Duopólio

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O Duopólio (do grego dyo / δυο (dois) + polein / πωλειν (para vender)) é uma falha de mercado e tipo específico de oligopólio em que apenas dois produtores existem em um mercado. Esta definição é geralmente usada apenas quando duas empresas têm o controle dominante do mercado. No campo da organização industrial, normalmente se estuda o duopólio como se este fosse um oligopólio devido à sua simplicidade conceitual.

O duopólio pode ou não direcionar as empresas a um acordo ou conluio e um abuso de posição dominante ou de uma situação de competição. A existência de um duopólio pode contrariar as leis antitruste. Um duopólio também pode direcionar as empresas a rumarem a cartelização (acordo tácito de manutenção de duopólio). Neste caso o duopólio torna-se mais complicado de ser gerido do que um monopólio natural.

Tipos de duopólio[editar | editar código-fonte]

Existem basicamente dois tipos de duopólio:

No duopólio, os dois únicos produtores de uma mercadoria, concordam em estabelecer um preço, não aumentando ou diminuindo este. Desta forma, eles estão associados. É um modelo muito semelhante ao monopólio.

Questões do duopólio[editar | editar código-fonte]

Como parte de estratégias competitivas, as empresas tomam decisões somente para seu benefício em detrimento de seus concorrentes. Em outras palavras, as empresas reagem aos benefícios do concorrente, como resultado, a interdependência dos lucros e as decisões criam um padrão de interação estratégica. Na microeconomia esse tipo de interação é chamado de jogo. O duopólio pode, portanto, ser estudado em função da concorrência simples para introduzir a teoria dos jogos.

Equilíbrio cooperativo[editar | editar código-fonte]

O equilíbrio no duopólio pela cooperação é um acordo (também caracterizado como conluio) explícito ou implícito entre concorrentes para, principalmente, fixação de preços ou cotas de produção, divisão de clientes e de mercados de atuação[1] ou, por meio da ação coordenada entre os participantes, eliminar a concorrência e aumentar os preços dos produtos, obtendo maiores lucros, em prejuízo do bem-estar do consumidor. O maior exemplo de equilíbrio cooperativo no duopólio é o cartel.

Na prática o cartel opera como um monopólio, isto é, como se fosse uma única empresa. Os cartéis são considerados a mais grave lesão à concorrência e prejudicam consumidores ao aumentar preços e restringir oferta, tornando os bens e serviços mais caros ou indisponíveis.

Equilíbrio não-cooperativo[editar | editar código-fonte]

A concorrência na quantidade[editar | editar código-fonte]

Duopólio simétrico de Cournot

Os pressupostos da análise de Cournot são:

  • Cada empresa acredita que a produção do concorrente é constante, sendo a produção a real variável estratégica.
  • Todas as empresas que estão no mercado produzem bens homogêneos.

A análise de Cournot destaca a interdependência das duas empresas (as duopolistas) no mesmo mercado. Na verdade, as decisões de uma empresa são influenciadas pela decisão da outra empresa, e vice-versa. O equilíbrio de Cournot é considerado como um equilíbrio de Nash com várias estratégias ótimas para ambos os jogadores dadas as suas ações recíprocas.

Duopóilio assimétrico de Stackelberg

A competição de Stackelberg é um modelo de duopólio. Este modelo complementa e enriquece a análise de Cournot e Bertrand na interdependência cíclica (com base nas condições de mercado), destacando o conceito de interdependência conjectural (com base em conjecturas). A interdependência cíclica refere-se ao fato de que cada empresa é limitada e descobre que sua própria situação depende da situação em que se encontra a sua concorrente. No entanto, a análise fornece não apenas a conjectura que cada empresa sabe - sua posição de dependência em relação a outra empresa, mas auxilia a concorrente, que adota o mesmo raciocínio. As premissas deste modelo são múltiplas:

  1. Primeiro, o duopólio de Stackelberg é assimétrico, isto é, as duas empresas concorrentes não têm o mesmo poder. Este fato é conhecido como a relação empresa líder (que determina o preço e a produção do mercado) e empresa satélite.
  2. Se a empresa é um líder, e se ela maximiza seu próprio lucro, ela deve ter em conta o comportamento da firma 2, integrando a função de reação da última para a função próprio lucro. Se ambas as empresas acreditam que são satélites, há um desequilíbrio e a produção torna se torna deficiente e insuficiente. Se ambas as empresas acreditam serem o líder (comportamento de Bowley), há também desequilíbrio (produção total excede a demanda). Isso pode resultar em preços mais baixos e, em última análise, o lucros menores.
  3. A análise do duopólio de Stackelberg também aparece na teoria dos jogos. O equilíbrio de Nash desempenha um papel importante na resolução de jogos de Stackelberg .
Duopólio de Bowley

Situação em que duas empresas produzem os mesmos produtos e agem como se fossem duas dominantes. Isto leva a equilíbrios instáveis. Há três opções,

  1. Uma das duas empresas capturou o mercado e passou a ser dominante (modelo de Stackelberg).
  2. Ambas as empresas caem na chamada "órbita de casal", que é uma situação semelhante ao duopólio de Cournot.
  3. Ou ambas as empresas concordam e compartilham o mercado, estando assim em equilíbrio cooperativo.

Concorrência de preços[editar | editar código-fonte]

Duopólio de Bertrand

Na análise da Bertrand, a variável estratégica não é a produção, mas o preço (ao contrário da abordagem de Cournot). No entanto, os pressupostos são idênticos aos de Cournot, que o produto é homogêneo, que as empresas têm a capacidade de responder a qualquer demanda e o custo de produção é idêntico para ambas as empresas

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

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