Balança de pagamentos
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Nota: Para outros significados, veja Balanço (desambiguação).
A balança de pagamentos é um instrumento da contabilidade nacional referente à descrição das relações comerciais de um país com o resto do mundo. Ele registra o total de dinheiro que entra e sai de um país, na forma de importações e exportações de produtos, serviços, capital financeiro, bem como transferências comerciais.
Existem duas contas nas quais se resumem as transações econômicas de um país:
- a conta corrente, que registra as entradas e saídas devidas ao comércio de bens e serviços, bem como pagamentos de transferência; e
- a conta de capital, que registra as transações de fundos, empréstimos e transferências. São componentes dessa conta os capitais compensatórios: contas caixa (haveres no exterior e direitos junto ao FMI), empréstimos oferecidos pelo FMI e contas atrasadas (débitos vencidos no exterior).
A soma das duas contas fornece a balança global de pagamentos. Em 1969, um manual do FMI estabeleceu as formas de apresentação.[1]
Índice |
[editar] Estrutura
A estrutura de uma balança de pagamentos inclui os seguintes itens:
- Transações correntes (também chamado de Saldo do Balanço de Pagamentos em Contas Correntes)
- Balança comercial (FOB)
- Serviços e rendas (líquido) (Também chamado de Balança de Serviços, Balanço de Intangíveis ou Balanço de Invisíveis)
- Transferências unilaterais correntes
- Conta capital e financeira
- Conta capital
- Conta financeira
- Investimento direto
- Investimento direto do país
- Participação no capital
- Empréstimo entre empresas
- Investimento estrangeiro direto
- Participação no capital
- Empréstimo entre empresas
- Investimento direto do país
- Investimentos em carteira
- Investimento do país em carteira
- Ações de companhias estrangeiras
- Títulos de renda fixa
- Investimento estrangeiro em carteira
- Ações de companhias do país
- Títulos de renda fixa
- Investimento do país em carteira
- Derivativos
- Outros investimentos
- Outros investimentos do país
- Outros investimentos estrangeiros
- Investimento direto
- Erros e Omissões
- Resultado da Balança
- Conta de Capitais Compensatórios
- Contas de Caixa
- Haveres no exterior
- Reservas em ouro
- Contas de Caixa
[editar] Estrutura segundo SACHS & LARRAIN
- SACHS & LARRAIN, em seu livro Macroeconomia (Makron Books, 2000, p 196.), assim resumem as contas do balança de pagamentos:
- 1) Conta corrente (CC=1.1+1.2+1.3): conta corrente de uma economia é uma variável de fluxo que mede a taxa pela qual os habitantes de um país estão concedendo ou tomando empréstimos do resto do mundo (p. 39). Definimos a conta corrente de uma nação (CC) como a variação de sua posição dos ativos financeiros líquidos em relação ao resto do mundo: CC= (direitos líquidos dos habitantes de um país em relação ao resto do mundo em t) – (direitos líquidos dos habitantes de um país em relação ao resto do mundo em t-1) (p. 164).
- 1.1) Saldo comercial. [A balança comercial é uma variável que] compara as exportações de um país para o resto do mundo menos suas importações do exterior (p. 9). Os desequilíbrios da balança comercial estão fortemente relacionados com o fluxo financeiro entre as nações (p. 10).
- 1.1.1) Exportação de bens
- 1.1.2) Importação de bens
- 1.2) Saldo de serviços
- 1.3) Transferências unilaterais. Inclui ajuda externa e transferências do setor privado (p. 173).
- 1.3.1) Tranferências oficiais.
- 1.3.2) Outros
- 1.1) Saldo comercial. [A balança comercial é uma variável que] compara as exportações de um país para o resto do mundo menos suas importações do exterior (p. 9). Os desequilíbrios da balança comercial estão fortemente relacionados com o fluxo financeiro entre as nações (p. 10).
- 2) Conta capital (CAP= 2.1+2.2+2.3)
- 2.1) Entrada líquida de investimentos
- 2.2) Créditos externos líquidos recebidos
- 2.2.1) Curto prazo
- 2.2.2) Longo prazo
- 3) Erros e omissões
- 4) Resultado da balança de pagamentos (BP = 1+ 2) = alterações nas reservas internacionais líquidas
[editar] Convenções
Segundo SACHS & LARRAIN (Macroeconomia, Makron Books, 2000, p 196-7.), "a ideia básica da contabilidade do balança de pagamentos está no fato de que há duas definições de conta- corrente: como a balança comercial menos as transferências líquidas do exterior e como a variação da posição do investimento internacional líquido."
Ainda segundo os mesmos autores, na teoria, todas as transações que afetam a conta corrente exigem dois lançamentos na tabela. As convenções contábeis determinam que a soma das duas transações seja zero.
As seguintes convenções aplicam-se ao balança de pagamentos:
- 1) Receita de exportações e recebimento de juros do exterior são lançados como itens positivos na conta corrente.
- 2) Pagamento de importações e pagamento de juros sobre passivos externos são lançados como itens negativos na conta corrente
- 3) Aumentos em direitos no exterior e reduções no passivo no exterior (saída de capital)são lançados como itens negativos na conta capital
- 4) Reduções em direitos no exterior e aumentos no passivo no exterior (entrada de capital) são lançados como itens positivos na conta capital.
[editar] Identidade fundamental
Pelo fato de qualquer transação internacional fazer surgir duas entradas que se compensam no balança de pagamentos, o saldo de conta corrente e o saldo da conta capital automaticamente somam zero:
conta corrente + conta capital = 0
Esta identidade também pode ser compreendida considerando-se a relação entre a conta corrente e os empréstimos internacionais. Como a conta corrente é a variação dos ativos externos líquidos de um país, a conta corrente é necessariamente igual à diferença entre as compras de um país de ativos estrangeiros e suas vendas de ativos aos estrangeiros, ou seja, o saldo da conta de capital antecedido por um sinal de menos.[2].
[editar] Déficits na Balança de Pagamentos
Geralmente é chamado de "Economia Aberta" [3] um país que experimenta déficits ou superávits em sua balança de pagamentos. Um déficit na Balança de Pagamentos obriga o país nessa situação a tomar medidas ("ajustes") para evitar que o fluxo de capitais vindos do exterior não seja interrompido além de outras ocorrências que possam desestabilizar por completo a economia. Alguns desses ajustes (várias vezes adotados pelo Brasil em maior ou menor escala durante sua história inclusive por imposição do FMI) são: desvalorização real da taxa de câmbio, redução do nível de atividade econômica, restrições quantitativas ou tarifárias às importações, subsídio à exportação e controle de remessa de capitais ao exterior. Os quatro primeiros focam o déficit em transações correntes.[1]
Referências
- ↑ a b FINANÇAS INTERNACIONAIS, Ivan Karoly Kasznar, 1ª Ed.,1990,pgs.5-34 IBMEC - Rio de Janeiro
- ↑ KRUGMAN, Paul. R. ; OBSTFELD, Maurice. Economia Internacional- Teoria e prática. 5ª ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2001. ISBN 85-346-1228-5. pp 325-6.
- ↑ A CONTRA-REVOLUÇÃO MONETARISTA, René Vilarreal, 1984, Ed. Record, Rio de Jaeiro
[editar] Mais informações
- Balança de pagamentos de todos os países: Cia World Factbook (em inglês)
- Definições importantes em economia internacional (em inglês)