maio de 2013[6]
86 Laos 712 outubro de 2010[6]
87  Malta 590 maio de 2013[6]
88  Estónia 285 abril de 2013[6]

Notas[editar | editar código-fonte]

a. O governo iraniano não divulga as reservas internacionais e esse número é uma estimativa calculada por institutos internacionais ou estrangeiros que são ocasionalmente apoiados por autoridades iranianas sem revelar os números exatos.^

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Artigos[editar | editar código-fonte]

Dados[editar | editar código-fonte]